MEDIÇÃO DE TERRA

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quinta-feira, 13 de junho de 2024

Disque 100 recebeu mais de 47 mil denúncias de negligência familiar no primeiro tri de 2024

 Disque 100 recebeu mais de 47 mil denúncias de negligência familiar no primeiro tri de 2024
 

Seminário a ser realizado na Câmara dos Deputados no dia 19 de junho marca o início de uma frente de atuação para discutir projetos que incluem a parentalidade na Política Nacional de Cuidados do Brasil.

De acordo com o Disque 100 do Ministério de Direitos Humanos, só no primeiro trimestre de 2024, foram registradas mais de 47 mil denúncias de negligência familiar. O número já representa 70% do total de chamadas recebidas no segundo semestre do ano passado.

Em uma escala de zero a dez, a negligência aparece com índice superior a nove sendo o maior motivador de acolhimento em todas as regiões brasileiras, segundo a organização Aldeias Infantis SOS. Ainda que a negligência não possa ser atribuída exclusivamente às famílias, as evidências apontam que a presença de pais atenciosos e cientes de sua responsabilidade é uma importante via de prevenção contra esta realidade alarmante. Neste sentido, os dados reforçam a importância da adoção de políticas de parentalidade positiva e inserção do tema nas ações da Política Nacional de Cuidados.

Ciente deste desafio, o Family Talks, ONG que trabalha pelo fortalecimento das famílias brasileiras, defende que a promoção da parentalidade deve ser uma prioridade nacional, envolvendo governos federal, estaduais e municipais.

“São as famílias que formam, protegem e cuidam das pessoas. Para que qualquer política de cuidado seja efetiva, é preciso garantir que as famílias tenham acesso aos melhores recursos possíveis, através do apoio do Estado e da sociedade civil, sobretudo para tarefas de cuidado das crianças e pessoas idosas”, aponta Rodolfo Canônico, Diretor Executivo do Family Talks
 

No próximo dia 19 de junho, a Comissão da Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família (CPASF) realizará um Seminário sobre Parentalidade e Cuidado no auditório Freitas Nobre, da Câmara dos Deputados. O encontro visa sensibilizar sociedade civil, políticos e administração pública a respeito da importância do desenvolvimento da parentalidade para o desenvolvimento social e garantia de direitos de crianças e adolescentes.
 

O Seminário também marca o início de uma frente com o propósito de pautar o debate político com o tema do fortalecimento das famílias. Após o encontro, será formado um Grupo de Trabalho (GT) que irá levar o tema e propor ações para municípios e estados. Com a proximidade das eleições municipais, a proposta é levar aos candidatos a importância de investir nos cuidados com a família, bem como tornar o tema prioridade nas pautas públicas.
 

“Iniciativas para fortalecer vínculos familiares e promover educação parental estão ganhando a atenção por serem políticas públicas eficientes, baratas e de fácil implementação. É por isso que o Unicef lançou, em 2022, um chamado aos governos nacionais para implementarem programas dessa natureza. Tais ações têm a capacidade de promover o desenvolvimento de crianças e adolescentes, como também prevenir violências e abusos”, explica Rodolfo.
 

De acordo com relatório do Unicef, os programas de apoio às famílias são de baixo custo e facilmente escaláveis. Países como Filipinas, África do Sul e Tanzânia já possuem ações consolidadas no fortalecimento parental, com custos semelhantes a um programa de vacinação infantil. O retorno do investimento para os orçamentos governamentais, o bem-estar social e outros resultados de desenvolvimento são substanciais. A cada dólar investido em políticas voltadas para o cuidado de crianças na primeira infância, proporciona um retorno de 13% ao ano para os governos. Ainda segundo o Unicef, estima-se uma redução anual de 10% (3 milhões por ano) de crianças expostas a fatores de risco, como abuso, negligência e disfunção parental, o que em países da Europa e da América do Norte pode significar uma economia de 105 bilhões de dólares.

Canônico reafirma que é crucial mobilizar os governos do Brasil para que programas de apoio e fortalecimento das famílias estejam disponíveis em larga escala, seguindo as recomendações do Unicef e OMS. Hoje, 75% das crianças na faixa etária de 2 a 4 anos sofrem algum tipo de violência regularmente, de acordo com dados da Unicef. Meninos e meninas com atraso no desenvolvimento ou deficiência estão mais expostos ao risco de abusos e negligência dos pais.

Sobre o seminário

Para ampliar o debate, organizações e pesquisadores da Academia farão parte do seminário: Rodolfo Canônico, Diretor Executivo do Family Talks. Alessandra Turini Bolsoni Silva, professora da UNESP; Ivana Moreira, diretora da Canguru News; Marcelo Couto Dias, Secretário da Família e Segurança Alimentar de Osasco, além de representantes do Instituto de Desenvolvimento Familiar Chieko Nishimura, Ministério dos Direitos Humanos e de Cidadania, Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente e Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Sobre o Family Talks: É o programa de advocacy da Associação de Desenvolvimento da Família (ADEF) que busca assegurar a proteção especial à família (art. 226 da Constituição Federal) através da atuação junto ao governo e à opinião pública, com a promoção de ações públicas e privadas para o fortalecimento das relações familiares. A ADEF está vinculada à International Federation for Family Development (IFFD), que congrega mais de 200 associações, está em 66 países e possui status consultivo geral na ONU.


 

Serviço:

Seminário sobre Parentalidade e Cuidado

Data: 19 de junho a partir das 9h

Local: Auditório Freitas Nobre, Câmara dos Deputados


 

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