MEDIÇÃO DE TERRA

MEDIÇÃO DE TERRA
MEDIÇÃO DE TERRAS

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Mais de 546 mil afastamentos foram concedidos por questões relacionadas à saúde mental no Brasil em 2025; sofrimento pode começar com sintomas físicos

 



No Setembro Amarelo, especialistas explicam como ansiedade, depressão e estresse se manifestam no corpo e comprometem a rotina antes de uma crise

São Paulo, setembro de 2026 - O adoecimento mental não se manifesta apenas por meio da tristeza, da preocupação ou da falta de motivação. Em muitos casos, os primeiros sinais aparecem no corpo e na rotina, com insônia, cansaço persistente, dores, alterações no apetite, falta de concentração, irritabilidade e perda de interesse por atividades antes prazerosas.

A dimensão do problema aparece fora dos consultórios. Em 2025, foram concedidos 546.254 afastamentos por incapacidade temporária relacionados a condições de saúde mental e comportamental no Brasil, segundo dados do Ministério da Previdência Social. O número representa alta de 15,66% em comparação com o ano anterior.

No Setembro Amarelo, período dedicado à conscientização sobre saúde mental e à prevenção do suicídio, especialistas alertam que reconhecer mudanças no comportamento e no funcionamento do organismo é um passo importante para buscar ajuda.

“O sofrimento emocional nem sempre é percebido de forma clara pela própria pessoa. Ela pode procurar atendimento por causa de insônia, dor, cansaço ou palpitações e só depois identificar que está enfrentando uma situação de ansiedade, depressão ou estresse intenso. Por isso, escutar a queixa como um todo é fundamental”, explica Dr. Raul Queiroz, médico de família e comunidade da UBS Jardim Valquíria, unidade da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP) gerenciada pelo CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”.

Sintomas físicos

Em situações de estresse, o organismo entra em estado de alerta e libera substâncias que aumentam a frequência cardíaca, a tensão muscular e a velocidade da respiração. Nos casos em que essa resposta ocorre com frequência ou se estende por longos períodos, isso pode afetar o sono, a disposição, a alimentação e a capacidade de realizar atividades cotidianas.

O psiquiatra do CEJAM, Dr. Rodrigo Lancelote, destaca que a ansiedade pode provocar falta de ar, tremores, enjoo, sudorese, dor de cabeça, aperto no peito e sensação de perigo. Segundo ele, esses sintomas são reais e não devem ser tratados como exagero ou falta de controle.

“A manifestação física é uma forma legítima de sofrimento. Dizer que a pessoa precisa apenas ‘se acalmar’ aumenta a culpa e dificulta a busca por cuidado. É importante validar o que ela sente, compreender o contexto e avaliar se os sintomas estão interferindo na vida diária”, afirma o especialista.

O alerta vale para mudanças menos evidentes, como afastamento de familiares e amigos, queda no rendimento, abandono de atividades, dificuldade para cuidar da higiene e da alimentação, aumento do consumo de álcool ou outras substâncias e alterações significativas no sono.

Atenção primária como porta de entrada para o cuidado em saúde mental

A Unidade Básica de Saúde (UBS) costuma ser um dos primeiros locais onde a pessoa procura ajuda. Na atenção primária, a equipe realiza uma escuta inicial, investiga sintomas físicos, identifica sinais de sofrimento emocional, acompanha o caso e encaminha o paciente para outros pontos da Rede de Atenção Psicossocial, quando necessário.

“O médico de família tem a oportunidade de acompanhar a pessoa ao longo do tempo e compreender não apenas o sintoma, mas também sua história, sua rede de apoio, as condições de trabalho e os fatores que contribuem para o sofrimento. Esse olhar contínuo ajuda a evitar que a saúde mental seja tratada de forma isolada”, pontua Queiroz.

A busca por atendimento é recomendada quando os sintomas persistem, se intensificam ou começam a comprometer o trabalho, os estudos, os relacionamentos e o autocuidado.      

“Cuidar da saúde mental significa olhar para si, perceber que algo mudou e permitir que outras pessoas participem desse cuidado. O tratamento pode envolver acompanhamento médico, psicológico, psiquiátrico, apoio familiar e estratégias que ajudem o paciente a recuperar gradualmente sua rotina”, aponta Lancelote.

Escuta e acolhimento fortalecem a prevenção

Familiares, amigos e colegas podem contribuir ao perceber mudanças importantes no comportamento. Demonstrar disponibilidade, ouvir sem julgamentos e oferecer ajuda prática são atitudes mais efetivas do que cobranças ou frases que minimizem a situação.

“Perguntar diretamente se a pessoa tem pensado em morrer ou em tirar a própria vida não estimula o suicídio”, frisa o psiquiatra. Segundo ele, essa conversa abre espaço para que o indivíduo expresse o que está vivendo e seja encaminhado para atendimento.

“Quando alguém fala que não vê mais sentido na vida, que gostaria de desaparecer ou que não consegue continuar, essa fala deve ser levada a sério. Não cabe à família resolver tudo sozinha, mas cabe acolher, não deixar a pessoa isolada e buscar ajuda profissional”, orienta.

Em situações de risco imediato, é possível procurar uma unidade de emergência ou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), pelo telefone 192. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito e sigiloso pelo número 188. Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) também integram a rede pública de cuidado à saúde mental.

“Não existe uma atitude única capaz de prevenir todos os casos, mas existe uma responsabilidade coletiva de observar, perguntar, acolher e facilitar o acesso ao cuidado. Falar sobre saúde mental durante todo o ano, e não apenas em setembro, é parte desse compromisso”, finaliza Queiroz.

 

Sobre o CEJAM      

O CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” é uma entidade filantrópica e sem fins lucrativos. Fundada em 1991, a Instituição atua em parceria com o poder público no gerenciamento de serviços e programas de saúde em São Paulo, Rio de Janeiro, Mogi das Cruzes, Osasco, Campinas, Carapicuíba, Barueri, Franco da Rocha, Guarulhos, Santos, São Roque, Lins, Assis, Ferraz de Vasconcelos, Pariquera-Açu, Itapevi, Peruíbe e São José dos Campos.  

A organização faz parte do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (IBROSS), e tem a missão de ser instrumento transformador da vida das pessoas por meio de ações de promoção, prevenção e assistência à saúde.  

O CEJAM é considerado uma Instituição de excelência no apoio ao Sistema Único de Saúde (SUS), tendo conquistado novamente, em 2026, a certificação Great Place to Work. O seu nome é uma homenagem ao Dr. João Amorim, médico obstetra e um dos fundadores da Instituição.   

Neste ano, a organização lança a campanha CEJAM 2026: respeito à vida, respeito ao planeta. 365 dias cuidando do presente, transformando o futuro! 

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