
Janot mentiu o tempo todo, diante de provas irrefutáveis
Fernando Collor
Vamos aos fatos. Durante a sabatina no Senado, o senhor Janot não
disse quem é e onde trabalha o senhor Fernando Antônio Fagundes Reis.
Por que o senhor Janot se omitiu em relação a este procurador, diretor
jurídico da Light, empresa controlada pela CEMIG e que tem sido alvo de
investigação do Ministério Público?
E o caso ORTENG, a empresa para a qual o senhor Janot atuou por
diversos anos, como advogado, cumulativamente com o cargo de
subprocurador-geral? Dadas as evasivas na sabatina, o assunto ficou em
aberto, mesmo eu tendo provado documentalmente de que se tratava do
exercício advocatício em desfavor de empresa com participação de capital
estatal, a Braskem. Ou seja, Janot atuou contra a União e contra o
Estado brasileiro.
Nesse caso específico, o procurador-geral alegou na sabatina que a
empresa contra a qual advogou à época não era a Braskem, e sim a TRIKEM,
de capital privado, e que somente depois de extinta a ação é que a
Braskem incorporou a TRIKEM. Pois bem, mais uma vez o senhor Janot
mentiu. Tenho aqui documento provando que TRIKEM foi comprada pela
Braskem em 2003, e não em 2012 como ele afirmou. Portanto, ele advogou,
sim, contra a União, na figura da Braskem, mesmo sendo
subprocurador-geral da República.
SEM LICITAÇÃO
Além disso, o Sr. Rodrigo Janot se omitiu, ainda em relação à ORTENG,
quando comentei que esta mesma empresa ganhou, sem licitação, todos os
serviços de instalação elétrica da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco
Quantos interesses não estavam envolvidos, não é mesmo, Sr. Janot?
E a questão da falta de investigação, pelo Ministério Público, das
chamadas SPEs (sociedades de propósitos específicos), em ação no
Tribunal de Contas da União (Processo TC 029.389/2013-5)? Por que o
senhor Janot apenas tangenciou o assunto? Perguntei quando ele daria o
parecer sobre as SPEs e ele nada respondeu. Por quê? Tenho documento
mostrando a omissão do Ministério Público no Acórdão nº 2159/2014 – TCU –
Plenário, apesar da solicitação do Tribunal de Contas da União para que
se manifestasse sobre as SPEs. Teria também alguma coisa a ver com a
ORTENG, com a CEMIG e, principalmente, com a Light, Sr. Janot?
Respondo eu que a ORTENG é a principal sócia nas SPEs junto à CEMIG e
à Light. E o Sr. Janot, será que continua representando, ainda que
ocultamente, os interesses da ORTENG, mesmo sendo procurador-geral da
República?
MAIS MENTIRAS
Vamos adiante. Em relação à Oficina da Palavra e ao seu diretor Raul
Pilati Rodrigues, o procurador-geral mentiu do início ao fim. Todo o
processo de contratação foi viciado, sem licitação, e os serviços
prestados pela empresa foram objeto de questionamentos internos, tanto
que um dos contratos está sendo contestado juridicamente pela própria
PGR, por meio do Processo Administrativo 004970/2015-13.
Pior ainda em relação à questão de Raul Pilati Rodrigues. O senhor
Janot, que depois desse contrato assinado o nomeou seu diretor da
Secretaria de Comunicação Social, negou que ele era também diretor e um
dos sócios da Oficina da Palavra. Alegou que tão somente era executivo
de uma outra empresa do grupo, a
In Press Comunicação, e que
havia se desligado antes de assumir o cargo na PGR. Pois bem, mostrei
documento comprovando que Raul Pilati era, sim, diretor da Oficina da
Palavra. E esse documento foi apresentado pela própria empresa durante a
contratação pela PGR para comprovar a capacidade da equipe.
Isso faz parte do processo da própria Procuradoria-Geral da República
e que me foi encaminhado em resposta a requerimento de informação que
apresentei. E tanto foi assim que, não por acaso, o Sr. Raul Pilati
deixou a diretoria na PGR em junho deste ano, pouco depois de eu ter
denunciado a imoralidade desses contratos. Nesse caso, o senhor Janot
quis tergiversar, tanto a respeito da nomeação como da saída de Raul
Pilati do cargo de Diretor da Secretaria de Comunicação Social. Pois
bem, também mostrei documentos esclarecendo a realidade, tanto do
exercício funcional de Raul Pilati, como a saída dele em junho deste
ano.
GASPARI JÁ DENUNCIOU
Disse também o senhor Janot que em sua campanha para PGR em 2013 não
havia contratado nenhuma empresa, e sim uma pessoa. Pois bem, essa
pessoa era o Sr. Raul Pilati Rodrigues. Por tudo isso, durante a
sabatina, fiz questão de ler matéria do jornalista Elio Gaspari
abordando exatamente as dúvidas que pairam sobre a contratação da
Oficina da Palavra pelo Sr. Janot.
O Sr. Janot sequer tentou responder por que motivo o Ministério
Público abriu investigação para apurar supostas irregularidades na
contratação da Oficina da Palavra pela Secopa de Mato Grosso, em 2014,
tal qual o fez a própria PGR, ou seja, sem licitação. Também se omitiu
quando observei o mais absurdo: a PGR, para justificar a inexigibilidade
de licitação no seu contrato com a Oficina da Palavra, utilizou como
exemplo de currículo da empresa o próprio processo da Secopa, o qual ela
mesma depois veio a investigar. Por isso perguntei e Janot não
respondeu: onde está o sentido nisso?
MANSÃO NO LAGO
O procurador-geral também falseou em relação aos gastos e às suas
responsabilidades no aluguel de uma mansão no Lago Sul, em Brasília, por
67 mil reais por mês, durante 5 anos. Primeiro negou que a PGR tenha
tido qualquer despesa com o imóvel. Depois, alertado por assessores que
lhe encaminharam bilhete à Mesa, assumiu ter pago, com ar de desdém,
“dois ou três alugueis”. Pois bem, mostrei documentalmente as despesas
efetuadas, no valor superior a 330 mil reais, entre alugueis pagos e
despesas com manutenção. Trata-se de documento também enviado pela
própria PGR em resposta a requerimento meu. O fato, também, é que esse
contrato é de tal ordem todo irregular – já que também foi firmado sem
licitação –, que a própria PGR o rescindiu e agora entra na justiça para
reaver os prejuízos que a incompetência de Janot causou com esse
absurdo aluguel.
Continuando com o festival de mentiras, vejamos a nomeação de uma
cerimonialista para a PGR. O procurador-geral simplesmente não respondeu
qual seria o chamado “prestígio ao interesse público” alegado pelo seu
chefe de gabinete no Memorando nº 13/2014, para justificar o não
cumprimento da norma interna da PGR que estabelece que aquele cargo, o
de assessor-Chefe Nível IV, CC-4, é privativo para quem possui nível
superior.
JANOT SE SUPEROU…
Ao responder, o senhor Janot se superou: alegou que a legislação não
impede a nomeação e, pior, que a Portaria que proíbe é de sua lavra e,
por isso, insinuou que podia ser descumprida. Mentiu duas vezes.
Primeiro: a Portaria PGR/MPU nº 287 é do ano de 2007, portanto, não é de
sua lavra como PGR. Segundo: e ainda que fosse de sua lavra, onde está
escrito, na literatura jurídica, que o autor ou responsável pela
assinatura de uma norma está autorizado a descumpri-la? Onde está
escrito? Só mesmo se for no universo do direito particular do Sr. Janot.
Mas não é só. Rodrigo Janot se negou a falar sobre o fato de ter
homiziado, já como procurador da República, dois estelionatários em sua
casa em Angra dos Reis, no Condomínio Parai do Engenho. Fez chantagem
emocional pelo fato de seu irmão já estar morto há cinco anos. Ocorre
que, em nenhum momento, acusei o irmão de Janot. Sequer citei seu nome e
me referi apenas a um parente. Minha pergunta foi em direção à conduta
dele, que como procurador deu cobertura a dois estelionatários
procurados pela Interpol. Ele, Janot, não negou que seu irmão era um dos
criminosos que não podia sair do Brasil, mas não falou sobre a ordem de
captura com difusão vermelha e do pedido de extradição. Tenho o
testemunho desses fatos e documento comprobatório.
PROCESSOS NO TCU E NO SENADO
Outro lamentável episódio foi o menosprezo de Janot quanto à
escamoteação de informações à CCJ sobre processos em seu desfavor no TCU
e no Senado Federal, por meio dos quais ambos podem julgá-lo e
condená-lo. São cinco denúncias que tramitam no Senado e duas ações de
fiscalização e controle, aprovadas na Comissão de Fiscalização do Senado
e enviada pelo presidente da Casa ao TCU, onde se encontra sob a
relatoria do ministro Benjamin Zymler. A única alegação do
procurador-geral foi de que tais processos são de minha iniciativa, como
se isso invalidasse o conteúdo deles e, portanto, motivo para ele
sonegá-los em seu documento enviado ao Senado da República.
Ora, como assim? Denúncias e representações, seja no Senado Federal
ou no TCU, podem ser apresentadas por qualquer cidadão. No caso, não só
apresentei como cidadão, mas também como senador da República. E
apresentei baseado em fatos reais e nos foros adequados para investigar e
analisar.
Tenho provas documentais e testemunhais de tudo que afirmei. Algumas
delas cheguei a mostrar durante a sabatina. Janot ainda deve muitos
esclarecimentos e, tenho certeza, não vai demorar para a população
brasileira e a grande mídia perceberem que o Procurador-Geral da
República está longe, muito longe de ser a probidade em pessoa.