Por Richard Grein
Não é novidade que a Inteligência Artificial se tornou protagonista no meio empresarial. De acordo com uma pesquisa da McKinsey, 88% das empresas no mundo usam IA em pelo menos uma função de negócio. Mediante esse hype, que também engloba usuários do SAP Business One, é importante enfatizar que de nada adianta adotar essa tecnologia sem avaliar com clareza o que ela pode entregar, de fato, dentro da plataforma.
A multinacional alemã vem, cada vez mais, reforçando o seu posicionamento no conceito de “empresa autônoma”, tendo a IA como principal guia para esse movimento. A companhia já incorpora ativamente o SAP Business AI e a Joule (sua IA generativa) para otimizar processos.
No caso do SAP Business One, o software já possui capacidade de realizar integrações com essa tecnologia. Além disso, segundo a própria SAP, a projeção é que a solução traga agentes de IA embarcados a partir de 2027. Isso é, sem dúvidas, uma excelente notícia para os usuários do ERP. No entanto, é preciso destacar que, muito além de integrar uma nova ferramenta, é preciso materializá-la e torná-la palpável para obter resultados reais.
Ou seja, nos últimos anos, o mercado reforçou o discurso de que é preciso aderir ao uso da IA, mas poucos conseguem aplicá-la diretamente em casos de uso específicos do negócio. No cenário das pequenas e médias empresas, público-alvo do SAP B1, não é incomum encontrar organizações com dificuldades em gerenciar a entrada e a escrituração de notas, o que exige a mobilização de grande parte da equipe para dar conta do volume de trabalho.
Um exemplo prático da Inteligência Artificial integrada ao SAP Business One é o processo de escrituração de notas fiscais de entrada. Com o uso da IA, já é possível identificar automaticamente o pedido de compra correspondente, mesmo quando essa informação não está presente no XML da nota fiscal. Além disso, a solução compara os impostos destacados na nota com os valores previstos no pedido de compra, consulta automaticamente a base legal aplicável e informa se a tributação está correta ou se existem divergências que merecem atenção.
Outro grande diferencial é a velocidade no processamento dos documentos. A Inteligência Artificial aprende continuamente com o histórico da empresa, identificando quais tipos de documentos possuem maior prioridade de acordo com o core business da operação, tornando o processo de escrituração cada vez mais eficiente e assertivo.
Toda essa tecnologia é executada em ambiente SaaS, sem consumir recursos da infraestrutura local ou impactar a performance do SAP Business One, proporcionando escalabilidade, alta disponibilidade e processamento inteligente dos documentos fiscais.
As situações destacadas acima são excelentes casos de uso. A tecnologia tem a habilidade de localizar informações de forma autônoma e gerar insights que tornam a operação estratégica e, ao mesmo tempo, fluida.
Hoje, a maior parte da aplicação de IA no B1 é feita com base em add-ons convencionais de mercado. Contudo, mais do que implantar um plugin, é necessário avaliar se a solução está adaptada aos requisitos da empresa e se acompanha as constantes mudanças do cenário fiscal — como a atual onda da Reforma Tributária, que exige atualizações ágeis dos softwares.
Deste modo, a melhor forma de levar a IA para o SAP Business One é identificando o desafio central que precisa ser sanado. A partir disso, deve-se adotar uma solução inovadora que aplique a tecnologia aos processos em curto espaço de tempo, contribuindo para a reestruturação tática da equipe. Para que isso aconteça, é fundamental contar com o apoio de uma consultoria que não seja apenas especializada, mas que tenha bagagem para treinar e otimizar o recurso dentro do ERP.
O discurso da IA, no dia a dia, é bonito. Porém, quando aplicada ao B1, estamos falando de ganhos nítidos: pagamento correto de tributos, redução no tempo de processamento de notas, realocação da mão de obra para tarefas estratégicas e, considerando a dinâmica de mercado, a priorização inteligente de registros que precisam de saída rápida, já que a tecnologia identifica os padrões da empresa ao longo do tempo.
Falar de Inteligência Artificial não é mais uma projeção para o futuro, é o nosso presente. O investimento da multinacional alemã nesse recurso é evidente. Hoje, o SAP Business One já entrega um amplo potencial de uso na versão HANA, que promove a arquitetura de dados otimizada por IA. Ademais, a solução opera no modelo Web Client, que possibilita uma estrutura mais intuitiva e preparada para receber novas melhorias e automações. Dessa forma, a pergunta que deve ser feita não é apenas “como levar”, mas “como aplicar estrategicamente o uso dessa tecnologia no B1?”.
Richard Grein é Delivery Manager da H&CO Brasil.
Sobre a H&CO:
https://www.hco.com/
A
H&CO é uma das principais empresas internacionais de consultoria em
tecnologia e terceirização de serviços profissionais. Com 30 anos de
história, a empresa está presente em 29 países com mais de 900 pessoas
comprometidas em prestar serviços de qualidade em contabilidade,
impostos internacionais, implantação de SAP Business One, gestão de
entidade global, entre outros.
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