Por Agência Brasil
“Se não houver mudanças de paradigma neste julgamento de hoje, não
tenho dúvidas de que o Supremo em breve retornará ao tema, mas não mais
por razões principiológicas, mas por imperativo prático. O aumento
exponencial de demandas penais irá inviabilizar o regular funcionamento
da Corte em curto espaço de tempo”, disse.
Janot defendeu que seja mantido no STF somente processos relacionados a
crimes que estejam estritamente relacionados ao exercício do cargo e
enquanto o investigado ou réu ocupar o posto. Hoje, são automaticamente
remetidos à Corte qualquer caso que envolva presidentes de Poder,
ministros de Estado e membros do Congresso Nacional, mesmo os cometidos
anteriormente e sem nenhuma relação com o cargo.
O STF iniciou na tarde de hoje o julgamento que vai decidir se o foro
privilegiado será restringido. A sessão começou com a leitura do voto do
ministro Luís Roberto Barroso, relator do caso, e um pedido de vista
não está descartado. Além do relator, 10 ministros devem votar.
Montanha-russa processual
Para o procurador-geral da República, a atual interpretação provoca uma
verdadeira “montanha-russa processual”, ao permitir repetidas subidas e
decidas de processos entre as instâncias inferiores e o STF, a depender
da nomeação ou eleição do investigado ou réu a cargos com prerrogativa
de função.
Ele argumentou que o constituinte teve como objetivo proteger o
exercício do cargo, e não a pessoa que o ocupa. “A prerrogativa de foro
tem uma razão de ser, o constituinte a criou para atender a determinados
valores”, disse Janot. “O que sobejar [ultrapassar] esse paradigma é
intolerável proteção à pessoa e não a suas relevantes funções”,
acrescentou.
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