MEDIÇÃO DE TERRA

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MEDIÇÃO DE TERRAS

sábado, 25 de julho de 2026

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Do Banco Rural ao Banco Master e de Barbosa a Mendonça

 


 

 

Percival Puggina

              Diante dos bilhões que as instituições da República passariam a disponibilizar a seus protegidos nos anos seguintes, os números do mensalão (Ação Penal 470) parecem contabilidade de quermesse escolar. Naquele caso, para garantir maioria ao primeiro governo Lula, R$ 104 milhões de reais saídos da publicidade oficial haviam sido fracionados, ao longo de dois anos, como mesadas para parlamentares, à base de R$ 30 mil por cabeça... Banqueiros, publicitários, lideranças políticas e congressistas da envergadura de José Dirceu, José Genoino, Roberto Jefferson, Valdemar Costa Neto, Pedro Correa, João Paulo Cunha (ex-presidente da Câmara dos Deputados), após 53 sessões de julgamento, foram para trás das grades. Por poucas semanas, é verdade, mas foram. O Banco Rural, que operava o esquema, teve dirigentes também presos e foi liquidado pelo Banco Central.

A ideia, porém, nunca foi essa. E continua não sendo essa. As coisas no Brasil não funcionam assim, como se sabe. Por isso, o 27 de fevereiro de 2014 foi o pior dia de Joaquim Barbosa como ministro do STF e como relator da AP 470. Naquela sessão plenária, embargos infringentes apresentados pelos advogados dos réus obtiveram apoio da maioria formada com o ingresso dos novos ministros Teori Zavascki (2012) e Roberto Barroso (2013). Foram excluídas as condenações pelo crime de formação de quadrilha, reduzidas as penas e afastado o cumprimento em regime fechado...

No final daquela sessão, o relator profetizou:

“Sinto-me autorizado a alertar a nação brasileira de que esse é apenas o primeiro passo. É uma maioria de circunstância que tem todo o tempo a seu favor para continuar sua sanha reformadora". Depois, acrescentou: "Essa é uma tarde triste para este Supremo Tribunal Federal. Com argumentos pífios, foi reformada, foi jogada por terra, extirpada do mundo jurídico uma decisão plenária sólida, extremamente bem fundamentada, que foi aquela tomada por este plenário no segundo semestre de 2012”.

A esquerda adota uma política de "cancelamento" da divergência em todo o Ocidente, numa extensão que vai do Parlamento Europeu até as salas de aula aí onde você vive. Essa prática recebe, internacionalmente, o nome de "cordão sanitário". Isolado pelos colegas, três meses depois, Barbosa deixou o Supremo.

Nos dias que correm, o ministro Mendonça já vive isolamento semelhante. Nunes Marques, no TSE, vai pelo mesmo caminho. Os desconfortos se agravarão caso a eleição dos novos senadores no pleito de outubro não conceda sólida maioria à atual oposição. O futuro Senado deve promover uma reforma institucional, colocar cada poder no seu quadrado, restaurar o Estado de Direito e restituir aos brasileiros a liberdade que lhes tomam as canetadas brasilienses.

Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.

Deem uma chance a nossas crianças

 




Nossa educação há muito foi capturada por um ecossistema sindical, político e acadêmico cuja obsessão é manter intocado o monopólio estatal sobre a educação pública. Fernando Schüler para o Estadão:


Semanas atrás, escrevi aqui sobre o sucesso da parceria da Prefeitura de São Paulo com o Liceu Sagrado Coração de Jesus, no centro de São Paulo. A escola é confessional, católica, os alunos são bem atendidos, há disciplina, os professores não faltam e os resultados são bons. A escola é 100% privada, sem fins lucrativos, e sua função 100% pública. Um clássico ganha-ganha.

A prefeitura lançou agora um chamamento público para ampliar o modelo para mais três escolas. Uma em Parelheiros, outra no Jardim Bandeirantes e ainda outra no Jaraguá. É exatamente assim que se faz política pública. O modelo é testado, em menor escala. E vai avançando, se os resultados forem positivos.

De minha parte, vejo algo incrível aí: a chance única de permitir que crianças de famílias pobres possam estudar em escolas similares àquelas frequentadas por seus pares de classe média e maior renda. É isto que temos que fazer, se quisermos de verdade combater as desigualdades, no Brasil.

Dias atrás, escutava uma entrevista do professor Ricardo Paes de Barros sobre nossa educação. Ele foi direto ao ponto: nós planejamos, avaliamos, aumentamos os recursos da educação, mas os resultados são “desastrosos”. E não sabemos bem o porquê. Paes de Barros e Laura Muller realizaram uma importante pesquisa mostrando que, no conjunto analisado, as escolas de tempo integral, vistas por muitos como uma espécie de “bala de prata” da educação brasileira, perderam desempenho entre 2019 e 2023. O Ideb médio dessas escolas caiu de 4,51 para 4,44, enquanto o das demais apresentou pequeno avanço. A conclusão mais prudente é a de estagnação. É um quadro semelhante ao revelado pelo Pisa. Considerando a média aritmética das três áreas avaliadas, o Brasil passou de aproximadamente 401 pontos em 2009 para 397 em 2022. Em matemática, a nota caiu de 386 para 379.

O problema começa quando se tenta entender o porquê disso. Em regra, agimos de um modo algo estranho. Admitimos as mais diversas hipóteses, menos uma. Nos recusamos a considerar que possa haver um problema estrutural com o sistema estatal. Rejeitamos uma pergunta bastante simples: não estaríamos basicamente fazendo a mesma coisa e esperando resultados diferentes? Faz sentido dobrar sempre a aposta e colocar mais dinheiro em um sistema que não funciona? E não porque há um problema com os professores, com os diretores, com o currículo ou o que seja. Não funciona porque insistimos em ignorar a lógica mais elementar dos incentivos.

Em primeiro lugar, não há competição. Uma escola privada capricha na gestão por uma razão simples: porque do contrário os alunos vão embora. A segunda questão trata do que os americanos chamam de “accountability”. O fato elementar de que raramente alguém é responsabilizado se os resultados não aparecerem. Os professores podem faltar 15% dos dias letivos que “não dá nada”.

Se os alunos não aprendem ou os pais estão insatisfeitos, a escola não perde nada com isso. Isso vale para diretores, secretários ou governadores, visto que a retórica política é sempre capaz de explicar qualquer coisa. Há centenas de institutos, fundações e “especialistas” dando sugestões sobre como melhorar o sistema. Mas se ele não melhora, depois de 20 ou 30 anos, ninguém perde uma só noite de sono por causa disso.

A verdade é que nossa educação há muito foi capturada por um ecossistema sindical, político e acadêmico cuja obsessão é manter intocado o monopólio estatal sobre a educação pública. O resto, sendo bem direto, importa muito pouco.

É o que vemos agora, a partir da iniciativa da prefeitura de São Paulo. Bastou abrir o modelo e permitir que os estudantes possam estudar em boas escolas de gestão privada, com mais diversidade e resultados significativamente melhores, que o ecossistema do monopólio estatal se põe em movimento.

O PSOL, espécie de porta-voz do grupo, entrou com uma ação na Justiça que simplesmente pode inviabilizar todo o processo. A ação diz que o programa é “ilegal”. Não é. O art. 213 da Constituição é claríssimo ao dizer que os recursos públicos serão aplicados às escolas públicas, “podendo ser dirigidos a escolas comunitárias, confessionais e filantrópicas”.

Nossa educação básica é um sistema misto – estatal e não estatal. Esse é o espírito da Constituição, bem desenhado no processo constituinte. Não fosse assim, por que teríamos uma lei, aprovada pelo Congresso, à época da ex-Presidente Dilma, o chamado “Marco Regulatório da Sociedade Civil”, autorizando as parcerias com o setor privado sem fins lucrativos? Exatamente a legislação que a Prefeitura de São Paulo utiliza agora para levar adiante estas parcerias.

O fato é que nossas crianças de menor renda merecem esta oportunidade. A mesma que seus pares de maior renda. Elas não têm lobby, em lugar nenhum, diferentemente da incrível rede corporativa que orbita no entorno do sistema estatal.

O que deveríamos estar discutindo é como fazer com que as parcerias ofereçam o melhor resultado. Na experiência americana com as charter schools, que são modelos de parceria, há dois dados fundamentais, revelados pelo National Charter School Study, feito em Stanford: o modelo como um todo oferece resultados melhores do que o das escolas públicas tradicionais, e há um ganho ainda mais robusto quando as parcerias são feitas com redes de ensino de maior porte, com experiência e capacidade de investir em qualidade.

É sobre isto que deveríamos estar discutindo. Olhando para frente, e não para trás. Rompendo com a prisão ideológica em que nos encontramos, e cuja conta é paga por mais de 80% dos alunos brasileiros que dependem das redes públicas.

São Paulo está nos oferecendo uma rara oportunidade de avançar. Trata-se de um avanço voltado não aos filhos de juízes, promotores, políticos e pessoas com renda para matricular os filhos em boas escolas, mas às crianças de Parelheiros e do Jaraguá. E por nada deveríamos retirar delas esta oportunidade.

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A armadilha digital de Xangai

 



A China defende código aberto no palco internacional enquanto impõe mordaça algorítmica. Márcio Coimbra para a Crusoé:


Na abertura da recente Conferência Mundial de Inteligência Artificial em Xangai, o ditador chinês Xi Jinping anunciou a criação da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial, organismo concebido para rivalizar com as iniciativas ocidentais de regulação tecnológica.

Com a adesão de 28 países, incluindo o Brasil, Pequim apresentou a iniciativa como um marco emancipatório para o Sul Global, prometendo democratizar a governança da IA, capacitar 5.000 profissionais e criar centros de cooperação regional.

No entanto, por trás da retórica de inclusão, esconde-se uma estratégia geopolítica marcada por contradições profundas e pelo risco iminente de aprisionamento tecnológico, o chamado technological lock-in.

A farsa do código aberto

Um dos pilares do discurso de Xi foi o apelo para que as nações aproveitem a “oportunidade histórica” do código aberto (open source).

A defesa da livre circulação do conhecimento pelo regime chinês soa, no mínimo, paradoxal.

A China abriga o ecossistema digital mais censurado do planeta, protegido pelo Great Firewall e regido por normas que exigem que qualquer modelo de IA generativa reflita compulsoriamente os "valores socialistas fundamentais" do Partido Comunista Chinês.

Defender o código aberto no palco internacional enquanto se impõe uma mordaça algorítmica internamente revela que a abertura pregada por Pequim serve apenas para absorver dados e tecnologia ocidentais, e jamais para permitir a livre circulação de ideias ou a auditoria transparente de seus próprios sistemas.

Aprisionamento do Sul Global

A narrativa de que a nova organização atende ao anseio do Sul Global por representatividade mascara um projeto de exportação de dependência.

Ao oferecer infraestrutura, treinamento e apoio técnico para a América Latina e outras regiões em desenvolvimento, a China não promove autonomia, mas desenha a arquitetura de padrões técnicos que sustentará os serviços públicos digitais dessas nações.

Quando o Brasil integra uma estrutura moldada por Pequim, arrisca vincular sua administração pública e a gestão de seus dados a um stack tecnológico dependente de diretrizes autoritárias.

O que se vende como solidariedade multilateral é um mecanismo de dominação sutil: uma vez adotados os padrões chineses, o custo de transição para outras tecnologias torna-se proibitivo.

A hipocrisia da "segurança nacional"

Xi Jinping também criticou governos que estendem o conceito de segurança nacional para barrar a expansão tecnológica — alusão direta às restrições dos Estados Unidos.

Trata-se de uma postura profundamente hipócrita.

A China é pioneira na fusão civil-militar e utiliza pretextos de segurança nacional para restringir empresas estrangeiras, bloquear a transferência transfronteiriça de dados e subsidiar suas corporações estatais.

Da mesma forma, a defesa de um "controle humano" sobre a IA ganha um contorno nefasto sob a ótica do modelo chinês.

Na prática de Pequim, "controle humano" equivale ao controle irrestrito do Estado sobre o cidadão, utilizando a IA como instrumento de vigilância em massa, reconhecimento facial e supressão da dissidência.

A ilusão da terceira via

Ao posicionar sua coalizão como rival da iniciativa americana Pax Silica, Pequim tenta oferecer uma alternativa de soberania aos países em desenvolvimento. Contudo, essa promessa esbarra em um gargalo intransponível: a dependência do hardware.

A cooperação oferecida pela China baseia-se em software e padrões institucionais, mas não soluciona o fato de que os semicondutores e chips avançados essenciais para o processamento de IA continuam sob o rígido controle de exportação de Washington.

Ao aderir acriticamente à arquitetura chinesa, países como o Brasil não conquistam a independência tecnológica. Ao contrário, colocam-se no fogo cruzado de uma disputa geopolítica, arriscando ter o acesso a insumos vitais bloqueado sem que a China possa oferecer uma substituição à altura.

Por uma autonomia digital real

A adesão do Brasil à Organização Mundial de Cooperação em IA de Xangai reflete uma ingenuidade estratégica perigosa.

Aceitar passivamente as premissas de um regime autoritário sob o pretexto de cooperação com o Sul Global é comprometer a futura soberania digital do país.

Uma governança da inteligência artificial verdadeiramente inclusiva e democrática exige neutralidade pragmática, transparência algorítmica e a recusa firme em importar modelos digitais fundamentados no controle e na vigilância estatal, além de um modelo adaptado às nossas necessidades culturais, institucionais e valores democráticos.

Para viabilizar esse salto sem cair nas redes de vigilância estatais chinesas, o Brasil deveria buscar parcerias estratégicas com nações tecnologicamente avançadas e alinhadas ao Estado de Direito.

Nosso país precisa de parceiros altamente confiáveis, detentores de liderança global na produção de hardware avançado e na pesquisa ética em inteligência artificial, nações que merecem um olhar muito mais atento e prioritário por parte da diplomacia e do setor de inovação brasileiro.

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É o terror que prevalece

 


 

Afonso Pires Faria

                 

         Estamos nadando contra a correnteza, e esta é muito mais forte do que nós. Também temos a agravante de ela estar se fortalecendo, enquanto nós perdemos as forças e as esperanças. Nosso país é um terreno fértil para produzir escândalos financeiros. Nossos representantes legislativos, na sua grande maioria, estão comprometidos e/ou sendo beneficiados com todo o tipo de crime financeiro que ocorre e que ocorreu nos porões do poder.

Existe no povo, sempre esperançoso, uma sensação de que, agora, a coisa vai ser diferente. Não vai. Garanto que as filigranas jurídicas, que cada vez mais se avolumam, impedirão qualquer progresso na resolução e na punição dos envolvidos no "caso master". No hiato entre o assassinato do prefeito Celso Daniel e os dias de hoje, já houve muitos outros escândalos semelhantes a este. Punidos? Muito poucos, e sempre os de menor expressão. Alguns de pouca expressão, ou até mesmo inocentes que tentaram denunciar o golpe, acabaram se arrependendo. A primeira vítima pagou com a vida. Ficou uma clara mensagem de que não se pode contrariar o esquema.

Do primeiro episódio até agora, já foram criadas muitas leis que protegem, não o cidadão de bem, mas aquele que age ao arrepio dela. Agora, não se necessita mais de cadáver para que os julgadores ou possíveis delatores se intimidem. As leis se encarregam disso. O recado foi explícito. Se o justiçamento de um prefeito não foi suficiente, que se escale. Chegando a um ministro do STF, a mensagem ficou clara: não temos limites. Agora também temos leis que nos protegem. Se alguém ainda alimenta alguma esperança de que os culpados do último escândalo sejam presos ou devolvam o butim, pode se desesperançar.

As delações premiadas somente vão dizer o que todos já sabem. Já sabem e não conseguem punir os culpados, tamanho é o labirinto com que se deparam para poder aplicar a lei justa. Nas leis existentes no nosso país, abundam as que protegem os malfeitos. Oposto a isto, minguam as que os punem. Se somarmos do ao temor da retaliação, a coisa passa do improvável ao impossível. Os fatos pretéritos corroboram com o temor dos investigadores e a segurança dos criminosos. Com esta constituição brasileira, e as leis vigentes, é impossível solucionarmos os problemas do nosso país.

Os cartuchos de Jango: uma historieta da Guerra Fria

 



Centenas de documentos da antiga Tchecoslováquia esboçam o retrato da proximidade entre a inteligência do bloco soviético e o círculo mais próximo de João Goulart. Flávio Gordon para a Gazeta do Povo:


No dia 20 de julho, o Departamento de Estado americano divulgou um relatório de cem páginas com o título Cuba: The Capital of 21st Century Communism. O documento, assinado pelo secretário Marco Rubio, sustenta que Havana conduz, há quase sete décadas, uma campanha ininterrupta de espionagem, infiltração e subversão contra os Estados Unidos – dos tempos da Guerra Fria clássica até o ativismo de rua contemporâneo, passando pela cooptação de quadros em universidades de elite e pela velha rede de agentes formados sob tutela soviética. Trata-se da confirmação, com fontes oficiais, de uma arquitetura de inteligência que a esquerda ocidental insiste em tratar como capítulo encerrado, quando na verdade nunca deixou de operar – apenas trocou de nome, de sigla e, ocasionalmente, de aliado principal. A Guerra Fria, ao que tudo indica, esfriou bem menos do que gostaríamos de crer.

Foi pensando nessa arquitetura que voltei a um dossiê pessoal, obviamente modesto perto do relatório americano, mas esclarecedor, e pela mesmíssima razão. Ele mostra em escala reduzida, e também com data, assinatura e carimbo, como esse tipo de operação funcionava décadas atrás em outras paragens da América Latina. No caso, o Brasil.

Em 2016, solicitei ao Arquivo dos Órgãos de Segurança da República Tcheca – a instituição que administra hoje os documentos das polícias políticas nazista e comunista que operaram no país entre 1945 e 1990 – uma busca sobre a presença da inteligência tchecoslovaca no Brasil durante a Guerra Fria. A resposta do arquivo foi burocraticamente desanimadora: eles podiam, sim, separar os documentos digitalizados pedidos; não podiam, porém, enviá-los ao Brasil. Restou-me recorrer a uma amiga que morava em Praga na época e que, em sua viagem seguinte de volta ao país, trouxe o material consigo – gravado, ainda, num CD, como convinha à arqueologia digital de um arquivo que passara décadas trancado em pastas de papel.

Os dez anos seguintes foram de luta lenta contra um obstáculo prosaico, mas intransponível para um leigo: o tcheco. E não apenas o tcheco genérico da vida cotidiana, mas o jargão fechado, quase críptico, de um aparato de inteligência comunista que cultivava a obscuridade como método de trabalho – abreviações internas, codinomes, terminologia burocrática do Ministério do Interior que nenhum dicionário comum decifra. Entre dicionários, favores de tradutores ocasionais e paciência de arquivista amador, consegui verter para o português talvez 5% do que havia naquele CD.

Foi só neste ano, transcorrida exatamente uma década, que, com o auxílio da inteligência artificial, pude finalmente traduzir a totalidade do material – centenas de documentos que, tomados em conjunto, esboçam um retrato bastante mais preciso do que a historiografia costuma admitir sobre a proximidade entre a inteligência do bloco soviético e o círculo mais próximo de João Goulart. A coluna de hoje trata de apenas um desses documentos. Os demais talvez venham, aos poucos, em textos futuros.

Há um fato que resume melhor que qualquer manual de inteligência a mecânica íntima da subversão soviética na América Latina, e ela não envolve mísseis, dinheiro vivo em maletas ou reuniões clandestinas em florestas tropicais. Envolve, isso sim, 150 cartuchos de caça.

Em fevereiro de 1963, um coronel da polícia política de Praga – a StB, o braço tchecoslovaco da máquina de inteligência soviética – escreveu ao ministro do Interior comunicando que o presidente do Brasil precisava de munição para a espingarda que comprara em visita a Praga, ainda vice-presidente, três anos antes. O coronel aproveitou a oportunidade para sugerir também a compra de balas para uma segunda arma, um presente que a própria Tchecoslováquia oferecera a João Goulart. E observou, com o cuidado contábil de quem sabe que está prestando contas a um regime obcecado por papel timbrado, que o gesto vinha “reforçando ainda mais a relação de amizade” entre o presidente brasileiro e o agente tcheco infiltrado no Rio de Janeiro sob o codinome MOLDÁN. O documento foi arquivado, carimbado como “altamente secreto” (Přísně tajné), e ali ficou por quatro décadas e meia, até que a queda do comunismo e a lei tcheca de acesso aos arquivos da polícia política o devolvessem à luz.

Por que uma arapuca dessas – um pedido de munição, quase doméstico em sua trivialidade – merecia o envolvimento pessoal do chefe da inteligência externa tchecoslovaca e a assinatura de um ministro? A resposta está, em boa parte, no trabalho do historiador britânico Christopher Andrew, que teve acesso exclusivo ao arquivo contrabandeado por Vasili Mitrokhin, o arquivista da KGB que passou uma década copiando à mão os segredos mais bem guardados de Moscou antes de fugir para o Ocidente. Em The World Was Going Our Way: The KGB and the Battle for the Third World, Andrew reconstrói algo que a historiografia complacente sobre a Guerra Fria preferiu, por décadas, tratar como delírio de anticomunista raivoso: a extensão real da penetração soviética no Terceiro Mundo, e o papel que os serviços de inteligência dos satélites europeus – a StB tchecoslovaca à frente – desempenhavam como longa manus da KGB na América Latina.

Nada disso exigia, aliás, que Goulart fosse comunista – e ele nunca foi. Para os objetivos da Internacional Comunista, pouco importava o que Jango era, ou seja, quais eram suas convicções político-ideológicas pessoais. Era preferível, aliás, que os líderes das nações-alvo do projeto expansionista soviético não fossem membros formais dos partidos comunistas locais. É o que consta expressamente, por exemplo, num dos documentos dos arquivos da StB que citei em meu livro A Corrupção da Inteligência, no qual se descrevem alguns dos objetivos da espionagem comunista no Terceiro Mundo:

“Ambos os serviços de inteligência [i.e., KGB e StB] efetuarão medidas ativas com o objetivo de garantir ativistas progressistas (fora dos partidos comunistas) nos países da África, América Latina e Ásia, que possuam condições para, no momento determinado, assumir o controle de movimentos de liberação nacional.”

Goulart, é claro, já não era um “ativista” a ser descoberto – era o presidente da República. Mas o princípio operacional é exatamente o mesmo, e explica por que 150 cartuchos de caça valiam, aos olhos de Praga, mais do que qualquer panfleto ideológico: não se tratava de convertê-lo, mas de mantê-lo por perto.

A lógica era simples e, dito com franqueza, bastante inteligente. Um oficial soviético desembarcando em Havana, no Rio ou em Montevidéu chamava atenção; um diplomata tchecoslovaco, húngaro ou polaco, nem tanto. Moscou delegava, terceirizava, diluía sua impressão digital – e a StB, que (hoje sabemos) manteve residências ativas e permanentes em pelo menos quatro países latino-americanos ao longo dos anos 50 e 60, cumpria com aplicação de bom aluno a tarefa que lhe cabia na divisão socialista do trabalho: cultivar, paciente e metodicamente, o acesso pessoal aos homens que decidiam. Não por acaso a pesquisa acadêmica sobre esses arquivos já identificou, no círculo do próprio Goulart, um contato remunerado da StB conhecido internamente pelo codinome REFLEJO – o intermediário brasileiro por meio do qual a inteligência tchecoslovaca soube, depois do golpe de 1964, que o próprio ex-presidente considerara “de grande valor” uma campanha de desinformação publicada a seu favor na imprensa uruguaia. Ou seja: os cartuchos não eram o fim, eram o começo. Ou, mais precisamente, eram a ferramenta mais barata e mais eficaz de um ofício que não tem pressa.

É aqui que vale parar e observar o que a nossa historiografia oficial, tantas vezes redigida por quem viu no golpe de 64 apenas a intervenção grosseira de Washington – e nunca a contrapartida, igualmente real, do outro lado do tabuleiro –, insiste em varrer para baixo do tapete. Não se trata de reescrever a história do Brasil como se ela fosse uma simples marionete manuseada de Praga, pois isso não seria menos tolo que a versão oposta de uma CIA todo-poderosa, que por décadas serviu de álibi confortável para dispensar qualquer reflexão sobre penetração comunista real, documentada, arquivada com carimbo e assinatura. Trata-se, isso sim, de reconhecer que a Guerra Fria na América Latina não foi uma metáfora, nem um exagero de coronel aposentado contando causos: foi uma disputa concreta, travada com instrumentos concretos – dinheiro, armas, munição de caça, artigos plantados em jornais uruguaios – por homens que sabiam exatamente o que estavam comprando quando ofereciam um rifle de caça a um chefe de Estado.

Não foi a ideologia, portanto, que abriu a porta da residência presidencial ao oficial tchecoslovaco; foi a vaidade de caçador, o gosto por uma boa espingarda, a mesma vulnerabilidade humana, pequena e universal, que qualquer serviço de inteligência de qualquer época sabe reconhecer e explorar. A StB não precisou convencer Goulart de nada sobre o materialismo dialético – precisou apenas ser prestativa. E o foi, pois, como mostra a prestação de contas da agência nos arquivos, os cartuchos foram efetivamente entregues. Os arquivos de Mitrokhin, cruzados com os papéis do Arquivo dos Serviços de Segurança tcheco, mostram a mesma receita, repetida da Cidade do México a Santiago, do Uruguai ao Brasil: encontrar o homem certo, descobrir do que ele gosta, e estar sempre à mão para fornecer.

Setenta e tantos anos depois de Orwell escrever que quem controla o passado controla o futuro, talvez valha lembrar que quem controla os arquivos controla, pelo menos, a possibilidade de não repetir os erros do passado – inclusive o erro de fingir, por comodidade ideológica, que eles nunca aconteceram. Por óbvio, o dossiê de Praga sobre a munição de Goulart não vai reescrever os livros didáticos brasileiros. Mas deveria, no mínimo, incomodar quem ainda insiste em contar a história da Guerra Fria latino-americana como se um dos dois impérios tivesse jogado sozinho.

Leia a tradução na íntegra dos documentos

Um dos documentos da antiga Tchecoslováquia sobre o envio de cartuchos de munição para o presidente brasileiro João Goulart. (Foto: Arquivo pessoal Flavio Gordon)

“Praga, 28 de fevereiro de 1963

SEGREDO MÁXIMO

Ao Ministro do Interior camarada Lubomír Štrougal

Assunto:

Pedido do presidente brasileiro de munição de caça.
Nº de folhas: 1.

Prezado camarada Ministro,

Conforme já foi anteriormente informado, intensificaram-se os contatos entre o presidente brasileiro João Goulart e nosso oficial de inteligência destacado no Brasil, capitão Moldán.

Recebi hoje novo informe do Rio de Janeiro segundo o qual o presidente Goulart dirigiu-se ao camarada Moldán com um pedido para que lhe fossem obtidos 150 cartuchos para caça de javalis, dos quais recebeu um exemplar durante sua visita a Praga, em dezembro de 1960.

O presidente Goulart é conhecido como um grande apreciador da caça e entregou à nova liderança tchecoslovaca essa manifestação de amizade ainda mais estreita do que anteriormente. A amizade entre Goulart e o camarada Moldán continua fortalecendo-se e, por isso, solicito autorização para adquirir, no total, munições no valor de 1.250 coroas tchecoslovacas, consistindo em:

300 cartuchos modelo SFB, calibre 6,5 × 52 R, carga 25–35 (destinados a Goulart);

200 cartuchos para espingarda ZH–101, com projéteis de expansão (para a arma de caça de Goulart).

As munições serão enviadas ao Brasil por via aérea. Aproveitando sua entrega, será igualmente criada oportunidade para uma conversa mais demorada com o camarada Moldán, já na próxima semana.

Chefe da I Administração do Ministério do Interior

Coronel Josef Houška”

Um dos documentos da antiga Tchecoslováquia sobre o envio de cartuchos de munição para o presidente brasileiro João Goulart. (Foto: Arquivo pessoal Flavio Gordon)

“Processo 0803

Prestação de contas das despesas relativas à compra de munição para a residência do Rio de Janeiro

Em 1º de março de 1963 foi efetuada a compra das seguintes munições:

800 cartuchos calibre 12/10–6 ........................................ 1.000 coroas

200 cartuchos calibre 7 × 57 R ......................................... 250 coroas

Total: 1.000 cartuchos de munição para caça, no valor de 1.250 coroas tchecoslovacas.

Comprovante: ver anexo.”

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DETRAN-BA amplia uso de blockchain e passa a registrar documentos dos lotes em leilões

 


Nordeste Leilões

DETRAN-BA amplia uso de blockchain e passa a registrar documentos dos lotes em leilões

Tecnologia, que já integra a plataforma de gestão de pátios e leilões do órgão, passa agora a registrar editais, laudos, fotografias e demais informações dos lotes, permitindo verificar a integridade dos arquivos consultados pelos participantes durante todo o leilão

O Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (DETRAN-BA) amplia o uso da tecnologia blockchain em seus leilões administrativos ao passar a registrar também os documentos e informações associados aos lotes ofertados. A iniciativa já está sendo aplicada na operação conduzida pela plataforma da Nordeste Leilões, que utiliza registros em blockchain para gerar evidências técnicas da integridade dos arquivos disponibilizados aos participantes durante todo o processo.

Na prática, a novidade permite que documentos, fotografias, laudos e demais informações consultados pelos participantes tenham sua integridade verificada. Com isso, os participantes passam a contar com um mecanismo técnico que permite confirmar que os arquivos disponibilizados durante o leilão correspondem ao conteúdo originalmente publicado na plataforma, reforçando a confiança nas informações utilizadas para avaliar cada lote.

A tecnologia blockchain já fazia parte da plataforma utilizada pelo DETRAN-BA na gestão de pátios e leilões, gerando evidências técnicas da integridade das informações processadas pela operação. Nesta nova etapa, sua aplicação é ampliada para proteger também a documentação disponibilizada aos participantes. Editais, fotografias, laudos, anexos e demais documentos associados aos lotes passam a receber registros em blockchain, permitindo comprovar que correspondem exatamente às versões disponibilizadas aos participantes.

O blockchain não certifica o estado de conservação dos veículos nem substitui a vistoria presencial prevista no edital, considerada essencial pelo próprio DETRAN-BA. Sua função é preservar a integridade documental da operação, oferecendo uma evidência técnica de que os arquivos consultados pelos participantes não sofreram alterações desde sua publicação.

 

Blockchain avança nos leilões públicos

Leilões eletrônicos já fazem parte da rotina da administração pública brasileira. A evolução agora ocorre na forma como a integridade da documentação é protegida e pode ser comprovada. Ao registrar editais, fotografias, laudos e demais arquivos em blockchain, o processo passa a contar com evidências técnicas que permitem comprovar que as informações disponibilizadas aos participantes permanecem inalteradas desde sua publicação.

A tecnologia já integra a plataforma utilizada pela Nordeste Leilões na gestão de pátios e certames e, nesta nova etapa, passa a proteger também a documentação disponibilizada aos participantes. A empresa é especializada em leilões judiciais e extrajudiciais e, em 2025, realizou 65 leilões, comercializou 704 lotes e movimentou mais de R$ 9,5 milhões, reunindo compradores de 87 cidades distribuídas por 12 estados brasileiros.

 

Como funciona o leilão

A participação ocorre exclusivamente pela internet, por meio da plataforma da Nordeste Leilões. A operação é conduzida por leiloeiro administrativo designado pelo DETRAN-BA, modelo em que o arrematante não paga honorários de leiloeiro, reduzindo o custo final de aquisição do lote. Os interessados podem consultar os lotes, acessar o edital, visualizar fotografias e demais documentos, além de realizar visitação presencial nos pátios indicados pelo DETRAN-BA, conforme o cronograma previsto para cada lote.

Os lances são registrados em tempo real pela plataforma, que também permite programar lances automáticos. Nesse recurso, o participante define previamente o valor máximo que pretende oferecer, e o sistema realiza os incrementos necessários ao longo da disputa.

O encerramento de cada lote ocorre de forma automática. Sempre que um novo lance é apresentado nos segundos finais, a contagem regressiva é reiniciada, garantindo igualdade de oportunidade entre os participantes antes do fechamento definitivo.

 

Veículos conservados e sucatas

Com 1.016 veículos disponíveis, o leilão reúne veículos conservados aptos à regularização documental, além de sucatas aproveitáveis e sucatas com restrições previstas na legislação de trânsito, provenientes de apreensões administrativas realizadas pelo DETRAN-BA. Os lotes estão distribuídos em pátios localizados em Brumado, Eunápolis, Feira de Santana, Guanambi, Ilhéus, Jacobina, Juazeiro, Lauro de Freitas, Paulo Afonso, Porto Seguro, Salvador e Simões Filho. A plataforma reúne motocicletas, automóveis e utilitários, com lances iniciais definidos conforme a categoria e as condições de cada lote.

Os veículos poderão ser vistoriados presencialmente entre os dias 23 e 29 de julho, das 9h às 12h e das 14h às 17h, nos pátios indicados pelo DETRAN-BA, conforme o edital. Pela plataforma da Nordeste Leilões, também é possível consultar o edital completo, fotografias, a descrição de cada lote e as demais informações necessárias para participação no leilão.

 

SERVIÇO

Leilão Administrativo DETRAN-BA

Realização: Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (DETRAN-BA)

Operação eletrônica: Plataforma Nordeste Leilões

Modalidade: 100% online

Sessão pública: Conforme cronograma oficial do edital.

Visitação dos lotes: Conforme datas, horários e locais previstos no edital.

Mais informações e acesso aos lotes: Plataforma da Nordeste Leilões

 

Sobre Nordeste Leilões

Fundada em 2007, a Nordeste Leilões atua em leilões judiciais e extrajudiciais com foco em transparência, ética e segurança. Com quase duas décadas de atuação consolidada no Norte e Nordeste, a empresa inicia sua expansão para as regiões Sul e Sudeste. A plataforma utilizada pela Nordeste Leilões incorpora registros em blockchain para reforçar a integridade documental de editais, laudos, fotografias, anexos e retificações, oferecendo evidências técnicas auditáveis durante toda a operação. Em 2025, a empresa realizou 65 leilões, vendeu 704 lotes e movimentou mais de R$ 9,5 milhões, com compradores de 87 cidades distribuídas por 12 estados brasileiros.

 

Informações para Imprensa:

 

  

 

Luiz Lamim 

luiz@vireinoticia.com.br
Cel.: +55 11 94512-2181

 

Mauricio Storelli

mauricio@vireinoticia.com.br
Cel.: +55 11 99451-8558

Sociedade Inerte

 


Gilberto Simões Pires

 

A TARIFA DE 25% É IMPOSTA AOS IMPORTADORES AMERICANOS

Mais do que sabido e noticiado, a partir de hoje, 22, os IMPORTADORES NORTE-AMERICANOS que se dispõem a adquirir parte dos produtos brasileiros atingidos pelo TARIFAÇO, serão obrigados a recolher aos cofres do Tesouro dos EUA uma TAXA de 25% incidente sobre o valor de cada compra feita e/ou embarcada. Enquanto isso, por incrível que possa parecer, as nossas entidades empresariais não levam em conta os constantes e variados INSULTOS proferidos -DIA SIM DIA TAMBÉM- pelo MALCRIADO E ESTÚPIDO presidente LULA-PETISTA ao presidente Donald Trump.

SEÇÃO 301

Mais: a considerar o que mostram diariamente todos os noticiários, essas mesmas entidades, além de confundirem -CAUSA com EFEITO-, também não levam em correta conta o que prevê a -SEÇÃO 301- que faz parte da -TRADE ACT DE 1974-, legislação que autoriza o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) a -INVESTIGAR POLÍTICAS ADOTADAS POR GOVERNOS ESTRANGEIROS QUE POSSAM PREJUDICAR EMPRESAS OU INTERESSES COMERCIAIS AMERICANOS-.  Assim, ao invés de propor uma URGENTE ADEQUAÇÃO ÀS -NORMAS SOBERANAS- vigentes nos EUA, boa parte do empresariado se associa ao DESTRUIDOR GOVERNO LULA, que NUNCA ESCONDEU o sentimento de -ÓDIO CONTÍNUO- que é sistematicamente manifestado a tudo que se refere ao povo e ao governo norte-americano.  

LEI DA RECIPROCIDADE

Pois, em meio a esta ENORME ENCRENCA, cuja responsabilidade maior se deve à destruidora -MATRIZ ECONÔMICA BOLIVARIANA- iniciada no governo Dilma e repetida exaustivamente nos governos LULA, a TARIFA DE 25% está sendo fortemente cogitada a imposição de uma TARIFA ADICIONAL de 12,5%. Caso a medida se confirme, o Brasil passaria a ser o SEGUNDO PAÍS MAIS TAXADO PELOS EUA NO MUNDO, ATRÁS APENAS DA CHINA, como bem aponta o advogado e pesquisador em Direito Internacional Econômico, Rodrigo Bueno Prestes.  Para piorar ainda mais, o governo LULA PETISTA cogita acionar a -LEI DE RECIPROCIDADE ECONÔMICA-, medida, mais do que sabida, funciona como um ACELERADOR DO ENCONTRO DO BRASIL COM O JÁ VISÍVEL ABISMO. 

WORLD PROFILES

Para concluir, é importante anotar, notadamente as entidades empresariais, o que aponta o WORLD PROFILES 2025, DA OMC. Segundo diz o respeitado relatório, a TARIFA MÉDIA BRASILEIRA, com base em dados de 2024, era de 8,0%, acima da África do Sul (5,6%), da Indonésia (5,7%) e da China (3,3%). O retrato correto, portanto, é o de um país ENTRE OS MAIS FECHADOS DO MUNDO. É uma assimetria que merece mais atenção do que recebe no DEBATE POLÍTICO.

Retaliar ou negociar?

 


 

Dagoberto Lima Godoy

                 A reação anunciada pelo presidente Lula às tarifas impostas pelo governo Trump desperta uma questão que transcende divergências ideológicas: é do interesse do Brasil responder com novas barreiras comerciais ou concentrar seus esforços na negociação?

A retaliação — mesmo quando apresentada como reciprocidade — costuma ser entendida como demonstração de firmeza e defesa da soberania nacional. Politicamente, essa postura pode produzir dividendos internos, especialmente eleitorais, junto a públicos menos informados. Economicamente, porém, seus benefícios são altamente discutíveis.

Quando um país impõe tarifas sobre produtos estrangeiros, a primeira consequência é dificultar as exportações do parceiro comercial. Mas a resposta tarifária não elimina esse prejuízo nem recupera os mercados perdidos; apenas cria um novo foco de perdas, agora também para aquele que retaliou.

O Brasil importa dos Estados Unidos equipamentos industriais, componentes eletrônicos, produtos químicos, medicamentos, máquinas agrícolas, instrumentos médicos e diversas tecnologias indispensáveis à economia nacional. Muitos desses bens não competem com a indústria brasileira; ao contrário, aumentam sua produtividade. Tarifá-los significa elevar custos para empresas nacionais, reduzir investimentos que geariam mais empregos  e, inevitavelmente, pressionar preços ao consumidor.

Argumenta-se que a retaliação serviria para pressionar Washington a rever sua decisão. Essa hipótese, entretanto, parece pouco convincente diante da assimetria existente entre as duas economias. Em grande parte dos produtos exportados pelo Brasil, os importadores americanos dispõem de fornecedores alternativos. Já o Brasil dificilmente substituirá, em prazo curto e sem custos significativos, muitos dos insumos e tecnologias provenientes dos Estados Unidos.

Há ainda um aspecto frequentemente negligenciado. Guerras comerciais raramente permanecem estritamente econômicas. À medida que cada governo transforma a disputa em questão de prestígio nacional, torna-se politicamente mais difícil qualquer recuo. O conflito deixa de ser orientado por cálculos de custo e benefício para ser alimentado por discursos de afirmação, orgulho e demonstração de força. O resultado costuma ser a escalada do desentendimento, não sua solução.

Isso não significa aceitar passivamente medidas consideradas injustas. O Brasil dispõe de instrumentos mais eficazes e menos custosos: negociação diplomática, utilização dos mecanismos de solução de controvérsias previstos no comércio internacional, mobilização dos setores empresariais americanos interessados na manutenção do comércio bilateral e diversificação gradual de seus mercados de exportação.

Nenhuma dessas alternativas produz manchetes tão impactantes quanto anunciar uma retaliação. Mas todas parecem mais compatíveis com os interesses permanentes do país.

O verdadeiro objetivo da política comercial não deveria ser punir o parceiro, mas preservar a competitividade da economia nacional. Quando uma resposta provoca mais danos internos do que externos, ela deixa de ser instrumento de defesa para transformar-se em fator adicional de prejuízo.

Em relações econômicas marcadas por forte interdependência e por evidente assimetria de poder, a prudência não é sinal de fraqueza. É, muitas vezes, a forma mais inteligente de defender os interesses nacionais.

*                  O autor, Dagoberto Lima Godoy, é engenheiro civil

A mulher que o debate esqueceu

 



Claudio Apolinario

               Ela acorda cedo, trabalha, cria os filhos e ainda transmite valores. O debate a usa como bandeira — mas raramente a escuta.

Existe uma pessoa que o debate político raramente cita pelo nome certo.

Não é a mulher vítima — essa aparece o tempo todo. Não é a mulher empoderada — essa também tem espaço. A que o debate esqueceu é outra: a mulher comum, trabalhadora, mãe, que acorda cedo, leva filho para escola, trabalha o dia inteiro, em casa ou fora de casa, faz o jantar e ainda encontra energia para transmitir valores antes de dormir.

Essa mulher tem muitos rostos. É a mãe solo que faz sozinha o que deveria ser feito a dois. É a esposa que dá suporte ao marido quando ele precisa — e que o homem sábio reconhece como sua maior força. É a avó que transmite o que os pais não tiveram tempo de ensinar. É a profissional que não abre mão da família nem da carreira. É a mulher de fé que ancora os valores da casa na comunidade.

São perfis diferentes. Mas há algo em comum: todas constroem. Todas transmitem. Todas sustentam algo maior do que si mesmas — valores inegociáveis.

Essa mulher sustenta o Brasil. Os dados confirmam.

Em 2024, pela primeira vez na história, as mulheres ultrapassaram os homens como responsáveis pelos lares brasileiros. São 51,7% dos domicílios, segundo dados da FGV com base na PNAD Contínua do IBGE. Em 2012, esse percentual era de 35,7%. Em doze anos, crescimento de 87%.

São 41,3 milhões de mulheres chefiando lares no Brasil.

Dentro desse número, há um dado que incomoda: 7,8 milhões são mães solo — criando filhos sozinhas, sem cônjuge, encontrando na fé e na comunidade o suporte que o Estado raramente oferece. Esse número cresceu 17,8% em dez anos. E não para de crescer.

Esse dado não é conquista. É sintoma. É o retrato de um país onde homens desaparecem e mulheres ficam — não por escolha, mas porque não têm outra opção.

E enquanto carrega esse peso, ela ainda é a principal transmissora de valores para os filhos.

O Censo 2022 do IBGE mostrou que as mulheres são maioria em praticamente todas as religiões no Brasil. Entre os católicos, 51% são mulheres. Entre os evangélicos, 55,4%. Entre os espíritas, 60,6%. Apenas entre os sem religião os homens são maioria — 56,2%. Entre as que professam uma fé, cuidar da família vai além do sustento — é também ser a principal escola de caráter que os filhos vão ter.

É ela quem ensina a criança o que é certo e o que é errado antes que qualquer escola tente fazer isso. É ela quem estabelece os primeiros limites. Os primeiros exemplos. As primeiras consequências. Quando o pai não está, essa responsabilidade recai inteiramente sobre ela. A geração que o Brasil vai ter em 20 anos depende, em grande parte, do que essas mulheres estão ensinando hoje.

Isso não é detalhe. É estrutura.

Em qualquer sociedade que resistiu ao colapso moral, as mulheres foram uma linha essencial de defesa. Mantiveram viva a fé. Formaram os filhos. Mantiveram a comunidade unida quando tudo ao redor se desmanchava.

O Brasil não é diferente.

E aqui está o ponto que o debate precisa encarar: essa mulher está exausta.

Ela não precisa de mais um discurso bonito. A que está sozinha precisa que a comunidade ao redor a reconheça e caminhe com ela — a Igreja, os vizinhos, a família próxima. A que tem um companheiro precisa que ele apareça de verdade, não apenas fisicamente. Todas precisam que a escola ensine os valores que elas transmitem em casa em vez de contradizê-los. O que essa mulher precisa não vem de Brasília. Vem de cada um de nós.

Um lado do debate a trata como vítima. Outro a ignora. Outro a usa. Os três erram.

A mulher brasileira não é vítima. É quem, dia após dia, sem holofote e sem aplauso, constrói o que este país mais precisa — uma família de cada vez, um filho de cada vez, um valor transmitido de cada vez.

O Brasil que ainda existe passa por ela.

E o Brasil que queremos construir depende de reconhecê-la — não como símbolo, mas como pessoa real, com peso real nas costas, que merece mais do que palavras.

*         O autor, Claudio Apolinario, é articulista e analista político.

Não é assim que a banda deveria tocar

 


 

Dartagnan da Silva Zanela

              Estou lendo, entre outras coisas, o livro "Os Tempos Ásperos" de Jorge Amado. Um baita livro, para o meu gosto. Mas não é a respeito desta sua obra que pretendo parlar, mas sim sobre uma declaração proferida pelo autor em uma entrevista onde disse, de forma lacônica, feito pino de patrola, que ideologias, sem exceção, são todas um monte de fezes. Umas fedem mais, outras mais ainda, mas todas elas, juntas ou separadas, são o que são, e ponto final.

Ainda na mesma entrevista, Amado, de uma forma não tão amável, disse com todas as letras que é importante lembrarmos e, se possível for, jamais esquecermos que existem filhos de uma boa mãe de direita, da mesma forma que existem filhos do mesmo naipe de esquerda — e de centro também —, porque, se há uma coisa que é muito bem distribuída neste país, é a canalhice; e se não somos capazes de perceber isso, imagino que está mais do que na hora de revermos alguns conceitos — e preconceitos — que carregamos em nossa algibeira mental.

Sobre esse ponto, meio fora de prumo, há algumas considerações que, há muito, foram feitas por José Ortega y Gasset em um discurso que ele proferiu na Câmara dos Deputados do Chile (Obras Completas — tomo VIII), onde nos chama a atenção para a sutil distinção que há entre aquilo que ele qualificou como sendo as ideias na política e as políticas de ideia.

A primeira dimensão refere-se à importância das ideias na vida política; ideias que podem ser, ao mesmo tempo, faróis que guiam as decisões humanas e âncoras para nos equilibrar diante das tempestades que vez por outra assolam a sociedade. Quanto à segunda, ele nos adverte para o perigo que ronda as sociedades quando, com base em uma ideia iluminadíssima, se procura não apenas corrigir e reformar a sociedade, mas transformá-la de fio a pavio como, aliás, querem porque querem todas as ideologias que, por sua natureza, imaginam ser a salvação da lavoura.

Neste caso, o ser humano, enquanto pessoa que integra uma comunidade, com todas as suas virtudes e defeitos, desaparece; em seu lugar, os indivíduos passam a ser identificados com rótulos ideológicos que os desfiguram e, assim, os desumanizam, esgarçando as relações sociais e, deste modo, inviabilizando a tomada de decisões políticas e mutilando o bem comum. E isso, com o perdão da palavra, vale para todos nós, independentemente do posicionamento político que tenhamos diante dos problemas e mazelas que se fazem presentes em nossa sociedade.

E tem outra. Quando enxergamos a vida apenas através destes filtros, além de não resolvermos problemas candentes em nossa sociedade, conseguimos a façanha de piorá-los de uma forma como nunca se viu antes na história do nosso país.

E em meio a todo esse angu encaroçado, um bom exemplo desse triste entrevero é o estado lamentável em que se encontra a educação como um todo. Qualquer um, com um mínimo de bom senso, reconhece o estado caótico a que chegamos; porém, na hora de enfrentar os fatos, muitos os encaram — parcial ou totalmente — através de um filtro ideológico que os distorce, tornando a sua resolução uma quimera.

Pais, professores e burocratas; políticos, sociedade e grande mídia; intelectuais, comentaristas e palpiteiros: todos temos nossa cota de responsabilidade diante deste caos e, se não nos vemos como corresponsáveis no quadro, como parte do problema, dificilmente teremos, um dia, a autoridade necessária para caminhar rumo a uma solução. E, se insistirmos nesse passo ideologicamente marcado, continuaremos assim, feito cachorro que caiu da mudança — da mudança que jamais virá.

*                   O autor, Dartagnan da Silva Zanela, é professor, escrevinhador e bebedor de café e autor de "NAS ENTRANHAS DO LEVIATÃ", entre outros livros.

 Chega de atrasar o futuro do Brasil 🇧🇷

Bahia é o mais violento do país desde Wagner

 

JORNAL A REGIÃO

A Bahia segue como o estado mais violento do Brasil em número de mortes intencionais. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostra que os assassinatos, latrocínios e demais crimes letais caíram 9,6% em 2025. Mesmo assim, o estado manteve a liderança nacional, com 5.473 vítimas.

É o único estado com mais de 4 mil homicídios, se mantendo com 40% mais mortes que o Rio de Janeiro e 50% acima de São Paulo, que tem uma população três vezes maior. Divulgado hoje, o levantamento também coloca a Bahia na segunda posição entre os estados com maior taxa de assassinatos.

Ela só perde do Amapá e está acima de 36,7, quase o dobro da taxa nacional, que ficou em 19,1. Na sequência do ranking aparecem o Rio de Janeiro, com 3.890 casos, e São Paulo, com 3.615. A diferença para estados maiores evidencia a gravidade da crise na segurança pública estadual.

A Bahia é tão violenta que responde sozinha por 13% de todas as mortes violentas do país. Além disso, 7 dos 10 municípios com mais de 100 mil habitantes mais violentos são baianos: Eunápolis, Porto Seguro, Simões Filho, Jequié, Camaçari, Feira de Santana e Juazeiro.

Passarela das Cataratas foi reaberta

 

JORNAL A REGIÃO

A Passarela das Cataratas, no Parque Nacional do Iguaçu, foi reaberta para visitação às 12h30 desta sexta-feira, 24, após avaliação das equipes técnicas e a redução da vazão do Rio Iguaçu para níveis considerados seguros. A estrutura havia sido interditada temporariamente na manhã de quinta-feira.

Foi uma medida preventiva, em cumprimento aos protocolos de segurança adotados pela operação do parque durante períodos de alta vazão. Com a reabertura da passarela, a visitação às Cataratas do Iguaçu volta a ocorrer com o percurso completo.

Ele inclui a Trilha das Cataratas, que permaneceu aberta durante todo o período. No entanto, por medida de segurança pela alta vazão, o Caminho das Bananeiras e o Caminho do Poço Preto seguem fechados.

A decisão foi tomada após monitoramento contínuo realizado pelas equipes técnicas da Urbia+Cataratas, concessionária responsável pela gestão da visitação turística, e do ICMBio, órgão gestor do Parque Nacional do Iguaçu.

O Parque Nacional do Iguaçu segue operando normalmente, com atendimento ao público das 8h às 16h. A recomendação é que os visitantes adquiram os ingressos antecipadamente pelo site oficial cataratasdoiguacu.com.br.

O Parque Nacional do Iguaçu conta com a gestão de visitação da concessionária Urbia+Cataratas. Reconhecido como Patrimônio Mundial Natural pela UNESCO, é referência internacional em turismo sustentável. Além disso, é considerado uma das principais atrações do Brasil e da América Latina.

Sampa tem novidades para as crianças

 

JORNAL A REGIÃO

A Prefeitura de São Paulo promove diversas atrações para o público infantil de forma gratuita. A iniciativa vai acontecer nas bibliotecas, casas de cultura e centros culturais municipais entre 28 e 31 de julho. Serão apresentados espetáculos de circo, de banda infantil, teatro e contação de história.

O espetáculo “Aplausos e Vaias” terá duas apresentações. A atração circense é protagonizada pelo palhaço Mendonça, que em números clássicos circenses convida a plateia a aplaudir ou vaiar. A primeira sessão será na terça, às 14h, na Biblioteca Hans Christian Andersen. A segunda na Biblioteca Paulo Sérgio Duarte Milliet, na quarta-feira, às 10h.

Ainda na quarta, às 14h, o Centro Cultural Grajaú recebe a banda infantil "Cante Lá que eu Canto Cá - Cantigas para brincar", animando a tarde com brincadeiras e ritmos da cultura popular como maracatu, jongo, ciranda, coco e ijexá. A programação segue na quinta-feira nas Casas de Cultura.

Às 10h, a Casa de Cultura do Itaim Paulista recebe a "Contação de Histórias Pretinhas", na qual a princesa guerreira Tatidara narra contos do continente africano focados em ancestralidade, pertencimento e empoderamento. Na Casa de Cultura Tremembé, às 15h30, tem "O Circo que Nasce do Lixo", que combina malabarismo, dança e consciência ambiental.

Para encerrar o dia em clima festivo, a Casa de Cultura Municipal Freguesia do Ó - Salvador Ligabue promove, às 19h, o cortejo "Olha o Palhaço no meio da Rua". Resgatando a tradição dos antigos cortejos circenses, ele mistura palhaçaria, chulas e música autoral para convidar o público a rir e dançar.

Salvador inaugura novo Cras Modelo

 

JORNAL A REGIÃO

A Prefeitura de Salvador inaugurou nesta quinta-feira, no bairro de Narandiba, o segundo Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do tipo Modelo na capital baiana. A estrutura, que segue um novo padrão construtivo, mais espaçoso e mais equipado, teve investimento de R$ 3,9 milhões.

Ele poderá atender a cerca de 5 mil famílias da região. O espaço terá funcionamento de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e vai atender moradores de Narandiba, Arenoso, Cabula, Cabula VI, Doron, Novo Horizonte, Nova Sussuarana, Saboeiro, Beiru/Tancredo Neves, Alto dos Macacos, entre outros.

O Cras oferece Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF), inscrição e atualização do Cadastro Único, Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) e encaminhamentos para benefícios eventuais (natalidade, moradia, alimentação, funeral/viagem), entre outras.

O prefeito Bruno Reis destacou a preocupação da gestão com o bem-estar da população carente. “Um Cras equivale a um posto de saúde, só que na área social. Aqui é o lugar onde pessoas com diversas questões sociais têm seu primeiro atendimento. Este equipamento é a porta de entrada para os programas sociais da Prefeitura”, explicou.

Segundo a secretaria de Promoção Social, a meta é inaugurar até o final do ano outros 5 equipamentos modelo, sendo quatro Cras e um Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas). As novas unidades ficarão em Brotas, Paripe, Mané Dendê, Parque São Cristóvão e São Marcos.

O Cras Narandiba foi batizado com o nome da enfermeira belga Simonne Alice Debouck (1941-2011), que realizou na capital baiana ações que culminaram na criação do Centro de Integração Familiar (Ceifar), em Tancredo Neves.

Bruno conta que “Simonne Debouck fez muito pelos mais carentes, em especial nas áreas de saúde e educação. Temos essa preocupação, em todo equipamento novo que entregamos, de fazer essa homenagem aos homens e mulheres de bem que ajudaram nossa cidade a ser o que ela é hoje".

O novo Cras Modelo conta com elevador, sala de informática para capacitação, brinquedoteca, acessibilidade, estrutura totalmente climatizada, terraço e quadra esportiva. O centro é composto por dois prédios geminados com três pavimentos, com energia 100% solar e Wi-Fi gratuito em fibra óptica.

Elon Musk deixa The Economist sem fala

 

JORNAL A REGIÃO

Foram 85 minutos de conversa. Os primeiros trinta pareciam uma entrevista de tecnologia. Os últimos cinquenta viraram outra coisa: um duelo sobre quem tem o direito de definir as palavras que usamos para descrever o mundo.

De um lado, Zanny Minton Beddoes, editora-chefe da The Economist, símbolo maior do establishment da mídia europeia. Do outro, Elon Musk, recebendo a jornalista na Giga Texas para sua primeira grande entrevista desde o IPO bilionário da SpaceX. O material foi ao ar nesta quinta-feira no programa Insider, da própria revista.

E o que era para ser uma sabatina virou um raio-x do abismo entre a imprensa tradicional e o homem mais poderoso do mundo.

O começo cordial

A entrevista abre em terreno seguro. Musk fala de inteligência artificial com a convicção de sempre: a IA vai superar a inteligência humana somada em cerca de cinco anos, e em pouco tempo não haverá quase nada que ela não faça melhor do que nós.

Depois vem o DOGE, o departamento de eficiência governamental, e o discurso do corte de desperdícios. Aqui, Musk faz até uma admissão rara, quase uma autocrítica calculada: “me envolvi um pouco demais na política, me empolguei”.

Até esse ponto, o tom é pragmático. Musk se apresenta como engenheiro, um solucionador de problemas estruturais. Não como ideólogo.

A virada

Aí Beddoes dispara a acusação que muda tudo: “Você apoia não só a direita populista, mas a extrema direita. Na verdade, partidos muito marginais em alguns países”.

A resposta de Musk é o momento da entrevista. Ele não se defende. Ele rejeita a premissa inteira.

“Não, eu apoio as pessoas normais. O que você chama de extrema direita, falsamente.”

E emenda o desafio que já roda o mundo em cortes de vídeo: fronteiras seguras, cidades seguras, gastos sensatos. “Qual desses três é extrema direita?”

Repare no movimento. Musk não discute se merece o rótulo. Ele invalida o léxico. Diz, na prática, que o dicionário da mídia está quebrado.

A batalha contra a sala de edição

O trecho mais revelador talvez nem seja o embate em si, mas o que vem depois. Musk admoesta a entrevistadora e a mídia pela “caracterização absurda da extrema direita”, chama tudo de falso e enganoso, e então pede: “Por favor, mantenham essa parte. Não cortem essa parte”.

“Nós manteremos tudo”, responde Beddoes.

Musk sabia que não estava travando uma batalha apenas contra a jornalista à sua frente. Estava disputando com a sala de edição. Com o veto silencioso que decide o que o público vê e o que fica no chão da ilha de edição.

Dois dicionários, um abismo

A entrevista escancara um colapso no significado das palavras. O que Beddoes chama de extrema direita, Musk chama de pessoas normais. O que ela descreve como partidos marginais, ele descreve como defesa de gastos sensatos e segurança. Onde ela vê retórica de caos civilizacional, ele vê pré-requisitos básicos para uma sociedade funcionar.

Musk vai além e aciona o argumento da janela de Overton: seus princípios não se moveram, quem se deslocou foi o centro político. Discursos de Barack Obama e Hillary Clinton sobre imigração e segurança de fronteira, tratados como senso comum nos anos 2010, seriam hoje classificados como radicais se saíssem da boca dele ou de Trump.

Quando questionada a acusação sobe de tom e vira insinuação de racismo e islamofobia, Musk troca a ideologia por dados pessoais: a parceira meio indiana, os quatro filhos com ela, um deles batizado com o nome de um famoso físico indiano, executivos seniores de todas as raças em suas empresas. “Sou contra o estupro, o assassinato e a imposição de regras contrárias ao que aceitamos no Ocidente.”

O que está por trás de tudo

Junte as peças e a visão de mundo aparece inteira. Para Musk, há três crises convergindo: a chegada da IA em cinco anos, a falência fiscal do Estado e a erosão dos valores ocidentais. Um gargalo civilizacional. Na cabeça dele, fronteiras seguras, cidades seguras e gastos sensatos não são bandeiras políticas. São patches de segurança para impedir que o sistema operacional do Ocidente trave antes da transição para a era da inteligência artificial.

No fim, a cena diz mais sobre Zanny Minton Beddoes do que sobre Elon Musk. A editora chegou com o veredicto pronto, esperando um réu, e encontrou alguém que se recusou a reconhecer o tribunal. É o retrato acabado de um establishment que trocou a apuração pelo carimbo: não pergunta mais o que as pessoas pensam, decreta o que elas são.

Quando fronteiras seguras, cidades seguras e gastos sensatos viram “extremismo”, quem se radicalizou não foi o entrevistado, foi a redação. Musk avisou, olhando nos olhos da editora: odeiam vocês muito mais do que vocês imaginam. A The Economist manteve a cena no ar não por coragem editorial, mas porque entendeu, tarde demais, que o monopólio da tesoura acabou.

Uma imprensa que só se sustenta enquanto controla a edição já confessou que não sobrevive ao debate aberto. E o público, esse que Beddoes insiste em rotular em vez de escutar, já percebeu e compreendeu isso.

Artigo de Rogerio Pires, professor, pesquisador, mestre, doutor H.C. em educação e gestor público com atuação na área de educação tecnológica e políticas de inovação no Estado do Rio de Janeiro. Publicado na Revista Timeline.

Ilhéus instala ovitrampas nos bairros

 

JORNAL A REGIÃO

A Secretaria de Saúde de Ilhéus, preocupada com o índice de infestação do Aedes aegypti, que ainda está muito alto, intensificou o combate ao mosquito com a instalação de armadilhas. As ovitrampas monitoram a presença e a reprodução do mosquito em bairros considerados prioritários.

Os equipamentos, recomendados pelo Ministério da Saúde, foram instalados nos bairros Teotônio Vilela, Ilhéus II, Nossa Senhora da Vitória e Nelson Costa, em parceria com o Núcleo Regional de Saúde Sul (NRS Sul), com acompanhamento e fiscalização do Ministério da Saúde.

Como parte da mobilização, a SESAU fará uma blitz educativa no dia 30, das 8h às 14h, em frente ao 2º Batalhão da Polícia Militar, na Barra do Itaípe. A equipe de Educação em Saúde orientará moradores e motoristas sobre a importância de eliminar recipientes que possam servir de criadouros do mosquito.

As medidas foram intensificadas após o Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) registrar índice de infestação de 5,6%, mantendo Ilhéus em situação de risco. A secretária Sonilda Melo destaca que o índice caiu de 9,1% para 5,6%, e que o controle do mosquito depende dos moradores.

"A participação da população é essencial para eliminar criadouros do mosquito e reduzir o risco de transmissão das arboviroses, já que a maioria dos criadouros está dentro das casas e nos quintais," explicou.

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