MEDIÇÃO DE TERRA

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MEDIÇÃO DE TERRAS

terça-feira, 1 de março de 2022

Brasil permitirá acesso de ucranianos a passaporte humanitário

 


Presidente disse que será editada uma portaria, nos próximos dias


Tribuna da Bahia, Salvador
01/03/2022 07:58 | Atualizado há 2 horas e 48 minutos

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Foto: Redes Sociais

O presidente da República, Jair Bolsonaro, disse nesta segunda-feira (28) que o Brasil vai fazer uma portaria para garantir o acesso de ucranianos ao passaporte humanitário brasileiro. O anúncio foi feito em entrevista à rádio Jovem Pan e retransmitida nas redes sociais do presidente. “Nós faremos todo o possível para receber o povo ucraniano”, destacou.

Segundo Bolsonaro, a portaria que vai regulamentar a entrada de ucranianos por meio do passaporte humanitário deverá ser publicada nos próximos dias. O presidente disse que o Brasil vai continuar com a postura neutra em relação ao conflito entre Rússia e Ucrânia que teve início na última semana.

Nos últimos dias, o presidente já havia falado sobre o assunto, quando destacou que o Brasil tem sido claro sobre sua posição “em defesa da soberania, da autodeterminação e da integridade territorial dos Estados”.

Sanções

O presidente afirmou que não há previsão de imposição de sanções do Brasil para a Rússia em decorrência do conflito. Conforme Bolsonaro, o Brasil possui uma “dependência enorme” dos fertilizantes da Rússia e, em caso de sanções, o agronegócio seria “seriamente afetado”. “Acredito que essas sanções dificilmente prosperam”, disse.

O presidente Jair Bolsonaro voltou a destacar o apoio do governo russo na preservação da soberania da Amazônia em discussões internacionais e disse que, sem os fertilizantes russos, o agronegócio brasileiro seria prejudicado, o que poderia gerar insegurança alimentar e inflação de alimentos.

Bolsonaro falou ainda sobre as críticas do representante da Ucrânia no Brasil e afirmou que o Brasil tem que ter o equilíbrio na relação entre os países.

Resgate de brasileiros

O Ministério das Relações Exteriores (MRE) informou  que chegaram hoje a Varsóvia, capital da Polônia, oito servidores do Itamaraty para ajudar no processo de resgate dos brasileiros impedidos de retornar ao país por causa do conflito entre Rússia e Ucrânia. “Esta força-tarefa enviará destacamento a Lviv, na Ucrânia, onde será montado escritório de apoio aos brasileiros que estão tentando deixar o país”, diz a publicação, em redes sociais.

Fonte: Agência Brasil

A gravidade das variantes

 

BLOG  ORLANDO  TAMBOSI

Não é possível surgir uma variante mais gravosa para o ser humano por imposição matemática de uma lei conhecida há 150 anos – a lei da seleção natural. Os biólogos sabem-no, os políticos que o aceitem. João Pires da Cruz para o Observador:


Não sou químico, biólogo, bioquímico, médico, enfermeiro, nem tenho qualquer título formal na área das chamadas ciências da vida, por muito que isso possa parecer no texto abaixo. Tenho o maior respeito pelas conquistas científicas feitas no último ano e meio, quer nas vacinas, quer nos testes. Não sou um “especialista de covid” e espero que não seja isso que quem lê as palavras que se seguem vá assumir. Ainda assim, ao ver alguns dos cientistas que muito respeito a serem contrariados pelas autoridades de saúde, achei que devia dar aqui os meus 50 cêntimos de Ciência Física generalizada por vários domínios económicos e também por motivos profissionais. Não que isso me dê uma especial superioridade intelectual, mas apenas uma experiência de aplicação mais variada do pouco que fui aprendendo na vida.

Estão a ver aquelas cenas dos filmes no espaço em que o astronauta fica solto da sua nave e à deriva no espaço na direção do planeta mais próximo? O ator está sempre muito confortável, o que corresponde àquilo que é esperado pela Física. Há cerca de 100 anos, Einstein, numa das suas “experiências mentais”, imaginou uma pessoa a cair no campo gravítico dentro de uma caixa sem janelas. Como quer a caixa, quer a pessoa, caiem com a mesma velocidade e aceleração – coisa já imaginada por Galileu 300 anos antes –, então a pessoa não vai sentir a gravidade. Ora, concluiu o génio alemão, se a pessoa não sente a força, mas nós vemos que ela cai, então a gravidade é uma força “aparente” porque depende de posição de quem a “vê”. O astronauta solto da nave vai andar muito confortável a viajar na direção do planeta mais próximo, sem sentir qualquer força, até que se vai esborrachar contra todas as partículas que chegaram ao planeta antes dele. O que, sendo muito “fixe” em termos científicos, é uma bela porcaria.

“Aparente” é uma forma de expressão, porque quando tenho que subir 17 andares pelas escadas, nada daquilo me parece “aparente”. O que acontece é que se não houvesse chão, isto é, se não existissem seis mil e tal quilómetros de rochas e outras matérias que chegaram primeiro e que estão por debaixo de nós, nós não sentiríamos a gravidade. E esta é a principal característica destas forças “aparentes”: não as sentimos se não sofrermos uma influência externa. Mas se tentarmos ir no sentido contrário do movimento, se tentarmos voar ou, simplesmente, se não sairmos do mesmo sítio, aí vamos sentir. Não a gravidade, mas o esforço de a contrariar.

O que Einstein descobriu foi que o que gera aquilo a que chamamos gravidade é o espaço não ser todo igual como a nossa intuição nos diz. Em termos simples, à medida que nos aproximamos de uma massa enorme, como um planeta, os “pontos do espaço vão ficando mais próximos”, o que faz com que nos movimentemos no sentido do planeta e não no sentido oposto. A causa de tudo isto é a expansão do espaço e do tempo no universo, não tem nada a ver connosco, nem mesmo com o nosso planeta. É um efeito ao nível de todo o universo e, por isso, quem está de fora vê a força, mas nós não a sentimos. Não a sentimos a puxar (se não houvesse chão), mas sabemos que é impossível ir no sentido contrário sem esforço. Sabemos que o calhau que vemos no chão não vai voar, apesar de ninguém o estar a segurar.

Todo este cenário parece saído de um filme de ficção científica, mas, na verdade, sabe-se há mais de 100 anos e sem isto, tecnologias “domésticas” como o GPS, que hoje damos como certas, não funcionariam. O que isto tem de contraintuitivo é que temos um “movimento” global que arrasta os componentes do sistema. A força não deriva de uma propriedade intrínseca dos objetos que vemos, mas de uma tendência global que faz com que os vários constituintes do sistema interajam entre si. Não porque os componentes se atraiam ou tendam a ligar-se, mas porque o “movimento” global assim o impõe. E não é só um sistema transcendente como o cosmos que se porta desta forma, mas também a economia, as eleições, a inteligência e, o motivo deste artigo, a genética.

O mais pequeno dos vírus conhecidos é uma sequência de 5500 nucleótidos, isto é, uma de quatro moléculas: Adenina, Timina, Guanina e Citosina. Quimicamente pouco interessa, o que importa é que em cada posição vamos ter uma de quatro possibilidades (A, T, C, G). Em princípio, um qualquer nucleótido pode seguir-se a outro porque não haverá nenhuma preferência química na sequência, logo são independentes à partida uns dos outros. Fazendo as contas assumindo que são independentes, o vírus pode ter 4 levantado a 5500 configurações diferentes, ou seja, cerca de 10 levantado a 3300 (um “1” com 3300 zeros a seguir). Como se calcula que o universo inteiro tenha cerca de 10 levantado a 80 partículas, haveria muito mais configurações possíveis de vírus do que partículas no universo. Ou seja, isto é absurdo. Ora, se os nucleótidos não podem ser independentes, então são dependentes porque quanto mais dependentes uns dos outros forem, menor é o número de combinações possíveis (ex: se eu impusesse que os cães tinham que ser todos às riscas brancas e pretas, o número de raças caninas seria próximo ao das raças de zebras). E faz sentido que sejam muito dependentes porque o número tem que descer de 10 levantado a 3300 para algo aceitável com aquilo que é observado

Existe, então, uma interdependência entre os vários nucleótidos? Os números parecem indicar que sim, mas se essa dependência fosse química existiriam, assim, sequências rígidas, as mutações seriam pouco prováveis e seríamos todos vírus. Então de onde vem essa interdependência que faz com que o número de possibilidades seja de facto pequena? Vem de uma força que os nucleótidos não “sentem”, mas para quem vê de fora é como se existisse. Uma força “aparente”, como a gravidade, e que deriva do mecanismo de seleção natural. Este mecanismo faz com que as mutações que são bem-sucedidas (isto é, as que promovem uma reprodução mais eficiente dos vírus) sejam raras, e isso leva a que muito poucas combinações de nucleótidos possam sobreviver. As moléculas do vírus, por si, não sentem a força, mas o vírus como um todo sente-o no sentido em que aqueles nucleótidos se atraem uns aos outros para que o organismo como um todo seja bem-sucedido. Ou seja, não existe uma propriedade intrínseca dos nucleótidos que façam com que numa posição tenha que ser aquele em particular. Mas a evolução do vírus como um todo faz com que uma força “aparente” proíba o aparecimento de outros.

Demasiado abstrato? Um pouco e bastante contraintuitivo, ao ponto de ter ouvido nas últimas semanas que a seleção natural não era uma lei (rebola na campa, Darwin!). Mas tal como o calhau na rua não vai sair a voar porque o universo está em expansão, há um conjunto de mutações do vírus que não vão acontecer devido ao efeito global da seleção natural. Se percebermos que a seleção natural funciona como uma força que faz os nucleótidos organizarem-se preferencialmente numa dada combinação e que as mutações bem-sucedidas são muito raras, então já conseguimos entender o sentido que a “força” terá. Quanto menos gravoso for o vírus para o seu hospedeiro, mais tempo este anda nas festas e mais hospedeiros o vírus visita. Ou seja, a “força” faz com que as variantes de um vírus sejam sucessivamente menos gravosas, sendo que as mais gravosas devem ser encaradas como o calhau que voa espontaneamente.

No entanto, e ao contrário de vários cientistas nacionais que tenho em muito boa conta, a OMS vem reforçar que o SARS-COVID-2 pode evoluir para variantes mais gravosas. Esta posição da OMS, para além de, na minha modesta opinião, revelar uma ligeireza teórica surpreendente, traz também consequências danosas à vida de biliões de pessoas no mundo inteiro. Não é possível surgir uma variante mais gravosa para o ser humano por imposição matemática de uma lei conhecida há 150 anos. Os biólogos sabem-no, os políticos que o aceitem. Cabe-nos a nós mostrar aos políticos que devem seguir a ciência e não um qualquer amanuense que se diz cientista. Fica o meu contributo.

Atitude animal: o massacre dos cervos e o jogador que chutou o gato.

 

BLOG  ORLANDO  TAMBOSI


Imagens chocantes mostrando resultado de caçada fechada na Espanha e de futebolista francês agredindo seu pet provocam revolta geral. Vilma Gryzinski:


Ser legal não significa ser justo, argumentou uma organização de proteção dos direitos dos animais diante do vídeo feito numa fazenda da região de Córdoba.

As imagens mostram 447 cervos e javalis enfileirados – para cumprir, ironicamente, normas sanitárias -, depois de ser abatidos por caçadores que pagaram 1 000 euros por cabeça. Detalhe: a propriedade rural onde aconteceu a caçada é cercada, o que impossibilita a fuga de qualquer animal. A caçada vira “caçada”.

A associação de caçadores disse que, além de legal, a matança mantém o equilíbrio ambiental e controla espécies que não têm mais predadores naturais. A carne dos animais abatidos é aproveitada, para consumo local ou exportação.

Todos os argumentos estão certos – o que não significa que ver tantos animais silvestres sacrificados seja menos chocante.

Evitar o sofrimento animal é um dos imperativos morais mais complicados que existem, pois o “rei das feras”, como o provavelmente vegetariano Leonardo da Vinci chamava o homem, tem uma alimentação mais eficiente com o consumo da carne.

Às vezes, a exigência não tem complicação nenhuma. É o que está acontecendo com Kurt Zouma, jogador do West Ham e da seleção francesa. Filmado pelo irmão, Yoan,que também é jogador, agredindo um de seus dois gatos da raça bengal – delicados leopardos em miniatura -, Zouma provocou reações em cadeia que ainda estão se propagando.

O gato aparentemente faz alguma coisa fora da caixa de areia. Zouma o agarra, dando um chute que faz o animal atravessar a cozinha de sua casa em Essex, na Inglaterra. Depois joga dois pés de tênis no bicho, refugiado debaixo da mesa de jantar. Quando uma criança pega o gato, o jogador dá um tapa que faz o gato voar.

Poucas coisas provocam reações tão unânimes na Inglaterra quanto maltratar animais. O abaixo-assinado de protesto não para de aumentar. O West Ham tentou administrar a revolta avisando que o jogador seria multado em duas semanas de salário – 250 mil libras, oito vezes mais em reais, dinheiro que seria destinado a entidades de proteção aos animais.

Também mandou Zouma divulgar um pedido de desculpas daqueles escritos por advogados. “Não há justificativas para o meu comportamento”, diz a nota.

“Posso garantir que nossos gatos estão perfeitamente bem e com saúde. São amados e queridos por nossa família e este comportamento foi um incidente isolado que não se repetirá”.

Não mesmo: a Real Sociedade de Proteção aos Animais tirou os gatos da casa do jogador e abriu uma investigação própria, como permite a lei.

Na França, a Fundação 30 Milhões de Amigos, a maior do gênero, mobilizou advogados para entrar com uma queixa contra o jogador, mesmo que a agressão tenha acontecido fora do país. O crime de maus tratos a animais pode ser punido com até quatro anos de prisão segundo legislação em vigor desde o ano passado.

O West Ham, um time do povão da zona leste de Londres, demorou para perceber o tamanho da encrenca e escalou Zouma para um jogo no domingo. O jogador foi vaiado cada vez que tocou a bola, tanto pelos adversários, do Watford, quanto pelos próprios torcedores.

Agora, ele está fora da próxima partida. Perdeu o contrato com a Adidas e dois patrocinadores do time caíram fora.

Zouma, um francês de Lyon, filho de emigrantes da República Centro-Africana, provocou uma crise por motivo nunca visto no mundo do futebol, onde geralmente é o envolvimento abusivo com gatas humanas que causa escândalos.

“Muitas pessoas estão dizendo que este jogador não pode mais usar as cores da França”, disse uma porta-voz do Partido Animalista francês – existe e tem uma candidata a presidente com 2% das preferências.

Outra candidata, Marine Le Pen, a direitista simpática à causa animal, disparou: “É uma vergonha. Continuo a achar que os que praticam crueldade contra animais que não podem se defender são igualmente capazes de crueldade contra os homens. A violência nunca é anódina”.

Na Espanha das cenas chocantes do resultado da caçada fechada aos cervos e javalis, existe um precedente enorme de desastre de imagem que a questão animal pode causar. O rei Juan Carlos começou a desabar em 2012, quando sofreu uma queda durante uma caçada em Botsuana, um luxo bancado por um xeque árabe, na companhia da amante alemã.

Por causa do incidente, começaram a circular fotos de caçadas com grandes animais abatidos – tudo legalmente, embora desastroso em termos de relações públicas.

Dois anos depois, ele abdicou em favor do filho. Hoje, vive em Abu Dabi, impedido de voltar ao país pelo peso negativo que isso teria para o sucessor, embora tenham sido encerradas as investigações por corrupção passiva e evasão fiscal.

Imagens que falam por si são poderosas e quando mostram abusos, de qualquer tipo, provocam uma revolta moral que não é fácil de controlar.

"Raças", racismo e genética.

 



Em longa resenha escrita para a Revista ed Libros, Carlos López-Fanjul analisa o livro de Adam Rutherford, (Como rebatir a um racista), recentemente traduzido na Espanha:


El significado de la voz raza que ofrece el actual diccionario de la Real Academia, expresado como «cada uno de los grupos en que se subdividen algunas especies biológicas y cuyos caracteres diferenciales se perpetúan por herencia», es tan políticamente correcto como poco informativo, al no concretar en manera alguna ni a qué especies se refiere ni cuáles son los atributos hereditarios a tener en cuenta para encasillar en cada una de ellas a los distintos grupos que la componen. Algo más precisa, quizás por obra del subconsciente académico, es la especificación de etnia como «comunidad humana definida por afinidades raciales, lingüísticas, culturales, etc.», que implícitamente remite al uso común del término raza en lo que respecta al ser humano, alusivo a conjuntos de individuos que comparten un mismo origen geográfico más o menos remoto, cuyos rasgos distintivos abarcan características físicas externas como color de la piel, tipo de cabello, o rasgos faciales, junto con cualidades conductuales entre las que se incluyen temperamento, moralidad y capacidad intelectual. En otras palabras, a pesar de manifestaciones en contrario o premeditados silencios, cabe pensar que, para muchos, sigue aún vigente en líneas generales la clasificación propuesta por Linneo en su Systema Naturae (1758), que no pasa de ser una verbalización de las opiniones racistas de su época, al subdividir al Homo sapiens en cuatro grupos: europeos blancos, americanos cobrizos, asiáticos cetrinos y africanos negros, respectiva y supuestamente gobernados por leyes, atavismos, sentimientos o caprichos específicos. Pasados algo más de dos siglos, el catálogo oficial de razas del Census Bureau norteamericano (blancos, africanos, indios americanos, asiáticos e isleños del Pacífico) coincide prácticamente con el linneano, a pesar de su insistencia en que la configuración de dicha lista obedece exclusivamente a criterios sociales y no biológicos. Al aumentar el repertorio de caracteres diagnóstico propio de la taxonomía al uso, el número de razas humanas propuesto por los especialistas blancos llegó a alcanzar varias decenas, pero todos ellos coincidían en situar a la suya en la cúspide de la estructura poblacional de la especie. Es más, Linneo propuso una segunda especie, el Homo monstruosus, que englobaba entre otros a patagones, hotentotes e, incluso, indígenas canadienses.

A exponer lo que la genética puede decir sobre los temas apuntados más arriba está dedicado el texto objeto de la presente reseña, publicado en 2020 y traducido el año siguiente al castellano. Su autor, Adam Rutherford, se ha aplicado a la divulgación científica, tras doctorarse en genética por la universidad de Londres, como editor responsable de los programas audiovisuales de la revista Nature durante una década, presentador del programa radiofónico de la BBC Inside Science, colaborador habitual del diario The Guardian, y autor de varios libros, entre ellos Breve historia de todos los que han vivido: el relato de nuestros genes, reseñado en Revista de Libros (20/12/2017).


La obra en cuestión está estructurada en cuatro capítulos que analizaré con detalle en lo que sigue, destinando los dos primeros a exponer la realidad genética en lo que toca a la pigmentación y la pureza racial, y dedicando los dos últimos a examinar la pretendida condición hereditaria del mayor potencial deportivo o la superior capacidad intelectual que, respectivamente, suele atribuirse a una ascendencia africana o europea. Precedido por una larga introducción y finalizado con unas cortas conclusiones, tanto el enfoque como la división del escrito me han traído a la mente la versión operística del mito de Fausto desarrollada por Arrigo Boito en su Mefistofele, una versión más del eterno combate entre el bien y el mal rematada esta vez con un final feliz.

A lo largo de un siglo, la genética ha intentado establecer el alcance de su influencia en la determinación de las diferencias entre comunidades humanas asentadas en distintas áreas geográficas. Sin embargo, un análisis científicamente satisfactorio sólo ha podido llevarse a cabo a partir de los datos genómicos obtenidos utilizando las técnicas moleculares desarrolladas durante los últimos veinte años, con la notable excepción del expuesto en el párrafo siguiente. Por su novedad e interés, creo que merece la pena extenderse en la exposición de esos datos y examinar detenidamente las conclusiones alcanzadas a partir de su elaboración.

En 1972 Richard C. Lewontin publicó su famoso trabajo The apportionment of human diversity, cuyo propósito era averiguar si las diferencias taxonómicas convencionales hasta entonces utilizadas para establecer las clasificaciones raciales podían aplicarse a la variación genética subyacente, representada por la que era accesible entonces, esto es, por nueve grupos sanguíneos conocidos de antiguo y ocho polimorfismos enzimáticos detectados pocos años antes, examinados en muestras de individuos tomadas en cada una de 168 poblaciones de diversa localización geográfica a razón de unas 34 por cada uno de los cinco continentes. Los resultados pusieron de manifiesto que el 86% de la variabilidad total observada correspondía al promedio de las diferencias entre las personas que formaban parte de una misma población, y que el 14% restante se repartía prácticamente por igual entre las divergencias promedio entre las poblaciones asentadas en un mismo continente y las existentes entre los seres humanos afincados en distintos continentes. Debe destacarse la elevada repetibilidad de las conclusiones que acabo de cuantificar, puesto que al llevar a cabo el análisis gen por gen las respuestas individuales fueron extraordinariamente consistentes, cosa insólita dada la escasa confianza que a priori cabe depositar en un sólo gen si se le toma como representante de los veinte mil de nuestro genoma. En consecuencia, Lewontin concluyó su estudio con la inevitable afirmación de que la herencia de los caracteres en los que se basa la clasificación racial convencional no presenta relación alguna con el comportamiento de la variación genética general representada por los genes analizados, dictaminando en consecuencia que dicha clasificación carece de sentido científico.


Treinta años después, el grupo dirigido por Noah Rosenberg repitió la operación anterior en 52 poblaciones situadas en distintos lugares del globo, pero utilizando un número mucho mayor de marcadores genéticos moleculares, en este caso 377 microsatélites, esto es, segmentos del genoma que muestran en la misma posición un número variable de secuencias repetidas de ADN no codificante. Los resultados obtenidos fueron, de facto, análogos a los anteriores, aunque las disparidades entre continentes o entre distintas poblaciones de un mismo continente se redujeron respectivamente al cuatro y el tres por ciento, adjudicando por tanto a la variabilidad genética de los individuos adscritos a una misma población el 93% de la total de la especie.

Tras la presentación del primer genoma humano en 2001, el número de variantes genéticas accesibles pasó de unos centenares a cientos de miles, utilizando los llamados polimorfismos de un solo nucleótido (SNP = single nucleotide polymorphism), es decir, los cambios de un nucleótido por otro que se dan en unos cuantos millones de posiciones del genoma como consecuencia de la acción reiterada de la mutación a lo largo de las generaciones. Recurriendo a estas variantes es posible escudriñar, mediante complejos procedimientos estadísticos, incluso pequeñas divergencias genéticas entre grupos actuales geográficamente próximos pero a los que tradicionalmente se atribuye un origen ancestral al menos parcialmente distinto, por más que, como se ha dicho, dichas diferencias sólo representen de promedio entre un tres y un cinco por ciento de la variación total. Por dar un ejemplo, en el proyecto People of the Bristish Isles iniciado en 2004 en la Universidad de Oxford, se analizaron 600.000 SNPs en 4.500 ciudadanos del Reino Unido cuyos cuatro abuelos habían nacido en puntos situados dentro de un círculo de 40 km de radio, tomando como centro el punto de nacimiento del nieto. Las mínimas diferencias detectadas permitieron distinguir a los pobladores de las regiones a las que el romanticismo decimonónico denominó «célticas» de los del resto del país, con la sorpresa de que escoceses, galeses y córnicos diferían más entre sí que con respecto a los ingleses, lo cual sugiere, para desconsuelo de algunos, que su anhelada prosapia «céltica» es esencialmente lingüística y cultural pero no está en la sangre. Dado que la edad media de los sujetos experimentales era de 65 años, las inferencias obtenidas refieren a la población que residía en las zonas en cuestión hacia 1880 y no a la actual, fruto en parte de migraciones recientes. Lo mismo aplica a los conjuntos formados por individuos con ocho apellidos vascos, que igualmente remiten a la población del territorio en el último tercio del siglo XIX y no a la actualmente empadronada en él, donde sólo un 20% tiene dos apellidos vascuences y los de ocho deben ser mucho menos frecuentes.

Lo anterior deja palmariamente clara la situación con respecto a la variabilidad genética referida, generada inicialmente por mutación y denominada neutra porque su magnitud está únicamente sometida a los influjos de la migración y el azar, pero no de la selección natural. En resumidas cuentas, las diferencias genéticas entre poblaciones son muy pequeñas y las que existen entre los individuos que las componen muy grandes. Queda por averiguar a qué momento del pasado refieren este tipo de datos. El grupo de Wenqing Fu ha podido establecer que tres de cada cuatro variantes SNP observadas en euro y afroamericanos corresponden a mutaciones ocurridas entre los últimos 5.000 y 10.000 años de la historia de la humanidad. En consecuencia, cabe analizar la diferenciación de esas variantes entre poblaciones actuales de distinto origen geográfico mediante el llamado modelo clinal, esto es, suponiendo que, durante el lapso referido, los continentes fueron sucesivamente ocupados por pequeñas cuadrillas y que la mayor parte de los migrantes que se integraban reproductivamente en ellas provenían de otras colectividades relativamente próximas, lo cual concuerda con el hecho general de que la diversificación genética poblacional aumenta en relación directa con la distancia que separa los respectivos emplazamientos geográficos.

¿Qué ocurrió antes? Las técnicas desarrolladas desde 2010 por el grupo de investigación dirigido por Svante Pääbo hicieron posible la secuenciación de genomas humanos procedentes de restos fósiles no totalmente mineralizados datados por métodos radiocarbónicos, operación continuada en el laboratorio de David Reich mediante el análisis comparado de los acervos genéticos de individuos que vivieron en distintos momentos del pasado hasta hace unos 50.000 años, esto es, durante la práctica totalidad del período de ocupación del territorio europeo por el Homo sapiens sapiens. La principal conclusión alcanzada, que precisaré más adelante, es que el genoma de cualquier población humana actual es el resultado de sucesivos mestizajes entre grupos de procedencias diversas y presenta escasas coincidencias con el de sus antepasados en un pasado remoto, digamos más atrás de 10.000 años. Es preciso tener en cuenta que las muestras de genomas fósiles fechadas en una determinada época son, irremediablemente, poco numerosas y, por ello, las inferencias derivadas de su estudio van acompañadas de un margen de error considerable a pesar del gran número de marcadores genéticos empleados. Esto implica que las correspondientes conclusiones pueden experimentar modificaciones a medida que va incorporándose nueva información. En lo que sigue me limitaré a describir la situación en Europa, donde el acopio de datos es mucho mayor que en cualquier otro territorio, y en América, por ser el último continente ocupado por el ser humano, glosando los datos aportados por Rutherford y los expuestos en la obra de Reich Quiénes somos y cómo llegamos hasta aquí: ADN antiguo y la nueva ciencia del pasado humano, también reseñada en Revista de Libros (20/02/2019).

Hace unos 40.000 años, durante el Paleolítico superior, comenzó la primera colonización de Europa por cazadores-recolectores de origen africano. A partir de entonces, la paleogenómica ha permitido establecer a grandes rasgos los cambios experimentados por el genoma de los pobladores del continente como consecuencia de tres invasiones sucesivas. La primera ocurrió unos 15.000 años después de la ocupación inicial y corresponde a otro grupo de cazadores-reproductores, los llamados Noreuroasiáticos antiguos (ANE = Ancient North Eurasians), del mismo origen que los nativos coetáneos pero separados de estos a lo largo de unos milenios de aislamiento en la estepa siberiana. A la etnia ANE perteneció la Dama Roja, cuyos restos pintados de ocre datados hace unos 19.000 años se excavaron en El Mirón (Cantabria), esto es, durante el período magdaleniense al que corresponden la mayor parte de las pinturas de la Gran Sala de Altamira. Pasados otros 15.000 años, en pleno Neolítico, unos recién llegados procedentes del Creciente Fértil introdujeron en Europa las técnicas agrícolas. Con ellas se hizo posible la implantación de asentamientos estables, asociada a un empobrecimiento de la calidad de la dieta resultante en la disminución de la talla. Por último, hace unos 5.000 años, ya en la Edad de los Metales, hicieron su entrada desde la estepa rusa los ganaderos Yamnaya, provistos de carros y caballos, que importaron entre otras cosas el idioma protoindoeuropeo. A cada incursión sucedió la substitución prácticamente total del genoma autóctono previo por el foráneo, de manera que el de los europeos actuales está compuesto por un 75% de ganaderos y un 25% de agricultores, conservando sólo escasos vestigios de los cazadores-recolectores previos. En otras palabras, el grueso del genoma en cada período fue el resultado de la reiteración temporal de apareamientos entre machos invasores llegados en sucesivas oleadas y hembras nativas con un creciente grado de mestizaje, de tal modo que mil años después de la entrada de los pueblos yamnayas en la Península Ibérica correspondía a esta etnia el 90 % de los cromosomas Y de sus habitantes. A lo que parece, la tez de los ANE era oscura, aunque a veces venía acompañada por ojos azules, como es el caso de dos adultos que vivieron hace unos 7.000 años en la vertiente leonesa de la cordillera cantábrica (La Braña, Arintero); mientras que entre los agricultores predominaba una piel algo más clara, pelo negruzco y ojos pardos. Los primeros europeos dotados de una epidermis notoriamente blanca, el distintivo prototípico del europaeus albus de Linneo, corresponden a unos restos datados hace unos 8.000 años excavados en Motala (Suecia), una intrigante colección de cráneos atravesados por estacas. Sin embargo, la ventaja que puede proporcionar una baja concentración cutánea de melanina, favorecedora de una síntesis más eficiente de vitamina D en zonas de insuficiente radiación solar, sólo explica parcialmente la presión selectiva determinante de la rápida disminución de la pigmentación epidérmica en Europa, acaso acelerada por la pertinente merma de la concentración de dicha vitamina en la dieta de los agricultores comparada con la de los cazadores-recolectores. En resumidas cuentas, la noción de raza como entidad biológica ancestral conservada en pureza desde tiempos remotos es, a la luz de la genética, insostenible. Por el contrario los europeos, y lo mismo puede decirse de los restantes seres humanos actuales, son el producto de sucesivas mixturas ocurridas en el transcurso de una extensa historia como consecuencia de repetidas migraciones.


A diferencia de lo ocurrido en los restantes continentes, la colonización de América comenzó en tiempos mucho más recientes, hace tan sólo unos 15.000 años. Por ello, la constitución genética de las poblaciones nativas modernas concuerda por lo general con la que correspondería a la expansión de pequeñas bandas de cazadores-recolectores procedentes de una misma raíz asiática, denominada Americana Primitiva, que fueron ocupando sucesivamente el territorio. Aunque están documentadas distintas migraciones orientales posteriores, su influencia sobre el genoma contemporáneo de los pueblos autóctonos es de mucha menor entidad. Es interesante señalar que, en lo que respecta a las mutaciones ocurridas después de que el Homo sapiens saliera de África, se aprecia cierta semejanza entre los actuales genomas de europeos y americanos atribuible a su común ascendencia ANE, no compartida con los presentes pobladores del Oriente asiático. Evidentemente, los mestizajes importantes en América ocurrieron después del descubrimiento, tanto por parte de los colonizadores europeos, predominantemente españoles, como de los esclavos procedentes de África.

Con todo, la historia de las amalgamas determinantes de la constitución de nuestro genoma actual no acaba aquí. La paleogenómica ha permitido establecer que dos subespecies de Homo sapiens hoy extinguidas (neanderthalensis y denisova) convivían con la nuestra y, aunque se separaron filogenéticamente de ella 600.000 años atrás, aún retenían hasta hace unos 30.000 la propiedad que define a todas ellas como tales, esto es, la capacidad de sus miembros para poder aparearse entre sí y engendrar descendencia fértil. Todavía permanece en el genoma europeo un promedio del orden de un dos por ciento del neandertal, lo que quiere decir que aproximadamente la mitad de los europeos no conservan ni un sólo gen de esa procedencia, para desengaño de aquellos que dicen sentirse orgullosos de compartir el patrimonio hereditario de ambas estirpes. Algo parecido ocurre con los denisovanos, de cuyo genoma aun retiene un promedio de un 4% el de los actuales novoguineanos, pero que se reduce a un 0,2 % en el de los asiáticos orientales.

Como insiste Rutherford, quizás sea más ilustrativo pasar de la descripción de lo ocurrido antaño a la averiguación de lo que sucede hogaño. Supongamos, por facilitar el cálculo, que nos limitamos a Europa, que nos remontamos al año mil de nuestra era, y que ajustamos la duración de una generación a 25 años, esto es, retrocedemos 40 generaciones. El número de antepasados que en esa fecha del pasado tiene cualquier europeo de hoy es, aproximadamente, un billón (240 ~ 1012), sin embargo, se ha estimado que sólo cuatro quintas partes de los 25 millones de seres humanos que poblaban Europa al cumplirse el primer milenio cuentan con descendencia en la actualidad. Por tanto, para acomodar esas dos cifras tan dispares, es preciso que las ramas de los correspondientes árboles genealógicos no sean independientes en el tiempo sino que muestren numerosísimas interconexiones en diferentes momentos pretéritos, esto es, un gran número de ascendientes repetidos que han transmitido genes a su progenie a través de muy diversas vías, de manera que una exploración de la situación recurriendo a modelos matemáticos indica que cualquier europeo contemporáneo, siempre que lo sea por los cuatro costados, desciende de todos y cada uno de esos 20 millones de europeos de un ayer relativamente cercano. Evidentemente, los modelos se construyen partiendo de determinados supuestos y sus predicciones pueden variar si estos cambian, pero las consideraciones anteriores han sido satisfactoriamente validadas recurriendo a datos empíricos, esto es, a grandes números de variantes genéticas del tipo SNP, algo que solamente ha sido posible en los últimos años. En otras palabras, un promedio de unas mil líneas diferentes unen genealógicamente a cada español coetáneo con cada uno de sus ancestros peninsulares de hace mil años aunque, como cabría esperar, el número de esas líneas se reduce a diez cuando conducen a cada uno de sus antecesores escandinavos en la misma fecha. Hace tan sólo 600 años vivía un individuo que figura en el árbol genealógico de todos los europeos del presente, pero, si queremos ampliar la dispersión geográfica de sus ascendientes, basta con retroceder 3.400 años para encontrar al anónimo progenitor común más reciente de toda la humanidad actual, más o menos a los tiempos de Nefertiti. A esta simple precisión quedan reducidos los desvelos de tantos genealogistas que se afanaban y afanan en encontrar para sus clientes un abuelo en Covadonga. Ahora sabemos que si alguno de aquellos «abuelos» tiene actualmente «nietos», estos son el nutrido conjunto formado por la totalidad de los europeos.

Las consideraciones expresadas hasta aquí refieren a la porción neutra del genoma, es decir, a aquellas variantes genéticas surgidas inicialmente por mutación cuyas frecuencias fluctúan únicamente por la acción conjunta de la migración y el azar. ¿Qué decir de los genes sometidos a la presión de la selección natural? Aunque los datos pertinentes son mucho menos abundantes, comenzaré apuntando que el porcentaje de genoma neandertal portado por los miembros de nuestra subespecie era un 5% hace unos 40.000 años pero se ha ido reduciendo con el paso del tiempo hasta el 2% moderno como consecuencia de la acción selectiva en su contra, en particular sobre los genes relacionados con la fecundidad de los híbridos, de los que la muestra más obvia es el conjunto de los situados en el cromosoma X, aunque parece que una fracción considerable de los genes vinculados con el sistema inmunológico y la adaptación a climas fríos podría proceder de los neandertales. Algo parecido ocurre con los genes que, al facilitar la absorción del oxígeno en la sangre, permiten la adaptación a grandes altitudes, posiblemente incluidos en un segmento de ADN denisovano. A su vez, los indicios de selección natural detectados en los genomas europeos cuya edad está comprendida entre los últimos 8.000 y 2.000 años corresponden, en buena medida, a genes relacionados con los cambios de dieta promovidos por la introducción de las prácticas agrícolas y ganaderas, como las variantes que confieren a sus portadores la capacidad de digerir la lactosa permitiéndoles la ingestión de leche fresca, propias de las poblaciones europeas pero ausentes en las de los demás continentes, a excepción de algunos pueblos ganaderos africanos como los masais y los tuaregs cuya pertinente mutación es distinta. Por otra parte, la frecuencia de los genes deletéreos causantes de las denominadas enfermedades genéticas raras es más baja en África que en el resto del planeta, lo cual probablemente se debe al reducido censo de los grupos que iniciaron la dispersión geográfica de la especie hace unos 100.000 años.

Buena parte de los genes afectados por la selección tienen efectos pequeños y, por ahora, su identificación se limita a aquellos que los tienen lo suficientemente grandes como para provocar los llamados barridos selectivos, consistentes en rápidos aumentos de la frecuencia génica del gen favorecido asociados a la reducción de la variación genética en torno a su posición cromosómica. Aunque su estudio está limitado a los últimos 30.000 años, sólo un 20% de los barridos identificados en regiones cromosómicas concretas son comunes a poblaciones residentes en distintos continentes, como consecuencia de la acción diferencial de la selección en circunstancias ambientales distintas. Por ejemplo, algunos de los genes responsables de la pigmentación de la piel, la tolerancia a la lactosa, o la resistencia a la malaria no son los mismos en poblaciones europeas, asiáticas o africanas, ni están necesariamente situados en la misma posición genómica.


El desarrollo técnico ha hecho posible el florecimiento de empresas dedicadas a ofrecer la secuenciación del genoma individual, completando la información con la atribución de porcentajes de la ascendencia del interesado a distintos grupos históricos que se consideran atractivos, por ejemplo, el vikingo. Aunque dichas asignaciones satisfagan las aspiraciones genealógicas de los clientes, lo cierto es que no se basan en una comparación con una inexistente muestra de genomas vikingos ancestrales, sino con la población escandinava actual cuya relación con los pobladores de su zona de asentamiento hace un milenio es, como mínimo, difusa.

Por ser el rasgo más visible, las clasificaciones raciales, de Linneo en adelante, han tomado el color de la piel como el signo más evidente de pertenencia a una determinada etnia. Pero si bien es cierto que la pigmentación de la epidermis, el cabello y el iris depende esencialmente de la concentración de melanina que, a su vez, está determinada genéticamente, Rutherford también se afana en demostrar que la coloración no es una característica discontinua que permita diferenciar sin ambages a las razas humanas tradicionales, sino una variable continua que muestra una apreciable dispersión dentro de cada una de ellas como ocurre, por ejemplo, con el tinte de la piel de los europeos que oscila entre la palidez del escandinavo y lo cetrino del siciliano. Es más, un determinado color, sensu lato, no es exclusivo de los pobladores de un mismo continente, como proclama la tez oscura que comparten los africanos subsaharianos con los aborígenes australianos y neoguineanos y los isleños del golfo de Bengala. En los últimos años el número de genes identificados con efecto sobre el grado de pigmentación ha pasado de una decena a más de un centenar, cuya manifestación individual puede variar de un individuo a otro dependiendo de sus respectivas constituciones genéticas con respecto a los restantes. Así, la variante del gen MC1R, que hasta hace unos cuatro años se consideraba determinante del fenotipo pelirrojo si se presentaba en dosis doble, ha pasado a ser una condición necesaria pero poco suficiente, puesto que un 70% de sus portadores son rubios o castaños claros. La presencia de otra variante, en este caso del gen OCA2, resulta en ojos pardo oscuros en un tercio de sus portadores, pero en verdes o azules en un 13% de estos. Por último, una variante más, esta vez del gen SLC24A5, probablemente originada por mutación en Europa y estrechamente asociada a la piel blanca, se encuentra con frecuencias elevadas en etíopes y tanzanos. De hecho, los bosquimanos, cuya epidermis es considerablemente más clara que la de otros sudafricanos nativos, también portan con frecuencia alta una variante idéntica a la europea, probablemente recibida de pueblos pastores etíopes hace unos 2000 años y, más modernamente, de los boers. Por estas razones, las coloraciones atribuidas a los portadores de genomas fósiles a las que me he referido anteriormente no pasan de ser meras conjeturas.

Los depósitos de melanina cutánea absorben los rayos ultravioletas y protegen al individuo de la radiación solar, lo cual es ventajoso en zonas luminosas y desventajoso en las oscuras, puesto que, como se ha indicado antes, la radiación ultravioleta activa la producción de vitamina D, que es esencial para el desarrollo óseo. Prueba de la acción de la selección natural sobre la pigmentación es la ausencia de variación en poblaciones nativas subsaharianas del gen MC1R al que me he referido más arriba, uno de los importantes en la regulación de la producción de eumelanina.

El tercer capítulo del libro está dedicado a desmontar la opinión generalizada de que los africanos están genéticamente mejor dotados que otros pueblos para la práctica de determinados deportes, lo que presuntamente explicaría el predominio de los atletas afroamericanos en las carreras olímpicas de 100 metros lisos durante los últimos 40 años. En este sentido, el entrenador de Jesse Owens, ganador de los 100 y 200 metros y los relevos 4 x 100 en la olimpiada de Berlín de 1936 pese a la irritación de Hitler, atribuía el triunfo de la raza negra a la velocidad que decidía entre la vida o la muerte de sus primitivos antepasados en las adversas circunstancias de la jungla donde se afincaban. Más tarde, se trató de achacar dicha preponderancia a un proceso de selección artificial dirigido a aumentar el vigor físico de los esclavos supuestamente puesto en práctica en las plantaciones sureñas de los Estados Unidos, pero, como cabría esperar, la comparación del ADN de afroamericanos y africanos de su mismo origen geográfico no reveló indicio alguno de esa pretendida presión selectiva. En este orden de cosas, también se ha tratado de asignar a la nacionalidad keniana o etíope de los ganadores de las carreras de fondo una especial aptitud genética, supuestamente fijada durante un pasado pastoril donde el esfuerzo físico para mantener unido el rebaño condicionaría el éxito reproductivo en hábitats desfavorables.

Por ahora se han identificado en deportistas de elite unas 150 variantes en 83 genes presuntamente relacionados con el vigor físico, aunque la gran mayoría de sus efectos no hayan alcanzado la significación estadística exigible. Como excepción, Rutherford se detiene en el análisis de aquellos que el sensacionalismo al uso de los medios de comunicación ha bautizado como el gen de la velocidad (ACTN3) o el de la resistencia (ACE). La variante R del gen ACTN3 aumenta la capacidad de contracción muscular y es más frecuente en afroamericanos (96%) que en euroamericanos (80%), pero, por ser muy abundante en ambos grupos, es muy improbable que decida la supremacía atlética de los primeros. A su vez, la variante D del gen ACE proporciona a sus portadores una mayor tasa de incorporación de oxígeno a la sangre, aunque su frecuencia no difiere entre atletas y no atletas de nacionalidad keniana o etíope. Un buen número de empresas ofrecen reactivos que permiten a sus clientes averiguar su constitución genética con respecto a estos dos genes. Sin embargo, la Federación Internacional de Medicina Deportiva ha salido al paso de este negocio afirmando que los resultados no predicen el futuro éxito deportivo de los solicitantes ni especifican el tipo de entrenamiento preciso para lograrlo.

Aunque no puede negarse la influencia de los genes en la condición física del individuo, no parece que haya grupos humanos hereditariamente mejor dotados que otros para la práctica de un deporte concreto. Con todo, muchos jóvenes se someten a un entrenamiento intensivo por el éxito económico y social alcanzado por sobresalientes deportistas de su misma oriundez en una especialidad determinada, aunque no en otras. En este sentido, los afroamericanos nunca han destacado en los 50 metros libres de natación, acaso equivalente a los 100 metros lisos en tierra, lo cual debe tener que ver con que un 70% de ellos no sabe nadar, por más que no han faltado explicaciones ad hoc que atribuyen esa carencia a que «están menos evolucionados». Como burlonamente apunta Rutherford, la mayor parte de los campeones británicos de tenis de mesa han nacido en Reading, pero esto no se debe a compartir una especial dotación genética sino a su excelente entrenamiento en un afamado club de esa localidad.

El último capítulo del texto reseñado se centra en el controvertido tema de la herencia de la inteligencia y la posible existencia de diferencias genéticas entre poblaciones humanas con respecto a este atributo. El autor admite sin reparos que, grosso modo, las diferencias fenotípicas promedio del cociente intelectual (IQ = intelligence quotient) entre los individuos de una misma población se reparten por mitad entre las causas hereditarias y las ambientales, lo cual, en la jerga del oficio, corresponde a una heredabilidad del 50%. En paralelo, opina que recientes estudios han identificado decenas de variantes genéticas relacionadas con mejores puntuaciones en las valoraciones cognitivas, afirmando que no le sorprendería si el número ascendiera «a muchos centenares si no a miles». Sin embargo, también procura escurrir el bulto con la manida excusa de que los resultados referidos son fruto de la aplicación de técnicas científicas complejas y análisis estadísticos enrevesados. En primer lugar, aunque mantiene que el IQ debe ser utilizado como medida de inteligencia por ser un buen predictor, tanto de las calificaciones académicas como del salario y el éxito profesional, también insinúa que no está claro lo que ese índice mide. En segundo lugar, reconoce que los procedimientos de estima de la heredabilidad mencionada, basados en la semejanza de gemelos monocigóticos y dicigóticos criados por separado, no están exentos de reparos aunque considera que estos no son importantes, por más que repetidamente se ha demostrado que pueden serlo. Por último, admite que los efectos de genes putativos (regiones del genoma marcadas por SNPs) sobre el número de años de educación recibidos están correlacionados con los que pudieran tener sobre el IQ, cuando es mucho más fácil que dichos efectos dependan en buena medida de la situación socioeconómica del examinando y no tanto de su capacidad intelectual. Llegados aquí, Rutherford aclara que lo dicho sólo proporciona información sobre las poblaciones objeto de análisis y no sobre las diferencias genéticas entre ellas. Aunque técnicamente no hay duda de que le asiste la razón, para este viaje no precisaba de las antedichas alforjas. Para mantener su postura bastaba con expresar que la importancia de la base genética del IQ, por no decir de la inteligencia, dista mucho de haber sido establecida en términos estrictamente científicos.

Como he insistido desde el comienzo de esta reseña, cabe esperar que existan diferencias entre poblaciones para cualquier rasgo heredable y también que dichas disparidades no representen más que una menuda fracción de las que distinguen a unos individuos de otros entre los que componen cada una de ellas. Aunque algunos de los genes relacionados con la adaptación a distintos medios sean causantes de diferencias patentes, como los que determinan el grado de pigmentación de la epidermis, esa distinción sólo opera a flor de piel y no es en absoluto representativa de lo que ocurre en el resto del genoma. También existen divergencias de signo alternante con respecto a la susceptibilidad a determinadas enfermedades. Por ejemplo, la esclerosis múltiple es más frecuente en euroamericanos que en afroamericanos y lo contrario ocurre con el cáncer de próstata. Algo semejante sucede con caracteres de base poligénica amplia como la estatura adulta, pero la discrepancia promedio entre las poblaciones del Norte y el Sur de Europa con respecto a la frecuencia de 89 variantes con efecto significativo pero pequeño sobre este atributo ha resultado ser algo menor del 1%, a efectos prácticos insignificante.

A veces, profundos prejuicios personales pueden llegar a negar cerrilmente la evidencia científica contrastada, resultando en incoherencias flagrantes cuando la mano izquierda decide ignorar lo que hace la derecha. Así, las continuas manifestaciones racistas de James D. Watson, codescubridor de la estructura en doble hélice del ADN por lo que se le concedió el premio Nobel y primer director del Proyecto Genoma Humano, motivaron que la institución que dirigió durante largos años, el Laboratorio Cold Spring Harbor, le retirara en 2019 todos sus títulos honoríficos. El propio Rutherford, hijo de inglés y guayanesa de ascendencia india, comenta que, en cierta ocasión, Watson le indicó despectivamente que podría ser un buen genético «porque los indios son muy trabajadores aunque poco imaginativos». Como resume Rutherford al final de su obra, las razas son reales porque las concebimos como tales y el racismo es real porque así lo decretamos. Pero ni unas ni otro se fundamentan en consideraciones científicas. Ambas entran, en fin, en franca contradicción con los hechos.
 
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"Miss Marx", um filme propagandístico.

 



O filme pretende apresentar a filha predileta de Marx, Eleanor, codmo heroína progressista que lutava pelos trabalhadores e pelo feminismo. Artigo do professor Carlos Rodríguez Braun, publicado por La Razón:


Susanna Nicchiarelli ha escrito y dirigido Miss Marx, una fallida película sobre la hija menor, y la favorita, de Karl Marx, Eleanor «Tussy» Marx, con Romola Garai en el papel protagonista, y Patrick Kennedy en el de su amante, Edward Aveling.

La intención de Nicchiarelli es propagandística y pretende hacer pasar a Eleanor como una heroína progresista en favor de los trabajadores y la causa feminista. Sin embargo, como escribió Deborah Young en The Hollywood Reporter, la película, por su encorsetamiento, «finalmente no va a ninguna parte» y se derrumba entre tópicos: «Nicchiarelli es muy afortunada de que Romola Garai tenga suficiente firmeza para mantener a flote semejante embarcación bamboleante».

El filme da en ocasiones la impresión de que aspira a señalar los aspectos más oscuros de la vida de «Tussy» y de su padre, como cuando cuenta que Karl, ese señorito, dejó embarazada a su asistenta, Helen «Lenchen» Demuth, que tuvo su hijo en 1851, a poco de llegar la familia Marx a Londres. Ese niño, Frederick Demuth, nunca reconocido, sería el único hijo varón de Marx que sobreviviría. Un moribundo Engels le ratifica la verdad a una incrédula y angustiada Eleanor.

Sin embargo, lo cierto es que Miss Marx elude una tragedia de fondo, aparte, naturalmente, de ignorar el horror genocida que significó la aplicación práctica de las ideas marxistas, que Eleanor difunde con ingenuo entusiasmo. La tragedia eludida es la personal.

En primer lugar, no cuenta lo que le sucedió a su propia familia, marcada por fallecimientos prematuros y suicidios, como el que finalmente cometerían Laura Marx y Paul Lafargue, tras la muerte de todos sus hijos –los únicos descendientes reconocidos de Marx serían los cuatro hijos de Jenny y Charles Longuet.

En segundo lugar, no termina de mostrar la historia de la propia protagonista, incluido su suicidio. En 1883 conoce a, y se enamora perdidamente de Aveling, un biólogo, profesor, dramaturgo y militante socialista. Él estaba legalmente casado, le fue infiel, la abandonó y regresó más tarde, gravemente enfermo. «Tussy» lo cuidó hasta que se curó. Una mañana, cuando él estaba casi recuperado, en 1898, ella recibió una carta donde le revelaban que él se había casado secretamente con una actriz. Eleanor se envenenó. Dejó una breve nota para Aveling que decía: «qué triste ha sido la vida todos estos años».
 
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Afinal, os nazistas eram capitalistas ou socialistas?

 



Em uma época em que vários membros da intelligentsia européia estavam encantados com a União Soviética, essa narrativa de que os nazistas eram capitalistas passou a ser uma falácia extremamente conveniente. Mises já esclarecera a questão à época. Chris Calton para o Instituto Mises:


A controvérsia parece nunca ter fim: afinal, qual era a ideologia econômica dos nazistas?

Recentemente, deparei-me com uma postagem no Twitter até bem espirituosa. A pessoa, de esquerda, afirmou o seguinte, parafraseando: "Pessoas que dizem 'Os nazistas eram socialistas; o próprio nome do partido assume isso!' devem se sentir atordoadas ao lerem 'buffalo wings'[1]."

Hoje, parece ter virado senso comum dizer que os nazistas eram capitalistas, e não socialistas, apesar do capcioso nome do seu partido: Nationalsozialistische Deutsche Arbeiters Partei ou Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães. Traga o assunto à baila e a reação sempre será a mesma: os intelectuais arregalarão os olhos e dirão que qualquer pessoa com formação universitária tem a obrigação de saber que os nazistas eram capitalistas; se não no nome, ao menos em princípio.

Obviamente, tal alegação não faz nenhum sentido, pois não sobrevive ao mais básico teste de lógica, como será mostrado mais abaixo. No entanto, o primeiro mistério a ser desvendado é: de onde surgiu este mito de que os nazistas eram capitalistas?

Ludwig von Mises, com efeito, já havia respondido a esta pergunta em 1951 em seu ensaio "Planned Chaos".

Durante o século XIX, quando o socialismo estava começando a ficar em voga na Europa, não havia nenhuma distinção entre "socialismo" e "comunismo". Sim, havia formas distintas de socialismo, mas estas não eram diferenciadas pelos termos "socialismo" e "comunismo". Cada intelectual possuía a sua preferência, mas os termos "socialismo" e "comunismo" eram utilizados de maneira intercambiável.

Sobre isso, Mises escreveu: "Em 1875, em seu Crítica ao Programa de Gotha, do Partido Social-Democrata Alemão, Marx fez uma distinção entre a fase precoce e a fase posterior da sociedade comunista. Mas ele não reservou o nome "comunismo" à fase posterior, e não rotulou de "socialismo" a fase precoce, para diferenciá-la do comunismo".

Segundo Marx e sua teoria sobre a história, o socialismo era inevitável. De acordo com sua análise determinista, todos os países do mundo estavam destinados a seguir o mesmo caminho: do feudalismo para o capitalismo, e do capitalismo para o socialismo, quando a história acabaria. Para Marx, essa progressão era inevitável.

Na Alemanha, os primeiros propagadores do "socialismo de estado" surgiram um pouco antes de Marx. Johann Karl Rodbertus, assim como Marx, rejeitava várias das teorias socialistas então em voga, dizendo que eram insustentáveis. Rodbertus foi o primeiro pensador socialista a defender o controle tanto da produção quanto da distribuição. Segundo ele, para alcançar isso, os socialistas teriam de usar o estado. Já o maior propagador dessas idéias foi Ferdinand Lassalle, cujo proselitismo levou a um rápido crescimento da popularidade daquilo que Mises viria a rotular de "socialismo de padrão alemão".

O socialismo alemão, como Mises o definiu, diferia do "socialismo de padrão russo". O socialismo de padrão alemão, disse Mises, "mantinha, ao menos aparentemente, a propriedade privada dos meios de produção e permitia, ao menos nominalmente, o empreendedorismo e as transações de mercado".

No entanto, tal arranjo era apenas superficial. Por meio de um abrangente e complexo sistema de regulações e intervenções econômicas, a função empreendedorial dos proprietários dos meios de produção era totalmente controlada pelo estado. Industriais e comerciantes, por exemplo, não mais tinham a função empreendedorial de tentar antecipar quais seriam as demandas futuras dos consumidores para então fazer as devidas alocações de recursos visando à satisfação desta demanda e, consequentemente, ao lucro. Assim como na União Soviética, essa função de especulação empreendedorial e alocação de recursos era feita exclusivamente pelo estado.

Consequentemente, dado que era o estado quem estava no controle efetivo da alocação de recursos, o cálculo econômico de preços e custos se tornava impossível.

"Na Alemanha nazista", disse Mises,
Os proprietários dos meios de produção eram chamados de dirigentes comerciais, ou 'Betriebsführer'. O governo dizia a estes supostos empreendedores o que produzir, como produzir, em quais quantidades e a que preços. O governo também determinava de quem eles deveriam comprar, a quais preços e a quem poderiam vender. O governo decretava os salários que deveriam ser pagos para cada trabalhador. E determinava também para quem e sob quais condições o capitalista deveria investir seus fundos.

As transações de mercado não eram genuínas; eram apenas um fingimento, uma simulação.

E, dado que todos os preços, salários e taxas de juros eram estipulados pelas autoridades, eram preços, salários e juros apenas na aparência. Com efeito, eram termos meramente quantitativos em meio a um ordenamento autoritário que determinava a renda, o consumo e o padrão de vida de cada indivíduo. Era a autoridade, e não os consumidores, quem comandava a produção.
O comitê central de gerenciamento da produção era supremo. Todos os cidadãos se transformaram em meros funcionários públicos. Isso nada mais é do que um arranjo socialista camuflado sob uma aparência externa de capitalismo. Alguns termos que remetiam a uma economia capitalista foram mantidos, mas seu significado era totalmente diferente daquele de uma genuína economia de mercado.
Em suma: os nazistas praticaram controle de preços, controle de salários e arregimentaram toda a produção. A propriedade dos meios de produção continuou em mãos privadas, mas era o governo quem decidia o que deveria ser produzido, em qual quantidade, por quais métodos, e a quem tais produtos seriam distribuídos, bem como quais preços seriam cobrados, quais salários seriam pagos, e quais dividendos ou outras rendas seria permitido ao proprietário privado nominal receber.

Desnecessário ressaltar que determinar preços e salários, e estipular o que deve ser produzido, como e para quem, representam um claro ataque à propriedade privada, pois retiram dos produtores as opções que eles teriam no livre mercado para aplicar seus recursos. Trata-se de uma intervenção estatal que, na prática, proíbe os proprietários de investirem seus recursos onde e como bem quiserem.

A propaganda soviética

Mas os próprios soviéticos também tiveram um papel crucial em criar o mito de que os nazistas eram capitalistas. Os nazistas nunca tentaram esconder suas propensões socialistas (afinal, não obstante os twitteiros sarcásticos, o socialismo estava no nome deles); eles simplesmente estavam implantando o socialismo seguindo uma estratégia diferente daquela dos socialistas marxistas.

Os soviéticos rotularam os nazistas de capitalistas simplesmente porque eles já haviam começado a redefinir os termos "socialismo" e "comunismo". Os membros de seu partido, os bolcheviques, agora eram diferentes dos outros grupos socialistas rivais. Os termos "comunismo" e "socialismo" ainda eram usados de maneira intercambiável, e a própria União Soviética era apenas uma abreviação de "União das Repúblicas Socialistas Soviéticas". Só que, ao rotularem seu grupo de "Partido Comunista", o título "Comunista" — que agora significava um membro do partido de Lênin — se tornou uma maneira de dizer que aquilo era "o socialismo verdadeiro", por assim dizer.

"Foi somente em 1928", explicou Mises, "que o programa da Internacional Comunista ... começou a diferenciar o comunismo do socialismo (e não somente comunistas de socialistas)." Essa nova doutrina afirmava que, no arcabouço marxista, havia outro estágio de desenvolvimento entre capitalismo e comunismo. Esse estágio, obviamente, era o socialismo, e era neste estágio que se encontrava a União Soviética.

Em sua teoria original, Marx fez uma distinção entre o comunismo em sua fase inicial e o comunismo em sua fase final: a verdadeira igualdade só seria alcançada no estágio final do comunismo, após o estado ter sido bem-sucedido em seguir todas as políticas recomendadas por Marx e os seres humanos já terem evoluído para alem de sua "consciência de classe". Na nova doutrina, "socialismo" simplesmente se referia ao estágio inicial do comunismo marxista, ao passo que o verdadeiro comunismo — a fase final do comunismo marxista — só seria alcançada quando todo o mundo fosse comunista.

Assim, a União Soviética era meramente socialista, mas os membros do partido eram comunistas, pois representavam os poucos iluminados que já estavam trabalhando em prol do objetivo supremo do comunismo.

Por outro lado, os nazistas ainda alegavam ser socialistas e, com efeito, agiam de maneira muito semelhante à teoria socialista, com suas abrangentes e autoritárias intervenções econômicas. Só que, como ainda havia desigualdade econômica entre os cidadãos da Alemanha nazista (assim como havia na União Soviética, mas isso não interessava à narrativa), e como os nazistas mantiveram alguns dos termos técnicos de uma sociedade capitalista — especificamente, ainda havia a existência superficial de propriedade privada, ainda que em termos meramente nominais —, isso já bastava para serem vistos como o exato oposto de seus congêneres comunistas.

E então, quando os nazistas invadiram a União Soviética, Josef Stálin e seus lacaios recorreram à nova narrativa comunista para redefinir o socialismo nazista — o qual, embora não fosse marxista, se baseava nas teorias dos socialistas alemães originais que influenciaram diretamente as idéias de Marx — como "capitalista".

De acordo com essa nova narrativa, os nazistas estavam na etapa suprema do capitalismo, a qual seria a pior de todas.

Em uma época em que vários membros da intelligentsia européia estavam encantados com a União Soviética, essa narrativa de que os nazistas eram capitalistas passou a ser uma falácia extremamente conveniente. Mas trata-se de uma ideia sem o mais mínimo fundamento em princípios econômicos. É apenas uma deturpação soviética com base no arcabouço marxista. Os nazistas, que apregoavam orgulhosamente seu socialismo e que implantaram políticas socialistas com grande consistência, passaram a ser chamados de capitalistas pelo simples motivo de que eles não se encaixavam pristinamente na visão de mundo soviético-marxista.

Esta narrativa segue viva até hoje.

[1] Buffalo wings, ou asas de Búfalo, nada mais são do que asas de frango apimentadas. O nome se deve ao fato de tal prato ter sido inventado na cidade americana de Buffalo, Nova York.
 
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Jaques Wagner anuncia que não vai concorrer ao Governo da Bahia

 

VERDINHO DE ITABUNA

O senador Jaques Wagner anunciou que não vai concorrer ao Governo da Bahia. A decisão foi divulgada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) em reunião extraordinária nesta segunda-feira (28). Segundo informações do PT, a partir de agora, o Diretório Estadual passará a debater a nova tática eleitoral. A reunião contou a presença do senador Jaques Wagner, deputados estaduais e federais, prefeitos, vereadores e dirigentes.”A retirada da minha candidatura não implica na retirada da candidatura do PT. 

Quem decidirá se terá candidatura ou não, não sou eu, será o Partido”, disse Jaques Wagner. O presidente do PT na Bahia, Éden Valadares, disse que respeitou a decisão do senador e que vai se reunir nos próximos dias para atualizar a posição do partido. “Nossa decisão será fruto do debate interno, mas também do imprescindível diálogo com os demais partidos e lideranças da base, como Otto, Leão, Lídice e PCdoB”, afirmou Éden Valadares. O PT não divulgou nomes de possíveis pré-candidatos para a próxima eleição. As eleições de 2022 estão agendadas para 2 de outubro e terão cinco cargos em disputa: presidente, governador, senador, deputados federais e deputados estaduais. (G1)

Após chuvas, Petrópolis tem mais de 870 pessoas em abrigos e ao menos 229 mortos

 

VERDINHO  DE ITABUNA
 Após 12 dias de buscas em Petrópolis, cidade do estado do Rio de Janeiro atingida por um temporal no último dia 15, o número de mortos na tragédia chega a 229, com 20 pessoas ainda desaparecidas. Os abrigos, montados pela prefeitura em 13 escolas da cidade, têm 875 pessoas. Conforme divulgou a Agência Brasil, a identificação dos mortos é feita pela equipe técnica e científica da Polícia Civil do estado. Até o momento, foram encontrados os corpos de 132 mulheres e 91 homens, sendo 43 de menores de idade. Equipes da Cruz Vermelha atenderam pelo 240 pessoas, com apoio psicossocial e entrega de donativos como roupas, alimentos, lanches para crianças e brinquedos.

De acordo com o último balanço divulgado pela Defesa civil, na noite de sábado (26), houve 3.201 ocorrências relacionadas às fortes chuvas, sendo 2.468 deslizamentos de terra. Neste domingo (27), seguem os trabalhos de limpeza e desobstrução de vias, organização do tráfego, logística de donativos e as buscas por vítimas pelo Corpo de Bombeiros. No mesmo sábado (26), a Defesa Civil detonou uma pedra no Morro da Oficina, no Alto da Serra, local mais atingido pela tragédia, para liberar a área e continuar as buscas. A região foi isolada e o trabalho não usou explosivos, mas uma técnica de reação química. (Correio)

Pecados capitais da liderança, o que não faz um bom líder?

 


por Valdez Monterazo*

Muitas vezes para se entender algo é necessário que se explore seu antagonista, neste caso, vamos falar sobre comportamentos de uma liderança indesejada, ou seja, os pecados capitais da liderança.

Você já deve ter escutado ditados populares como esse: “Manda quem pode, obedece quem tem juízo.” Ou até mesmo algo do gênero: “Aqui fazemos assim, se não gostar, pode procurar seu caminho”

Acontece que, muitas vezes, nesses ditados estão refletidas as crenças e a cultura das pessoas. Nos casos mencionados, uma cultura negativa em relação à liderança.

Já se foi o tempo em que uma liderança truculenta e disfuncional trazia resultados duradouros para as empresas, se é que em algum momento realmente trouxeram. Hoje, atuar nesse modelo é quase certeza de desengajamento e rotatividade de funcionários.

E o que isso tem a ver com o líder ou empresário? Tudo.

Rotatividade e desengajamento são dois venenos, pois, trazem junto de si três grandes perdas para as empresas: altíssimo custo de  contratação e demissão, principalmente no Brasil; fuga do capital intelectual, pois muitas vezes vai com o funcionário o conhecimento do setor; improdutividade, pois pessoas insatisfeitas tem baixa performance a longo prazo. Dito isso, fica a seguinte questão: o que não faz um bom líder?

A Síndrome do Macho Alpha

Para responder isso, recorro a uma grande autora internacional, a Kate Ludeman e seu livro “A Síndrome do Macho Alfa”, que foi usado como base para todo um segmento de atuação dentro do Coaching Executivo, chamado de Alpha Coaching. Em seu livro, Kate explica que existem dois perfis comportamentais distintos de liderança, cada uma com características distintas.

- Liderança Alpha, que tem por características um senso de urgência aguçado, o foco em resultados e assertividade em suas ações.

- E também, a Liderança Beta, cujas principais características são a diplomacia, a discrição em buscar resultados e a prudência em relação aos riscos.

Explicando um pouco mais, existem desafios específicos comportamentais, ou riscos, em cada um dos perfis Alpha e Beta, eles se assemelham muito com as citações populares do início do artigo. Quando são controlados e mitigadas, eles potencializam muito a atuação do líder.

Quais são os pecados capitais da liderança?

Competitividade Extrema

Uma competitividade saudável é positiva à equipe, quando ela está fora de controle é terrível. Líderes com esse risco acentuado competem com os próprios subordinados e acabam com a performance do time.

Impaciência

Impaciência é a antítese de um saudável e produtivo senso de urgência, o que ele traz na verdade, é o stress e desengajamento dos liderados.

Agressividade

Talvez a agressividade seja o maior causador de causas trabalhistas, além do prejuízo desnecessário, existe um ponto ainda mais impactante. Atitudes agressivas NÃO TRAZEM RESULTADOS DURADOUROS.

Passividade

Passividade, por sua vez, também é um mal. Existe uma diferença muito grande entre ser passivo e ser discreto, passividade é quando deixamos passar oportunidades pela inação.

Falta de posicionamento

Líderes precisam tomar decisões a todo momento, a falta de posicionamento está relacionada a incapacidade de tomar decisões importantes.

Paralisia pelo medo

Ela ocorre quando o medo de determinadas consequências rouba a capacidade de agir e pensar. A paralisia pelo medo é a sombra de uma saudável prudência.

Os três primeiros riscos são comuns em líderes com o perfil Alpha e os três últimos de perfil Beta.

Você se identificou com algum desses riscos? Saiba que os mitigar é um dos maiores desafios quando se fala em desenvolver uma liderança de excelência.

Tomar consciência dos próprios riscos é um dos passos para uma liderança mais assertiva e focada em resultados. Executivos e empresários do mundo todo potencializaram sua atuação ao conseguirem controlar seu ímpeto, e com isso, muito mais engajamento de seus liderados, e naturalmente, resultados empresariais.

Um dos pontos iniciais, e mais importantes, de um trabalho de Executive Coaching é exatamente avaliar e promover consciência desses elementos, a partir disso, ajudar a promover mudanças comportamentais positivas para uma gestão mais eficaz.

Espero que você também possa eliminar ou mitigar os pecados capitais da liderança em sua gestão e elevar o engajamento e lealdade de seus liderados.

*Valdez Monterazo é associado sênior na Sociedade Brasileira de Coaching, especializado em negócios, liderança e psicologia positiva. Tem cases de sucesso e promove resultados em diversos segmentos de pequenas e médias empresas. Saiba mais em: https://valdezmonterazo.com.br

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