MEDIÇÃO DE TERRA

MEDIÇÃO DE TERRA
MEDIÇÃO DE TERRAS

domingo, 2 de setembro de 2018

Entenda como o PT enfim se rendeu à Justiça e enterrou a candidatura de Lula


Resultado de imagem para haddad e eunicio
Enquanto isso, Haddad e o “golpista” Eunício se entendiam…
Bernardo Mello Franco
O Globo
O relógio marcava 01h14min de sábado, dia 1º, quando a ministra Rosa Weber fez um desabafo: “Tenho até dificuldade de raciocinar”. A sessão extraordinária do TSE começou em agosto e terminou em setembro. Foram 11 horas e 12 minutos de falatório, com breves intervalos. Tudo para cassar o registro da candidatura de Lula antes do início da propaganda eleitoral.
O veto já era esperado, mas o voto do ministro Luís Roberto Barroso incluiu uma pancada adicional no PT. Além de perder o candidato que lidera as pesquisas, o partido ficaria proibido de fazer campanha até formalizar sua substituição. O tempo da sigla na TV seria ocupado por uma tela azul.
VOTO E RENDIÇÃO – O advogado Luiz Fernando Casagrande protestou. Ele lembrou que há quatro anos um candidato morreu, e seu partido continuou no horário eleitoral enquanto não anunciava a substituta. Cassar o tempo dos petistas, como propôs Barroso, só reforçaria a tese de perseguição judicial. Os ministros pensaram melhor e decidiram recuar. Horas depois, foi ao ar o primeiro programa do PT, já estrelado por Fernando Haddad.
O episódio ganha importância por outro detalhe. Ao contestar a punição extra, o advogado jogou a toalha sobre o essencial. “O PT se rende à decisão”, disse, referindo-se ao veto à candidatura. “Nós perdemos hoje aqui. Lula está fora. Não pode mais aparecer como candidato a presidente”, acrescentou.
A fala indica que o velho pragmatismo petista está de volta. O partido ainda fará barulho, mas não parece disposto a cometer suicídio eleitoral. A indicação de Haddad deve ser oficializada nos próximos dias, depois de mais uma consulta a Lula em Curitiba.
CONFRATERNIZAÇÃO – Enquanto o TSE enterrava a candidatura do ex-presidente, seu afilhado confraternizava com “golpistas” em Fortaleza. Ele posou para fotos com Eunício Oliveira, chefe local do MDB. O senador apoiou o impeachment e comanda um latifúndio de cargos no governo Temer.
Concorde-se ou não com o resultado, a sessão do TSE será lembrada como a maior interferência do Judiciário numa sucessão presidencial desde o fim da ditadura.
No ano passado, o tribunal salvou o mandato de Michel Temer ao arquivar um processo contra a chapa vitoriosa em 2014. O ministro Herman Benjamin definiu o veredicto como um “enterro de prova viva”. A composição do TSE é rotativa, e quatro dos sete ministros que atuaram no caso não estão mais lá. Admar Gonzaga e Tarcísio Vieira votaram a favor de Temer e contra Lula. Rosa Weber votou contra os dois.
PAIS E FILHOS – Na estreia do horário eleitoral, o filho de Sérgio Cabral pediu voto “em defesa do idoso”. Não mencionou o pai, que já foi condenado seis vezes e pode envelhecer na cadeia.
A filha de Eduardo Cunha não quis disfarçar: até exibiu imagens do ex-deputado. Coragem é isso aí.
Posted in

Reação do PT será crucial para garantir expressiva transferência de votos a Haddad


Imagem relacionada
Manuela e Haddad entram em nova fase da campanha
Paulo Celso Pereira
O Globo

Em uma eleição repleta de incertezas, a inelegibilidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva era uma das poucas coisas garantidas desde janeiro, quando o Tribunal Regional Federal o condenou, unanimemente, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A Lei da Ficha Limpa, sancionada pelo próprio petista, é literal: são inelegíveis “os que forem condenados, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado”. Este é o caso do TRF.
O julgamento do Tribunal Superior Eleitoral, na sexta-feira, foi apenas o epílogo da longa jornada político-jurídica desenvolvida pelo ex-presidente há dois anos e meio. Na manhã de 4 de março de 2016, a Polícia Federal fez uma operação de busca e apreensão no apartamento do ex-presidente, em São Bernardo, e o levou para prestar depoimento.
A JARARACA – Ao sair da sala da PF no aeroporto de Congonhas, Lula seguiu para a sede do PT, anunciou que estava disposto a se candidatar em 2018, que iria “andar o país” e sacramentou: “A jararaca está viva”. Naquele momento, o caso do triplex no Guarujá, pelo qual ele acabou condenado, já estava adiantado, assim como seu vínculo com o sítio de Atibaia — cujo processo até hoje não foi julgado.
Diante da dificuldade de defender-se juridicamente, o ex-presidente optou por uma batalha política que, efetivamente, reorganizou a militância petista e sua base eleitoral. Dez dias depois daquele discurso, o Datafolha fez uma pesquisa eleitoral que mostrava Lula com 17% de intenções de voto, atrás de Marina Silva, com 23%. Naquele momento, Geraldo Alckmin tinha 11%; Ciro Gomes, 7%; e Jair Bolsonaro ainda estava reduzido a 6%.
EM ALTA – Em dois anos, o petista mais que dobrou sua intenção de voto — figurou com 39% no Datafolha da semana passada —, mobilizou as ruas e até intelectuais em torno de uma pauta de enfrentamento das instituições constituídas e reorganizou o PT, após o partido ser devastado na eleição municipal de 2016.
Agora, começa a nova etapa da estratégia lulista. O PT promete recorrer a todas as instâncias possíveis para levar Lula às urnas. O caminho mais óbvio, no entanto, seria anunciar prontamente a candidatura de Haddad. Isso porque a propaganda de rádio e TV, da qual Lula está afastado a partir do julgamento do TSE, é imprescindível para a transferência de parte significativa dos votos do ex-presidente para o ex-prefeito.
Se o partido não cometer erros graves, são reais as chances de o lulismo, exacerbado nos últimos dois anos, levar Haddad ao segundo turno. A partir daí, é uma loteria. Hoje, Lula é o nome mais popular da eleição, mas só é menos rejeitado que Bolsonaro.
Posted in

Reflexões sobre o fato de o candidato Bolsonaro estar liderando as pesquisas


Resultado de imagem para bolsonaro fingindo atirar
Bolsonaro fala o que o eleitor realmente quer ouvir
Francisco Vieira
Nas tais “redes sociais” tem uma foto de um grupo de bandidos fortemente armados, posando ao lado de um pedaço de papelão, onde se lê: “BOLSONARU É BALA CV”. E circulam duas filmagens. Em uma delas, um homem, assistindo televisão em casa com uma tornozeleira eletrônica na canela e deitado em um sofá, tece elogios ao PT e depois xinga Bolsonaro por querer que pessoas como ele permaneçam na cadeia, ao invés de ficarem na boa, em casa. Na outra filmagem, uma pessoa retira os adesivos do candidato por ter sido proibido de usá-lo na “comunidade”.
Esses três fatos podem ser “contrainformação” plantadas por eleitores do candidato para prejudicar o candidato dos criminosos? Eu acho muito difícil! Considero improvável que eleitores do Bolsonaro tenham colocado o aparelho na perna de algum incauto, reunido dezenas de armas (pistolas e fuzis) para fazerem uma cena, já que são comuns no Brasil áreas onde já é proibido (e aceito pelas autoridades) motociclista usar capacete, carro ter película escura, andar com os vidros levantados e com os faróis apagados. Já é comum milícia e traficante revistarem veículos.
MENOS PIOR – O candidato Jair Bolsonaro não faz a minha índole, nem tem nada parecido com a minha personalidade, nem seria o meu candidato ideal. Mas, conforme diversos participantes deste espaço – inclusive o próprio editor – já frisaram, trata-se de votar “no menos pior”.
Não conheço o Bolsonaro, nem esperava conhecer as suas virtudes e defeitos apenas em rápidas aparições na televisão. Normal! Tem gente que convive e dorme com uma pessoa por décadas e depois acaba descobrindo que sempre fora traído! Imagine apenas vendo pela televisão? Mas, a princípio, ele parece ser merecedor dos votos dos brasileiros por ser o mais odiado por tudo o que não presta deste país.
Ele tem muitos defeitos? Tem, mas o Collor quando foi eleito era só “energia e virtude”. E o Lula, quando foi eleito, era um santo, e ainda tenha quem acredite nisso até hoje!
LEMBREM FHC – Bolsonaro é muito inteligente? Sei lá, mas o Fernando Henrique Cardoso resolveria todos os nossos problemas e nos levaria ao desenvolvimento por ser um professor universitário, um “intelectual” de prestígio e renome internacional… e graças a eles, estamos onde estamos hoje!
Não sabemos o que se passa nos gabinetes dos partidos políticos e o que acontece quando o Supremo fecha as portas para tomar alguma decisão importante referente às nossas vidas. Mas podemos usar a contrainformação para nos orientar na hora de votar, ou seja, usar as informações do inimigo dos brasileiros contra ele mesmo. Para isso, basta responder a essas duas perguntas: Quem tem sido os maiores inimigos desta Nação? O que, ou quem, tem mantido os brasileiros analfabetos e na miséria absoluta?
ESCOLHA O LADO – Respondidas essas duas questões, no que se refere a candidato à Presidência, basta ao eleitor saber para qual lado e para qual candidato se pendem “as causas” nosso atraso e votarem no candidato que “elas” detestem e que, a meu ver, hoje é o Bolsonaro da mesma forma que ontem fora o Enéas. Com a internet, hoje esta tarefa está mais fácil.
Mas você não precisa acreditar nessa minha “teoria”. Investigue os arquivos da mídia, especialmente os da Tribuna da Internet, reflita sobre a dissimulação dos políticos e o orgulho estúpido e a necessidade dos eleitores-bovinos de serem manipulados e guiados por um salvador que lhes ofereça promessas miraculosas.
Obviamente, para que isso seja feito, o eleitor terá que “dar o braço a torcer”, colocar o orgulho (e o político da família das eleições passadas) em um saco e pensar com racionalidade sobre o que realmente quer para o futuro. Eleitor traído precisa significar candidato trocado na eleição seguinte. É simples.
Posted in |

SESAB fecha mais 6 leitos de UTI do SUS

VERDINHO DE ITABUNA
A SESAB (Secretaria de Estado da Saúde da Bahia) cancelou o contrato de 6 leitos da UTI do Hospital de Ilhéus às vésperas das eleições. Ao que tudo indica, por retaliação política a candidatura ao Senado pelo Dr. Jorge Viana, mandatário do Hospital. Nessas UTI's,  os pacientes do SUS recebiam  atendimento de excelência, com modernos equipamentos, dentro do que preconiza a literatura internacional.
De acordo com pesquisas, nos últimos oito anos, mais de 34,2 mil leitos de internação da rede pública foram desativados. Em maio de 2010, o Brasil tinha 336 mil leitos para uso exclusivo do Sistema Único de Saúde (SUS), número que caiu para 301 mil em 2018, o que representa uma média de 12 leitos fechados por dia ao longo do período analisado.

Após alta no diesel, União dos Caminhoneiros diz que fará paralisação depois do feriado

VERDINHO DE ITABUNA

Em nota divulgada pela UDC (União dos Caminhoneiros do Brasil), caminhoneiros da entidade afirmam que farão uma mobilização em todo o país após o feriado da Independência (dia 7 de setembro) e por tempo indeterminado. A UDC  acusa o governo de não ter cumprido o prometido em relação ao preço do diesel, que na última sexta-feira (31) teve reajuste de 13%. A lei que estabeleceu a nova política de frete prevê revisão dos pisos mínimos caso o combustível tenha oscilação superior a 10%, para acomodar o aumento de custos dos caminhoneiros.
A entidade reclama da falta de fiscalização nas estradas pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). A UDC pede mais fiscais e postos de fiscalização que obriguem às transportadoras a cumprirem a tabela mínima do frete. Os caminhoneiros da UDC também reclamam da atuação da ANTT e pedem a dissolução da diretoria da entidade. A possibilidade de uma manifestação perto das eleições, no entanto, já era ventilada dias após a paralisação de onze dias em maio, como forma de pressão política.
De acordo com Gilson Baitaca, líder do Movimento dos Transportadores de Grãos, do Mato Grosso, se a ANTT não se posicionar até o dia 7 ou  8 de setembro, é grande o risco de haver novas paralisações. Baitaca também afirma que as transportadoras não estão cumprindo os preços tabela do frete e não há fiscalização a respeito. "Queremos ver a lei chegar na ponta, nos caminhoneiros que estão nas estradas", afirma. *Com informações da Folha de São Paulo

Compromisso com o setor sucroenergético


 
Nosso setor sucroenergético mostrou mais uma vez força e virtuosismo durante a Fenasucro & Agrocana - 26ª Feira Internacional de Tecnologia Sucroenergética. Foram quatro dias intensos de programação, negócios, debates e troca de experiências em Sertãozinho onde tive o prazer de participar e contribuir.

No dia 21, tive a oportunidade de participar de uma apresentação técnica de dados e números do setor feita pela Datagro e pelo Ceise BR (Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis).

Além de acompanhar de perto as inovações e tecnologias que prometem melhorar ainda mais nosso setor, participei também do 18º Encontro Anual de Produtores de Cana.

Foi um momento importante para discutirmos questões essenciais para a cultura da cana-de-açúcar como o nosso apoio à regulamentação do RenovaBio e sua implantação. Também falamos sobre a importância das cooperativas e a necessidade de fortalecer o papel dos plantadores e fornecedores de cana.

Pudemos relembrar ações de grande valor realizadas no Estado de São Paulo como a redução do ICMS do etanol de 25% para 12%, uma conquista da qual me orgulho de ter participado como deputado e coordenador da Frente Parlamentar pela Energia Limpa e Renovável. Foi decisiva para o fortalecimento do Etanol.

Mas precisamos olhar a cadeia como um todo e ouvir as demandas de ponta a ponta, em todos os elos. É por isso que gosto de estar perto também, olhando no olho de quem trabalha e ouvindo diretamente os anseios de quem produz, destacando a complexidade e pujança desta cadeia que integra fornecedores, pesquisadores, operários na indústria, trabalhadores rurais, industriais, equipes de administração e logística.

Agora neste momento eleitoral visito usinas, associações e cooperativas ouvindo e falando dos desafios que enfrentamos e dos outros que juntos enfrentaremos.

É um prazer e sempre uma lição conviver com um dos mais produtivos setores de nossa economia, que apresenta cada dia números melhores. Nosso Estado produziu na última safra nada menos do que 357.142 mil toneladas de cana-de-açúcar.

Número que fica ainda mais importante quando consideramos que cada tonelada de cana gera R$ 10.260 por hectare, ficando à frente da soja (R$ 3.460), do milho (R$ 2.420) e da pecuária (R$ 1.093).

Assim, hoje, presido a Frente Parlamentar em Defesa do Setor Sucroenergético e que quero continuar lutando hoje e sempre no Congresso Nacional para que este setor coloque o Brasil na vanguarda pela economia de baixo carbono.
31/08/2018

 

Arnaldo Jardim - Deputado Federal - PPS/SP

www.arnaldojardim.com.br

www.facebook.com/deputadoarnaldojardim

www.instagram.com/arnaldojardimoficial

 

sábado, 1 de setembro de 2018


Bolsonaro e o desapreço pela democracia


Raul Monteiro

Tribuna da Bahia, Salvador
30/08/2018 11:51
   


O teor da entrevista dada anteontem pelo candidato Jair Bolsonaro ao Jornal Nacional praticamente redefiniu o debate presidencial que o país - e não apenas os postulantes ao seu comando político - precisa enfrentar com o máximo de urgência e responsabilidade. Dada a posição de liderança do presidenciável do PSL nas pesquisas, quando o ex-presidente Lula (PT) não concorre, e as insinuações ou aviso que deu com relação à possibilidade de uma intervenção militar no país depois das eleições em que espera sair vitorioso, a discussão sem dúvida migrou sobre como tirar o país da crise para como evitar que se torne uma ditadura.
Aliás, se o candidato não se retratar diante da gravidade do que deixou no ar, ao endossar o posicionamento de seu vice, um general da Reserva, segundo quem as Armas podem impor uma saída ao país, o economista Paulo Guedes, considerado o cérebro econômico de sua campanha, deveria por bem, num ato de patriotismo e responsabilidade, afastar-se de forma clara do projeto de Bolsonaro, se é que tal existe e não passa, como ele deu a entender na entrevista, exclusivamente de um desejo de tomar o poder pelo poder. Nos 27 minutos em que foi sabatinado, o presidenciável do PSL confirmou que o nível de seu apreço pela democracia é baixíssimo.
Destilou toda a superficialidade do seu populismo por meio das teses que defende como se fossem essenciais, quando na verdade não passam de secundárias, ridiculamente acessórias. Qualquer adolescente minimamente informado sabe que é reativando a economia e diminuindo a desigualdade que se pode reduzir a violência, mas Bolsonaro prefere dizer que é armando, matando e condecorando quem mata. É claro que o candidato foi ajudado pela ingenuidade da dupla que o entrevistou, que deve ter aprendido depois daquela sabatina, tardiamente, que não é fácil constranger quem não tem valores e já domina há muito a arte da malandragem.
Constrangedor mesmo foi, para quem tem mais o que fazer e resolver num grande país apequenado pela crise, ver um candidato gastando o tempo precioso de sua audiência com uma bizarra discussão sobre um tal de kit gay, como se este fosse um tema do qual um presidente da República, cioso do seu ofício e papel, devesse se ocupar. Se Bolsonaro fosse pelo menos engraçado e espirituoso ou inspirasse alguma confiança de que de fato representa alguma, ainda que simplória, novidade, dava até para entender porque ainda tem gente deliberadamente se auto-enganando e dizendo sem a menor cerimônia que pretende vê-lo na Presidência.
Como candidato, sem dúvida ele tem o direito de dizer o que quiser. Aceitá-lo com o seu menosprezo pela democracia, único valor com que um país profundamente desigual e injusto como o Brasil ainda pode contar para construir coletivamente a saída para um período tão triste e difícil, depois de tê-la reconquistado com tanta luta e dor, é simplesmente desesperador. Como qualquer sociedade tem a classe política que merece, deve fazer sentido a aparição de sua figura popularesca. Achar que todos, mesmo aqueles que sabem que ele não deve ser levado a sério, deverão arcar com o ônus de sua escolha para presidente do país, é, no entanto, uma desumanidade.

* Raul Monteiro é editor da coluna Raio Laser e do site Política Livre e escreve neste espaço às segundas e quintas-feiras.

Marina diz que Bolsonaro tem 'muita proposta sem propósito'


Marina participou de encontro com empresários na Casa da Federação das Indústrias do Rio (Casa Firjan)

Tribuna da Bahia, Salvador
01/09/2018 08:40 | Atualizado há 11 horas e 42 minutos
   
Foto: Reprodução

A candidata à Presidência da República Marina Silva (Rede) disse ontem, ao comentar o início da propaganda eleitoral na TV das eleições 2018, que "tem muita proposta sem propósito" na campanha, referindo-se ao candidato do PSL, Jair Bolsonaro. Marina participou de encontro com empresários na Casa da Federação das Indústrias do Rio (Casa Firjan). "Eu vou debater as questões relevantes para o Brasil, não apenas na perspectiva do voto, mas na do que é justo. É inadmissível que alguém diga que não vai demarcar terra indígena. Não se pode ser presidente para governar só para os que têm, os que sabem", disse a candidata, acompanhada do candidato a deputado federal pela Rede Eduardo Bandeira de Mello, presidente do Flamengo. "Temos que defender os mais frágeis. Tem muita proposta sem propósito; quero associar proposta e propósito. E ser justa para índios, mulheres, negros, empresários, trabalhadores", afirmou Marina.
Ao comentar o resultado do PIB, divulgado ontem, Marina disse que para fomentar a indústria o Brasil precisa se integrar à cadeia produtiva global. "A indústria já representou mais de 20% do PIB, e hoje está reduzida a algo em torno de 9%. As transformações que estão acontecendo no mundo exigem que a gente pense num novo ciclo de prosperidade", afirmou a candidata, que defendeu também o aumento das exportações e a diminuição de entraves tarifários. "Temos que nos integrar às cadeias produtivas globais, agregação de valor, e isso requer transição para uma indústria cada vez mais competitiva."
O PIB cresceu 0,2% no 2º trimestre deste ano, na comparação com os três meses anteriores, divulgou o IBGE, totalizando R$ 1,693 trilhão. O resultado foi sustentado pelo setor de serviços e pressionado pela queda da indústria. "Temos que debater como as novas tecnologias podem ajudar nesse novo ciclo, gerando renda. Vamos trabalhar a reforma tributária, a simplificação dos processos de abrir e fechar empresas. É fundamental para essa transição. Os investimentos já comprometidos terão que passar por essa transição também. Temos grande potencial em relação às commodities agrícolas e de minério, desde que de forma sustentável. Na área de serviços, vamos investir no turismo."
Pesquisa do Datafolha divulgada na semana passada mostra a candidata em terceiro lugar no cenário que inclui o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - preso pela Lava Jato - e em segundo com o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) como substituto na chapa petista. No primeiro, Lula tem 39% das intenções de voto, Bolsonaro, 19%, e Marina, 8%. No segundo, Bolsonaro aparece com 22% e Marina, com 16%. Foram ouvidos 8.433 eleitores em 313 municípios brasileiros nos dias 20 e 21. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o nível de confiança é de 95% (o que quer dizer que há uma probabilidade de 95% de os números conferirem com o momento atual da campanha, considerado esta margem de erro). O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o protocolo BR 04023/2018.

Vaccarezza oferece à Lava Jato duas fazendas da mãe como fiança


O ex-deputado foi preso em 2017 na Operação Abate, 44.ª fase da Lava Jato. Moro mandou soltar Vaccarezza, que alegou ‘problemas de saúde’, mas com imposição de seis medidas cautelares

Tribuna da Bahia, Salvador
01/09/2018 14:25 | Atualizado há 5 horas e 54 minutos
   
Foto: Estadão

A defesa do candidato a deputado federal Cândido Vaccarezza (Avante-SP) ofereceu na sexta-feira (31), ao juiz federal Sérgio Moro ‘hipoteca de imóvel ou carta de fiança bancária’ para tentar quitar a fiança de R$ 1,5 milhão imposta pelo magistrado da Operação Lava Jato. O ex-líder dos governos Lula e Dilma na Câmara tinha até as 23h59 desta sexta-feira, 31, para pagar o montante.
"(Requer) o acolhimento da substituição do depósito pela garantia imobiliária ou pela fiança bancária, com expedição de comunicação ao Cartório de Registro de Imóveis no primeiro caso, ou autorização expressa no segundo, no fito de que o requerente providencie junto à instituição financeira a expedição de carta de fiança", anotaram os advogados.
Em documento enviado ao juiz às 19h46 desta sexta, a defesa afirmou que embora discorde da fiança, ‘nunca, em momento, foi a intenção do requerente deixar de cumprir irrestritamente as medidas cautelares impostas’.
Vaccarezza relatou a Moro que ‘procurou junto a familiares, amigos e instituições financeiras, sem êxito, a contração de empréstimo para efetuar o depósito’.
"Sempre na tentativa de atender à determinação judicial, o requerente informa que existe a possibilidade de adimplemento da fiança mediante hipoteca de imóvel ou carta de fiança bancária", contou.
Vaccarezza afirmou que sua mãe tem ‘dois imóveis rurais livres de ônus’: a Fazenda Recreio medindo 82ha,32a84ca (oitenta e dois hectares, trinta e dois ares e oitenta e quatro centiares)e a Fazenda Nova Esperança - com 108,17t (cento e oito tarefas e dezessete braças), ambas na Bahia.
Segundo ele, ‘na condição de proprietária (sua mãe) autorizou expressamente, com anuência de todos os herdeiros, que os imóveis, no valor de R$ 1,8 milhão sejam dados em garantia real do pagamento da fiança’.
Os advogados de Vaccarezza entregaram a Moro a documentação dos imóveis rurais. "A documentação anexa é suficiente a demonstrar a possibilidade de inscrição da hipoteca, ante a inexistência de qualquer ônus que recaia sobre o aludido imóvel", afirmaram.
O ex-deputado foi preso em 2017 na Operação Abate, 44.ª fase da Lava Jato. Moro mandou soltar Vaccarezza, que alegou ‘problemas de saúde’, mas com imposição de seis medidas cautelares. Na lista, uma fiança de R$ 1,5 milhão.
O ex-deputado deixou a cadeia sem pagar o montante. Em julho, mesmo devendo R$ 1,5 milhão, Vaccarezza criou uma lista no WhatsApp para arrecadar valores para sua campanha a deputado federal nas eleições 2018. A ‘vaquinha’ de Vaccarezza foi revelada pela reportagem do Estadão.
Moro deu, no dia 14 de agosto, um ultimato ao ex-deputado: prazo de cinco dias para o ex-parlamentar acertar as contas, sob pena de prisão preventiva.
Em 22 de agosto, Sérgio Moro colocou Vaccarezza no banco dos réus. O juiz da Lava Jato aceitou a denúncia do Ministério Público Federal, no Paraná, contra o ex-deputado e outros nove investigados por formação de quadrilha, corrupção e lavagem de dinheiro, em suposto esquema de corrupção relativo ao fornecimento de asfalto pela empresa americana Sargeant Marine à Petrobrás.
Um dia depois de ser denunciado, Vaccarezza afirmou a amigos que a acusação contra ele ‘se baseia numa delação premiada de uma única pessoa’. Em mensagem, o candidato escreveu que tem ‘condições de disputar e ganhar as eleições’.
"Amigos. O MP me denunciou ontem. Como vocês sabem esta denúncia se baseia numa delação premiada de uma única pessoa, não tem prova, não tem movimentação financeira, não tem enriquecimento ilícito. Sou inocente e vou provar a minha inocência. Temos condições de disputar e ganhar as eleições. Vamos fazer a campanha sem medo e com a certeza da vitória. O Brasil tem jeito e serei a voz da nossa base em Brasília. Nunca vou decepcionar nenhum de vocês. Forte abraço. Vaccarezza", escreveu.

Marina promete acabar com foro privilegiado


Segundo ela, os 200 parlamentares que estão com pendências na justiça deveriam ser afastados

Tribuna da Bahia, Salvador
01/09/2018 14:30 | Atualizado há 5 horas e 44 minutos
   
Foto: Divulgação

A candidata da Rede à Presidência da República, Marina Silva, disse neste sábado (1º), que a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de tirar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva da corrida eleitoral foi acertada porque deixa no páreo apenas os candidatos que realmente podem concorrer.
Falando durante uma caminhada pelo calçadão de Nova Iguaçu, município do Estado do Rio de Janeiro, Marina prometeu acabar com o foro privilegiado. "O foro protege Renan, Jucá, Temer, Aécio, Moreira Franco, Eliseu Padilha...Vou acabar com o foro", disse a jornalistas, durante a caminhada. Segundo ela, os 200 parlamentares que estão com pendências na justiça deveriam ser afastados.
No caminho, a candidata encontrou muitas mulheres querendo fotos e demonstrando apoio, enquanto alguns homens gritavam o nome do rival da ex-ministra, Jair Bolsonaro (PSL), cujas camisas estão à venda em uma das lojas do calçadão.

Mourão compartilha com Bolsonaro o antipetismo e a admiração por torturador


General Antonio Hamilton Mourão, candidato a vice na chapa de Jair  Bolsonaro
General Mourão se diz intelectualizado, mas não leva jeito
Anna Virginia Balloussier
O mundo tá muito chato —e Antonio Gramsci tem sua parcela de culpa nisso, desconfia o general Antonio Hamilton Mourão, 65 anos. Os comunistas de hoje se inspiram um bocado no filósofo italiano marxista morto 81 anos atrás, para impor “uma forma de dominação” insidiosa: “A hegemonia do consenso”, hoje representada pelo politicamente correto. “Se você sai hoje um milímetro dele, é execrado”, diz.
E Mourão, para o gosto da esquerda, é um outdoor ambulante da incorreção política. Já defendeu, num evento maçom, a intervenção militar como antídoto para a corrupção. Declarou que o Brasil herdou a “indolência” dos indígenas e a “malandragem” dos africanos. Pior: aceitou ser vice do candidato à Presidência que mais confortavelmente veste as causas da extrema-direita em 2018, Jair Bolsonaro (PSL).
BABOSEIRAS – Mas tentativas de rotulá-lo como isso ou aquilo são “baboseiras”, diz à Folha o general de fala mansa, posições duras e uma pistola 45 guardada numa gaveta em seu apartamento, no posto seis da praia de Copacabana —além do imóvel, esse no nome dos filhos, ele declarou à Justiça Eleitoral outro, com valor venal de R$ 204 mil, um veículo de R$ 61 mil (um Sandero) mais aplicações de R$ 2.203 (poupança) e R$ 147.446,7 (renda fixa).
Mourão, que se descreve como “liberal na economia e conservador nos costumes”, tem das suas ideias fixas. O antipetismo, por exemplo. “Sempre considerei o PT a vanguarda do atraso. Não soube respeitar o que é a democracia.”
Inclusive uma intervenção militar seria bem-vinda “caso a candidatura de Lula fosse aceita e houvesse protestos significativos por parte da população”, e vice-versa: “O Judiciário decide que Lula não será candidato, o que pode levar aos caos, a uma situação em que a Força tenha que intervir”.
PÓS-64 – O regime militar brasileiro é um tema caro a ele e Bolsonaro, que foi seu “bixo” (jargão para calouro) na Aman (Academia Militar das Agulhas Negras) —os dois se formaram nos anos 1970 nesta instituição onde há um salão batizado com o nome de Emílio Garrastazu Médici e uma fachada com a inscrição “ides comandar, aprendei a obedecer”.
O período não era esse bicho-papão que a esquerda, por “desonestidade intelectual”, tenta vender, não na opinião do general. Veja a questão da tortura. “Não aprovo, ok, não é um método interrogatório válido, mas foi aquilo utilizado naquele momento”.
Fora que é “óbvio que muita gente em quem [os militares] não encostaram um dedo” veio depois alegar ter sido torturada, “quando apareceu a possibilidade de indenização”, diz Mourão, que usa na lapela do paletó um broche dourado em formato de granada.
ANTICOMUNISTA – O horror ao comunismo ele herdou do pai, militar graduado na época da Intentona Comunista, rebelião liderada por tenentistas, Luís Carlos Prestes entre eles, para derrubar Getúlio Vargas em 1935. “Aquilo calou fundo por atentar contra princípios básicos [nas Forças]: a lealdade e a camaradagem. Companheiros mataram outros que dormiam. Aquela geração se tornou anticomunista ferrenha.”
Especializada no episódio, a doutora em história pela USP Marly Vianna sustenta em seus escritos que essa versão foi plantada para que se fizesse crer em insurgentes “a tal ponto traidores que teriam sido capazes de baixezas como a dos fantásticos assassinatos de colegas dormindo”, algo inverossímil dada a tensão nada sonífera no quartel no dia.
COM FIDELIX – Mourão conversou com a Folha na semana passada e emendou uma sabatina no BTG Pactual.  Ao seu lado tinha Levy Fidelix, entretido com o painel no lobby de seu hotel, que trazia a pintura de um aerotrem —sua bandeira coqueluche nas duas vezes em que foi presidenciável, em 2010 e 2014.
Levy Fidelix agora tenta a Câmara, abrindo espaço para que o novo filiado do PRTB assumisse a vice de Bolsonaro. À plateia do banco de investimento, Mourão citou Roberto Campos, referência do liberalismo nacional, e chamou o cabeça de chapa de “Zero Um”.
“Bolsonaro seria mais o agitador. Sou mais o propagandista”, diz à reportagem sobre o papel que vem exercendo na chapa, o de dialogar com empresários e entidades. Também faz as vezes de conselheiro. Para debates, recomenda: “Cabeça fria num corpo quente”.
MISSA NO DOMINGO – Mourão se vê como um tipo sereno. Frequenta a missa todo domingo, a da igreja Nossa Senhora da Paz, a duas quadras da praia de Ipanema. É verdade que anda faltando a algumas, culpa da campanha. Se está em Brasília, é na Paróquia Militar do Oratório do Soldado que vai —os fardados têm uma Arquidiocese só deles, a Militar, e o líder dela, dom Fernando Guimarães, é um bom amigo, conta. “Ele também gosta de uísque.”
Tomar um “uisquinho” é ritual noturno para o general, melhor ainda se da marca Jura, “single malt”. Outra tradição deste filho de uma professora universitária de letras é ler, e ler mais de um livro ao mesmo tempo, se possível.
Entre as leituras atuais: “A Ascensão do Dinheiro”, de Niall Ferguson, e uma biografia de Thomas “Stonewall” Jackson, general que lutou do lado confederado, que defendia a continuidade da escravidão, na guerra civil americana. 
DILETO AMIGO – Esse último foi presente de outro “dileto amigo”, o “maior presenteador de livros”, com quem acumula “oito anos de afinidades”. Fala do desembargador Thompson Flores, presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que confirmou a condenação de Lula a 12 anos de prisão. Mourão o recepcionou dias atrás no Clube Militar, sob sua presidência desde maio.
Antes disso, chefiava a Secretaria de Finanças do Exército. Mourão se diz zeloso à hierarquia: “Canso de dizer, decisão de comandante não se discute”. Resignou-se, portanto, quando o comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, o removeu do cargo após críticas públicas ao governo Michel Temer em dezembro, numa palestra no Clube do Exército, a convite do grupo Ternuma (Terrorismo Nunca Mais).
COISA NORMAL – “Foi considerado uma ofensa [a Temer], fui exonerado, uma coisa normal”, diz a respeito da avaliação que então fez sobre o país: “Não há dúvida que atualmente estamos vivendo a famosa ‘Sarneyzação’. Nosso atual presidente vai aos trancos e barrancos, buscando se equilibrar, e, mediante o balcão de negócios, chegar ao final de seu mandato”.
Outra palestra já o meteu em apuros com a alta cúpula militar. Em 2015, foi transferido do Comando Militar do Sul para a burocrática pasta de Finanças após criticar o governo Dilma Rousseff.
Não ajudou um general sob sua tutela ter promovido no dia homenagem póstuma ao coronel Brilhante Ustra, chefe da repressão na ditadura —já definido como “herói” tanto por Mourão quanto por Bolsonaro.
INTERVENÇÃO – A polêmica que mais deu o que falar ocorreu em 2017, numa loja maçônica de Brasília. Disse então que seus “companheiros do Alto Comando do Exército” entendem que uma “intervenção militar” seria válida se o Judiciário “não solucionar o problema político” (a corrupção no meio). Mourão é maçom, “como Duque de Caxias”. Agora está mais inativo, mas até pouco era filiado a um grupo de Porto Alegre.
Como Bolsonaro, tem a seu lado uma mulher décadas mais nova —Paula, 42, que conheceu no Exército. A primeira esposa, mãe de seus dois filhos, já morreu.
Antes de se declarar indígena ao TSE, Mourão alvoroçou a opinião pública ao dizer que “temos uma certa herança da indolência, que vem da cultura indígena”. “As pessoas ficaram meio chocadas”, mas como falar de racismo? Ele é o que por acaso? Não branco, preto, pardo ou asiático.
REFLEXÕES – “Minha avó era cabocla. Olha a minha foto, se me pôr um cocar, passo tranquilamente numa [aldeia]”.
“Não vejo esse papel de ‘eu sou o terror’”, afirma sobre o estoque de controvérsias que cultivou nos últimos anos. O que declarou sobre indígenas e africanos não é nada que medalhões como Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda não tenham tratado ao investigar a formação da identidade verde-amarela, diz Mourão.
“O brasileiro é um homem cordial pois gosta de estabelecer relações mesmo se não é bem-vindo naquele relacionamento. Tipo o carioca que fala ‘passa lá em casa’, mas não quer que o cara passe lá de verdade”, diz o general cordial.
Posted in |

De olho no Planalto, Alckmin e Meirelles usarão muitas inserções contra Bolsonaro Posted by Tribuna da Internet


Resultado de imagem para meirelles e alckmin
Meirelles e Alckmin decidiram atacar o adversário comum
Bernardo Bittar
Correio Braziliense
Possíveis aliados no segundo turno, os candidatos à Presidência da República Geraldo Alckmin (PSDB) e Henrique Meirelles (MDB) usaram o início das inserções diárias na tevê, ontem, para criticar o discurso de Jair Bolsonaro (PSL). O capitão do Exército é o primeiro colocado nas pesquisas, sem a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para as eleições de outubro. Ainda que não citem o nome de Bolsonaro, tucanos e emedebistas criaram peças que confrontam diretamente o discurso dele. Os temas vão do porte de armas ao “voto movido pela indignação”.
As peças publicitárias de 30 segundos fazem parte dos chamados “palanques eletrônicos”, que têm validade nos 35 dias de campanha no rádio e na tevê. Nesse período, Alckmin terá 434 inserções (cerca de 12 por dia), e Meirelles, 151 (aproximadamente 4 diariamente), além do tempo da propaganda eleitoral. O arsenal para tentar “desconstruir” Bolsonaro deve ficar concentrado nessas inserções, já que o horário eleitoral é considerado mais nobre e deve ser usado para apresentar propostas.
PLAGIANDO – A equipe de publicidade tucana se inspirou em campanha britânica contra o uso de armas e produziu vídeo de munição atravessando objetos em câmera lenta. No meio desse processo, aparecem palavras como fome e desemprego, e a cena termina com uma criança negra. O slogan aparece na sequência: “Não é na bala que se resolve”. Sabendo do teor da gravação, o militar da reserva tratou de reagir em suas redes sociais, afirmando que “flores não garantem paz”. Ontem, ele cumpriu agenda em Porto Velho (RO).
Na versão de Meirelles, o mote é de que o eleitor não deve votar com “olhos cegos pela indignação”. Segundo as últimas pesquisas, Bolsonaro é tratado como o candidato “da mudança”, uma espécie de anti-herói, com tons de salvador da pátria. Ao menos dois tipos de inserções devem refutar essa ideia. Em uma delas, passageiros de um ônibus se desesperam ao perceber que o motorista dirige com olhos vendados.
FALAM OS NANICOS – Os “nanicos” no rádio e na tevê vão apresentar propostas e protestos em seus programas e inserções. “Vamos mudar tudo o que está aí”, diz João Amoêdo (Novo). “A mudança que a gente quer não virá dos políticos que a gente tem.”
Em agenda no Rio de Janeiro, ontem, a candidata Marina Silva (Rede) defendeu a reforma tributária e a redução da burocracia como ações para impulsionar o setor industrial. A ex-senadora evitou tratar de questões sobre sua última entrevista à tevê, no Jornal Nacional (TV Globo), da qual não saiu “nem maior, nem menor”, segundo a equipe de campanha dela.
Já Ciro Gomes (PDT) criticou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a constitucionalidade de terceirização de atividade-fim e disse que a medida é “praticamente uma volta à escravidão”. O candidato emendou: “Já, já, o Brasil vai revogar a Lei Áurea (que colocou fim à escravidão no país).
VIOLÊNCIA – Em nova visita ao Paraná, o senador Alvaro Dias (Podemos) afirmou que a violência no país começa nas regiões de fronteira.
Por sua vez, Guilherme Boulos (PSol) continuou em Belém, visitando feiras e bares.  E o petista Fernando Haddad (PT) esteve em Fortaleza, onde iniciou a peregrinação por estados nordestinos.
Posted in |

Bolsonaro quer tirar vídeo de campanha de Alckmin do ar


Propaganda do tucano diz que os problemas do Brasil não devem ser resolvidos “a bala”

Redação
BAHIA.BA
Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil
Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, quer tirar do ar o vídeo de campanha do adversário Geraldo Alckmin contra o discurso armamentista. A informação é d’O Globo.
Bolsonaro deverá pedir ao TSE ainda nesta sexta-feira (31), a retirada do ar da propaganda do tucano na qual se diz que os problemas do Brasil não devem ser resolvidos “a bala”.
A advogada Débora Guirra trabalha na minuta da representação. Ela argumenta que a legislação eleitoral foi infringida pelo uso de computação gráfica e pelo fato de o candidato tucano não ocupar 75% do tempo da propaganda.

Governo diz que não há previsão para novos concursos em 2019


Só estão reservados recursos para bancar processos seletivos já autorizados ou em andamento

Redação
BAHIA.BA
Foto:Marcelo Camargo/Ag. Brasil
Foto:Marcelo Camargo/Ag. Brasil

O ministro do Planejamento, Esteves Colnago, afirmou nesta sexta-feira (31), durante a apresentação do Orçamento de 2019, que não há previsão para novos concursos no ano de 2019. A informação é da Agência Brasil.
Porém, caso o próximo governo queira abrir concurso, contará com uma reserva técnica de R$ 411 milhões no Orçamento. “O que existe é uma reserva de segurança, que se o presidente entender que precisa fazer concurso, ele tem esses R$ 411 milhões. Se ele decidir não fazer, ele pode realocar [o recurso]”, disse o ministro.
O valor também foi reservado para cumprir eventuais decisões judiciais que obriguem o governo a realizar concurso público em determinada área.
Segundo Colnago, só estão reservados recursos para bancar a contratação de novos servidores de processos seletivos já autorizados ou em andamento. São cinco no total: Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e o chamado banco de professor equivalente do Ministério da Educação (MEC), que permite a abertura de concurso em universidades federais sempre que há vaga disponível.

Decisão de Fachin a favor do registro de Lula surpreendeu ministros


Ministro foi o único a seguir recomendações da ONU e votou pela liberação da candidatura do ex-presidente

Redação
BAHIA.BA
Foto: Gustavo Lima/Ascom/STJ
Foto: Gustavo Lima/Ascom/STJ

O voto do ministro Edson Fachin a favor do registro da candidatura de Lula à presidência da República – o único – surpreendeu seus colegas do Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, amigos do juristas disseram não entender como ele poderia ter votado para manter o ex-presidente preso, depois se posicionar pela liberação da sua candidatura.
Por sua vez, amigos próximos que conhecem Fachin há anos, teriam celebrado a atitude do ministro: “O jurista está vivo”, disse um deles. Fachin optou por seguir o despacho da ONU, que julgou inconstitucional a proibição do registro do petista.

“Rasgaram o dispositivo da Lei”


O advogado Ademir Ismerim critica decisão do TSE

Marcus Murillo
BAHIA.BA
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

A confirmação da inelegibilidade de Lula era esperada no meio jurídico, mas os desdobramentos dessa decisão pegaram de surpresa profissionais que militam na Justiça Eleitoral. Um dele foi o advogado eleitoralista Ademir Ismerim.
Para Ismerim, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) errou ao determinar que o ex-presidente não poderá mais aparecer no programa eleitoral do PT, veiculado no rádio e na televisão, até que o partido faça a substituição por outro candidato (leia aqui). O prazo estabelecido para isso foi de 10 dias. “O artigo 16.A da Lei 9.504 diz, em síntese, que pode praticar todos os atos de campanha, mesmo porque ele poderá disputar sub judice, como aconteceu com outros candidatos. Se ele conseguir uma medida judicial, quem vai pagar o prejuízo dele ter ficado de fora? Não esperava que houvesse tanto atropelo”, comenta.
Art. 16-A. O candidato cujo registro esteja sub judice poderá efetuar todos os atos relativos à campanha eleitoral, inclusive utilizar o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão e ter seu nome mantido na urna eletrônica enquanto estiver sob essa condição, ficando a validade dos votos a ele atribuídos condicionada ao deferimento de seu registro por instância superior. (Incluído pela Lei nº 12.034, de 2009)
Parágrafo único. O cômputo, para o respectivo partido ou coligação, dos votos atribuídos ao candidato cujo registro esteja sub judice no dia da eleição fica condicionado ao deferimento do registro do candidato. (Incluído pela Lei nº 12.034, de 2009)
Ademir Ismerim acredita que essa decisão pode ainda refletir no próprio procedimento eleitoral a partir do Congresso Nacional. Isso porque o tempo para a análise das candidaturas ficou muito curto, já que as candidaturas são lançadas muito em cima do período eleitoral. As convenções antes eram realizadas em junho e este anos aconteceram entre julho e agosto.

PT insiste em Lula e critica Judiciário no programa eleitoral


Barrado pelo TSE, ex-presidente e Haddad protagonizam programa; Bolsonaro fala de família; Marina aposta nas mulheres e Alckmin defende eleição sem ‘raiva’

Redação
BAHIA.BA
Foto: Ricardo Stuckert/divulgação/PT
Foto: Ricardo Stuckert/divulgação/PT

Pouco depois que Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou o registro da candidatura de Lula – condenado e preso na Lava Jato –, o PT usou o primeiro programa eleitoral na TV das eleições 2018 para fazer críticas ao Judiciário e insistir na postulação do ex-presidente.
No palanque eletrônico do partido, Lula dividiu o protagonismo com o candidato a vice na chapa, Fernando Haddad, sem que ficasse indicado claramente quem é o presidenciável petista.
A propaganda da sigla foi aberta com uma mensagem que classificava a decisão do TSE como “mais um duro golpe” contra “a vontade do povo”. “A coligação ‘O Povo Feliz de Novo’ vai entrar com todos os recursos pelo direito de Lula de ser candidato.”
Em uma declaração exibida no programa, o ex-presidente também atacou, sem especificar casos, as decisões judiciais. “Sei como vou passar pela história. Não sei como eles vão passar. Se eles vão passar como juízes ou algozes.”
Em sessão extraordinária que durou mais de dez horas e terminou nesta madrugada, segundo o Estadão, o TSE barrou o registro da candidatura de Lula e deu um prazo de dez dias para a troca da cabeça de chapa.
A Corte, porém, autorizou a veiculação do programa presidencial do PT no horário eleitoral, desde que o ex-presidente não apareça como candidato.
Por 5 a 2, os ministros haviam determinado que o partido não veiculasse a propaganda eleitoral até a troca do presidenciável, mas, ao fim da sessão, a Corte Eleitoral, em reunião fechada, reviu a decisão e liberou o horário eleitoral da legenda.
No programa do rádio, veiculado a partir das 7h de ontem, Lula foi apresentado como presidenciável porque a decisão do TSE ocorreu num prazo inferior ao mínimo de seis horas de antecedência para a veiculação.
Lula foi condenado no ano passado pelo juiz federal Sérgio Moro por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo do triplex do Guarujá (SP). A sentença foi confirmada, em janeiro deste ano, pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), que ampliou a pena para 12 anos e 1 mês de prisão. Ele foi preso em abril e, em agosto, o PT registrou a candidatura do ex-presidente no TSE.
Com boa parte das imagens gravadas na frente da sede da Polícia Federal em Curitiba, Haddad disse no programa que fazia “um juramento de lealdade a Lula”.
De acordo com o Estadão, o PT ainda avalia como encaminhar as questões jurídica e eleitoral. Duas reuniões da coordenação da campanha estão marcada para amanhã.
Um conselho político será formado para analisar os próximos passos. Ontem, a executiva do partido mandou recolher todos os materiais publicitários que mostravam o ex-presidente Lula – cerca de 1,5 milhão de folhetos foram impressos. Os programas de TV também começaram a ser adaptados.
“Como não há comunicação com ele no fim de semana, não há expediente da PF, temos que conversar com ele na segunda-feira de manhã e vamos levar o quadro jurídico do que é possível fazer”, disse hoje Haddad em Garanhuns (PE), terra natal de Lula.
Na estreia do horário eleitoral, candidatos adotaram estratégias distintas. Líder nas pesquisas de intenção de voto sem a presença de Lula, candidato do PSL, Jair Bolsonaro– com poucos segundos disponíveis – disse apenas estar “rumo à vitória” e defendeu “a família e a Pátria”.
Com o maior tempo de exposição – 5,32 minutos – a coligação formada pelos partidos PTB, PP, PR, DEM, SD, PPS, PRB, PSD e PSDB, que tem como candidato o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, fez críticas a Bolsonaro.
O horário eleitoral foi iniciado por Marina Silva (Rede) que, também com tempo de exposição exíguo, exaltou as mulheres. “Juntas somos fortes. Essa luta é nossa”, afirmou. Ciro Gomes (PDT) falou em mudança e Henrique Meirelles (MDB) se apresentou citando e mostrando uma imagem de Lula.

PRF recupera carreta de idoso que perdeu veículo em golpe na OLX


BLOG DO CAMINHONEIRO

Na noite de quarta-feira a Polícia Rodoviária Federal (PRF) recuperou uma carreta que fora objeto de estelionato.
A equipe estava na lanchonete de um posto de combustíveis quando foi informada da ocorrência de estelionato envolvendo o veículo Scania/T112 H com placas de Chapadão do Sul.
Algum tempo após receber a denúncia, o veículo foi visto trafegando pela rodovia. A equipe se deslocou e o encontrou estacionado no pátio de um posto de combustível, o motorista estava no banheiro.
Em contato com a Polícia Civil de Chapadão do Sul, os PRFs confirmaram a ocorrência de estelionato e prenderam, em flagrante, o condutor da carreta.
O homem e o veículo foram encaminhados à Delegacia de Polícia Civil em Camapuã.

Pederastas no poder: cresce trama envolvendo o Papa argentino.


O caso do arcebispo abusador que Francisco reintegrou à Igreja está difícil de abafar porque foi denunciado por uma figura importante, com testemunho direto. Artigo de Vilma Gryzinski (Veja.com):

Um cardeal amigado com um pastor protestante, um monsenhor que prefere ser chamado de “Jessica”, apartamentos luxuosos em todo o Vaticano bombando de garotos de programa vestidos de couro negro.

Um padre brasileiro que denunciou seu abusador, um americano da cúpula da Igreja, muitos anos depois dos acontecimentos, atormentado pelo fato de que a experiência traumatizante o levou a “tocar de maneira imprópria” dois jovens de 15 anos. A repetição do ciclo abusado-abusador parece uma constante.

E, claro, o ressurgimento de uma fofoca conhecida por “todo mundo” na Santa Sé: o poder do lobby gay, também conhecido como máfia lavanda, explodiu durante o pontificado de Paulo VI. O qual escolheu seu nome como papa não em homenagem ao santo apóstolo, mas a seu amante, o ator Paolo Carlini.

Intrigas antigas ou recentes estão fervilhando como nunca na Igreja de Cristo, nascida, em grande medida, em contraposição aos costumes do mundo grego e romano, onde a homossexualidade e a pederastia – sexo entre um homem mais velho e um menino – eram amplamente praticadas.

Verdades, mentiras e suspeitas humilham seus fiéis, acirram disputas entre as diferentes correntes internas e fazem a alegria de seus muitos inimigos.

Entre os inúmeros defeitos teológicos e ideológicos do papa Francisco, nunca tinha aparecido uma intenção deliberada de abafar os incontáveis escândalos de pederastia envolvendo homens que fazem voluntariamente o voto de castidade e são ordenados como representantes de uma religião que condena a homossexualidade.

Ao contrário, ele sempre denunciou o pecado mortal sem atenuante do abuso mais cruel que pode existir, o de crianças e jovens confiados a religiosos pervertidos.

Até que apareceu a detalhada e perturbadora denúncia de Carlo Maria Viganò, arcebispo aposentado que foi núncio apostólico em Washington – por motivos óbvios, o mais importante cargo da diplomacia do Vaticano, excetuando-se o secretário de Estado.

MODUS OPERANDI

Diz, em resumo, o detalhado documento chamado “memorial”, entregue a vaticanistas italianos e estrangeiros de confiança do arcebispo: Francisco suspendeu o “exílio” imposto pelo antecessor, Bento XVI, ao cardeal americano Theodore McCarrick, arcebispo de Washington, depois de praticamente uma vida inteira se jogando para cima de seminaristas e padres recém-ordenados.

Segundo Viganò, ele havia alertado pessoalmente o papa argentino há mais de cinco anos – exatamente no dia 23 de junho de 2013 – que existia um dossiê enorme sobre os abusos de McCarrick, denunciados, entre outros, pelo padre brasileiro não identificado.

O modus operandi do americano ia do soft – o aplique da cama compartilhada com seminaristas numa casa de praia, sempre acompanhado de um pedido de massagem – ao hard – um menino, filho de um amigo, abusado por longo tempo, a partir dos 11 anos de idade.

Com base nisso, o papa Bento XVI determinou que ele abandonasse as atividades públicas e se recolhesse até o fim da vida num convento, em oração e penitência pelos muitos pecados.

Bento deu a ordem em particular, muito provavelmente para não aumentar ainda mais o escândalo sem fim dos casos de abuso praticados na Igreja dos Estados Unidos. McCarrick simplesmente não obedeceu.

Com a extremamente excepcional abdicação de Bento XVI, McCarrick, um refinado especialista em incentivar a generosidade dos católicos americanos, hoje os grandes financiadores da Igreja, passou a circular com mais desenvoltura.

Já bem passado da idade limite da aposentadoria como arcebispo, 75, viajava muito pelo mundo, em missões religiosas e, principalmente, orçamentárias. Foi a Israel durante a visita do papa em 2014.

Unidos pelo gosto interminável pela conversa, a famosa milonga argentina, o arcebispo de origem irlandesa e o ex-Jorge Bergoglio se davam muito bem. McCarrick contava ter recebido um telefonema especial do amigo logo depois de sua eleição pelo Colégio dos Cardeais, preocupado com sua saúde em razão de uma internação cardiológica.

“Disse ao papa que o Senhor talvez ainda tivesse trabalho para me dar.”

“Ou talvez o diabo ainda não tenha preparado seus aposentos”, respondeu Francisco.

VIÚVA NEGRA

Se for este o problema, agora devem estar tinindo. Em 28 de julho último, aos 88 anos, renunciou à honraria de cardeal, um ato extremamente raro. O escândalo estava incontrolável.

A denúncia de Viganò conferiu-lhe um aspecto sem precedentes ao envolver diretamente Francisco não apenas em negligência, espírito de corpo e abafamento, as culpas de seus predecessores que tentaram resolver “por dentro” os casos mais notórios, pagando indenizações aos denunciantes e simplesmente afastando denunciados de seus postos.

Acusado de revanchismo, ressentimento, divergência doutrinária, aliança com a ala mais conservadora ou hipocrisia, por ter cruzado suavemente com McCarrick em eventos públicos quando disse já saber de suas abominações, Viganò, oriundo de uma família milanesa de posses, diz que agiu simplesmente convencido de que a Igreja corre enormes perigos.

Quando Francisco foi eleito, a esquerda argentina o acusou de dedo-duro da ditadura militar, com base nas denúncias sólidas de dois padres jesuítas – seus subordinados, portanto – presos e torturados por fazer contatos e outras formas de colaboração com esquerdistas armados.

Em poucos dias, o governo de Cristina Kirchner percebeu que era muito mais vantajoso celebrar um papa argentino do que comprar briga com ele. Com seu figurino de viúva negra e até chapéu, ela foi ao Vaticano para a missa de entronização.

As críticas sumiram. Quando Francisco começou a fazer um discurso “progressista”, todos os tradicionais adversários da Igreja tornaram-se fãs incondicionais.

Aproximaram-se do êxtase quando ele argumentou que representantes da Igreja não deveriam focar com ênfase assuntos como aborto, homossexualidade e indissolubilidade do matrimônio.

O racha mais evidente do momento é justamente sobre as posições manifestadas num documento sobre a vida familiar católica. A denúncia de Viganò colocou o confronto em fase aguda. A expressão “guerra civil” começou a pipocar.

ARGENTINOS ACELERADOS

O debate na Igreja entre as duas forças antagônicas, as necessárias adaptações e a universalidade e imutabilidade de seus fundamentos, é praticamente eterno. O lobby gay, ou máfia lavanda, não é necessariamente alinhado em massa com a ala mais liberal. O próprio Francisco reconheceu que ele existe – e nunca mais falou no assunto.

A ala conservadora ativamente antipapa é minoritária, embora tenha a força das minorias e apele a grupos mais profundamente comprometidos com a religião.

Pregar a abdicação do papa, uma mensagem antes confinada a uma minoria dentro da minoria, saiu, com o último escândalo, do território dos que preferem a acusação de heréticos à de coniventes com a autodestruição de uma instituição de dois mil anos.

E adicionou uma questão inesperada: quem vai acabar primeiro da lista de argentinos famosos?

Com a honrosa exceção de Messi, a coisa está preta. Cristina Kirchner, Mauricio Macri e Jorge Bergoglio caminham aceleradamente para desfechos complicados.

Há pouco mais de cinco anos, quando o papa foi eleito, estavam todos no céu. Cristina ainda desfrutava da alta aprovação dos populistas à moda latino-americana, embora rolasse solta a organização criminosa chamada governo cujas diabruras podem levar à sua prisão, mesmo com mandato de senadora.

Mauricio Macri preparava a campanha eleitoral que o levaria, espetacularmente, à presidência como um político novo, promissor e racional. Não é completamente impossível que sequer termine o mandato, incinerado pelo buraco sem fundo da catástrofe cambial (batendo no portal dos 40 pesos por dólar, taxa de juros a 60%).

E Francisco, celebrado como uma lufada de ar fresco, com seus sapatos gastos e modos estudadamente modestos, agora carrega a cruz da conivência escancarada com os piores dos pecadores.

Ainda bem que dois mil anos de história continuam a ter um peso diante do qual até os paroxismos argentinos empalidecem.

Tão falante e expansivo, de hábito, o papa Bergoglio, que diz sem detalhes ter tido uma revelação divina direta na juventude, precisa com urgência dar um testemunho de verdade e honradez. Fé, nessas horas, também não atrapalha.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

Lula e a Web ideológica


Artigo de Rui Fabiano, via Blog do Noblat: "a recomendação da ONU veio de um órgão sub-sub do Conselho":

A suposta intromissão da ONU nas eleições brasileiras, em defesa de Lula, faz parte do arsenal de trapaças com que o PT pretende legitimar e dar conteúdo moral à postulação de um presidiário ao cargo de presidente da República.

O que aqui chegou em nome daquela entidade – e ganhou ampla difusão midiática – não merece (por não tê-la) a grife das Nações Unidas e nem é do conhecimento de sua cúpula.

Tratou-se de uma recomendação de dois integrantes de um escritório assessor do Comitê de Direitos Humanos – um subcomitê – que possui 18 membros, 16 dos quais nem sequer foram ouvidos.

Não se pode confundir o Comitê com o Conselho de Direitos Humanos – este, sim, órgão de alto nível, formado por diplomatas de 47 países e que se reporta à Assembleia Geral da ONU, órgão máximo da entidade. E esse Conselho não foi cheirado nem ouvido sobre o assunto – e fez questão de deixar isso claro.

A recomendação, portanto, veio de um órgão sub-sub do Conselho – e mesmo esse órgão sub do sub manifestou-se por apenas dois de seus 18 membros. Pouco mais que nada.

Ainda que a recomendação fosse da própria Assembleia Geral, o que é impensável, o Brasil não estaria obrigado a aceitá-la.

Se o fizesse, estaria negando todo o seu ordenamento jurídico e desautorizando o seu Judiciário – e, claro, reconhecendo a inocência de Lula, prestes a receber mais uma condenação, restando-lhe ainda mais seis processos. Lula é qualquer coisa, menos inocente.

O pessoal do PT, à frente o ex-chanceler de Lula, Celso Amorim, fabricou a encenação, assim como antes o fizera em relação ao Papa, alegando que este havia mandado um terço, bento por ele próprio, para Lula. Outra mentira. O terço efetivamente fora bento pelo Papa, mas não com essa destinação específica, embora os terços, de modo geral, sejam de fato recomendados aos pecadores.

Nas lojinhas de souvenir do Vaticano, há dezenas de terços abençoados pelo Papa, para consumo dos turistas. Da mesma forma, as bênçãos papais são documento de fácil obtenção pelos fiéis e visitantes. Basta requerê-lo, inclusive pela internet.

Eles adornam as paredes de diversas residências de católicos em todo o mundo, em formato padrão. São de bom gosto gráfico.

O que dá a Lula esse protagonismo é a rede de partidos e organizações da esquerda internacional. Isso lhe permite que, não obstante sua degradada condição moral, consiga, numa mesma semana, ter artigos publicados em jornais como The New York Times e Le Monde, mesmo não tendo escrito nenhum deles.

Não fosse essa gigantesca web ideológica – de que, diga-se, a ONU hoje faz parte -, o caso Lula estaria encerrado. Mas a encenação, percebida apenas por ínfima parcela da opinião pública, chega a servir de pretexto ao voto de ministros do STF, como ficou claro ontem na sustentação do voto de Edson Fachin, no TSE.

Mesmo reconhecendo a impossibilidade jurídica de Lula concorrer, Fachin invocou a “recomendação da ONU” para apoiar o registro de sua candidatura, o que é um contrassenso absoluto.

Se não pode ser eleito – e não pode, dada a Lei da Ficha Limpa e ao fato de estar cumprindo sentença -, não pode se candidatar, silogismo básico e irrespondível, que felizmente a maioria do TSE subscreveu na votação de 4 a 1, que pôs fim às pretensões do PT. Mas o partido não desistirá. Recorrerá ao STF.

Lula, depois de dividir o país e bagunçá-lo, quer agora comprometer o próprio processo eleitoral.

Pior: não lhe falta apoio dentro das próprias instituições.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

O fim da farsa


Decisão do TSE restaura a normalidade e acaba com a infame provocação lulopetista. A propósito, segue editorial da Gazeta do Povo:


Na tarde e noite desta sexta-feira, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu colocar um ponto final no teatro que o petismo armou com o registro de candidatura de um ficha-suja, o ex-presidente Lula, em claro desrespeito à legislação nacional. De acordo com informações de bastidores, já que a pauta não havia sido publicada quando de sua convocação, a sessão extraordinária da corte julgaria, inicialmente, os questionamentos a outras candidaturas, como a de Geraldo Alckmin (PSDB), e apenas a participação de Lula na propaganda eleitoral que começaria neste sábado. No entanto, havia a possibilidade de o TSE decidir analisar todos os registros que ainda tinham alguma pendência, o que incluiria a decisão sobre a candidatura de Lula. Foi esse o pedido da Procuradoria-Geral da República, atendido pela corte, que demonstrou, ao mesmo tempo, celeridade e respeito aos prazos regimentais, sem cerceamento algum do direito de defesa.
A questão era, em si, bastante simples e óbvia: Lula tem contra si uma condenação proferida por colegiado, a Oitava Turma do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região, por corrupção e lavagem de dinheiro. A Lei da Ficha Limpa elenca esses crimes entre aqueles que tornam inelegível quem por eles está condenado a partir da segunda instância. Assim, pela aplicação pura e simples da lei, Lula está inelegível, fato que foi reconhecido por todos os sete ministros do TSE. Que o PT tenha registrado a candidatura do ex-presidente e atual presidiário apesar da clareza da situação só mostra o desprezo que o partido tem pela lei e pelas instituições, consumindo tempo e recursos dos tribunais superiores com uma provocação cujo desfecho era mais que previsível, e pelos brasileiros, com a intenção de confundir o eleitorado por meio da candidatura de um ficha-suja.
Por isso a defesa apostou suas fichas na tal “decisão da ONU”, que na verdade é uma recomendação do Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas. Aqui é preciso elogiar o trabalho do ministro relator, Luís Roberto Barroso, já que os advogados de Lula protocolaram a peça de defesa, com 181 páginas, às 23h07 de quinta-feira, a menos de uma hora do fim do prazo, e mesmo assim o voto de Barroso, ferrenho defensor da aplicação da Lei da Ficha Limpa, não ignorou as alegações da defesa. O relator dedicou boa parte do tempo à intervenção do Comitê: enquanto o petismo tentava fazer parecer que todo o peso do sistema multilateral internacional estava ao lado de Lula, Barroso explicou detalhadamente como a decisão do órgão, ainda que digna de atenção, não tem caráter obrigatório – até por ser composto por especialistas independentes, e não por Estados-membros – e ignorou o ordenamento jurídico e a jurisprudência nacionais.
A argumentação do relator a esse respeito foi acatada por todos os outros ministros, com exceção de Edson Fachin. Para o relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, o Brasil estaria, sim, obrigado a cumprir as decisões do Comitê, e por isso Fachin votou pelo deferimento da candidatura de Lula, ao mesmo tempo em que reconhecia a inelegibilidade do petista. Isso criaria uma situação esdrúxula na qual Lula poderia competir e até vencer, mas certamente não levaria o prêmio. Aceitar esse arranjo seria criar na cabeça do eleitor uma confusão ainda maior que aquela provocada pela candidatura sub júdice de Lula, como vinha ocorrendo até agora.

Como a maioria dos ministros seguiu na íntegra o entendimento de Luís Roberto Barroso, Lula deixa de ser candidato e o PT não pode fazer campanha por ele, sendo obrigado a alterar sua chapa em até dez dias. O petista ainda tem direito a recursos no Supremo, mas, de acordo com Barroso, o fato de o plenário do TSE já ter tomado uma decisão significa que não há mais uma candidatura sub júdice, situação na qual a campanha poderia continuar – apenas a presidente da corte, Rosa Weber, divergiu do relator neste ponto.
A Justiça Eleitoral, assim, cumpre seu papel ao barrar a candidatura de um ficha-suja e restaurar a normalidade no pleito de 2018. Participarão da disputa apenas aqueles que efetivamente têm possibilidade legal de se eleger e tomar posse em 2019 – incluindo o petista Fernando Haddad, que até agora era o vice de Lula e deve ser confirmado pelo PT na cabeça de chapa. A decisão do TSE é uma derrota para Lula e para o petismo, mas é, acima de tudo, uma vitória da lei, das instituições e do anseio popular por moralização na política, consagrado nesta Lei da Ficha Limpa que superou, nesta sexta-feira, o seu teste mais severo. 
BLOG ORLANDO TAMBOSI