MEDIÇÃO DE TERRA

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MEDIÇÃO DE TERRAS

segunda-feira, 23 de junho de 2014

De bicicleta, inglês atravessa o mundo para chegar ao país da Copa


Viajando há quase um ano, Hugh Thompson passou por mais de 20 países.
Um dos objetivos é arrecadar doações para um projeto social na África.

Raquel Freitas Do G1 MG
Há cerca de um ano, inglês iniciou aventura sobre duas rodas rumo ao país da Copa (Foto: Hugh Thompson/Arquivo Pessoal)Há cerca de um ano, inglês iniciou aventura sobre duas rodas rumo ao país da Copa (Foto: Hugh Thompson/Arquivo Pessoal)
Até julho do ano passado, o inglês Hugh Thompson, de 30 anos, costumava pedalar apenas para fazer o trajeto entre a casa dele e o trabalho, percorrendo uma distância de cerca de cinco quilômetros. Mas, nos últimos 11 meses, a vida dele se transformou em uma aventura sobre rodas pelos quatro cantos do mundo, em busca de arrecadar dinheiro para um projeto social. Thompson abandonou o conforto de casa na terra natal e viajou aproximadamente 25 mil quilômetros, cruzando 25 países, para chegar ao Brasil a tempo da Copa do Mundo. E tudo isso apenas na companhia de sua “namorada”, a bicicleta.

Em 6 de julho do ano passado, o inglês deixou Londres, sem muitos planos definidos, seguindo em direção ao estádio Maracanã, no Rio de Janeiro, palco da final do Mundial. “Eu tinha metade do planejamento, a maior parte do tempo eu falava com moradores e pedia orientação. O plano era visitar 25 países, seguindo para o Leste, e chegar no Rio para a Copa do Mundo”, contou ao G1 nesta segunda-feira (23) em Belo Horizonte.
Pelo tablet, Thompson acompanha a arrecadação de doaçãoes (Foto: Raquel Freitas/G1)Pelo tablet, Thompson acompanha a arrecadação
de doaçãoes (Foto: Raquel Freitas/G1)
Na bagagem, ele carrega somente o necessário. Não mais que poucas peças de roupa, comida, a bandeira do projeto, uma barraca, ferramentas para a bicicleta, além de um tablet. É por meio do pequeno equipamento que ele se mantém em contato com a família e também consegue acompanhar um dos principais objetivos de sua viagem. Além conhecer novas pessoas e viver um desafio, o inglês pretende arrecadar donativos para um projeto social na África, que atua na prevenção da Aids e de doenças sexualmente transmissíveis.

“Eu pensava que a Copa do Mundo seria minha melhor recordação, mas a minha melhor recordação tem sido o trabalho do Tackle Africa em comunidades locais e ver a mudança de comportamento de jovens, usando o futebol como ferramenta”, afirma.

O intuito inicial era conseguir 20 mil libras, mas, faltando menos de 500 quilômetros para o destino final da jornada pelo mundo, Thompson conta que arrecadou cerca de 14 mil libras. Apesar de acreditar ser difícil chegar ao valor previsto, ele se diz feliz com o resultado.

Apaixonado pelo esporte, ele também guarda na memória o envolvimento de cada nação com a bola. “Em todos os países que visitei, joguei uma partida de futebol, normalmente com crianças. O futebol é jogado em todos os lugares do mundo. É muito legal. O futebol é universal, você não precisa de falar diferentes idiomas. É só você jogar”, ressalta.
Em cada país que chegava, o ciclista logo descia da bike para bater bola com moradores (Foto: Hugh Thompson/Arquivo Pessoal)Em cada país que chegava, o ciclista logo descia
da bike para bater bola com moradores
(Foto: Hugh Thompson/Arquivo Pessoal)
O inglês está no Brasil desde o dia 2 de junho e já passou por cidades como Foz do Iguaçu, Cascavel, Ponta Grossa, Curitiba e São Paulo. Belo Horizonte não estava nos planos do ciclista, mas a partida entre Inglaterra e Costa Rica, que será disputada no Mineirão nesta terça-feira (24), e a possibilidade de se encontrar com o Príncipe Harry durante um evento em clube da capital mineira trouxeram Thompson até Minas Gerais. Ele acredita que será difícil ficar frente a frente com representante da realeza britânica, mas adianta o que possivelmente diria ao herdeiro do trono. “Eu gostaria de falar com ele sobre o projeto e sobre o que fazemos”, diz.

Como Belo Horizonte não constava no roteiro do ciclista, o jeito foi deixar a bicicleta guardada e fazer o trajeto entre São Paulo e Minas em meios convencionais. “Seria muito longe”, afirma. Segundo Thompson, esta não é a primeira vez que a “magrela” não é usada na viagem. “Tive que pegar um avião da Austrália para Colômbia, por exemplo. Mas o máximo possível eu faço de bicicleta”, pontua.

Ter a companheira roubada é o maior medo do aventureiro, que bate na madeira ao pensar neste risco. Ele diz que, ao longo da viagem, sentiu medo algumas vezes por estar só na estrada e classifica a passagem pelos Andes como o trecho mais desafiador do trajeto. Achar um local para dormir também nem sempre foi tarefa fácil. Além de um site em que usuários oferecem suas casas para hospedagem gratuita, ele contou a gentileza de muitas pessoas que passaram pelo seu caminho. Mas, muita vezes, teve que improvisar, acampando ao lado de postos da polícia, dos bombeiros ou de pedágios.
Como Belo Horizonte não estava nos planos, o inglês deixou a bicicleta guardada em SP para visitar MG (Foto: Raquel Freitas/G1)Como Belo Horizonte não estava nos planos, o inglês deixou a bicicleta guardada em SP para visitar MG (Foto: Raquel Freitas/G1)
Clima da Copa
Apesar de cruzar o mundo para visitar o país da Copa, assistir às partidas nos estádios não tem sido rotina para o inglês. Ele diz que foi ao campo apenas para ver o jogo em que o Uruguai derrotou a Inglaterra por 2 a 1, complicando a situação da seleção europeia, que teve a eliminação confirmada após a vitória de Costa Rica sobre a Itália. Para o último jogo dos ingleses no Mundial, ele ganhou o ingresso “de um amigo de um amigo”, mas ele deve acompanhar as outras disputas do Mundial apenas pela televisão.

Thompson afirma que não esperava uma despedida tão precoce da Inglaterra nesta Copa, mas também não tinha muita confiança na equipe de seu pais. “A Inglaterra nunca ganharia a Copa do Mundo, então eu quero que o Brasil ganhe”. E se a vontade do inglês se concretizar, ele já até escolheu o local para comemorar. “Eu quero estar na praia quando o Brasil ganhar. Acima do futebol, tem o clima da Copa. A hospitalidade do brasileiro é incrível”.

Com a viagem chegando ao fim, o ciclista sente no corpo o esforço de pedalar por mais de duas dezenas de países. “Estou cansando, meus joelhos estão doloridos. Eu realmente estou precisando descansar”, desabafa. De Belo Horizonte, ele volta para São Paulo e retoma seu trajeto até o Rio de Janeiro, onde pretende estacionar a bicicleta no dia 29. Terminada a Copa, seguirá para a cidade inglesa de Newcastle para visitar a família.

Ele pretende registrar a experiência desta viagem em livro e já pensa em um novo projeto. “Eu quero estar envolvido de alguma forma com as Olimpíadas no Brasil, mas nada mais de bicicleta”, planeja.

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