MEDIÇÃO DE TERRA

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MEDIÇÃO DE TERRAS

terça-feira, 31 de agosto de 2021

Governo britânico oferece mestrado gratuito no Reino Unido para líderes brasileiros

 

                                                              
 

São Paulo, 31 de agosto de 2021

Programa do governo britânico busca candidatos da região Nordeste; é possível se inscrever até 02 de novembro

 

O programa de bolsas Chevening do governo britânico está com inscrições abertas para o ano letivo 2022-23. A iniciativa apoia futuros líderes, possibilitando que estudem em qualquer universidade britânica, em qualquer programa de mestrado elegível, por um ano. Além de amplo apoio financeiro que cobre todos os custos com a universidade, de estadia e viagem, candidatos selecionados também ganham acesso a uma vasta gama de experiências acadêmicas, profissionais e culturais. As bolsas são concedidas aos candidatos que demonstram ter comprometimento e habilidades necessárias para criar impacto positivo uma vez que retornem ao Brasil.

Não há limite de idade e o programa é aberto a todas as áreas de formação, para cursos nas principais universidades do Reino Unido, que estão dentre as melhores do mundo.

O Chevening foi criado em 1983 e já levou mais de 50 mil pessoas de todo o mundo ao Reino Unido. O Brasil é um dos países com maior número de estudantes na América: mais de 1900 bolsistas brasileiros estudaram em cerca de 110 universidades britânicas. Em 2021, 53 brasileiros foram selecionados para receber a bolsa. Ao todo, a região Nordeste já enviou 177 brasileiros para estudar no Reino Unido. Um dos compromissos do programa no Brasil é continuar buscando candidatos e bolsistas de diversas regiões do país, aumentando especialmente as candidaturas vindas do norte, nordeste e centro-oeste, e de diferentes contextos socioculturais. Por esse motivo, o programa encoraja especialmente inscritos negros, LGBTQIA+ e de outras minorias sociais.

Lourenço Capriglione, bolsista Chevening de Natal – Rio Grande do Norte, foi selecionado para o ano letivo de 2021-22 e realizará seu mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável na University College London. “Conheci o Chevening durante a minha graduação em Comunicação Social e desde então, fazer parte do programa se tornou um dos meus principais objetivos de vida. Estudar sustentabilidade, que sempre motivou minha prática como comunicador, no país que lidera o debate e as políticas ambientais, me parecia uma oportunidade única de potencializar o meu impacto como agente de transformação da sociedade e trazer inovação para o meu país. Encorajo a todos os que sonham em tranformar a realidade através do conhecimento e da colaboração a aplicarem para o programa. Tenho profundo orgulho de ser potiguar e adoraria ver mais conterrâneos integrando essa rede global de líderes."

 

Graham Tidey, Cônsul Britânico em Recife – PE, destaca:

 

“O Chevening é uma oportunidade única para profissionais nordestinos que demonstram capacidade de liderança e vontade de gerar impacto positivo em suas comunidades locais. Estamos nos esforçando para alcançar mais pessoas e ter mais candidaturas de nordestinos e nortistas, para que o programa possa representar ainda melhor o talento brasileiro. Buscamos pessoas de todas as regiões do Nordeste e que venham de diferentes contextos, com interesse em todas as áreas do conhecimento, para que possam aprofundar ainda mais as alianças entre o Brasil e o Reino Unido.”

 

Para se inscrever, acesse chevening.org/apply

 

O Embaixador da Missão Diplomática Britânica no Brasil, Peter Wilson, convida a todos a se inscreverem: vídeo neste link.

 

Buscando dicas para as inscrições? O gerente do Chevening no Brasil, James Phillips, explica como se destacar neste vídeo.

 

Mais informações

Visite www.chevening.org/apply/guidance para obter informações detalhadas sobre os critérios de elegibilidade e as especificações das bolsas.

 

Candidatos bem-sucedidos do último ciclo do Programa têm compartilhado suas histórias por meio da hashtag #ChosenForChevening no Twitter e no Instagram. Acompanhe as redes do @ukinbrazil para saber mais sobre o programa, e a rede de ex-alunos através do Instagram, pelo @cheveningalumnibrazil. 

 
MAIS INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA
Adriana Masetti
adriana.masetti@fcdo.gov.uk

SER VERSUS FAZER

 


Wagner Siqueira*

 

Para os existencialistas a dissonância SER X TER seria a marca definitiva do homem moderno em busca do autoencontro e da felicidade. Mal sabiam que o mundo das organizações logo suscitaria, nestes primeiros anos do Século XXI, uma variação em torno do mesmo tema, bem mais dominante, profunda e penetrante nos corações e mentes daqueles que se dedicam ao trabalho no universo das corporações.

 

O valor pessoal de alguém não deriva quase que exclusivamente das realizações constantes de seu curriculum vitae, mas de todas as dimensões de sua existência, que o tornam um indivíduo único e singular.

 

As pessoas são muito maiores do que os seus trabalhos. Mas as organizações se recusam a compreender e a aceitar tal evidência. Sacrificamos nossas famílias e as comunidades sociais por privilegiar desmesuradamente o trabalho. Isto é ótimo para a organização, mas péssimo para a pessoa.

 

Permitimos que códigos de ética e de moral sejam amiúde violados para satisfazer as exigências de uma organização inserida num mundo de competição desenfreada. Paulatinamente, assimilamos tais valores como se fossem nossos e passamos de forma inconsciente a compartilhar como indivíduos das mesmas atitudes e comportamentos.

Geralmente, quando se fala de ações empresariais imorais ou aéticas há a inspiração de que os fins justificam os meios. Atitudes não declaradas, mas praticadas, mostram que o importante são os resultados, pouco importando os princípios feridos para a sua consecução. O executivo que obtém grandes resultados nos balanços das organizações costuma dar muito pouco valor ou fidelidade à ética de convicção, o que o faz perder pouco a pouco a sua própria identidade como pessoa para assimilar a da empresa. Muitas vezes até por resistir à própria despersonalização, muitos passam a conviver no cotidiano com o dilema insuportável do Dr. Jekyll e Mr. Hyde, em “O Médico e o Monstro”.

 

Ninguém deve buscar nas organizações apoio emocional de que necessita para ser feliz ou para assegurar o seu equilíbrio existencial. Nem mesmo a mais evidente característica da personalidade de uma pessoa é predeterminada. Todos têm direito ao livre arbítrio de escolher o seu destino.

 

Mas nem todos pensam e agem assim. Os grupos a que cada qual pertence tentam traçar e definir o destino de seus integrantes, constrangendo a todos a fazer o que lhes parece como grupo ser o mais conveniente e adequado aos interesses do coletivo. Há membros de algumas organizações que se tornam prisioneiros voluntários de uma realidade que preenche os seus vazios existenciais.

 

As pessoas mais propensas a se enredarem em tal situação profissional têm originalmente tantas carências como indivíduos que são naturalmente atraídos pela identificação com o grupo de trabalho e pelo preenchimento por parte da organização de suas necessidades mais sentidas. Tal identificação se efetiva por jogar no time, participar de atividades importantes, ser leal aos companheiros, ser reconhecido etc. De fato, muitas vezes tal contexto acolhedor nada mais é do que a resposta ao anseio de pertencer a algo que as ajude a suprir necessidades humanas insatisfeitas.

 

(*) Wagner Siqueira é consultor de organização. Foi Secretário de Administração da Prefeitura do Rio de Janeiro, Presidente do Riocentro e Secretário de Desenvolvimento Social da Prefeitura do Rio, além de exercer muitos outros cargos na Administração pública e privada. Site Wagnersiqueira.adm.br

BLOG  ORLANDO  TAMBOSI

Assistência à saúde para mais de 1,5 milhão de vidas está nas mãos do Senado

 

 

[ARTIGO / OPINIÃO]


* Sergio Takemoto

Está na pauta do Plenário do Senado desta quarta-feira (1º), Projeto de Decreto Legislativo que pode impedir uma injustiça a milhares de trabalhadores. Trata-se do PDL 342, que suspende os efeitos da chamada “Resolução 23” da Comissão Interministerial de Governança Corporativa e de Administração de Participações Societárias da União (CGPAR). Tal resolução acaba com a autogestão dos planos de saúde em todas as estatais brasileiras, inviabilizando o direito constitucional de assistência para 1,5 milhão de vidas (titulares e dependentes), incluindo empregados da Caixa Econômica e de outras empresas públicas federais.

O projeto seria votado pelos senadores na última semana, conforme chegou a garantir o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), à Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae) e outras entidades sindicais. Contudo, acabou sendo retirado de pauta a pedido do líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE). A justificativa: “impacto nas contas das empresas estatais”.

Tal argumento, contudo, é derrubado por dados do próprio governo. De acordo com o Relatório Agregado/2020 da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest), divulgado no último mês de julho pelo Ministério da Economia, do total de 1,56 milhão de beneficiários de planos de saúde patrocinados por estatais federais, 27% estão vinculados ao Banco do Brasil, 18,3% à Caixa, 17,8% à Petrobras e 17,1% aos Correios. As demais 42 empresas consideradas no relatório, incluindo a Eletrobras, respondem por menos 20% deste total. Trata-se, portanto, em grande medida, de instituições lucrativas, que não dependem de recursos do Tesouro para o custeio delas e contam com políticas de pessoal competitivas, especialmente nos setores financeiro e de petróleo.

Ano passado, ainda conforme o relatório da Sest, a despesa destas estatais com o financiamento da assistência à saúde foi de R$ 8,6 bilhões, já considerado o fato de que a participação das grandes empresas se manteve superior aos limites previstos na Resolução 23 da CGPAR. Entre outros prejuízos aos planos de saúde dos trabalhadores, a medida estabelece que “a contribuição da empresa para o custeio dos benefícios não poderá exceder a contribuição dos empregados”. Na prática, a resolução determina que metade dos custos assistenciais e administrativos dos benefícios de saúde passe a ser financiada pelos usuários.

Considerada a média de 69% do custeio dos planos pelas empresas, a transferência de aproximadamente 20 pontos percentuais das despesas para a responsabilidade dos trabalhadores resultará em um ônus de R$ 3,5 mil por ano, em média, a cada empregado. Isto representa um acréscimo [médio] de 61% nas contribuições dos trabalhadores, o que refletirá, por consequência, na redução da renda familiar dessas pessoas.

Como fica demonstrado pelo relatório da Sest, mais de 80% das empresas públicas já são responsáveis pelo (auto)custeio, incluindo a atual proporção de financiamento da assistência à saúde aos empregados. No caso do Saúde Caixa, por exemplo, 70% das despesas do plano são pagas pelo banco e 30% pelos empregados.

Não há que se falar, portanto, em “impacto da ordem de R$ 6 bilhões por ano nas contas das empresas estatais”, como o governo argumentou para retirar o PDL 342 da pauta do Senado, na última quarta-feira (25). As estatais federais já honram o custeio da assistência à saúde em R$ 8,6 bilhões anuais.

Outra prova da fragilidade do “argumento” do governo levado aos senadores é que, na Câmara dos Deputados, a proposição [lá, identificada como PDC 956/2018] foi aprovada em julho por ampla maioria: 365 votos favoráveis e 39 contrários. Como observa a deputada Erika Kokay (PT-DF), autora do PDC 956, o projeto resgata direitos conquistados pelos empregados tanto pelo fato de a Resolução 23 legislar ao arrepio da Agência Nacional de Saúde (ANS) quanto por interferir nos contratos de trabalho, nos acordos e nas convenções coletivas.

Relator do PDL 342, o senador Romário (Podemos-RJ) foi enfático em seu parecer favorável à aprovação do projeto: “Apesar de declarar que estabelece diretrizes e parâmetros para o custeio das empresas estatais federais sobre benefícios de assistência à saúde aos empregados, na realidade [a resolução] restringe o direito à saúde dos empregados”. Nas palavras do parlamentar, “além de ilegal, a resolução é inconstitucional por restringir indevidamente o direito dos empregados à saúde e por violar direitos adquiridos dos trabalhadores à manutenção das condições do contrato de trabalho”, citando os artigos 5º, 6º e 7º da Constituição Federal.

Composta por 20 artigos, a Resolução 23 vem sendo questionada desde julho de 2017. O teor da normativa demonstra total desconsideração pelo direito social e trabalhista.

Além de inviabilizar a assistência à saúde principalmente para os empregados com menor renda, a resolução retira a capacidade negocial entre empresas e trabalhadores, impondo-lhes a prevalência do “legislado” sobre o “negociado”. Impede, ainda, a filiação até mesmo de pais dependentes econômicos e a garantia da assistência para futuros empregados.

O objetivo dessa danosa resolução é, sem dúvida, o sequestro de direitos trabalhista. E não só isso. Procura beneficiar, na verdade, o mercado privado de seguros de saúde, uma vez que impede que as estatais possam operar seus próprios planos.

Observamos que, desde 2018, o governo e a direção da Caixa Econômica Federal tentam impor a CGPAR 23 na gestão do Saúde Caixa. Temos resistido e a aprovação do PDL 342 pelo Senado garantirá a manutenção de direitos conquistados há anos pelos trabalhadores.

 

* Sergio Takemoto é presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae)


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Bernanos e a conspiração contra a vida interior e a liberdade individual

 



Em algum momento dos últimos séculos, tornou-se moralmente aceitável olhar para um homem como um elemento sem valor especial. Não é de admirar que o século XX tenha sido o século dos genocídios tecnologicamente avançados. De admirar seria se o século XXI não fosse. Bruna Frascolla via Gazeta do Povo:


Se, como vimos, Tocqueville deu no século XIX uma ideia iluminadora da Revolução Francesa como uma consequência e não uma causa da modernidade, seu compatriota do século seguinte, Georges Bernanos, deu uma ideia iluminadora de uma revolução religiosa operada pela modernidade.

Hoje nos é empurrado goela a baixo que a civilização judaico-cristã ocidental é absolutamente abominável. É bom deixar claro que nós integramos tal civilização: nossa língua materna é latina; nossas instituições e nossa religião fundadora, idem. Não somos ricos, somos moreninhos, mas nada disso faz com que não sejamos ocidentais, e é estranho quererem condicionar cultura a dinheiro ou raça. A outra coisa que vale deixar clara é quem exatamente nos empurra essa ideia goela abaixo: são, em primeiro lugar, as grandes corporações monopolistas. Aqui no Brasil vimos isso surgir primeiro nas universidades, com a racialização artificial e compulsória da nossa população – mas não atentamos ao fato de que isso se deu em com o financiamento da Fundação Ford. Nos EUA, vimos os cursos “antirracistas” racistas surgirem nos RHs das grandes corporações antes de irem para o Exército. Essas corporações impõem suas doutrinas após corromperem as instituições; depois, olhamos para as universidades e governos achando que o mal surgiu ali, quando não é verdade.

Bernanos e o capitalismo

Georges Bernanos saiu da França ocupada pelos nazistas e veio para o Brasil, pelo qual desenvolveu um amor bem grande. Antes da guerra ele era conhecido por suas obras literárias. Durante a guerra, começou a escrever panfletos político-filosóficos contra o marxismo, contra o racismo, contra o fascismo e contra o capitalismo. Para ele, tudo no fim era a mesma coisa: uma conspiração contra a vida interior e a liberdade individual.

À primeira vista, pode parecer só chilique de intelectual francês; mas quando o vemos adivinhar, já em 1944, que o comunismo se tornaria capitalista, temos que dar o braço a torcer e admitir que ele não pode estar muito errado nas coisas que diz. Cito-o:

“A Rússia leninista era anticapitalista e antimilitarista. Mas a Rússia está reorganizando o seu capitalismo, assim como já reorganizou magnificamente o seu exército. Se os acontecimentos seguirem o seu curso, a Rússia será brevemente a maior potência capitalista do mundo.” Se trocarmos a Rússia pela China, está mais do que certo.

“De que adianta fazer uma distinção entre capitalismo de Estado e capitalismo privado? Ambos procedem da mesma concepção de vida, da ordem, da felicidade, e acabam sempre por se entender. As democracias anglo-saxônicas não se orientam para uma espécie de capitalismo de Estado?”

A promessa do marxismo clássico de fato era a abundância material. De minha parte, desejo o liberalismo político, o liberalismo completo que instaura a limitação do poder, a igualdade perante a lei e a liberdade de expressão. Mas vemos que o velho liberalismo político está sendo substituído pelo identitarismo, que defende a desigualdade perante a lei (cotas) como meio de o indivíduo oprimido atingir o pináculo de sua existência, que nada mais é que carguinho ou emprego — ambos, no frigir dos ovos, materiais. Penso que o liberalismo político deve ser visto como ferramenta indispensável à manutenção da liberdade, e não como guia norteador da vida de alguém.

Penso ainda que Bernanos está consideravelmente certo nesse trecho. Se uma sociedade decidir que nortear o seu ideal de vida pelo conforto material, mais cedo ou mais tarde vende-se o Estado. Então, se as coisas seguirem piorando, tanto faz se você está na China, com um Estado que cria monopolistas, ou nos Estados Unidos, onde monopolistas compram o Estado: as liberdades morrem em nome do “bem comum”. “Bem comum” este que sai mais barato quando comprado no atacado, pelo Estado, do que por indivíduos, no varejo. E tome-lhe monopólio.

Que concluir daí? De minha parte, concluo que ter boas instituições (e os EUA têm maravilhosas) não tira a obrigação de pensar e a de cultivar bons valores. Deveria ser óbvio, mas é lugar comum no Brasil culpar alguma coisa pretérita pelas nossas mazelas. Em vez de lastimar a tradição iliberal ibérica, devemos perguntar em que medida as instituições são causa ou efeito da nossa conduta. Porque se nossa inércia se mantiver, dá para considerar as nossas instituições como causadas por nós mesmos.

A hipótese sobre religião

Na mesma entrevista, Bernanos diz: “O erro dos cristãos, nos últimos duzentos anos, foi acreditar que a partida estava definitivamente ganha para o Cristianismo […] Quem teria imaginado então que um dia uma nova moral viria se opor a ele, que essa moral formaria consciências, imporia disciplinas mais estritas que a nossa e – por uma inversão sacrílega da ordem divina – teria seus místicos, seus ascetas e seus mártires?” De fato, o comunismo, o nazismo, o fascismo se enquadram nessa descrição. (Na verdade, até o hábito fazer com o nome de um mártir o slogan “Presente!”, que víamos há pouco com Marielle, tem precedente com o falangista José Antonio Primo de Rivera.) Como essas caricaturas terrenas do cristianismo pegaram no Ocidente?

Em outro texto publicado no Brasil, Bernanos dá uma explicação bastante plausível: as massas “tinham o culto da Ciência, do Progresso. Teriam podido pensar contra a Igreja, mas como teriam ousado pensar contra a Ciência, opor a vontade delas ao Progresso, expressão popular do Determinismo universal?” (De fato, o progresso é tratado como inexorável, o que faz dele um determinismo).

“Vimos nascer e propagar-se nas massas populares essa religião da Ciência. De início, ela não pareceu ter outro inimigo além da superstição. Não prevíamos que, ao arruinar indistintamente não apenas as superstições, mas também as crenças, acabaria por destruir uma crença essencial, indispensável, na qual se baseia a ideia de liberdade – a fé do homem em si mesmo. Enquanto exaltava a Humanidade, simultaneamente humilhava o homem, esmagava-o um pouco mais a cada dia diante da natureza; elevava a Humanidade às maiores alturas e delas precipitava o homem, o macaco superior em evolução; sacrificava o homem à Humanidade […]. O culto da Humanidade, que substituiu aquela Religião do Homem cuja mais alta expressão é o Cristianismo, que nos diviniza – quero dizer, diviniza a cada um de nós, que faz com que cada um de nós participe da Divindade, que dá cada um de nós, ao mais humilde entre nós, um preço infinito, digno do sangue divino –, o sacrifício do homem à Humanidade”.

Esta é uma hipótese muito plausível, já que é fácil atrelarmos o declínio do poder religioso no Ocidente ao crescimento de ideologias centradas na Humanidade, um entre abstrato e coletivo, em primeiro lugar. Para o cristão antigo, a vida de um camponês aleijado tem valor e não pode ser sacrificada à toa. Mas o que dizer da vida de um burguês para o comunista? Ou da vida de um homem branco cis hétero para um progressista? Ou, para ficarmos no tema premente: que dizer da vida de um único óbito causado por vacina experimental de covid? Que nada vale, pois a liberdade de escolher os riscos não lhe deveria ser dada mesmo, já sua vida perdida supostamente representa menos de 1%.

Um homem, um indivíduo, não vale nada se o cálculo (certo ou errado) de um burocrata decidir que o bem comum foi servido. “Essas mortes representam”, digamos, “0,01% dos vacinados. O Estado deve obrigar à vacina em nome do bem comum!” Pois bem. E se outra medida futuramente considerada essencial para o bem comum matar 0,01, mas 1%, ainda não será favorável ao bem comum? E se matar não 1%, mas 10%, por que ainda não será bem comum?

Em algum momento dos últimos séculos, tornou-se moralmente aceitável olhar para um homem como um elemento sem valor especial. Não é de admirar que o século XX tenha sido o século dos genocídios tecnologicamente avançados. De admirar seria se o século XXI não fosse.

PS: As citações de Bernanos foram retiradas de “A França contra os Robôs” (É Realizações, 2018).
 
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Após recuo da Fiesp, entidades do agronegócio publicam manifesto em defesa da democracia.

 



Signatários defendem que Brasil ‘não pode se apresentar como uma sociedade permanentemente em crises intermináveis ou em risco de retrocesso ou rupturas institucionais’. Reportagem publicada pelo Estadão:


Após o recuo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), entidades do agronegócio brasileiro divulgaram um manifesto nesta segunda-feira, 30, em que pedem “liberdade para empreender, gerar, compartilhar riqueza, contratar e comercializar, no Brasil e no exterior”, além de defenderem o estado democrático de direito. “É o estado democrático de direito que nos assegura essa liberdade empreendedora essencial numa economia capitalista”, reforça o texto, no qual o setor agroindustrial defende a democracia – leia a íntegra abaixo.

O texto das entidades do agronegócio foi divulgado após a Fiesp decidir adiar a publicação de um manifesto que pediria a pacificação entre os três Poderes, em um movimento que teve a participação do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), aliado do presidente Jair Bolsonaro. Segundo a Fiesp, em nota divulgada nesta tarde, o adiamento atende ao interesse de dezenas de entidades que manifestaram apoio à causa. Manifestações neste sentido estão sendo produzidas às vésperas do 7 de Setembro, que terá atos convocados por Bolsonaro e seus apoiadores.

“Diante da decisão da Fiesp, essas entidades acharam melhor se manifestarem de forma conjunta e independente”, diz Marcello Brito, da presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag). “Entendemos que se manifestar faz parte do espírito republicano.”

O documento é assinado por várias entidades representativas do agronegócio brasileiro, entre elas, Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo), Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma (Abrapalma), Croplife Brasil (que representa empresas de defensivos químicos, biológicos, mudas, sementes e biotecnologia), Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) e Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg).



O texto, que não cita o presidente Jair Bolsonaro, afirma que as amplas cadeias produtivas e setores econômicos representados por essas entidades precisam de estabilidade, segurança jurídica e harmonia para poder trabalhar. Segundo as entidades, a liberdade empreendedora de que precisam é o inverso de aventuras radicais, greves e paralisações ilegais. “De qualquer politização ou partidarização nociva que, longe de resolver nossos problemas, certamente os agravará”, afirmam as entidades.

As entidades dizem que estão preocupadas com os atuais desafios à harmonia político-institucional e à estabilidade econômica e social do País. “Em nome de nossos setores, cumprimos o dever de nos juntar a muitas outras vozes, num chamamento a que nossas lideranças se mostrem à altura do Brasil e de sua história”, afirmam.

O texto lembra que, sob a Constituição Federal de 1988, a sociedade escolheu viver e construir o País por meio do Estado Democrático de Direito. “Mais de três décadas de trajetória democrática, não sem percalços ou frustrações, porém também repleta de conquistas e avanços dos quais podemos nos orgulhar. Mais de três décadas de liberdade e pluralismo, com alternância de poder em eleições legítimas e frequentes”, citam as entidades.

Segundo elas, o desenvolvimento econômico e social do País, para ser efetivo e sustentável, requer paz e tranquilidade, reconhecendo as minorias, a diversidade e o confronto respeitoso de ideias. “Acima de tudo, uma sociedade que não mais tolere a miséria e a desigualdade, que tanto nos envergonham.”

O manifesto também aponta que o Brasil, sendo uma das maiores economias do mundo, não pode se apresentar à comunidade das Nações como uma sociedade permanentemente tensionada em crises intermináveis ou em risco de retrocesso ou rupturas institucionais. “O Brasil é muito maior e melhor do que a imagem que temos projetado ao mundo. Isto está nos custando caro e levará tempo para reverter”, alertam as entidades.

As entidades apontam também que a moderna agroindústria brasileira é reconhecida mundo afora como resultado de inovação e sustentabilidade. “Somos força do progresso, do avanço, da estabilidade indispensável e não de crises evitáveis”, pontuam. Por fim, dizem que o setor continuará contribuindo para o futuro e a prosperidade do País.

Lira telefonou para Skaf, da Fiesp

A Fiesp afirmou que prorrogou o prazo para que entidades possam subscrever o manifesto “Em favor do entendimento e da harmonia entre os Três Poderes da República”. Segundo a Fiesp, o adiamento atende ao interesse de dezenas de entidades que manifestaram apoio à causa.

“Em 24 horas, recebemos mais de 200 adesões, das mais representativas entidades brasileiras. Dezenas de outras entidades também manifestaram interesse em participar. Em função desse cenário, informamos que estendemos o prazo para novas adesões, que poderão ser feitas ao longo da semana”, comunicou a Fiesp em nota.

O adiamento coincide com a atuação Lira para atenuar o dano que um documento cobrando parcimônia dos chefes de Poderes, em especial do presidente Jair Bolsonaro, poderia ter neste momento, véspera das manifestações favoráveis ao governo previstas para o próximo dia 7 de setembro.

Neste fim de semana, antes do anúncio de adiamento do documento, Lira conversou por telefone com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf. Desde a divulgação das intenções da Fiesp, Skaf, que até então era considerado um aliado, passou a ser visto com desconfiança por pessoas do entorno do presidente.
Leia a íntegra o manifesto das entidades do agronegício

As entidades associativas abaixo assinadas tornam pública sua preocupação com os atuais desafios à harmonia político-institucional e, como consequência, à estabilidade econômica e social em nosso País. Somos responsáveis pela geração de milhões de empregos, por forte participação na balança comercial e como base arrecadatória expressiva de tributos públicos. Assim, em nome de nossos setores, cumprimos o dever de nos juntar a muitas outras vozes responsáveis, em chamamento a que nossas lideranças se mostrem à altura do Brasil e de sua história agora prestes a celebrar o bicentenário da Independência.

A Constituição de 1988 definiu o Estado Democrático de Direito no âmbito do qual escolhemos viver e construir o Brasil com que sonhamos. Mais de três décadas de trajetória democrática, não sem percalços ou frustrações, porém também pela repleta de conquistas e avanços dos quais podemos nos orgulhar. Mais de três décadas de liberdade e pluralismo, com alternância de poder em eleições legítimas e frequentes.

O desenvolvimento econômico e social do Brasil, para ser efetivo e sustentável, requer paz e tranquilidade, condições indispensáveis para seguir avançando na caminhada civilizatória de uma nacionalidade fraterna e solidária, que reconhece a maioria sem ignorar as minorias, que acolhe e fomenta a diversidade, que viceja no confronto respeitoso entre ideias que se antepõem, sem qualquer tipo de violência entre pessoas ou grupos. Acima de tudo, uma sociedade que não mais tolere a miséria e a desigualdade que tanto nos envergonham.

As amplas cadeias produtivas e setores econômicos que representamos precisam de estabilidade, de segurança jurídica, de harmonia, enfim, para poder trabalhar. Em uma palavra, é de liberdade que precisamos - para empreender, gerar e compartilhar riqueza, para contratar e comercializar, no Brasil e no exterior. É o Estado Democrático de Direito que nos assegura essa liberdade empreendedora essencial numa economia capitalista, o que é o inverso de aventuras radicais, greves e paralisações ilegais, de qualquer politização ou partidarização nociva que, longe de resolver nossos problemas, certamente os agravará.

Somos uma das maiores economias do planeta, um dos países mais importantes do mundo, sob qualquer aspecto, e não nos podemos apresentar à comunidade das Nações como uma sociedade permanentemente tensionada em crises intermináveis ou em risco de retrocessos e rupturas institucionais. O Brasil é muito maior e melhor do que a imagem que temos projetado ao mundo. Isto está nos custando caro e levará tempo para reverter.

A moderna agroindústria brasileira tem história de sucesso reconhecida mundo afora, como resultado da inovação e da sustentabilidade que nos tornaram potência agroambiental global. Somos força do progresso, do avanço, da estabilidade indispensável e não de crises evitáveis. Seguiremos contribuindo para a construção de um futuro de prosperidade e dinamismo para o Brasil, como temos feito ao longo dos últimos anos. O Brasil pode contar com nosso trabalho sério e comprovadamente frutífero.

 
BLOG  ORLANDO  TAMBOSI

Golpe bolsonarista seria desastroso para os conservadores & outras reflexões

 



Agora não se passa um dia sem que Jair Bolsonaro sugira a possibilidade (e até a inevitabilidade) de um golpe, contragolpe, revolução, ruptura, intervenção – chame como quiser. Paulo Polzonoff para a Gazeta do Povo:


1 Disse Santo Agostinho: “A verdade deve ser dita com amor, mas o amor nunca pode impedir a verdade de ser dita”. E é com esse espírito que proponho que pensemos a realidade política do Brasil hoje, uma semana antes das manifestações de Sete de Setembro.

2 Agora não se passa um dia sem que Jair Bolsonaro sugira a possibilidade (e até a inevitabilidade) de um golpe, contragolpe, revolução, ruptura, intervenção – chame como quiser. Também “o outro lado” parece ter um golpe (ou tentativa de) como favas contadas. Ou foi à toa que o ministro Ricardo Lewandowski escreveu um artigo intitulado “Intervenção armada: crime inafiançável e imprescritível” na Folha de S. Paulo?

3 Para uma parcela mais afoita da população, a ideia de um golpe, contragolpe, revolução, ruptura ou intervenção – chame como quiser – soa como música. Para essas pessoas, um golpe representa a esperança de um país sem corrupção, sem o ativismo do STF e sem a imoralidade da cultura progressista. Um país onde, por meio da força, prevaleça a ordem e o progresso presentes na nossa bandeira.

4 Há tempos venho dizendo aqui que essas pessoas não devem ser hostilizadas, e sim compreendidas. A visão de mundo delas é legítima – ainda que eu a considere equivocada. A questão é: o que as levou a pensar assim? Que decisões foram tomadas nas últimas décadas a ponto de fazer com que essas pessoas tenham perdido a confiança na nossa capacidade de chegarmos a consensos por meio de diálogos?

5 A pergunta é retórica, mas cabe aqui uma sugestão de resposta: a corrupção (no sentido mais amplo da palavra). Quem tem esperança num golpe de Estado é porque deixou de acreditar que os homens que tomam as decisões o façam com outro interesse que não o próprio. Quem anseia por uma ruptura é porque perdeu a capacidade de ver no seu semelhante um aliado. Aliás, perdeu até a capacidade de ver no outro um semelhante.

6 Para os conservadores, este momento de triunfo do espírito revolucionário representa um enorme dilema. Simplesmente porque conservadores, por definição, são contrários a uma revolução. Não existe, portanto, essa coisa de “revolução conservadora”.

7 O problema é que a democracia, por meio de instrumentos alicerçados na Tradição (ainda que uma tradição recente), deu origem a um sistema flagrantemente corrupto, construído de forma a amordaçar qualquer ímpeto conservador. É um sistema no qual o prudente é um pária por “impedir o avanço da história”.

8 Esse sistema, portanto, impede a ação de um governo conservador ao sujeitar as “regras do jogo” aos princípios maleáveis do progressismo. E agora, José?

9 Os problemas de um golpe, contudo, são vários e se acumulam. Um deles: a tentação do poder autoritário, por mais bem-intencionado que ele se diga, também é uma forma de corrupção. Me refiro, aqui, à corrupção da alma expressa por essa vontade de consertar o mundo na marra, de acordo com a visão particular de um ou mais líderes.

10 Pior: a crença popular num déspota esclarecido é também uma forma de corrupção. Porque pressupõe a existência de um líder com poderes semidivinos que nos conduzirá a uma era de paz e prosperidade. Desse discurso se apropriaram absolutamente todos os tiranos do século XX.

11 Muitos justificam hoje a “necessidade” de um golpe dizendo que ele seria, na verdade, um contragolpe. Até entendo e, com algum esforço, a ideia pode fazer sentido. O problema, aqui, é que essa justificativa significa se apegar a uma ideia revolucionária e anticristã – a de Maquiavel. Essa ideia pressupõe princípios maleáveis que têm de se adaptar às circunstâncias. Por uma ironia triste, essa é a mesma ideia que justifica as iniciativas progressistas mais abjetas.

12 O ideal é que o sistema corrompido fosse enfrentado com inteligência, convicção e paciência – três valores escassos hoje em dia. Inteligência passa por perceber que o mundo de hoje prefere o simbólico ao real, o que é dito ao que é feito. Convicções têm a ver com uma base moral sólida que permitisse ao governante tomar decisões sem levar em conta os efeitos imediatos e muitas vezes impopulares delas. Quanto à paciência, bom, acho que ninguém vai discordar se eu disser que vivemos tempos impacientes, não é mesmo?

13 Ainda que fosse possível ver em Bolsonaro um déspota esclarecido, o problema de um golpe não é só o arbítrio do presidente e de seus comandados diretos. O problema de uma ruptura é o arbítrio do guardinha na esquina, do funcionário público por trás do balcão, do fiscal que, por algum motivo, se sente ofendido, etc.

14 Um golpe é, portanto, uma confissão de derrota e equivale a reconhecer que não sabemos conviver com as diferenças.

15 Um golpe, contragolpe, revolução, ruptura, intervenção – chame como quiser – nos desciviliza.

16 Não tenho procuração nem pretensão de falar em nome dos conservadores. As reflexões que proponho aqui são fruto de uma visão muito particular de mundo - a minha. Tenho, porém, noção da minha pequenez. Só acho que, de vez em quando, esse grãozinho de mostarda aqui também tem o direito (ou seria dever?) de arder.
 
BLOG  ORLANDO  TAMBOSI

POR QUE OS AMERICANOS FALHARAM NA VISÃO DA POLÍTICA LOCAL AFEGÃ?

 


 

Roberto Rachewsky

  

O economista Daron Acemoglu arrisca dizer que os Estados Unidos falharam menos por sua incompetência militar do que por sua visão da política local afegã.

Segundo ele, os estrategistas americanos pensavam que um estado construído de cima para baixo, com instituições, leis e um governo forte, seria suficiente para restabelecer a ordem naquele país medieval, religioso, tribal e bárbaro.

Ao longo desses 20 anos, os militares americanos, os burocratas da Secretaria de Estado, os homens e mulheres de torraram 2 trilhões de dólares numa guerra que ceifou 100 mil vidas por nada.

O Afeganistão não coube no molde construído por Washington. Ele é formado por peças que não se encaixam, seja na questão cultural, seja na idiossincrasia das tribos que ocupam aquele território hostil.

Nações são mais fortes que os projetos que as tentam moldar. No século XX, só duas nações responderam positivamente à reconstrução institucional em larga escala, feita de cima para baixo: Japão e Alemanha, após terem sido devastadas, desarmadas e humilhadas totalmente na II Guerra Mundial.

A União Soviética se desmantelou, porque o projeto comunista nasceu fracassado. A China quase matou toda a população pelo mesmo motivo. A influência britânica na Índia se desvaneceu, porque indianos não eram ingleses. Outros países só começaram a dar certo quando a nação encontrou por si só seu modelo ideal e conseguiu alcançar o consenso – casos marcantes são os da Estônia, República Tcheca e da Geórgia.

Há raros exemplos de sucesso da estratégia de cima para baixo. Um deles é Hong Kong. Mas Hong Kong é um dos países mais livres do mundo, é o lugar onde cada um pode construir por si sua vida, realizando seus sonhos sem intervenção do governo, desde que não importunem os outros.

Os americanos poderiam ter estudado mais sobre como não funciona um país onde o estado chegou primeiro que o povo ou como instituições monolíticas, rígidas, contraditórias no seu âmago, fracassam; bastaria terem estudado o modelo brasileiro.

Somos o exemplo de um “melting pot”, onde o estado veio primeiro e tenta há 500 anos modelar sem sucesso pessoas com culturas, educação e interesses tão ou mais diversos que os concidadãos dos talibãs.

Arrisco a dizer que a maioria das tentativas de fazer do Brasil um país civilizado falhou. O que se iniciou como uma revolução libertadora acabou em tirania ou fracasso. Não é por acaso que tivemos meia dúzia de constituições que acabaram rasgadas. O modelo que os americanos tentaram implantar no Afeganistão ao longo de 20 anos gerou conflitos, corrupção e expatriados.

No Brasil, não foram 20 anos. Devemos somar a estes mais 500 anos de uma sociedade onde o estado veio primeiro e se manteve no poder para ditar o que cada brasileiro faria com sua vida do berço ao túmulo.

É por isso que costumamos rejeitar instituições que, em vez de protegerem nosso ser, tentam nos moldar como sonham os ideólogos educados por jesuítas, pombalistas e esquerdistas como Anísio Teixeira, Darci Ribeiro e Paulo Freire.

*       Publicado originalmente em objetivismo.com.br

Salvador receberá maior Festival de Qualidade e Inovação do Brasil

 


FestQuali irá reunir profissionais do país todo em novembro para abordar os avanços da área

Neste ano, o FestQuali, maior evento de qualidade, excelência e inovação do Brasil, será realizado em Salvador, na Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), nos dias 08, 09 e 10 de novembro. O Festival contará com os melhores especialistas dos ramos para exporem suas experiências e conhecimentos, com a proposta de estimular o conhecimento e transformar as organizações para melhor.

Ao todo, serão realizadas 75 palestras com profissionais renomados. Dentre eles, Mr. Nigel Croft, uma das principais autoridades mundiais dentro da ISO; Kleber Nóbrega, especialista em gestão e experiência do cliente; Dorothea Werneck, ex-ministra e atuante na discussão de cenários; Luiz Carlos do Nascimento, Superintendente ABNT/CB-25 Comitê Brasileiro da Qualidade; Marcos Assi, escritor e especialista em Compliance; Eduardo Guaragna, Diretor-Presidente da Academia Brasileira da Qualidade; Rogério Campos Meira, o Dr. Standard; Alexandre Pierro e Marília Cardoso, fundadores da PALAS, consultoria pioneira na ISO 56.002.

Devido ao isolamento social, boa parte das palestras serão transmitidas online para aqueles que não puderem comparecer à capital baiana. O evento foi pensado de maneira completa, proporcionando um amplo acesso para que todos possam acompanhá-lo de suas casas ou presencialmente na sede da FIEB.

Desde que foi criado, em 2017, o FestQuali se destaca pelo foco na realização de eventos sustentáveis, em conformidade com a ISO 20121. “Sabemos que os eventos causam impacto sobre o ambiente, incluindo consumo de água, energia e produção de resíduos sólidos. O sistema de gerenciamento da sustentabilidade ISO 20121, ajuda na execução de procedimentos que minimizem esses impactos”, orgulha-se Evandro Ribeiro, idealizador do evento.

Na edição 2021, o FestQuali conta com o apoio de 09 empresas mantenedoras, ACC Engenharia; AGQ Brasil; ATSG; BLWinner; ForLogic; Grupo Giovanoni; Horus; PALAS e Templum. Todas elas estão comprometidas com a causa da qualidade e inovação para as empresas brasileiras.

As palestras confirmadas já estão disponíveis na página oficial do evento, assim como o link para a compra dos ingressos presenciais e inscrição para participação online: www.festquali.com.br

 

Serviço

FestQuali

Data: 08; 09 e 10 de novembro de 2021

Endereço: Rua Edístio Pondé, 342 - FIEB – Salvador/Bahia)

Inscrições e informações: www.festquali.com.br



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Nathalia Bellintani


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LGPD: como creditar as despesas como insumos de PIS e Cofins?

 


Por Angelo Ambrizzi

A adequação às normas de proteção de dados impostas pela Lei Geral de Proteção de Dados – LGPD - já é uma realidade. Em caso de inadequação ou descumprimento das regras atuais, as empresas estão correndo riscos altos de sofrerem multas elevadas e até mesmo, em casos extremos, a interrupção das suas atividades.

As empresas aumentaram significativamente suas despesas com o desenvolvimento de sistemas, adequação de novos procedimentos, contratação de organizações especializadas em tratamento das informações, dentre outros. Diante deste cenário o número de consultas das empresas para entender se todos os gastos com LGPD podem ser enquadrados como insumo, aumentou significativamente.

Recentemente, foi proferida uma decisão da 4ª Vara Federal de Campo Grande inaugurando o entendimento judicial de que as empresas podem considerar insumo as despesas com LGPD e, como consequência, podem se creditar de Pis e Cofins.

A decisão reconheceu o direito de uma empresa varejista de apurar os créditos de PIS e Cofins sobre os valores gastos com sua governança de dados, com o fundamento de que tais despesas são essenciais e relevantes para a produção dos seus bens.

O enquadramento das despesas como essenciais é coerente e razoável, dado que as empresas de todos os setores e tamanho precisam realizar as adequações exigidas pelo fato de ser uma obrigação legal.

O critério para definir se uma despesa pode ser considerada insumo, para fins de creditamento de Pis e Cofins na sistemática não cumulativa, é a necessidade da despesa ser considerada essencial ou relevância para a realização da atividade fim da empresa. Tal posicionamento foi definido pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ no Recurso Especial no 1.221.170 – PR (Tema 779).

Mesmo com a definição do critério aparentemente objetivo pelo STJ, existem casos em que permanecem dúvidas sobre a essencialidade da despesa para a atividade empresarial e, toda vez que existem elementos interpretativos, nasce o risco de entendimentos divergentes entre empresas e o Fisco. O que, consequentemente, gera uma insegurança jurídica sobre a tomada de decisão.

São comuns os casos em que a Receita Federal autua empresas desconsiderando os créditos de Pis e Cofins em razão de desclassificar as despesas como insumos. Dado este cenário de incerteza, muitas empresas estão ajuizando medida judicial adequada para ter reconhecido seu direito de classificar como insumo as despesas com governança de dados, e via de consequência, apurando créditos de PIS e COFINS incidentes sobre estes valores, desde que sejam optantes pelo regime de lucro real.

Recomendamos aos empresários se aconselharem com um especialista em Direito Tributário que terá capacidade técnica de opinar sobre os riscos ou não na decisão do melhor caminho a seguir.

Angelo Ambrizzi é advogado especialista em Direito Tributário pelo IBET, APET e FGV com Extensão em Finanças pela Saint Paul e em Turnaround pelo Insper e Líder da área tributária do Marcos Martins Advogados.

 

Sobre o Marcos Martins Advogados: 

https://www.marcosmartins.adv.br/pt/ 

Fundado em 1983, o escritório Marcos Martins Advogados é altamente conceituado nas áreas de Direito Societário, Tributário, Trabalhista e Empresarial. Pautado em valores como o comprometimento, ética, integridade, transparência, responsabilidade e constante especialização e aperfeiçoamento de seus profissionais, o escritório se posiciona como um verdadeiro parceiro de seus clientes.

 



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Por que é tão importante aprender espanhol?

 


Por Vanessa Melo Ribeiro

Não há dúvidas de que dominar uma língua estrangeira é fundamental – não apenas para o mercado de trabalho, mas também para diversas atividades e responsabilidades de nossa vida. Por mais que o inglês ainda seja o preferido e mais buscado, o espanhol vem ganhando cada vez mais o destaque que merece frente à sua tamanha importância internacional.

Ao todo, são mais de 585 milhões de pessoas que falam espanhol – cerca de 7,5% da população mundial, segundo o Anuário Espanhol do Mundo, divulgado pelo Instituto Cervantes. Com tamanha predominância, o idioma se tornou o segundo mais falado no mundo, um título extremamente relevante no cenário internacional.

As consequências de tamanha importância são claras no mundo corporativo e, até mesmo, na vida pessoal de muita gente. Sem falar que é o idioma é muito mais fácil de ser aprendido do que muitos imaginam. Por isso, listamos os principais motivos que tornam seu aprendizado essencial atualmente. Confira:

#1 É uma das línguas mais faladas do mundo: Hoje, o espanhol é considerado como o segundo idioma mais falado no mundo, atrás somente do inglês. São mais de 420 milhões de nativos dessa língua, sendo o oficial em 21 países. Mesmo que sofra diferenças em expressões em determinadas regiões, ele se torna indispensável para a comunicação internacional.

#2 Será um diferencial para o currículo: Falar inglês já se tornou uma habilidade comum em muitos currículos e um requisito básico no mercado de trabalho – afinal, é ensinado nas escolas desde que somos pequenos. Por isso, candidatos que possuem fluência em um terceiro idioma, se destacam mais em uma entrevista de emprego. Especialmente o espanhol, já que é um dos mais utilizados internacionalmente. Você estará à frente de muitos concorrentes, principalmente em processos seletivos de organizações internacionais que demandam outras línguas no dia a dia.

#3 Favorecerá as oportunidades profissionais no exterior: Profissionais bilíngues são muito mais atrativos para o mercado. Então, imagine um que fale três línguas – sendo duas as mais faladas no mundo. Com o espanhol em seu portfólio, as chances de conquistar uma oportunidade profissional no exterior são potencializadas, abrindo portas incríveis para seu futuro.

#4 Porta de entrada para outras línguas: Muitos brasileiros falam o famoso “portunhol” que, até mesmo, é entendido pelos nativos dessa língua. Isso acontece pois os dois idiomas são muito parecidos gramaticalmente. Com o espanhol, o aprendizado de outras línguas consideradas românticas, como o italiano ou o francês, se torna mais fácil – uma vez que compartilham a origem do latim e outras semelhanças de sintaxe e do vocabulário.

#5 Melhor entendimento vendo filmes e séries com áudio original: Os filmes e séries em espanhol vem ganhando enorme destaque na televisão e canais de streaming. Com um maior domínio do idioma, será mais fácil assisti-los em seu áudio original – quem sabe até mesmo com as legendas em espanhol, para treinar a escrita. Será um treino excelente para conquistar a fluência na língua.

Mesmo que muitas pessoas ainda mantenham o foco no estudo no inglês, não há mais como deixar de lado a importância do espanhol em nossas vidas. O que não faltam são métodos de ensino, especialmente à distância desenvolvidos durante a pandemia. Um bom exemplo é a Academia do Espanhol, que permite o aprendizado da língua de forma rápida, simples e muito acessível. É um investimento que vale muito a pena, principalmente quando descobrirmos quantas portas podem ser abertas com esse idioma.

Vanessa Melo Ribeiro, CEO da SEDA College Online, plataforma online de idiomas.

 

Sobre a SEDA College Online:

https://sedacollegeonline.com/

A SEDA College Online é uma empresa do Grupo SEDA College, localizado emDublin, na Irlanda. Especializada em ensino de idiomas para estrangeiros, já foi premiada por três vezes consecutivas a melhor escola de idiomas da Irlanda. 



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Consultoria organizacional: uma opção de carreira

 



Por Rafael Mottola Rocha

As mudanças nas relações de trabalho, o enxugamento das estruturas organizacionais, a incorporação de novas tecnologias e a possibilidade de ser dono do próprio negócio estão entre os motivos pelos quais cada vez mais profissionais deixam os quadros das empresas pela possibilidade de empreender. E, dentre as alternativas viáveis, está atuar como consultor(a) ou assessor(a) organizacional. Contudo, é importante compreender por que uma organização contrata uma consultoria ou um consultor.

Destaco alguns motivos principais. Um deles é para ajudar o cliente quando ele não sabe fazer (aplicar metodologias para a resolução de problemas complexos, por exemplo), ou para ajudá-lo com mão de obra qualificada para operacionalizar o que ele sabe que precisa fazer, mas “não tem braços” (realizar auditorias na rede de distribuição ou filiais do cliente, por exemplo).

Há ainda casos em que é preciso ajudar o cliente a chegar aonde ele (ainda) não sabe que pode chegar, aplicando uma metodologia de elaboração e desdobramento de planejamento estratégico que seja ambidestra, por exemplo, focando nos resultados de curto prazo e ainda mirando no que a empresa quer se tornar daqui há cinco anos. Outro exemplo é no combate a desperdícios que o cliente não havia detectado, que podem torná-lo mais eficiente e competitivo.

No entanto, para atuar em consultoria organizacional, independentemente do tema ou nicho, se faz necessário possuir as famosas hard e soft kills. As hard skills são um conjunto de conhecimentos específicos, além de formação ou educação formal e vasta vivência nos temas que serão objeto da consultoria. Já as soft skills são diferenciais em termos de habilidades humanas e comportamentais, forte capacidade de comunicação e de adaptação a novos contextos, setores, segmentos e culturas de empresas.

Estes dias, um ex-colega de trabalho, que está há alguns meses no mercado de trabalho buscando recolocação, me confidenciou que possui muito conhecimento e experiência acumulados em determinado tema, mas acha que lhe falta coragem para se tornar um consultor. Respondi que até a prestigiada e experiente atriz brasileira Fernanda Montenegro, revelou sentir até hoje, antes de entrar em cena, “friozinho na barriga”. Isso denota responsabilidade e precisamos canalizar esta preocupação para foco no preparo.

De 1999 a 2010, atuei como consultor em paralelo às minhas atividades de executivo empregado, desde que não houvesse conflito ético. Atuei também na docência por mais de cinco anos. Desde 2010, somos uma empresa de consultoria com consultores parceiros para diversos temas. Hoje, estamos nos transformando em uma consultoria de resultados – queremos ser vistos pelos nossos clientes como uma consultoria estratégica que lhes ajuda a conquistar resultados concretos.

Consultoria é assim, temos que evoluir sempre. Observando minha trajetória até aqui, elaborei na forma de método, um caminho seguro, o qual resolvi batizar de “A Técnica dos 4 P’s” e que vai permitir a você e a outros profissionais também mapear suas competências e, quem sabe, lhe ajudar a dar os primeiros passos em consultoria, com segurança.

O primeiro P é de problema. Mapeie quais problemas de potenciais clientes que você pode ajudar a resolver com seu conhecimento, experiência e habilidades. Identificar oportunidades e problemas a serem resolvidos, alinhados com o que você gosta de fazer, é o primeiro passo.

O segundo P é perfil. Autoconhecimento é muito importante. Não nascemos sabendo e completos. Maximize seus pontos fortes e trate os pontos fracos, incluindo as soft skills.

O terceiro é de preparo. Nos primeiros treinamentos que eu ministrava aos sábados, eu acordava às 4h30 da manhã para revisar todo o material e ir mentalizando cada etapa do curso, assim como falas e dicas importantes que teria que abordar ao longo do treinamento. A cada vez que fazia isso e a cada novo treinamento, eu conquistava mais segurança ao passo que os feedbacks positivos também aumentavam.

O quarto é de persistência. Diz respeito a perseverar, se autoavaliar, não desistir, ouvir feedbacks e melhorar sempre.

O objetivo de qualquer empresa, e na consultoria não é diferente, é primeiramente a sobrevivência e, assim que possível, a criação de valor para as partes interessadas, bem como criar relações de longo prazo com os clientes. Para que isso seja possível, precisamos construir três pilares: 

Autoridade: conquistamos autoridade a partir de nossas competências colocadas em prática, as quais se baseiam, como já mencionamos, em conhecimento, habilidades e experiência. Ao aplicar tais competências, auxiliamos os clientes a atingir os resultados definidos em cada projeto em que atuamos. Realizar lives, eventos, escrever artigos complementa e viabiliza que sejamos indicados para novas oportunidades.

Confiança: a confiança passa pelo item anterior (realizações) e também por princípios éticos reforçados a cada projeto. Por exemplo, a confidencialidade – nenhuma informação pode vazar de projetos sem a anuência dos clientes.

Relacionamento: prezar pelas interações com clientes, que não se restrinjam a projetos nos quais se esteja atuando. Realizar reuniões, visitas e contatos periódicos com clientes e potenciais clientes.

Assim, guiando clientes por caminhos viáveis e melhores, mapeando e reduzindo riscos, mostrando oportunidades e novos cenários, a consultoria pode ser a chave para o sucesso tanto para organizações quanto para profissionais que queiram contribuir e fazer a diferença nas próximas décadas.

Rafael Mottola Rocha, é administrador de empresas, engenheiro de produção, diretor, consultor e mentor na HORUS Consultoria e Treinamento.

Sobre a HORUS Consultoria e Treinamento:

A HORUS auxilia organizações clientes, geralmente empresas de destaque de diversos setores e segmentos, a implementar e melhorar o seu modelo de negócio frente a critérios de excelência, normas internacionais de gestão e outros referenciais consolidados de forma conectada à estratégi,a melhorando assim a performance.

Serviço

FestQuali - Festival de Qualidade e Inovação

Data: 08; 09 e 10 de novembro de 2021

Endereço: Rua Edístio Pondé, 342 - FIEB – Salvador/Bahia)

Inscrições e informações: www.festquali.com.br

 



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