MEDIÇÃO DE TERRA

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MEDIÇÃO DE TERRAS

domingo, 31 de dezembro de 2023

O feminismo radical é um machismo reverso?

 

BLOG  ORLANDO  TAMBOSI


A suposição de que todo homem é um agressor em potencial predispõe a mulher a encarar a sedução sexual como uma ameaça de violação. Tania Coelho dos Santos para a Crusoé:


A manifestação do sentimento de injustiça, da experiência subjetiva de vítima de insulto ou de abuso de poder, tornou-se constante na cena social contemporânea. As acusações de reais ou supostas agressões se multiplicaram e os principais motivos alegados são atitudes machistas, racistas ou LGBTQIA+fóbicas.

Esse imaginário belicoso inflacionado é consequência da divergência de opinião em matéria de costumes, um terreno cada mais sensível nas relações pessoais e no debate público. A melhor explicação para esse cenário está na deriva histórica do movimento feminista, que emplacou sua mais recente versão: o feminismo de corpo.

Segundo a definição do Estado moderno, “todo homem nasce livre e igual”. Inspirado no Direito natural, alimentou a crença na universalidade dos direitos e deveres, produzindo o ideal de cidadania. O movimento feminista, nos últimos tempos, subverteu este princípio e contribuiu para engendrar culturas identitárias. A desigualdade entre homens e mulheres tornou-se um fato de estrutura identitária e não uma contingência histórica.

Nessa cultura, em lugar do ideal de cidadania universal ergueu-se a concepção de que a relação entre os sexos deve ser pautada como um contrato social. Nele, os direitos e os deveres de homens e mulheres seriam codificados diferencialmente em dispositivos regulamentares estritos. Trata-se de garantir que haja consentimento explícito nas interações entre os sexos e de assegurar, frente ao “forte”, a proteção contratual do “fraco”. Paradoxalmente, a militância neofeminista radical tende a levar essas interações ao confronto, a um face a face corporal, que apela à lei do mais forte.

Inspirado no separatismo lesbiano, o neofeminismo isola cada mulher em seu corpo, de acordo com o lema “meu corpo, minhas regras”. A suposição de que todo homem é um agressor em potencial predispõe a mulher a encarar a sedução sexual como uma ameaça de violação. A ativista americana Catharine MacKinnon, nos anos 1980, já declarava que havia uma mínima diferença entre a relação sexual normal e o estupro, “menos que a espessura de uma folha de papel de cigarro”.

Mas esse estado psicopatológico de coisas foi antecedido por lutas legítimas, ainda que elas tenham incorporado elementos controversos com o tempo.

O movimento social feminista nasceu em meados do século 19 para reivindicar a justa igualdade de direitos civis, jurídicos e políticos entre homens e mulheres. Ao longo da história não faltaram manifestações individuais ou coletivas através, por exemplo, da literatura, da arte e do misticismo, em prol da liberdade e da emancipação das mulheres.

O movimento feminista propriamente dito propaga-se em ondas ou vagas, em torno de pautas específicas que se recobrem ou se sucedem no tempo.

A primeira onda, além de reivindicar a igualdade de direitos civis jurídicos e políticos entre homens e mulheres (sufragistas ou sufragettes), lutava pela educação das mulheres e pela revogação legislativa do contrato conjugal que atribuía ao marido direitos sobre o corpo e os bens da mulher.

Uma segunda pauta de reivindicações emergiu ainda durante a primeira onda: o feminismo marxista. De acordo com Simone De Beauvoir, em seu livro O segundo sexo, a Revolução Industrial teria sido um marco essencial rumo à emancipação feminina: “Essa é a grande revolução que, no século 19, transforma o destino da mulher e abre, para ela, uma nova era”. Nesse período, muitas mulheres operárias acabaram abraçando a ideologia anarquista e socialista, e agrupando-se em sindicatos que reivindicavam melhores condições de trabalho.

A segunda onda propriamente dita surge nas décadas de 1960-1970, recolhendo retroativamente os efeitos da primeira. A entrada da mulher no mercado de trabalho, bem como o desprestígio da autoridade paterna e dos ideais que a sustentavam, além da pílula anticoncepcional, engendraram transformações nos laços de aliança e de sexualidade. Os movimentos contraculturais de maio de 1968 na França mudaram os costumes: a juventude afrontou seus pais, as hierarquias e os cânones morais.

As relações professor-aluno, pai-filho, homem-mulher, foram submetidas ao crivo do antiautoritarismo. No embalo do slogan “é proibido proibir”, fomentou-se a permissividade, o hedonismo e a liberação da sexualidade. A juventude afrontou as relações assimétricas com o intuito de combater qualquer forma de autoridade e de nivelar as estruturas simbólicas da hierarquia geracional e da diferença sexual.

Generalizou-se a crença na tese de Engels, em seu livro A origem da família, da propriedade privada e do Estado, de que o surgimento da propriedade privada é a base da inferiorização da mulher, pois o casamento é uma instituição que visa garantir a transmissão do patrimônio. O primeiro antagonismo de classe, anterior até ao antagonismo entre proletários e proprietários dos meios de produção no capitalismo, é proveniente da dominação do homem sobre a mulher no seio da família constituída pelo casamento monogâmico.

A aliança entre o feminismo e o socialismo foi se tecendo de maneira mais estreita a partir da segunda vaga e ainda vigora como uma relação que alicerça diversas ideologias nos coletivos feministas da atualidade. A aplicação da lógica que distingue classe dominante e classe dominada às relações entre homens e mulheres gerou a certeza de que as mulheres são uma força de trabalho oprimida e explorada pelos homens. Evidentemente, trata-se de uma distorção conceitual da segregação de papéis sexuais que obriga o homem a prover a família e a mulher a cuidar do lar dos filhos.

Para combater essa suposta “forma arcaica de opressão”, a militância feminista acreditou que era preciso “desconstruir” qualquer entidade ontológica feminina ou masculina. A célebre frase de Simone de Beauvoir “não se nasce mulher, torna-se mulher” foi alçada à dimensão de paradigma da desconstrução da relação entre sexo anatômico e gênero masculino ou feminino. As identidades sexuais começaram a ser percebidas como meras construções socioculturais e as identidades de gênero foram desvinculadas radicalmente da diferença anatômica entre os sexos.

O discurso político vem lentamente desapegando-se da realidade de fato, em benefício do “real” utópico de um mundo idealizado. O slogan “o pessoal é político” significa fazer da sua demanda pessoal uma política e fomentar que qualquer vivência pessoal seja suscetível de se tornar um tema social adequado para reflexão, discussão e manifestação pública.

Esse período também se caracterizou pela emergência de um feminismo cuja bandeira ideológica consistia na ruptura com o poder patriarcal/opressor. O combate à diferença de papéis sociais entre os gêneros disseminou a ideia de que as mulheres, também na esfera pública, eram submetidas ao poder do homem. Esse discurso desmentia o poder de fato que as mulheres ainda exerciam no reino privado sobre o marido e os filhos, sob o título de “rainhas do lar”.

A diferença de papéis sexuais passou a ser percebida como injusta e opressiva para com as mulheres. Embora cada vez mais as mulheres pudessem ocupar na esfera pública as mesmas funções que os homens, o modo de produção capitalista é percebido como um mero prolongamento do poder do homem opressor, detentor de privilégios sociais, econômicos e políticos. A mulher é considerada oprimida, desprivilegiada, vítima de exclusão e minoritária em representatividade, em diferentes instâncias e dimensões do laço social.

A terceira vaga iniciou-se na década de 1990 e estende-se até os dias atuais. Neste período, a filósofa pós-estruturalista americana Judith Butler quis demonstrar que o discurso universal sobre as mulheres é sempre excludente, embora a segregação incida sobre elas de modo distinto, dependendo de outros fatores como classe social, raça, orientação sexual entre outros marcadores. O feminismo se torna interseccional.

Essa vertente de estudos universitários americanos, conduzida pela ideologia de gênero, realizou uma série de rupturas epistemológicas com os paradigmas teóricos universalistas tradicionais. Rompeu, inclusive, com a lógica do feminismo que, embora questionasse a relação entre feminilidade e inclinação à submissão, ainda associava estreitamente sexo anatômico e gênero psíquico.

Uma das teses hegemônicas da ideologia de gênero é a de que qualquer identidade sexual não passa de uma construção sociocultural, portanto sem relação com a anatomia ou com suas “consequências psíquicas” nos seres falantes. A própria ideia de sexo anatômico é uma construção cultural, assim como a de gênero, segundo Butler. O corpo natural não encarna nenhuma dimensão “real”. Pode ser socializado, domesticado por quaisquer discursos e estratégias de poder engendradas para melhor controlá-los.

Entramos na era das “fake news”, pois a ideia de performatividade do poder implica em que não haja mais nada que possa ser considerado “real” em oposição à eficácia política da ficção, das narrativas, das teorias, das ideologias ou dos discursos. Quando o saber se descola de toda e qualquer referência científica e reduz todo “fato” à mera representação, tudo é possível, não existe mais nada que limite a produção de “verdades mentirosas”, isto é, ficções alimentadas pela fantasia de cada um.

As teorias Queer, pós-estruturalistas, avançam na desconstrução do gênero e militam pela derrocada da heterossexualidade, da homossexualidade e de toda e qualquer forma de binarismo homem/mulher. A profunda desconsideração relativamente ao real da ciência como impossível de reduzir à realidade empírica, conduz essa filosofia a fazer mal uso da teoria foucaultiana do poder.

Ignorando que em consequência da linguagem não há lugar social algum fora do poder, radicaliza-se a crença no determinismo sociológico das formas de opressão. É um pensamento insensato, pois a sociedade mais igualitária do mundo não alcançaria essa suposta eliminação das relações de poder. Ao ignorar a dimensão transindividual do inconsciente, equívocos filosóficos conduzem as teorias desconstrucionistas de gênero a produzir uma nova normatividade muito mais tirânica do que aquela que pretende erradicar.

A perspectiva da desconstrução de gênero visa uma drástica ruptura com as categorias de feminino e masculino, homem e mulher. Denuncia a inexistência de relações naturais, porém ignoram que foi a psicanálise lacaniana que introduziu no pensamento científico a tese da inexistência da relação sexual. Graças à nossa prática psicanalítica, sabemos que não existe relação unívoca entre o corpo e a identificação sexuada, entre significante e significado. E por isso mesmo existe o sintoma, um sentido singular no real sem sentido da língua. Prova de que o corpo não é apenas uma mera ficção.

Contudo, diferentemente da perspectiva psicanalítica que toma esse dado como fato de estrutura, ancorado em um real impossível de dissolver, os teóricos de gênero interpretam esse dado como uma ideologia, fomentando a crença de que se trata de um gozo espoliado pelo “poder” e que pode ser restituído ou, ainda, que se trata de um direito ao gozo que pode ser instituído por força da lei jurídica ou da linguagem politicamente correta.

Essa promessa de uma “justiça absoluta”, que promoveria a plena adequação entre “o que se busca no campo do desejo e o que se encontra como satisfação possível”, acirra um sentimento difuso de constante injustiça e revolta. Surgiu assim essa posição subjetiva contemporânea, absolutamente paranoica. Todos parecem se sentir vitimizados por um grande “outro mau” responsável pelo gozo “a menos” que nos foi subtraído.

As reivindicações de indenização e reparação multiplicam-se nos dias de hoje levando a sociedade a uma perpétua judicialização das relações sociais. A guerra dos sexos passa para o espaço público e a guerra política se desloca para a esfera da intimidade.

As pautas feministas da segunda onda tinham como objetivo desnaturalizar e politizar a diferença de papeis sexuais, interpretando-os, segundo a doutrina marxista, como estratégia de subordinação da mulher. Desvelavam situações de subjugação e degradação que subjaziam disfarçadas sob o manto da normalidade dos costumes e valores próprios das instituições e sociedade tradicionalmente patriarcais. Os discursos radicais que brotam no seio das lutas feministas nos dias de hoje consideram que a diferença sexual é sexista “por natureza”, o que já seria uma contradição, na medida em que buscam desnaturalizar e desessencializar qualquer concepção da diferença sexual.

É notável como as leis e os dispositivos jurídicos contemporâneos condenam a priori o homem como violento, ignorando a particularidade de cada um e acarretando consequências condenatórias indistintas, fazendo da mulher uma vítima natural de um crime provocado por ele. Não há dúvida de que existem evidências de infinitas formas de violência contra as mulheres. É indiscutível que as mulheres foram vítimas do discurso masculino hegemônico em seu benefício e que é preciso construir dispositivos e leis que reajam às formas subliminares de violência.

Entretanto, é fundamental dissociar a posição da mulher como “objeto causa do desejo do homem” e a posição de vítima. Essa é a condição para a assunção de uma responsabilidade subjetiva universal pelo desejo, pelo amor e pela vida de cada um de nós, homens ou mulheres. A radicalização do feminismo, inspirado na profunda hostilidade contra os homens, pode ter gerado uma espécie de machismo reverso que nada mais faz do que prometer vingança contra o homem branco, patriarcal, heteronormativo, eurocêntrico e opressor.

Tania Coelho dos Santos é psicanalista, membro da Associação Mundial de Psicanálise, da École de la Cause Freudienne e da Escola Brasileira de Psicanálise. É autora dos livros Quem precisa de análise hoje? (Bertrand Brasil, 2001), Sinthoma: Corpo e laço social (Sephora, 2006); coautora de Psicanálise, ciência e discurso (Cia de Freud, 2013); e organizadora das coletâneas de artigos Inovações no ensino e na pesquisa em psicanálise aplicada (7Letras, 2007), De que real se trata na clínica psicanalítica (Cia de Freud, 2012), Os corpos falantes e a normatividade do supersocial (Cia de Freud, 2014), Psicanálise no século XXI: ideologias políticas, subjetividade, laços sociais e intervenções psicanalíticas (CRV, 2017) Reconfigurações do Imaginário no século XXI (CRV, 2019) e Todo mundo é igual? Clínica lacaniana da psicose ordinária e o autismo (CRV, 2023).
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 Pode ser uma imagem de texto que diz "Agradeço a todas as pessoas que estiveram aqui comigo neste ano de 2023. Desejo a todos um FELIZ 2024"

Americanas, 123 Milhas, Starbucks: as empresas que afundaram em 2023

 

 

Relembre, a seguir, os principais casos de recuperação judicial e falência de 2023. 


Tribuna da Bahia, Salvador
30/12/2023 06:00 | Atualizado há 1 dia, 12 horas e 7 minutos

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Foto: Divulgação

Por Bruna Miato 

O anúncio de um rombo bilionário nas contas da Americanas pegou todo mundo de surpresa logo no começo do ano, mas foi apenas um prenúncio de que 2023 seria repleto de pedidos de recuperação judicial e falências de grandes nomes corporativos do país. 

Como mostrou reportagem do g1, eram 3.872 as companhias em recuperação judicial no Brasil até o terceiro trimestre deste ano, segundo dados da RGF Consultoria. Além da Americanas, também estão na lista grandes nomes como Light, Grupo Petrópolis, 123 Milhas e Grupo M5 (dona da marca de roupas M.Officer). 

Outras, como a Livraria Saraiva e a Livraria Cultura, tiveram falência decretada pela Justiça, sendo que a segunda conseguiu uma decisão para paralisar o processo. 

Relembre, a seguir, os principais casos de recuperação judicial e falência de 2023. 

Americanas 

A lista começa pelo caso mais emblemático. A gigante varejista Americanas informou um rombo contábil bilionário no dia 11 de janeiro. Naquele momento, a companhia disse que havia identificado "inconsistências em lançamentos contábeis" nos balanços corporativos no valor de quase R$ 20 bilhões. 

Sergio Rial, então presidente da empresa, decidiu deixar o comando do negócio e os investidores — pessoa física e institucionais — iniciaram uma corrida para se desfazer dos papéis. Isso fez com que as ações da companhia despencassem quase 80% em um único dia, e a fuga continuou nos pregões seguintes. 

No dia 19 de janeiro, a Americanas pediu a recuperação judicial na Justiça do Rio de Janeiro e teve suas ações retiradas da B3. A primeira versão do plano de recuperação foi apresentada em março, mas a empresa só teve um plano aprovado no último dia 19 de dezembro, exatamente 11 meses depois. 

A dívida final apresentada no plano foi de R$ 50 bilhões e o processo de recuperação envolverá um aporte de R$ 12 bilhões dos "acionistas de referências — o trio de bilionários Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles — e a venda de ativos, inicialmente o Hortifruti Natural da Terra e a Uni.Co (empresa de franquias das marcas Imaginarium e Puket). 

Apenas poucos meses depois da Americanas, a operadora de telefonia móvel Oi entrou com um novo pedido de recuperação judicial em 1° de março. A empresa já era velha conhecida dessa realidade: a segunda recuperação começou alguns meses após a conclusão de outro processo semelhante, que levou seis anos para ser concluído. 

No primeiro processo, a Oi vendeu uma série de ativos, com destaque para suas operações de telefonia móvel para as rivais Telefônica Brasil, TIM e Claro. 

O plano de recuperação da empresa foi aceito pelo seu Conselho de Administração em 19 de maio. Com isso, a dívida de dezenas de bilhões de reais do grupo foi suspensa mais uma vez. O processo também suspendeu a penhora da bens ou mandados de busca e apreensão contra a companhia por parte de seus credores. 

Grupo Petrópolis 

O Grupo Petrópolis, dono das cervejarias Itaipava e Petra, entrou com o pedido de recuperação judicial em 27 de março, com uma dívida estimada em R$ 5,6 bilhões. 

O plano de recuperação correu rápido e foi aceito em setembro pelos credores, com aprovação de 96,4% dos votantes. O grupo tinha uma lista de mais de 5 mil credores. 

Segundo a empresa, a razão para sua dívida foi uma grande queda no consumo das bebidas produzidas pelas suas marcas. 

Fonte: G1

Chef Léo Possa assume a cozinha do Restaurante Maritaca no verão

 


Dos mais procurados de Trancoso o Restaurante Maritaca inova para a temporada


Tribuna da Bahia, Salvador
31/12/2024 12:45
5 horas e 6 minutos
Foto: Divulgação

O famoso restaurante Maritaca, localizado na entrada do Quadrado em Trancoso, conta neste verão com a expertise do chef Léo Possa, que cresceu trabalhando nos restaurantes da família e atua ha 10 anos no buffet de casamentos Fernanda Possa Gastronomia, onde é sócio com sua mãe, a conceituada Chef Fernanda Possa. Léo é reconhecido por imprimir ritmo e inovação nas cozinhas por onde passa, sempre fazendo consultorias.

Contratado especialmente para a temporada de fim de ano, Léo Possa além de coordenar a operação do restaurante que envolve clássicos do cardápio, pizza de massa fina, massas artesanais, cortes de carne trará também novidades, lançamento de novos pratos autorais, os quais já vem fazendo sucesso nas noites do espaço.

Garantindo sempre que tudo saia muito bem sincronizado, atendendo aos mais altos níveis de exigência de serviço e sabor, o restaurante tem esgotado reservas e a espera tem estado lotada nas noites.

“Está sendo um ótima experiência, frequento o Maritaca desde criança com minha família, tive a felicidade de ter Conhecido o Taliberti, sempre avido e com um senso crítico apurado, quando Márcia me convidou não podia ter ficado mais feliz” declarou o Chef Léo Possa para a Tribuna da Bahia.

ANS define regras para notificação de inadimplente de plano de saúde

 


Normas entrarão em vigor em abril de 2024


Tribuna da Bahia, Salvador
29/12/2023 22:48
1 dia, 18 horas e 59 minutos
Foto: Marcelo Casal Jr. / Agência Brasil

Por Daniella Almeida

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) definiu que a notificação de usuários de planos de saúde inadimplentes, que poderá resultar no cancelamento do contrato, poderá ser feita por meios eletrônicos, como e-mail, mensagem para celulares e aplicativo.

A agência reguladora divulgou, nesta sexta-feira (29), as novas regras sobre como deverá ser feita a notificação. A norma foi publicada no dia 20, no Diário Oficial da União (Resolução Normativa 593/2023) e passará a valer em 1º/04/2024.

O diretor de Normas e Habilitação dos Produtos da ANS, Alexandre Fioranelli, afirma que a nova norma moderniza a comunicação dos beneficiários por inadimplência. “A publicação desse normativo preenche algumas lacunas que existiam e moderniza a regulamentação, à medida que traz os meios eletrônicos, que facilitam a comunicação, tanto para o beneficiário como para a operadora.”

Meios de notificação
De acordo com a nova norma, as operadoras dos planos de saúde devem fazer a notificação por inadimplência por meios eletrônicos e usar os dados do cadastro do beneficiário, informados pelo contratante à operadora.

Entre os meios eletrônicos possíveis, a ANS lista o e-mail com certificado digital e com confirmação de leitura; mensagem de texto para telefones celulares; mensagem em aplicativo de dispositivos móveis que permita a troca de mensagens criptografadas; e ligação telefônica gravada com confirmação de dados pelo interlocutor.

Porém, a notificação realizada por mensagem de SMS ou aplicativo de dispositivos móveis, somente terá validade se o usuário responder confirmando ter ciência.

A ANS ainda permite a comunicação com o consumidor nos formatos anteriores, como por carta ou por meio de um representante da operadora, um preposto, com o devido comprovante de recebimento da notificação assinado pelo contratante.

Para quem
A nova regulamentação se aplicará aos contratos celebrados após 1° de janeiro de 1999 e àqueles que foram adaptados à Lei 9.656/1998.

Valem para quem não tiver pago as mensalidades nas modalidades de plano de saúde individual ou familiar, para o empresário individual que contrata um plano coletivo empresarial ou para aquele que paga a mensalidade de plano coletivo diretamente à operadora.

A exclusão do beneficiário, a suspensão ou a rescisão unilateral do contrato por falta de pagamento somente será possível se houver, no mínimo, duas mensalidades não pagas, consecutivas ou não, no período de 12 meses.

Notificação
A operadora deverá notificar o usuário até o quinquagésimo (50º) dia da inadimplência, como pré-requisito para exclusão do beneficiário do plano, suspensão ou até a rescisão unilateral do contrato por iniciativa da operadora, devido ao não pagamento.

Se a notificação ocorrer após o 50º dia, será considerada válida se for garantido, pela operadora, o prazo de dez dias, contados da notificação, para que seja quitado o débito. Mas, a operadora deverá comprovar  a notificação do consumidor sobre a inadimplência, com a respectiva data da notificação.

No texto da notificação, devem constar informações para o completo entendimento do consumidor: número de dias da inadimplência, indicação dos meses com pagamento em atraso; formas e o prazo para o pagamento da dívida e, consequentemente, regularização do contrato; bem como os contatos do plano de saúde para esclarecimento de dúvidas.

Nos casos em que a operadora não conseguir notificar o consumidor, a norma definiu que o cancelamento do plano somente poderá ocorrer após dez dias da última tentativa de contato com o beneficiário. A operadora deverá comprovar que houve tentativa de notificação por todos os meios autorizados.

Fonte: Agência Brasil

ANS define regras para notificação de inadimplente de plano de saúde

 


Normas entrarão em vigor em abril de 2024


Tribuna da Bahia, Salvador
30/12/2023 10:30
1 dia, 7 horas e 14 minutos
Foto: TJPE/Divulgação
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) definiu que a notificação de usuários de planos de saúde inadimplentes, que poderá resultar no cancelamento do contrato, poderá ser feita por meios eletrônicos, como e-mail, mensagem para celulares e aplicativo.

Dez polêmicas de celebridades que marcaram 2023; veja lista

 


Separações inesperadas e traições que vazaram na mídia foram alguns dos principais casos que repercutiram da vida das celebridades em 2023.


Tribuna da Bahia, Salvador
31/12/2024 16:20 | Atualizado há 1 hora e 20 minutos

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Foto: Reprodução

O banheiro sujo de um bar, um pote de geleia, um livro de Tolstoi, um carrinho de milho na praia que aceita PIX, uma base que se desmancha no rosto... Esses objetos e lugares ganharam novos significados em 2023 - que você entende na lista abaixo.

São detalhes que fizeram parte de diversas polêmicas que dominaram as redes sociais. Separações inesperadas e traições que vazaram na mídia foram alguns dos principais casos que repercutiram da vida das celebridades em 2023.

Só neste ano, veio à tona o término de Luísa Sonza, que resultou em choro no Mais Você, o rompimento de Larissa Manoela com os pais, e um relacionamento de Neymar que começou com um anúncio de gravidez e terminou com uma grande "decepção" de Bruna Biancardi, mãe de sua filha, Mavie. Até o preço da maquiagem da influenciadora Virgínia virou debate nas redes. Relembre:

Veja as 10 principais polêmicas de 2023

1- Luísa Sonza e Chico Moedas

A participação de Luísa Sonza no Mais Você em setembro foi o marco das separações de celebridades deste ano. Isso porque a cantora confirmou o término de seu relacionamento e, ao vivo, leu uma carta que revelava que ela tinha sido traída.

A suposta infidelidade de Chico Moedas aconteceu justamente no momento em que a canção de Luísa feita para ele estava entre as mais ouvidas do país. Na carta, a cantora ainda deu detalhes do caso:

"Intensa demais? Intenso demais é alguém que larga tudo o que prometeu, se propôs, construiu a dois por um momento no banheiro sujo de um bar", disse. Além do namoro de Luísa, setembro também marcou o fim do relacionamento de Lexa e Mc Guimê, Arthur Aguiar e Jheny Santucci e Sandy e Lucas Lima.

A separação deste último casal também está entre as principais polêmicas de 2023.

2- Sandy e Lucas Lima

Sandy e Lucas Lima anunciaram separação após 15 anos de casamento em uma publicação conjunta no Instagram. O casal enfatizou que a decisão não foi fácil ou impulsiva, destacando que não houve brigas, mágoas ou traumas envolvidos.

Eles expressaram que a separação ocorreu com muito amor e pediram por respeito e privacidade. Acontece que, mesmo após a separação, os dois tiveram que seguir trabalhando juntos em turnê na Europa. E o Brasil seguiu acompanhando o caso.

A relação dos dois pós término foi muito comentada nas redes sociais, porque, além dos artistas seguirem trabalhando juntos, Sandy não deixou de compartilhar uma declaração para o ex no dia de seu aniversário.

Mas, a separação amigável foi questionada quando os dois participaram do Altas Horas e, ao comentar sobre o divórcio, internautas perceberam um clima tenso entre os dois. Veja os memes que este episódio do Altas Horas rendeu.

3- Shakira e Piqué

Ainda no assunto separações, o término de Shakira e Piqué também foi um caso que gerou repercussão nas redes sociais, com memes e muitos desdobramentos. Os dois anunciaram divórcio no ano passado, mas foi em janeiro deste ano que a cantora alegou que foi traída em canções feitas sobre o ex.

A música Shakira BZRP Music Sessions 53 viralizou nas redes com uma composição que ironiza a relação atual de Piqué com a modelo Clara Chía: "Eu valho duas de 22 [anos]/ Você trocou uma Ferrari por um Twingo. Sou muita areia pro seu caminhãozinho/ por isso está com uma garota igualzinha a você".

De acordo com o programa de TV espanhol, Socialité, Shakira teria desconfiado do ex-marido por conta de um pote de geleia. Segundo a atração, a cantora fez uma viagem de trabalho e quando retornou para casa que morava com o jogador, notou que alguém havia comido sua geleia favorita.

O resultado disso foram milhões na conta de Shakira e fantasias de pote de geleia no Carnaval no Brasil deste ano. Segundo o site espanhol Activos, ela faturou mais de R$ 115 milhões com as músicas sobre o ex.

4- Larissa Manoela e os pais

Larissa Manoela rompeu a relação empresarial que tinha com os pais. O assunto se tornou uma das grandes polêmicas de 2023 ao ganhar destaque em diferentes emissoras de TV, com diferentes entrevistas, transformando toda história em uma série, como o Estadão analisou aqui.

Na entrevista que Larissa deu à jornalista Renata Capucci, no dia 13 de agosto, ela mostrou mensagens nas quais pedia para os pais fazerem um Pix para que ela pudesse pagar por milho ou sorvete na praia.

A atriz contou sobre a negociação para que a divisão entre os rendimentos fosse mais justa, talvez meio a meio - o contrato anterior garantia a grande parte para os pais. Ela também afirmou que resolveu abrir mão de R$18 milhões em favor de sua liberdade jurídica e administrativa.

Pouco tempo depois, O SBT conseguiu uma entrevista com a mãe de Larissa, Silvana Taques. Nela, Silvana rebateu as acusações da filha: "Ai, Chris (Flores)... Você acha, mesmo, que a Lari não teria R$10 pra não comprar um milho na praia? Você acredita nisso?".

5- Kayky Brito e Bruno de Luca

Kayky Brito sofreu um acidente em setembro e foi atropelado no Rio de Janeiro. O caso, no entanto, ganhou novos capítulos após vídeos do momento mostrarem que ele estava acompanhado de Bruno de Luca e o amigo do ator não teria prestado socorro.

Bruno foi indiciado pelo Ministério Público por omissão de socorro, o que seu advogado negou (leia aqui). Neste mês, anunciou pausa na carreira. O motorista do carro que atropelou Kayky foi quem ajudou o artista na época. Além disso, nos vídeos de Kayky momentos antes do acidente, ele embriagado e se aproximando de uma mulher.

Isso levantou rumores de que ele e a esposa teriam se separado, porque, em outubro, Tamara anunciou que estava voltando para Curitiba, onde o casal residia, enquanto ele se recuperava no Rio de Janeiro. Na época, os dois deixaram de se seguir, mas, neste mês, o ator desmentiu que o relacionamento teria passado por uma crise após o acidente.

6- Neymar e Bruna Biancardi

Neymar e Bruna Biancardi anunciaram o fim da relação em novembro deste ano. O namoro foi marcado por idas e vindas, boatos de traição e pelo nascimento de Mavie, primeira filha do ex-casal.

A gravidez foi anunciada em abril e, em junho, a colunista Fábia Oliveira afirmou que o jogador mantinha contato desde 2022 com a modelo e influenciadora Fernanda Campos, ele publicou um texto pedindo desculpas públicas a namorada. Sem citar nominalmente a palavra "traição", ele pediu desculpas pela "exposição" e ataques que Bruna havia sofrido.

Em setembro, ele voltou a se envolver em polêmicas ao ser visto em uma balada conversando e abraçando uma mulher em Barcelona, na Espanha. Bruna, que ainda estava grávida, disse estar "decepcionada" após a repercussão.

Mavie nasceu no dia 5 de outubro de 2023. O atleta não estava presente no parto, mas recebeu a autorização do clube Al-Hilal para viajar ao Brasil após o nascimento de Mavie.

7- Base da Virgínia

Virgínia Fonseca lançou uma base de sua marca WePink em março deste ano, que seria à prova d’água. A influenciadora Karen Bianchini fez um vídeo testando a maquiagem - e como o produto saiu de sua pele ao entrar em contato com a água, viralizou nas redes sociais.

Após ser alvo de críticas por cobrar R$ 199,99 no produto que deveria ser a prova d’água, a influenciadora se pronunciou nas redes sociais: "Se eu tenho condições de fazer isso, eu faço. Ou vocês acham que um produto importado é baratinho? Vou lançar produtos com qualidade de importados, sim, e segue o baile! Nossa base não é só make, é dermomake. A nossa base cuida da pele, esse é o diferencial".

8- Luana Piovani e Pedro Scooby

Luana Piovani e Pedro Scooby também estiveram envolvidos em novas polêmicas neste ano. Em janeiro, ela alegou que o surfista não queria dividir as contas dos filhos de forma igualitária e teria ameaçado pedir a guarda das crianças para "economizar dinheiro".

O surfista disse, na época, que desejava "resolver da melhor forma" o caso, alegando que os filhos estão sendo prejudicados com o conflito entre o ex-casal

Desde que postou uma série de vídeos expondo divergências com o surfista, Luana foi proibida de comentar sobre Scooby na internet. Os dois entraram em um acordo sobre a pensão dos filhos em agosto.

9- Azealia Banks e Anitta

Em outubro deste ano, Azealia Banks chamou Anitta de "aspirante de terceiro mundo" e disse que a carreira da cantora brasileira é um fracasso. A brasileira não chegou a se pronunciar sobre o caso, mas ela foi defendida pelos seus fãs nas redes sociais.

"Ok, Brasil, que carreira está ‘flopando’ nos Estados Unidos que eles estão pagando robôs para vir até a minha página falar merda de alguma aspirante de terceiro mundo? Rapper americana crítica cantora brasileira e sugere que ela volte ao Brasil em stories postados nas suas redes sociais, cujo perfil agora é fechado para o público.

Azealia também criticou a aparência de Anitta e sugeriu que ela refaça a cirurgia plástica do nariz. "Você é feia. Seu nariz é coisa de maluco. Você tem essa vibe de terceiro mundo, narina dos Jackson Five em 1975. Você deveria ir a Beverly Hills e refazer isso".

10- Guimê e Cara de Sapato

Em março deste ano, Antônio Cara de Sapato e o cantor MC Guimê foram expulsos do BBB 23 após acusações de assédio à mexicana Dania Mendez, que entrou na casa para um período de intercâmbio nesta semana. O anúncio foi feito ao vivo pelo apresentador Tadeu Schmidt.

Além da repercussão, a expulsão de Guimê gerou uma crise no casamento dele com Lexa. Os dois anunciaram a separação no mês de setembro.

Fonte: Estadão Conteúdo

Cristãos deveriam ser liberais

 

BLOG  ORLANDO  TAMBOSI

O cristianismo e os mercados liberais andam juntos. Deirdre McCloskey para a FSP:


Uma oferenda para a missa do Natal de Cristo: o cristianismo e os mercados liberais andam juntos.

É o que afirmo no longo livro que acabo de terminar. Podemos ajudar todas as pessoas, como eu faço, a voltarem ao Deus trino e seus amorosos mandamentos. No entanto, ao mesmo tempo, sem contradição séria, pode-se também ser um liberal econômico, pessoal e político sério, que defenda para todas as pessoas uma igualdade de fato de permissões sob leis justas.

Em outras palavras, pode-se ser sério em todos os aspectos, defendendo tanto a divindade de Jesus de Nazaré quanto a mais plena liberdade de consciência, conversação, conduta e comércio humanos. Pode-se rejeitar Satanás, em todas as suas formas sempre populares, e ainda assim rejeitar que a ação individual ou coletiva sofra coação física em quase todas as próprias formas sempre populares. Deem a outra face, queridos.

Resumindo, pode-se ser um "cristão verdadeiramente liberal", defendendo uma liberdade de vontade dada por Deus, mas rejeitando o estatismo e o "senhorialismo", que o acompanha. A persistente crença de que nossos senhores públicos e privados devem governar nossas vontades fisicamente, coercitivamente —como a crianças indisciplinadas que, nessa visão, infelizmente somos. O estatismo e o senhorialismo são, quero sugerir aos meus amados amigos progressistas, altamente conservadores, congelando-nos como crianças numa hierarquia de senhores.

Edward Gibbon, em 1776, observou que a história é apenas "o registro dos crimes, loucuras e infortúnios da humanidade" perpetrados por nossos senhores no Estado. Entretanto, o estatismo e o senhorialismo hoje são defendidos de maneira semiconsciente por muitas pessoas criteriosas e bem-intencionadas, ao longo de todo o espectro convencional, da esquerda à direita e ao centro.

O liberalismo clássico, e falo apenas do liberalismo clássico, recusa tal infantilização. O verdadeiro liberalismo é uma igualdade não de resultados ou oportunidades, mas de permissão. É um "adultismo", poderíamos dizer. Certamente é o que nosso Deus abraâmico deseja ver. Como disse Moisés: "Deixe o meu povo ir".

Esse é o tema do livro. Padres, pastores, teólogos e cristãos nos bancos de igrejas seriam sábios se considerassem isso mais seriamente do que faz a maioria deles hoje. Eles imaginam, sobretudo, um mundo teórico e irrestrito de senhores maravilhosamente santos, senhores que na prática, afirmo, prejudicam os pobres e corrompem o resto.

Vocês, cristãos, deveriam ser liberais econômicos, não estatistas.
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Gérard Depardieu de novo na roda: monstro sagrado ou apenas monstro?

 

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Artistas franceses defendem o fenomenal e encrencado ator, alvo de múltiplas acusações de abuso sexual e baixarias mostradas em documentário. Vilma Gryzinski:


“Não podemos mais ficar calados diante do linchamento desfechado contra ele, diante da torrente de ódio despejada contra sua pessoa, sem nuances, ignorando a presunção de inocência da qual ele se beneficiaria se não fosse o gigante do cinema que é.”

A carta aberta assinada por 56 personalidades ligadas ao cinema, na maioria veteranas como Carla Bruni e Charlotte Rampling, é um daqueles documentos que só pode existir na França, o país onde há maiores resistências ao “tribunal mediático” que envolve celebridades encrencadas em denúncias de abusos sexuais.

Foi lá, por exemplo, que circulou um documento contra o movimento #MeToo, surgido nos Estados Unidos. Em Cannes, Woody Allen e Roman Polanski, com todo seu prontuário, já foram aplaudidos de pé. É como se os franceses estivessem respondendo aos puritanos americanos ou considerando que a arte é maior do que os erros individuais. Gérard Depardieu merece ser perdoado por ser um ator tão magnífico? Picasso, famosamente um canalha com as mulheres, sobreviveu ao ambiente de hoje?

Gérard Depardieu voltou à fogueira pública com um documentário apropriadamente intitulado A Queda do Ogro, no qual são recuperadas cenas em que diz obscenidades impublicáveis. As mais chocantes envolvem seus comentários ao ver uma menina pré-adolescente participando de uma prova de equitação na Coreia do Norte (nem perguntem o que ele estava fazendo lá).

Os comentários referentes mulheres e cavalgada são repugnantes. Mas seriam criminosos? Um homem pode ser condenado por piadas abjetas ditas em particular?

RELAÇÃO DE PODER

O documentário culminou um ano em que, por causa da expiração de um prazo fixado nos Estados Unidos para denúncias de abuso sexual procedentes de mulheres adultas, choveram acusações.

Alguns dos nomes envolvidos: Sean Combs (antes conhecido como Puffy Daddy), Axl Rose, Jamie Foxx, Steve Tyler, Russell Brand e uma longa lista de menos votados. Na política, o ex-governador Andrew Cuomo e o atual prefeito de Nova York, Eric Adams.

O caso mais recente envolve Vin Diesel (nome verdadeiro: Mark Sinclair) e uma denúncia de um ritual que se repete: homem famoso força subordinadas que trabalham nos bastidores de filmes e shows a aceitar seus avanços. As acusações só aparecem tempos depois, criando a impressão de que as vítimas estavam intimidadas demais pela assimetria na relação de poder – ou, na opinião dos críticos, esperaram até entender as vantagens financeiras que poderiam tirar.

Obviamente, não existe alternativa fora da justiça para definir a culpa, mas a fama dos envolvidos acaba arrastando os casos para o tribunal da opinião pública, turbinado infinitamente pelas redes sociais.

Gérard Depardieu está há muito tempo no olho desse furação. Primeiro, por suas encrencas com o fisco que o levaram a mudar de residência para a Bélgica e, depois, para a Rússia de Vladimir Putin. Em troca de elogios, recebeu um passaporte russo e outras honrarias em 2013. Quando a Ucrânia foi invadida, teve a coragem de dizer que era contra “essa guerra fratricida” e defender negociações.

O fenomenal ator já foi investigado por uma denúncia de abuso sexual em 2018 – com o caso arquivado por falta de provas. Mas a acusação abriu uma porta e surgiram treze mulheres com casos parecidos. A mais recente foi feita em julho e envolve uma assistente de produção que, depois de vários episódios de comentários obscenos e “mãos bobas”, diz ter sido acuada num corredor, onde Depardieu baixou as calças e mostrou o órgão sexual.

“VIVO ESCONDIDA”

De maneira altamente subjetiva, é difícil não ver Depardieu, com sua personalidade excessiva e transgressora, fazendo isso. Mas a atriz Carole Bouquet, que teve um longo relacionamento com o “ogro”, afirmou que ele “é capaz de ser grosseiro e ter um humor limítrofe, mas é incapaz de fazer mal a uma mulher”. Cita como exemplo seus “dez anos de sexualidade” com ele.

A atriz também declarou que “teme por ele” e que o cancelamento em massa “pode matar um homem”.

O presidente Emmanuel Macron também fez declarações – muito criticadas – de que não pediria a devolução da Legião da Honra de Depardieu enquanto a justiça não se pronunciasse. Também se declarou um admirador do “grande ator”.

Em contrapartida, a atriz Charlotte Arnould, a autora da denúncia inicial, já disse que Depardieu “trabalha enquanto eu vivo escondida e em silêncio. Passo meu tempo sobrevivendo”.

“Fui violentada por Gérard Depardieu em agosto de 2018”, escreveu.

A justiça concluiu que não foi possível “caracterizar as infrações denunciadas em todos seus elementos constitutivos”. Ou seja, o ogro saiu com a ficha limpa.

Em quem acreditar?

Pela porta dos fundos

 

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Após décadas de constantes campanhas de culpabilização do homem branco, muitos ingleses, escoceses, galeses abrem os cordões às bolsas para comprar indulgências por pecados que não cometeram. João Pedro Marques para o Observador:


O Reino Unido é, na Europa, o país onde o wokismo é mais visível, mais contundente e absurdo nos seus exageros. O que nesta área lá se passa é, por um lado, excepcional, pelo peso desmesurado que os woke lá têm, mas, por outro lado, é um farol ou um aviso do que, ainda que de forma mais atenuada e protelada no tempo, poderá vir a passar-se noutros países da Europa Ocidental.

Vem este preâmbulo a propósito do seguinte: há mais de 20 anos que activistas woke, tanto a título individual como associados em organizações — nomeadamente a Caricom, que agrupa 15 países das Caraíbas —, pressionam o governo de Londres para que peça oficialmente desculpa pelo envolvimento britânico na escravatura e para que pague reparações por esse facto. Londres continua a não dar ouvidos a esse tipo de pressões. Inquirido no Parlamento, o primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak recusou frontalmente o pedido de desculpas e, evidentemente, as eventuais reparações.

Mas enquanto o governo britânico resiste muito compreensível e adequadamente à pressão e à chantagem moral que os acólitos do wokismo exercem sobre o país, há várias entidades e cidadãos(ãs) britânicos(as) a pôr a corda ao pescoço, a vestir o hábito de penitente e a ceder jubilosamente a essa pressão e chantagem. Em Fevereiro de 2023, uma conhecida pivô e jornalista da BBC, tornou público que iria doar 100 mil libras para projectos comunitários na ilha de Granada como forma de reparação pela ligação de remotos familiares seus à escravatura e a plantações de cana-de-açúcar na ilha. E fez mais: abandonou a BBC para dedicar o seu tempo a campanhas públicas em favor de reparações pela escravatura. No seguimento da sua decisão, mais de 100 famílias britânicas com antepassados envolvidos no sistema escravista comprometeram-se publicamente a disponibilizar importantes quantias como forma de se purgarem desse pecado e de ajudarem as antigas colónias britânicas nas Caraíbas. Acresce que a Igreja Anglicana criou um fundo de 100 milhões de libras para ajudar esses países e que, no início de Novembro, a Lloyd’s de Londres, a maior seguradora do mundo, veio assumir publicamente que iria despender 52 milhões de libras em programas de apoio como forma de reparações pela ligação que, no passado, a companhia teve com o tráfico transatlântico de escravos e a escravidão.

É verdade que tudo isto frustra um pouco as intenções dos activistas woke, visto não ser exactamente aquilo que exigiam. Na verdade, preferiam ter sido eles a decidir os montantes das reparações e queriam, em vez de programas de apoio social ou educativo, dinheiro vivo pago directamente aos descendentes de escravos ou a quem os representasse, como algumas cidades norte-americanas fizeram ou irão fazer. Preferiam, além disso, ter chegado a um acordo global com o governo britânico em vez de serem polvilhados por estas medidas parcelares de particulares. Porém, se tudo isso é verdade, por outro lado esta disponibilidade de muita gente no Reino Unido para pagar compensações por situações ocorridas há dois, três ou quatro séculos, abre-lhes um manancial de inesperadas oportunidades.

Não surpreende por isso que os activistas woke queiram agora assumidamente contornar o Estado britânico que, ano após ano, resiste às suas pressões, para irem literalmente bater a outra porta, isto é, pressionar directamente famílias e organizações privadas — bancos, colégios, universidades, seguradoras, firmas comerciais ou industriais, etc. — que tiveram uma qualquer forma de envolvimento e de ganho material com a escravatura. E vão começar pelo topo, exigindo reparações à família real britânica. Como diz um dos advogados encarregados de defender os interesses dos woke da ilha de Granada, nas Caraíbas, “ele (Carlos III) deve disponibilizar algum dinheiro. Não dizemos que deva privar-se, e à sua família, de comida, mas também não estamos a pedir ninharias. Acreditamos que podemos sentar-nos à roda de uma mesa e conversar sobre formas de reparação justas.”

Em conformidade, o rei receberá, até ao fim deste mês de Dezembro, um pedido oficial para iniciar conversações. O mesmo acontecerá a outras pessoas e entidades. Os woke acreditam que, por essa via, ultrapassando o governo pela berma da estrada e podendo formalizar acordos indemnizatórios com várias individualidades e instituições britânicas, acabarão por condicionar o próprio governo a ceder e a fazer, também ele, um acordo. Ou seja, no que desde já se anuncia como um ano farto, preparam-se para colher o que semearam. Após décadas de constantes campanhas de culpabilização do homem branco e de doses massivas de acusações despejadas para dentro da sociedade britânica, viram tudo isso frutificar nas cabeças de muitos ingleses, escoceses, galeses, que agora se flagelam, agitam bandeiras brancas e abrem os cordões às bolsas para comprar indulgências por pecados que não cometeram. Com tão fraca gente, com tanto precedente aberto, é evidente que o governo britânico vai perder força política e será provavelmente apanhado por trás pela quebra da sua retaguarda.

Esta nova estratégia woke deve pôr-nos de sobreaviso. Portugal é muito diferente do Reino Unido, bem sei. O nosso governo não está, para já, sujeito a uma pressão similar nem temos por cá, felizmente, um número perigoso de fanáticos do wokismo. Mas não é absolutamente garantido que fique assim para sempre. O que se vê na casa dos outros deve fazer-nos redobrar esforços para contrariar este veneno ideológico. Como o exemplo britânico mostra, esse é um combate que se vence — ou se perde — no campo da opinião pública. E para o vencer é necessária uma narrativa que, ao contrário da narrativa woke, seja historicamente informada e equilibrada, estruturalmente verdadeira e pelo menos tão convincente como ela.

Será esse o tema do meu próximo artigo.
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Após décadas de constantes campanhas de culpabilização do homem branco, muitos ingleses, escoceses, galeses abrem os cordões às bolsas para comprar indulgências por pecados que não cometeram. João Pedro Marques para o Observador:


O Reino Unido é, na Europa, o país onde o wokismo é mais visível, mais contundente e absurdo nos seus exageros. O que nesta área lá se passa é, por um lado, excepcional, pelo peso desmesurado que os woke lá têm, mas, por outro lado, é um farol ou um aviso do que, ainda que de forma mais atenuada e protelada no tempo, poderá vir a passar-se noutros países da Europa Ocidental.

Vem este preâmbulo a propósito do seguinte: há mais de 20 anos que activistas woke, tanto a título individual como associados em organizações — nomeadamente a Caricom, que agrupa 15 países das Caraíbas —, pressionam o governo de Londres para que peça oficialmente desculpa pelo envolvimento britânico na escravatura e para que pague reparações por esse facto. Londres continua a não dar ouvidos a esse tipo de pressões. Inquirido no Parlamento, o primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak recusou frontalmente o pedido de desculpas e, evidentemente, as eventuais reparações.

Mas enquanto o governo britânico resiste muito compreensível e adequadamente à pressão e à chantagem moral que os acólitos do wokismo exercem sobre o país, há várias entidades e cidadãos(ãs) britânicos(as) a pôr a corda ao pescoço, a vestir o hábito de penitente e a ceder jubilosamente a essa pressão e chantagem. Em Fevereiro de 2023, uma conhecida pivô e jornalista da BBC, tornou público que iria doar 100 mil libras para projectos comunitários na ilha de Granada como forma de reparação pela ligação de remotos familiares seus à escravatura e a plantações de cana-de-açúcar na ilha. E fez mais: abandonou a BBC para dedicar o seu tempo a campanhas públicas em favor de reparações pela escravatura. No seguimento da sua decisão, mais de 100 famílias britânicas com antepassados envolvidos no sistema escravista comprometeram-se publicamente a disponibilizar importantes quantias como forma de se purgarem desse pecado e de ajudarem as antigas colónias britânicas nas Caraíbas. Acresce que a Igreja Anglicana criou um fundo de 100 milhões de libras para ajudar esses países e que, no início de Novembro, a Lloyd’s de Londres, a maior seguradora do mundo, veio assumir publicamente que iria despender 52 milhões de libras em programas de apoio como forma de reparações pela ligação que, no passado, a companhia teve com o tráfico transatlântico de escravos e a escravidão.

É verdade que tudo isto frustra um pouco as intenções dos activistas woke, visto não ser exactamente aquilo que exigiam. Na verdade, preferiam ter sido eles a decidir os montantes das reparações e queriam, em vez de programas de apoio social ou educativo, dinheiro vivo pago directamente aos descendentes de escravos ou a quem os representasse, como algumas cidades norte-americanas fizeram ou irão fazer. Preferiam, além disso, ter chegado a um acordo global com o governo britânico em vez de serem polvilhados por estas medidas parcelares de particulares. Porém, se tudo isso é verdade, por outro lado esta disponibilidade de muita gente no Reino Unido para pagar compensações por situações ocorridas há dois, três ou quatro séculos, abre-lhes um manancial de inesperadas oportunidades.

Não surpreende por isso que os activistas woke queiram agora assumidamente contornar o Estado britânico que, ano após ano, resiste às suas pressões, para irem literalmente bater a outra porta, isto é, pressionar directamente famílias e organizações privadas — bancos, colégios, universidades, seguradoras, firmas comerciais ou industriais, etc. — que tiveram uma qualquer forma de envolvimento e de ganho material com a escravatura. E vão começar pelo topo, exigindo reparações à família real britânica. Como diz um dos advogados encarregados de defender os interesses dos woke da ilha de Granada, nas Caraíbas, “ele (Carlos III) deve disponibilizar algum dinheiro. Não dizemos que deva privar-se, e à sua família, de comida, mas também não estamos a pedir ninharias. Acreditamos que podemos sentar-nos à roda de uma mesa e conversar sobre formas de reparação justas.”

Em conformidade, o rei receberá, até ao fim deste mês de Dezembro, um pedido oficial para iniciar conversações. O mesmo acontecerá a outras pessoas e entidades. Os woke acreditam que, por essa via, ultrapassando o governo pela berma da estrada e podendo formalizar acordos indemnizatórios com várias individualidades e instituições britânicas, acabarão por condicionar o próprio governo a ceder e a fazer, também ele, um acordo. Ou seja, no que desde já se anuncia como um ano farto, preparam-se para colher o que semearam. Após décadas de constantes campanhas de culpabilização do homem branco e de doses massivas de acusações despejadas para dentro da sociedade britânica, viram tudo isso frutificar nas cabeças de muitos ingleses, escoceses, galeses, que agora se flagelam, agitam bandeiras brancas e abrem os cordões às bolsas para comprar indulgências por pecados que não cometeram. Com tão fraca gente, com tanto precedente aberto, é evidente que o governo britânico vai perder força política e será provavelmente apanhado por trás pela quebra da sua retaguarda.

Esta nova estratégia woke deve pôr-nos de sobreaviso. Portugal é muito diferente do Reino Unido, bem sei. O nosso governo não está, para já, sujeito a uma pressão similar nem temos por cá, felizmente, um número perigoso de fanáticos do wokismo. Mas não é absolutamente garantido que fique assim para sempre. O que se vê na casa dos outros deve fazer-nos redobrar esforços para contrariar este veneno ideológico. Como o exemplo britânico mostra, esse é um combate que se vence — ou se perde — no campo da opinião pública. E para o vencer é necessária uma narrativa que, ao contrário da narrativa woke, seja historicamente informada e equilibrada, estruturalmente verdadeira e pelo menos tão convincente como ela.

Será esse o tema do meu próximo artigo.
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Geração TikTok: apoio aos terroristas do Hamas e até a Osama Bin Laden.

 

BLOG  ORLANDO  TAMBOSI


Este é um caso em que os mais velhos têm uma visão mais justa e correta, enquanto os jovens demonstram terrível ignorância. Vilma Gryzinski:


Os jovens são mais antenados, idealistas, progressistas e capazes de escolher o lado certo. Desde os anos sessenta do século passado, é amplamente predominante esta visão “juventudista” de que os mais velhos são dominados por ideias encarquilhadas e atrasadas, enquanto seus filhos e netos acenam para o futuro.

Até que apareceu o TikTok, usado aqui como sinônimo de pensamento grupal e sem vasos conectantes com a realidade.

Por pura e simples ignorância de fatos não tão distantes assim ou das origens complexas de um conflito como o que opõe Israel e palestinos, jovens americanos têm aparecido em pesquisas como os mais propensos, dentre todas as faixas etárias, a falar e pensar bobagem.

O sinal mais recente: uma pesquisa mostrando que um em cada cinco americanos dos 18 aos 30 anos tem uma imagem total ou parcialmente positiva de Osama Bin Laden. Três em cada dez acham que o ultrafundamentalista saudita, responsável pelos atentados que mataram quase três mil pessoas em 11 de setembro de 2001 em solo americano, foi uma força do bem. Apenas 41% nessa faixa acham que ele foi “completamente” do mal.

“MITO”

A pesquisa do Daily Mail foi feita depois que a Carta à América, escrita por Bin Laden em 2002, para “justificar” os atentados, se tornou um fenômeno do TikTok, com mais de 40 milhões de visualizações e comentários malucos como “Nunca mais vou olhar a vida, ou esse país, da mesma maneira” e “Meus olhos se abriram”.

O maior repúdio a Bin Laden – de 93% – está na faixa dos acima de 65 anos. Dos 50 aos 64, é de 86%.

A mesma tendência aparece em outra pesquisa, YouGov/Economist, sobre atitudes em relação a Israel e ao antissemitismo. Nada menos que 40% dos jovens na faixa dos 18 aos 29 acreditam que “Israel está deliberadamente tentando varrer os palestinos do mapa”. Mais 37% acham que “Israel explora a vitimização” causada pelo Holocausto. Em relação a isso, quase 20% dos jovens acham que o holocausto “é um mito”. Na faixa acima de 65 anos, o número é próximo de zero.

Muito dessa ignorância está, obviamente, ligada a um ensino falho e à doutrinação chamada de progressista que se propagou por todas as escolas, de Nova York a Nova Iguaçu, com visões estereotipadas da história. Basta ver qualquer prova de vestibular ou do Enem.

Ou ouvir as três reitoras de grandes universidades americanas, Harvard, MIT e Pensilvânia, no caso infame do depoimento ao Congresso em que todas se recusaram a caracterizar um incentivo ao genocídio de judeus como perseguição ou bullying (uma já caiu e outra, Claudine Gay, de Harvard, está a caminho, atropelada por casos lamentáveis de plágio).

BATALHA PERDIDA

Com esse equivocado caldo de cultura, estaria o TikTok incentivando as atitudes contra Israel e a favor dos palestinos (falsamente, pois nada lhes faz mais mal do que o Hamas, que provocou deliberadamente os mortíferos ataques israelenses)?

Jornalistas do Wall Street Journal fizeram um teste: criaram contas como jovens de treze anos, a idade mínima, e em questão de horas estavam inundados por “conteúdo altamente polarizado” sobre o conflito. A maioria, a favor dos palestinos. A hashtag #FreePalestiine foi vista quatro bilhões de vezes.

Sem conhecimento histórico, sem contexto, como diriam as três reitoras, uma visão maciça se propaga, levando multidões dos teclados às ruas, muitos orgulhosos de imitar as fardas camufladas ou as câmeras Gopro usadas nas atrocidades praticadas em Israel em 7 de outubro, algumas transmitidas ao vivo.

Segundo uma pesquisa New York Times/Sienna Group, 46% dos jovens americanos simpatizam mais com o lado palestino, contra 27% que preferem Israel (praticamente o contrário dos dados do total da população, que deram 47% a favor de Israel contra 20% na posição oposta).

“Os que se identificam como usuários do TikTok foram os mais incisivos nas críticas” a Israel, anotou o Times.

Nas campanhas anteriores em Gaza, Israel já havia se habituado a perder a batalha da opinião púbica por causa das características cruéis de um conflito travado em área urbana, cheia de gente, contra um inimigo infiltrado em túneis, resultando num número alto de vítimas civis.

Agora, está perdendo a batalha do TikTok. Nem é preciso dizer como ela é importante.

Mentiras para todos os públicos

 

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Falsedad en tiempos de guerra" (Athenaica) es una lectura fascinante que nos ayuda a entender la propaganda, la Primera Guerra Mundial y el funcionamiento de los medios. Parte de su interés reside en una rara combinación de ingenuidad e inteligencia que sirve para iluminar su tiempo y el nuestro. Daniel Gascón para Letras Libres:


Una de las actividades humanas más antiguas es la guerra. Y una de las más antiguas y frecuentes es la mentira, “la primera de todas las fuerzas que gobiernan el mundo”, según el memorable arranque de El conocimiento inútil de Jean-François Revel. De la relación entre ambas trata este libro apasionante de Arthur Ponsonby, un estudio sobre las falsedades empleadas para justificar la Primera Guerra Mundial y movilizar a la población en favor de la causa. El libro, publicado en 1928, presta una atención particular a los aliados y sobre todo a Gran Bretaña: era la desinformación que el autor conocía mejor, la que le resultaba más accesible y cercana, y por tanto más indignante. “Nos preocupan más los métodos de nuestro propio gobierno y nuestro propio honor nacional que la duplicidad de otros gobiernos”, escribe.

Arthur Ponsonby (1871-1946) fue político, escritor y activista. Primer barón de Ponsonby of Shulbrede, su padre descendía de una familia anglorlandesa, y fue secretario privado de la reina Victoria y responsable de finanzas de la Casa Real. Pero sobre todo era soldado: había combatido en Crimea y alcanzó el rango de major-general. Su madre era hija de John Crocker Bulteel, que fue representante whig en el parlamento por la circunscripción de South Devonshire. Arthur Ponsonby estudió en Eton y en Balliol, estuvo en el servicio diplomático en Constantinopla y Copenhague, y fue miembro del parlamento (con el Partido Liberal, más tarde como independiente y de forma más duradera, a partir de 1918, con los laboristas). Formó parte de la Union of Democratic Control, un grupo de presión que se oponía a la influencia del ejército en la política y que criticaba lo que ahora llamaríamos falta de transparencia en la implicación del Reino Unido en la Gran Guerra. Entre sus miembros estaban el liberal Charles Trevelyan, el secretario general del Partido Laborista Ramsay McDonald (que dimitió por el apoyo de su organización a los presupuestos para la guerra), y dos futuros Premios Nobel de Literatura: Bertrand Russel y Norman Angell, autor de The Great Illusion, cuyo título tomó Jean Renoir para su película antibélica La Grande Illusion. Se trataba, escribió el historiador AJP Taylor, “de la organización radical más formidable que haya influido nunca en la política británica”. Ponsonby fue subsecretario de Asuntos Exteriores y de Dominion Affairs. Escribió una biografía de su progenitor a partir de sus cartas; que el padre fuera soldado y su hijo fuese un activista contra la guerra sugiere que también los pacifistas tienen que matar al padre.

Falsedad en tiempos de guerra es aleccionador y a menudo demoledor. Describe cómo opera la propaganda: cada país “la emplea con bastante deliberación para engañar a un propio pueblo, atraer a los neutrales y confundir al enemigo”. Su función es anular el pensamiento. En la guerra, las opiniones tibias, las dudas, la petición de rigor periodístico o una leve sospecha de la información oficial se convierten en una forma de traición. Es un momento de sufrimiento, muerte y sacrificio, y también de maniqueísmo, un estado de emergencia moral que exige cierto aletargamiento cognitivo. Quien dude de lo absoluto puede ser señalado como traidor. Para Ponsonby la característica más llamativa no es la abundancia de la mentira, sino nuestra propensión a creer: no el engaño, sino su aceptación casi entusiasta. No se trata solo de que las masas sean manipulables: quienes salen de las universidades son tan vulnerables a la intoxicación como quienes vienen de las barriadas.

La guerra es un hábitat idóneo para que florezca la mentira. La Gran Guerra habría sido, escribe Ponsonby, el momento de mayor emisión de falsedades, que además resultan particularmente necesarias en los países donde no hay un reclutamiento obligatorio, donde hay que manipular la opinión para que apoye el esfuerzo bélico. El autor establece una especie de taxonomía, de “máscaras” de la falsedad: la mentira deliberada de las fuentes oficiales, la mentira deliberada que produce alguien ingenioso y escapa a su círculo inicial, la mentira que dejamos pasar, la traducción defectuosa (a veces accidental, a veces intencionada), la obsesión general (que propicia ese rumor que se repite hasta considerarse verdad), la falsificación, la omisión de elementos cruciales (una forma de descontextualización), la exageración deliberada, el ocultamiento de los hechos. Los motivos del enemigo son claros, tienen que ver con su carácter (maldad, ansia de poder); y los nuestros también lo son, tienen que ver con la lealtad, compromisos adquiridos, y desde luego la lucha nunca es nuestra opción predilecta.

El grueso del libro son casos: estudios de tergiversaciones concretas. Por ejemplo, un elemento fundamental de los relatos de la guerra son las atrocidades. Y uno de los ejercicios más interesantes del libro es la reconstrucción y desmontaje de algunas de las historias, a menudo muy truculentas, que publicaban los periódicos pero que tenían algo o mucho de leyendas y como tales se iban modificando: bebés a los que les amputaban las manos, enfermeras a las que mutilaban los pechos, soldados crucificados. Ponsonby muestra cómo se inventa la noticia, a veces por prisa, a veces por un malentendido (es frecuente una mala traducción, accidental o intencionada, como ya hemos dicho). Se cambia el significado de un hecho o de una imagen. En alguna ocasión se le ha reprochado a Ponsonby que, ansioso por desenmascarar las trampas de los suyos, cayera en alguna trampa del adversario y reprodujera sus versiones: el precio del escepticismo hacia unas fuentes puede ser la credulidad hacia otras. Pero mucho más a menudo es convincente y útil y describe fenómenos de distorsión o histeria que hacen pensar en los que conocemos en nuestras sociedades más o menos pacíficas: por ejemplo, pánicos periodísticos como los pinchazos inexistentes de las discotecas en el verano de 2022, las historias que describía Daniel Schneidermann en Le cauchemar médiatique, o casos como el que estudiaba Arcadi Espada en Raval.

También son interesantes las fuentes: Gran Bretaña participó y emitió propaganda, pero también creó mecanismos para examinar sus propias mentiras. Había una voluntad de investigar, de rendir cuentas: algo parecido a la vergüenza. (La era de la posverdad podría verse, entre otras cosas, como una pérdida de esa vergüenza).

Otro elemento del libro que destaca por su perspicacia y a la vez nos resulta cercano es la fotografía. Este medio, dice Ponsonby, miente más de lo que podríamos suponer, y los maestros en su uso fraudulento son los franceses. Este debate sobre una tecnología relativamente reciente, con una impresión de autenticidad pero que precisamente por eso es capaz de generar falsificaciones peligrosas, resuena en los lectores contemporáneos.

El léxico de nuestra época también podría presentar este libro como una denuncia de la construcción del relato. La posición propia, la de tu país, se presenta como irreprochable, mientras que al enemigo se le retrata como alguien inequívocamente depredador. Ponsonby establece dudas sobre las razones explícitas de la intervención: ¿fue una sorpresa o no el desencadenante?, ¿se podría haber evitado?, ¿dijo eso exactamente un líder enemigo? El libro es ameno y sobrio, a veces resulta casi mecánico, pero no carece de humor al reflejar paradojas, hipocresías o contradicciones. La promesa de defender a las pequeñas naciones con toda la fuerza del Imperio Británico parece sacada del episodio de Blackadder donde George (Hugh Laurie) decía que la guerra había sido generada por “el vil huno y su vil ansia de construcción imperial”, y Edmund (Rowan Atkinson) respondía: “George, en este momento el imperio británico comprende un cuarto del globo, mientras que el imperio alemán comprende una pequeña fábrica de salchichas en Tanganica”.

La poesía británica que habla de la Gran Guerra también está asociada con la denuncia de la mentira. Wilfred Owen terminaba así su poema “Dulce et decorum est”: si pudieras oír la sangre que sube por pulmones corrompidos por la espuma, obscena como el cáncer, amarga como la rumia, de llagas asquerosas e incurables en lenguas inocentes, amigo mío, no les contarías con tanto entusiasmo a niños que arden por una gloria desesperada esa vieja mentira: Es dulce y decoroso morir por la patria”. “Si preguntan por qué morimos/ Diles que porque nuestros padres mintieron”, escribió Rudyard Kipling, que perdió a su hijo en la contienda.

Falsedad en tiempos de guerra hace pensar a veces en Kraus, en Klemperer, pero tiene algo particularmente orwelliano: a Orwell nos recuerdan, por ejemplo, la enumeración, el acopio de información y falsedades, el análisis del lenguaje y de sus eufemismos y tergiversaciones, la crítica del sensacionalismo periodístico, la preocupación por la mentira y por el nacionalismo (que el autor asimilaba al sectarismo, a una ceguera voluntaria que lleva a condenar al adversario y a justificar o no reconocer los errores propios). Pero existe una diferencia que corresponde al contexto histórico y generacional y a la idea del compromiso político: a cómo vemos la guerra y la naturaleza de la amenaza. Orwell fue a España para detener al fascismo (literalmente), estuvo a punto de morir por un bala franquista y de ser asesinado por el Partido Comunista. En cambio, la Primera Guerra Mundial es, como ha escrito el historiador Christopher Clark, la catástrofe original del siglo XX, y a la vez algo que, como han explicado historiadores y como nos han contado algunos de quienes participaron en ella, se podía haber evitado. La Segunda Guerra Mundial no se puede presentar de la misma manera: no fue una guerra elegida. Las denuncias de los mecanismos de la mentira para justificar una guerra que era fácil atribuir a las ansias imperialistas y la estupidez de los dirigentes no funcionan del mismo modo cuando te enfrentas a una forma de mal absoluto (la Alemania nazi) o, más tarde, a una siniestra amenaza global (el imperio soviético). En esos momentos, como ocurre ahora con los “pacifistas” que repiten el argumentario del Kremlin con respecto a Ucrania, el término pacifista podía significar otra cosa: el admirador de regímenes totalitarios, el que sentía más odio hacia las democracias occidentales que amor por la paz, el que empleaba dos varas de medir. Pero también hemos visto cómo la información que presentan las democracias para justificar intervenciones bélicas puede ser falsa: para mi generación, el ejemplo más claro son las armas de destrucción masiva en Irak.

Falsedad en tiempos de guerra es una lectura fascinante que nos ayuda a entender la propaganda, la Primera Guerra Mundial y el funcionamiento de los medios. Parte de su interés reside en una rara combinación de ingenuidad e inteligencia que sirve para iluminar su tiempo y el nuestro.

[Prólogo a Falsedad en tiempos de guerra, de Arthur Ponsonby, Athenaica, 2023]

Daniel Gascón (Zaragoza, 1981) es escritor y editor de Letras Libres. Su libro más reciente es 'El padre de tus hijos' (Literatura Random House, 2023).