MEDIÇÃO DE TERRA

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MEDIÇÃO DE TERRAS

quarta-feira, 30 de junho de 2021

Sexualidade no progressismo: as mulheres norte-americanas.

 



O fato é que, nos Estados Unidos, o progressismo é puritano e repressor da sexualidade, tal como na questão gay. Bruna Frascolla para a Gazeta do Povo:


Levante a mão quem gosta de trabalhar. Eu mesma levanto porque tenho a sorte de trabalhar com algo intelectualmente estimulante, que algumas pessoas têm como hobby. O leitor talvez tenha levantado a mão também; afinal, não é nenhum necessitado (do contrário, não gastaria com a assinatura de um jornal), deve ter um trabalho intelectualmente estimulante (como são alguns dos trabalhos complexos de classe média) e prefere o agito à pasmaceira (do contrário, veria só filmes em vez de assinar um jornal).

Mas se fizéssemos essa pergunta a toda a humanidade vivente, não parece razoável crer que os pedreiros dissessem que adoram bater laje, que os ascensoristas adoram passar o dia apertando botão, que os roceiros adoram capinar um lote, que os operadores de telemarketing amam repetir os gerúndios do manual e ouvir os compreensíveis desaforos dos clientes.

Não estou dizendo que todos os trabalhadores não-qualificados trabalhem tristes ou de mau humor; acredito que pedreiros tenham, com o coleguismo, mil meios de levar um dia mais bem-humorados do que muito professor universitário. Digo somente que o trabalho em si mesmo dificilmente é uma fonte de alegria ou realização para a maioria da humanidade. Um empresário, um acadêmico, um artista e um profissional liberal podem apontar para uma obra do seu trabalho com orgulho. Um ascensorista, não.

A noção de que o trabalho liberta é, compreensivelmente, muito nova na história da humanidade. Se a humanidade pudesse, viveria no País da Cocanha, o paraíso medieval em que há comida à mão o tempo inteiro, sem precisar de trabalho: os porquinhos andam já assados com uma faca espetada, os rios eram de vinho. No cinema, temos Chaplin fantasiando uma vida em que o homem estenderia um copo na janela e então apareceria uma vaquinha esguichando leite aí até ele mandar parar. (Se a memória não falha, está em Tempos Modernos.)

Se a ideia de que o trabalho é uma coisa boa em si mesma é novidade – e uma novidade elitista, diga-se –, que diremos da carreira como uma coisa boa em si mesma para as mulheres?

Mulheres no mercado de trabalho

Weber escreveu a primeira parte d’ “A ética protestante e o espírito capitalista” em 1904. Como vimos, o livro tem por objetivo explicar uma nova ordem social que trata o trabalho lucrativo como um fim em si mesmo, ou seja, a sociedade regida pelo espírito capitalista. O corte mais famoso dele é o religioso: calvinistas começaram com isso, e a ausência da moral calvinista explica a relativa pobreza dos países católicos.

Enquanto um católico se contentaria com a Cocanha e trabalhava por obrigação, o calvinista se matava de trabalhar porque interpretava o lucro como indício da Graça divina. Se você aumentasse muito o pagamento pelo lote capinado, o roceiro católico iria trabalhar menos; o protestante, a seu turno, iria trabalhar mais e mais, e acumular capital.

Pois já em 1904 Weber via uma outra resistência à ordem capitalista: as mulheres. “Uma imagem da forma tradicionalista e atrasada de trabalho nos é fornecida hoje especialmente pelas mulheres operárias, sobretudo as solteiras”, diz ele. “Em particular sua incapacidade e falta de vontade de abandonar os modos de trabalho tradicionais há muito assimilados em favor de outras modalidades mais práticas, de adaptar-se a novas formas de trabalho e as assimilar, de concentrar seu intelecto ou simplesmente de fazer uso dele – eis uma queixa generalizada dos patrões que empregam moças, sobretudo moças alemãs. Explicações sobre a possibilidade de tornar o próprio trabalho mais fácil, e acima de tudo mais lucrativo, costumam esbarrar com a sua mais completa incompreensão, e o aumento das taxas de remuneração por tarefa choca-se em vão contra a muralha do hábito.”

Antes da invenção da pílula e da liberação sexual, a Revolução Industrial e o modo de vida capitalista já tinha tornado cara a manutenção de mulheres sem trabalho remunerado. Não é nem um pouco surpreendente que a mulher, até então criada apenas para cuidar da casa e constituir família, ofereça resistência à ideia de trabalhar por dinheiro, como um homem, e de que ela não poderá ficar em casa cuidando dos filhos, os quais, no mundo rico, foram transferidos para a escola de tempo integral.

Contra o tradicionalismo feminino ergueu-se primeiro a propaganda comunista, que passou a pregar a libertação pelo trabalho e o fim da opressão dos homens sobre as mulheres. Atingia-se a igualdade, e a mulher valia tanto quanto um homem. O subtexto é que uma boa dona de casa valia menos do que um operário de chão de fábrica – mas é o subtexto da época, já que a industrialização se converteu numa tara generalizada.

Depois, com a pílula anticoncepcional e a consequente liberação sexual, a possibilidade de vender remedinhos para metade da população fértil e deixar todos os adultos no mercado de trabalho (diminuindo o poder de barganha do trabalhador homem) fez com que o feminismo se tornasse, também, objeto de propaganda capitalista.

Então hoje as feministas se orgulham muito de trabalhar (como se não trabalhar fosse uma opção), juram de pé junto que não querem ter filhos, mas, quando conseguem ter um filho, fazem um parto na banheira pra todo mundo ver e chamam fotógrafo. (Se bem que essa moda parece ter passado. Terão morrido muitos bebês na society para desistirem das doulas?)

Feminismo que inviabiliza a mulher no mercado de trabalho

Na Europa, as feministas só querem sexo sem compromisso e autonomia radical. Nos EUA, tal como na questão gay, o progressismo é puritano e profundamente repressor da sexualidade. Presume que mulheres não desejam sexo e são incapazes de assentir. Só a mulher precisa de um affirmative consent – o consentimento afirmativo, no qual ela diz expressamente “sim” ao sexo, sem o qual é estupro. Se um casal transa bêbado, só a mulher é uma incapaz e portanto uma estuprada, enquanto que o homem tem sua liberdade reconhecida e é considerado um estuprador.

No entanto, para além da repressão sexual, o feminismo progressista dos EUA ameaça a capacidade das mulheres de conseguir se sustentar com um trabalho bom. Vejamos o Me Too: o grande aprendizado, para os homens, é que ficar entre quatro paredes com uma mulher é o mesmo que dar a ela a chance de acabar com a sua vida. Se a “palavra da vítima” (isto é, da vítima autodeclarada) é algo sagrado, então toda mulher tem o poder de condenar um homem por estupro. Evidentemente, mulheres não são anjos: existem boas e más, picaretas e honestas. Basta um homem ter passado um minuto a sós com uma picareta, e ela terá em suas mãos um poderoso instrumento de chantagem.

Uma das razões para homens e mulheres ficarem a sós é a relação de trabalho. Como um homem poderá contratar uma subordinada com a qual não poderá ficar a sós? Se seguirmos perguntando isso às feministas puritanas, elas irão imaginar para nós um mundo parecido com o Irã, onde vigora um apartheid sexual nos espaços públicos e de trabalho. Aliás, se só o homem é tratado como um ser capaz de bondade e maldade, se as mulheres são vistas como bebezonas ingênuas, por que não concluir logo que precisam de tutela masculina? Esse feminismo puritano dos EUA é coisa de aiatolá.

E que seja algo bem diferente da Europa, podemos ver pelo fato de que o Me Too não fez o mesmo estrago por lá e esteve restrito praticamente à Inglaterra, que compartilha muito mais da cultura com os EUA.

Volta ao lar?

Poderíamos então descrever o progressismo feminista de matriz norte-americana como uma volta ao lar? Não, porque esse retorno não parece estar acontecendo. Ademais, se a renda dos norte-americanos tem caído desde o pós-guerra, uma esposa do lar provavelmente ainda é algo caro demais para estar na alçada do norte-americano.

Acho que podemos descrever esse progressismo como uma revolta da mulher de classe média contra o seu ingresso compulsório no mercado de trabalho qualificado. Qual era a antiga opção de trabalho para mulheres que não viravam dona de casa? Aquela que é crime nos Estados Unidos: prostituição. Ao arrepio da lei, vão surgindo as sugar babies (concubinas assalariadas). Vai também se tornando moda produzir pornografia de si mesma e vender na internet (Only Fans).
 
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O Papa peronista

 



Muito chegado à "teologia de libertação", o Papa chegou a dizer que "o dinheiro é excremento do diabo", recorda o professor Alberto Benegas Lynch (h), em artigo publicado pelo Instituto Independiente:


Descontamos que el actual Pontífice está imbuido de las mejores intenciones y propósitos, pero lo relevante son los resultados que generan sus consejos. Se pronunció en repetidas ocasiones sobre el capitalismo condenando sus postulados por más que vivamos en un mundo donde esa postura es en gran medida inexistente debido a los endeudamientos estatales astronómicos, las manipulaciones monetarias colosales, las cargas tributarias insoportables, las regulaciones asfixiantes en un contexto de muchos empresarios prebendarios que en alianza con el poder de turno explotan miserablemente a sus congéneres. El capitalismo consiste en el irrestricto respeto recíproco en un contexto de marcos institucionales liberales de cuidado a los derechos de todos, lo cual ha permitido a millones salir de la pobreza.

A pesar de todo esto el Papa ha escrito en su exhortación apostólica Evangelii Gaudium que el mercado mata. En este contexto, estimo de una peligrosidad inusual el consejo papal: “Animo a los expertos financieros y a los gobernantes de los países a considerar las palabras de un sabio de la antigüedad: ‘No compartir con los pobres los propios bienes es robarles y quitarles la vida. No son nuestros los bienes que tenemos, sino suyos’”. ¿El Pontífice está invitando a que se usurpen las riquezas del Vaticano o solo se refiere a las de quienes están fuera de sus muros y la han adquirido lícitamente? El respeto a la propiedad privada constituye parte del basamento moral de la sociedad libre que recogen los mandamientos de no robar y no codiciar los bienes ajenos, a contracorriente de la aseveración de Marx de abolir la propiedad privada.

Uno de los mentores del actual Papa ha sido Monseñor Enrique Angelelli -ahora beatificado- que celebraba misa bajo la insignia de los terroristas Montoneros. Entre los primeros actos de este pontificado se encuentra la concelebración con el Padre Gustavo Gutiérrez, en San Pedro, el creador de la denominada “teología de la liberación” quien adhiere enfática y reiteradamente al marxismo en su muy difundido libro Teología de la liberación. Perspectivas.

También el Papa se ha embarcado en actitudes muy cuestionadas en Chile, Perú y Cuba, en esta caso al visitarlo a Fidel Castro fuera de protocolo y sus reflexiones sobre el sistema imperante, su visita a Evo Morales en Bolivia y el recibimiento de la cruz marxista y las alabanzas a los tercermundistas en Paraguay, en línea con su declarada admiración al socialista argentino Padre Carlos Mugica y al salvadoreño de la igual filiación Monseñor Oscar Romero (ahora también beatificado).

En este sentido es oportuno reproducir una preocupación aun antes del actual pontificado expuestas por el sacerdote polaco Miguel Poradowski -doctor en teología, en derecho y en sociología- en su libro El marxismo en la Iglesia: “No todos se dan cuenta hasta dónde llega hoy la nefasta influencia del marxismo en la Iglesia. Hay que tomar conciencia de estos hechos porque si vamos a seguir cerrando los ojos a esta realidad […] tarde o temprano vamos a encontrarnos en una Iglesia ya marxistizada, es decir, en una anti-Iglesia”.

En 2015 después de los ejercicios espirituales de cuaresma el Papa dijo en el Aula Pablo VI frente a la Confederación de Cooperativas Italianas que “el dinero es el estiércol del diablo” (seguramente no se refería al Banco del Vaticano). Y al año siguiente, el 11 de noviembre de 2016, en una entrevista al diario italiano La Repubblica aseveró que “Son los comunistas los que piensan como los cristianos”.

El actual Pontífice alaba la pobreza material y simultáneamente la condena. La alabanza a la pobreza material -a diferencia de la bíblica pobreza de espíritu- por una parte conduce a que se rechace la caridad puesto que mejora la condición del receptor lo cual los haría menos pobres y, por otra, si se acepta que los pobres en el sentido crematístico ya estarían salvados la Iglesia debería concentrarse solo en los ricos pues los primeros ya tendrían asegurado un destino muy satisfactorio.

Es de interés tener presente lo estipulado por la Comisión Teológica Internacional de la Santa Sede que consignó el 30 de junio de 1977 en su Declaración sobre la promoción humana y la salvación cristiana que “De por sí, la teología es incapaz de deducir de sus principios específicos normas concretas de acción política; del mismo modo, el teólogo no está habilitado para resolver con sus propias luces los debates fundamentales en materia social […] Si se recurre a análisis de este género, ellos no adquieren suplemento alguno de certeza por el hecho de que una teología los inserte en la trama de sus enunciados”.

Por el bien de nuestra Iglesia, es de desear que lo que dejamos consignado se rectifique y se comprenda lo estipulado sobre el capitalismo en Centesimus Annus y lo publicado en la célebre Encíclica de Pio XI: “Socialismo religioso y socialismo cristiano son términos contradictorios, nadie puede al mismo tiempo ser buen católico y socialista verdadero.”
 
BLOG  ORLANDO  TAMBOSI

ABSTINÊNCIA DE LEITURA E DESMEMÓRIA

 



Alex Pipkin, PhD


Sou cinquentenário, 5.5, portanto, de acordo com o conjunto de valores que fui ensinado e que prezo, eu respeito os mais velhos.

Não, os mais velhos não representam sinais de autoridade, pelo contrário, são símbolos da sabedoria acumulada. É evidente que, de um modo geral, eles têm mais janela do que eu, mas, sobretudo, considero-os porque eles leram muito mais e, claro, no papel, com as letras impressas.

Tenho ficado impressionado negativamente com a escassez de leitura, especialmente dos jovens estudantes. Será que é possível ter uma compreensão adequada e ampliada do mundo - e de suas coisas - sem ler “de tudo e de todos”?

Tenha em mente - se é que já não esqueceu do parágrafo acima - que me refiro a uma leitura atenta, sem distrações e, de fato, comprometida. Uma leitura interessada nos faz viver outras vidas, imaginar, compreender múltiplas perspectivas e, acima de tudo, refletir com os pés no chão e os pensamentos viajando criativamente no tempo e no espaço.

Eu não sei... penso que em alguns aspectos estamos andando para trás, o que não é nada bom.

Primeiro, porque embora não tenha realizado uma pesquisa formal, minha amostra indica cabalmente que a grande maioria das pessoas não lê. Quem não lê fica a mercê da famosa brincadeira do telefone sem fio, na qual uma pessoa fala uma frase ao ouvido de outra ao seu lado e a tal frase vai movendo-se até o último participante. Além da turma acreditar numa pseudo-verdade tribal, esta acaba sendo ainda mais distorcida. Não é preciso aprofundamentos para sacar a alegria de líderes populistas em geral com esta situação, no fácil quesito de manipulação dessa gente desinformada.

Segundo, muita gente “se informa” pela grande mídia e/ou pelas redes sociais.

Faz tempo que a grande mídia deixou de informar os fatos como eles são, omitindo e distorcendo-os de acordo com a sua notória agenda ideológica; até cego enxerga.

Por sua vez, as redes sociais transformaram-se em câmaras de eco tribais, que somente dão voz e vez para a ditadura de suas visões de mundo parciais, enviesadas e, muitas vezes, completamente desarrazoadas.

Terceiro, porque se “lê” não se lendo. As telinhas dos laptops e dos telefones são salvadoras, mas quando se trata de leitura, pode-se estar passando os olhos, rapidamente, prejudicando ou matando a capacidade de apreensão daquilo que se lê. Ok, pode-se descartar o que já se sabe, porém, o calamitoso é desprezar o que não se sabe.

Talvez não seja unicamente um hábito que possuo, mas o tocar no papel e o mirar a tinta impressa, creio eu, atiça minha atenção e concentração. Na presença da distração, os pés voam junto com a cabeça... O mais trágico é que quem não lê atentamente, provavelmente só irá querer confirmar aquilo que vai ao encontro de suas crenças apreendidas; o bicho-homem assim funciona.

As consequências problemáticas do acima exposto não cessam com o estreitamento e a deturpação das realidades. Outro problema abissal é a falta de memória daquilo que - quando se lê - se leu.

Ou tudo que se leu e se viu do demiurgo de Garanhuns não são suficientes para comprovar seus atos ilícitos e seu achaque aos cofres públicos?

Ou tudo que se leu sobre a plataforma econômica liberal do ministro Paulo Guedes, reiteradamente afirmando que não haveria aumento de impostos, e agora propondo um inacreditável aumento a pessoa jurídica, não é um fato? Ou é um fato do mundo político?

Quem lê mesmo compreende que estamos no país de Lewis Carroll!
Como li atentamente o saudoso Paulo Francis, fecho com uma de suas frases: “Quem não lê, não pensa, e quem não pensa será para sempre um servo”.

POR FALAR EM PASSAR PANO

 


 

Percival Puggina

 

Gasto, recortado, mal iluminado e trepidante, o filme está novamente no rolo, pronto para impiedosa reexibição. Na perspectiva de muitos, de tantos, numa fé que supera todos os fanatismos, é perfeitamente normal e tudo está como deve ser.

***

Se George Orwell não tivesse existido, teria que ser inventado. Sua visão sobre as habilidades e mistificações do totalitarismo não teriam o roteiro de observação que sua obra antecipadamente proporcionou nos idos de 1955. Sem ele, seria bem menor a percepção dos danos causados pela novilíngua, que tanto degrada o discurso político, ainda que satisfaça paladares acostumados à mediocridade e ao uso pervertido do idioma.

Não vou perder espaço, aqui, desfiando o dicionário político que alimenta essa prática. Ficarei apenas com a expressão “passar pano”. Enquanto o STF lava e enxágua o passado criminoso de tantos, ela vem sendo usada para desqualificar os apoiadores do governo, acusados de absolver sistematicamente o presidente e, em especial, por seu acordo com o centrão para tentar formar uma base de apoio.

Ora, uma coisa foi a expectativa de formar no Congresso uma base reunindo virtuosos e bem intencionados, atentos à vontade nacional expressa nas urnas. Outra é o convívio com o parlamento eleito, mais interessado em votar verbas e leis benéficas aos membros do poder, notadamente em seus conflitos com a lei e no favorecimento das ambicionadas reeleições.

A história da República desde 1950 mostra que, em períodos de normalidade democrática, foram interrompidos os mandatos de todos os presidentes (ou vices) que não tiveram ou perderam sua base parlamentar: Getúlio Vargas suicidou-se, Café Filho foi impedido de retornar após licença de saúde, Jânio Quadros renunciou, João Goulart teve o cargo declarado vago, Fernando Collor sofreu impeachment, Dilma sofreu impeachment. Michel Temer, após o diálogo com Joesley Batista, perdeu o apoio e cumpriu curto mandato tampão sem poder governar.

A análise de tais fatos, a rotina de crises políticas com consequências econômicas e sociais, a periódica expectativa de tantos por um governo militar (como garantia de estabilidade e correção) desmascara a absoluta incompetência de nosso modelo institucional! Entre muitos outros, dele pendem, como linguiças em armazém campeiro, o custo Brasil, a composição e atuação do STF, a corrupção, a partidarização do Estado e da administração pública, a robustez dos baronatos políticos e o corporativismo resultante da eleição parlamentar proporcional.

Não ter olhos para essa descomunal tragédia brasileira, a cegueira do não querer ver traz dor à alma de quem raramente passa um dia sem perceber sua maldita sombra obscurecendo nosso futuro como nação. Dói. Dói saber que sou, talvez, o único autor brasileiro a escrever rotineira e teimosamente sobre isso. O único, talvez, a não passar pano sobre esse aleijão metodicamente reproduzido em nossas sucessivas constituições republicanas.  

***

A pauta dos bons brasileiros tem três etapas: agora: resistência aos que querem voltar; depois: eleição dos melhores em 2022; finalmente: conseguir de Bolsonaro e do futuro Congresso as reformas institucionais em 2023.

Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.

 

Delegado da Polícia Civil do Rio é preso em operação do MP

 


O delegado Maurício Demétrio Afonso Alves, titular da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), da Polícia Civil do Rio, e outras oito pessoas foram presas, nesta quarta-feira, numa operação do Ministério Público contra uma organização criminosa que, segundo a instituição, é formada por ele e outros agentes. A ação foi batizada como Carta de Corso. Demétrio foi preso num condomínio na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. De acordo com o MP, a organização criminosa surgiu na DRCPIM entre março de 2018 e março de 2021 e era comandada por Demétrio. Outros policiais lotados na delegacia, um perito criminal e algumas outras pessoas compunham o grupo, indicaram as investigações. Alem de oito mandados de prisão, outros 19 de busca e apreensão foram expedidos pela Justiça. Segundo o Ministério Público, a quadrilha, ao invés de reprimir crimes — em especial a “pirataria” — exigia dos lojistas da Rua Teresa, em Petrópolis, na Região Serrana, o pagamento de vantagens ilegais para permitir que continuassem vendendo roupas "piratas". A investigação do MP aponta que a quadrilha é dividida em dois núcleos principais, ambos comandados por Demétrio. Um deles é composto pelos operadores do esquema em Petrópolis: os denunciados Alex Sandro Gonçalves Simonete, Ana Cristina de Amaral Fonseca e Rodrigo Ramalho Diniz seriam responsáveis por ameaçar os lojistas e recolher os valores cobrados pela organização. Já o outro núvelo seria formado pelos policiais civis Celso de Freitas Guimarães Junior, Vinicius Cabral de Oliveira e Luiz Augusto Nascimento Aloise, além do perito José Alexandre Duarte. José Alexandre seria responsável por executar diligências policiais como forma de represália aos lojistas que se recusavam a pagar os valores exigidos pela quadrilha. De acordo com o MP, ele forjava provas e produzia laudos falsos. O Ministperio Público destacou ainda que Demétrio comandou uma manobra para arquitetar a prisão em flagrante de um dos delegados que investigava a quadrilha. O delegado é acusado de usar uma conta falsa no WhatsApp para garantir seu anonimato e, para isso, contaria com a ajuda do advogado Ricardo Alves Junqueira Penteado, também denunciado. A Corregedoria de Polícia Civil, que não participou da operação dessa quarta-feira, informou por nota que já possui procedimentos abertos sobre este caso e solicitará informações ao Ministério Público sobre a operação de hoje para juntar nas investigações.

Índios fecham rodovia em Olivença na manhã desta quarta

 


Índios protestam na manhã de hoje (30) na Rodovia BA-001, em Olivença. A pista está totalmente interditada nos dois sentidos pelos manifestantes que usaram pneus e madeiras e fecharam a via. O ato é organizado pelos líderes tupinambás. Os manifestantes são contra a aprovação do Projeto de Lei 490, de 2007. Ele prevê mudanças no reconhecimento da demarcação das terras e do acesso a povos isolados. É o terceiro protesto em menos de 2 semanas em Ilhéus realizado pelos indígenas. Prepostos da polícia rodoviária estadual já estão no local tentando negociar com os índios, no sentido de liberar o fluxo de pista. (Fábio Roberto)

Com mais 106 óbitos por covid, Bahia passa de 24 mil

 



Na Bahia, nas últimas 24 horas, foram registrados 1.683 casos de Covid-19 (taxa de crescimento de +0,1%) e 2.389 recuperados (+0,2%). O boletim epidemiológico desta quarta-feira (30) também registra 106 óbitos. Apesar de as mortes terem ocorrido em diversas datas, a confirmação e registro foram realizados hoje. Dos 1.124.994 casos confirmados desde o início da pandemia, 1.089.638 já são considerados recuperados, 11.344 encontram-se ativos e 24.012 tiveram óbito confirmado. O boletim epidemiológico contabiliza ainda 1.366.173 casos descartados e 232.967 em investigação. Estes dados representam notificações oficiais compiladas pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica em Saúde da Bahia (Divep-BA), em conjunto com as vigilâncias municipais e as bases de dados do Ministério da Saúde até as 17 horas desta quarta-feira. Na Bahia, 50.817 profissionais da saúde foram confirmados para Covid-19. O número total de óbitos por Covid-19 na Bahia desde o início da pandemia é de 24.012, representando uma letalidade de 2,13%. Dentre os óbitos, 55,78% ocorreram no sexo masculino e 44,22% no sexo feminino. Em relação ao quesito raça e cor, 54,99% corresponderam a parda, seguidos por branca com 22,25%, preta com 15,41%, amarela com 0,42%, indígena com 0,14% e não há informação em 6,79% dos óbitos. O percentual de casos com comorbidade foi de 60,57%, com maior percentual de doenças cardíacas e crônicas (72,86%). A existência de registros tardios e/ou acúmulo de casos deve-se a sobrecarga das equipes de investigação, pois há doenças de notificação compulsória para além da Covid-19. Outro motivo é o aprofundamento das investigações epidemiológicas por parte das vigilâncias municipais e estadual a fim de evitar distorções ou equívocos, como desconsiderar a causa do óbito um traumatismo craniano ou um câncer em estágio terminal, ainda que a pessoa esteja infectada pelo coronavírus. Às 12h desta quarta-feira, 21 solicitações de internação em UTI Adulto Covid-19 constavam no sistema da Central Estadual de Regulação. Outros 5 pedidos para internação em leitos clínicos adultos Covid-19 estavam no sistema. Este número é dinâmico, uma vez que transferências e novas solicitações são feitas ao longo do dia. Com 4.873.232 vacinados contra o coronavírus (Covid-19) com a primeira dose, dos quais 1.849.259 receberam também a segunda aplicação, e mais 66.456 vacinados com o imunizante de dose única, até as 17 horas desta quarta-feira, a Bahia é um dos estados do País com o maior número de imunizados. Tem se observado volume excedente de doses nos frascos das vacinas contra a Covid-19, o que possibilita a utilização de 11 e até 12 doses em apenas um frasco, assim como acontece com outras vacinas multidoses. O Ministério da Saúde emitiu uma nota que autoriza a utilização do volume excedente, desde que seja possível aspirar uma dose completa de 0,5 ml de um único frasco-ampola. Desta forma, poderá ser observado que alguns municípios possuem taxa de vacinação superior a 100%.

Itabuna: 32.800 casos covid (+39) Ilhéus: 20.885 (+11) (Sesab)

 


Com mais 2.081 mortes por covid, Brasil ultrapassa 518 mil

 




NOTA OFICIAL: CONVOCAÇÃO LUCIANO HANG CPI DA COVID-19

 


Recebo com tranquilidade a notícia da possível convocação para a CPI da Covid-19 e estou à disposição para qualquer esclarecimento. Nada melhor do que a verdade para elucidar os fatos.


Assim que a pandemia chegou ao país, no começo de 2020, sempre deixei claro que temos dois inimigos: o vírus e o desemprego. Me posicionei a favor da saúde, sem deixar de lado os cuidados com a economia do Brasil. Lutei publicamente para que as indústrias, empresas, comércios, escolas e demais atividades seguissem abertas, mantendo os empregos e o sustento das famílias.


Intensifiquei as doações e incentivos à saúde. Compramos 200 cilindros de oxigênio para Manaus (AM), no valor de quase R$ 1 milhão, durante o período mais crítico do estado. A Havan destinou mais de R$ 5 milhões para áreas da saúde em 2020. Doamos respiradores, macas, roupas de cama, utensílios de cozinha e máscaras descartáveis a diversos hospitais. Custeamos a vinda de profissionais da saúde de outros estados para fortalecer o atendimento na região de Brusque (SC). E, com a união de empresários da cidade, conseguimos doar testes e medicamentos à Secretária de Saúde.


Até hoje mantivemos todos os nossos 20 mil colaboradores, não desligamos nenhum por conta da pandemia e deixamos gestantes, pessoas com comorbidades e grupo de risco em casa. Continuamos investindo, abrindo lojas e acreditando no Brasil.


Além disso, também me empenhei na luta pela compra e doação de vacinas pela iniciativa privada. Lançamos um abaixo-assinado com o objetivo de mudar a Lei para acelerar o processo de vacinação no Brasil e, consequentemente, diminuir a fila do SUS. Abraçamos essa causa, pois queríamos muito conseguir imunizar os trabalhadores e também dar a chance de outros empresários fazerem o mesmo.


Eu mesmo peguei o vírus, perdi a minha mãe e amigos muito próximos. Acredito na importância de trabalharmos juntos para vencer essa guerra. É preciso buscar soluções para os problemas.


Por fim, continuo onde sempre estive: do lado do Brasil e dos brasileiros. Estou de consciência limpa, não tenho e nunca tive nada a temer. Vamos em frente! 

Relatórios inéditos da OCDE apresentam a educação brasileira em perspectiva internacional

 


Em parceria com Todos Pela Educação e Itaú Social, a OCDE elaborou documentos que trazem uma visão abrangente da situação do sistema educacional brasileiro, desde a educação infantil até o ensino superior. Relatórios elencam ainda recomendações para as políticas educacionais brasileiras

Lançamento ocorre no dia 30 de junho, às 11 horas, em webinário com a participação de Andreas Schleicher (OCDE), Priscila Cruz (Todos Pela Educação), Angela Dannemann (Itaú Social) e Maria Helena Guimarães de Castro (Conselho Nacional de Educação)

Relatórios inéditos da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), produzidos com apoio técnico do Todos Pela Educação e Itaú Social, trazem o panorama da educação brasileira em uma perspectiva internacional, desde a educação infantil e creche ao ensino superior. Além de analisar o desempenho do setor, os documentos elencam as prioridades e recomendações para as políticas educacionais brasileiras.

Nesta quarta-feira, 30 de junho, às 11 horas, os relatórios serão tema do webinário “A educação brasileira em perspectiva internacional”, com a participação do diretor de Educação e assessor especial em Política Educacional da Secretaria Geral da OCDE, Andreas Schleicher; da superintendente do Itaú Social, Angela Dannemann; da presidente-executiva do Todos Pela Educação, Priscila Cruz e da presidente do Conselho Nacional de Educação, Maria Helena Guimarães de Castro.

O primeiro relatório, A Educação no Brasil: uma Perspectiva Internacional, contou com o apoio técnico do Todos Pela Educação quanto ao histórico, contexto recente e cenário atual da educação básica no país. Traz uma análise detalhada do desempenho do sistema educacional brasileiro, em especial ao olhar para o Pisa, em relação a países comparativamente relevantes, incluindo os da América Latina e os membros da OCDE. Além disso, descreve dez passos para que o país melhore a qualidade e a equidade dos resultados educacionais .

“O estudo Educação no Brasil: uma Perspectiva Internacional aponta ‘o que’ precisa ser feito em termos de políticas estruturantes na área da Educação Básica. Muitas delas, inclusive, já estão em curso, ainda que em diferentes estágios.  Mas a OCDE reforça que o momento atual é de mitigar os efeitos imediatos do prolongado período de fechamento das escolas e, em paralelo,  retomar a visão de médio e longo prazos para as políticas educacionais do país. E para avançarmos nesses dois caminhos, o relatório traz análises detalhadas e recomendações específicas, algo razoavelmente inédito nas publicações da OCDE para o Brasil”, explica a presidente do Todos Pela Educação, Priscila Cruz.

Já a publicação Education Policy Outlook Brasil, que teve o suporte do Itaú Social, faz parte do observatório analítico das políticas educacionais da OCDE. Em duas versões, os relatórios fazem uma síntese dos pontos fortes, desafios e prioridades políticas atuais. Também analisam a evolução dos esforços em andamento das respostas educacionais à pandemia de Covid-19 e oferecem exemplos de políticas internacionais relevantes que podem servir de inspiração para o desenvolvimento de estratégias. 

“O Brasil obteve muitas conquistas no campo da educação nas últimas décadas e suas políticas públicas foram exemplo para outras economias emergentes. Porém, nossas taxas de realização do ensino médio e superior são insuficientes comparadas a outros países e metade dos jovens de 15 anos não têm nível básico de proficiência em leitura, segundo o PISA. O aperfeiçoamento, continuidade e investimentos em políticas públicas são urgentes para oferecer qualidade e equidade aos estudantes brasileiros”, afirma a superintendente do Itaú Social, Angela Dannemann.

 

Recomendações para a educação brasileira

Juntos, os estudos da OCDE oferecem uma perspectiva quantitativa e qualitativa dos pontos fortes, desafios e prioridades futuras, bem como indicativos de ação. A iniciativa tem o objetivo de apoiar na formulação de estratégias e políticas para o enfrentamento dos obstáculos inerentes da educação e gerados pela pandemia, a partir de evidências nacionais e internacionais.

De acordo com os relatórios, o principal desafio da qualidade no Brasil é melhorar os resultados de aprendizagem e  enfrentar as ainda altas taxas de evasão escolar, em particular no Ensino Médio. Segundo a OCDE, aumentar os níveis de escolaridade com qualidade e equidade serão vitais para que o país se junte a outras economias mais avançadas. Em 2018, quase metade das pessoas com idades entre 25 e 64 anos não havia concluído o Ensino Médio (47%), mais do que o dobro da média da OCDE, que é de 22%.

 

Porcentagem de adultos de 25 a 34 anos sem formação no ensino médio ou superior, por gênero, 2018

 

 

China

Indonésia

México

Costa Rica

Média da LATAM

Brasil

Colômbia

Argentina

Média da OCDE

Chile

Federação Russa

Mulheres

66

51

49

48

31

28

26

24

13

13

3

Homens

63

48

51

54

37

37

33

32

17

16

5

 

 

Em relação à equidade, tema abordado inúmeras vezes ao longo dos relatórios, a Organização e afirma que o contexto social e econômico do Brasil tem um impacto maior sobre a participação e os resultados de aprendizagem do que nos outros países da OCDE. As crianças começam a escola com níveis já bastante diferentes de desenvolvimento e “prontidão para aprender”. Estudantes de origens familiares desfavorecidas têm suas habilidades básicas adquiridas tardiamente, colocando-os em uma trajetória de desempenho escolar fraco, altas taxas de evasão e chances de vida limitadas.

Conforme dados do Pisa 2018, existe uma variação de 14% nas pontuações de Leitura em comparação com 12% na média em toda a OCDE, em relação ao desempenho dos estudantes mais ricos e dos mais pobres. Os alunos com nível socioeconômico mais elevado superaram seus colegas em situação vulnerável em 97 pontos em Leitura no Brasil, contra uma diferença média da OCDE de 89 pontos.

Os estudos inéditos apontam que estabelecer uma estratégia compartilhada de ação no curto e longo prazos é fundamental para a educação brasileira. Ela deve ter um compromisso claro para aumentar os resultados com os mais vulneráveis. É sugerido apoiar a implementação das medidas que estavam em curso no pré-pandemia (como a implementação da Base Nacional Comum Curricular) e adotar uma estratégia nacional bem elaborada para o pós-Covid, que sirva para recuperar o que foi perdido agora e melhorar os resultados educacionais para o futuro.

Ainda sobre a atuação do Brasil em relação à Covid, o relatório Education Policy Outlook traçou um panorama das respostas do sistema de ensino, incluindo ações do Ministério da Educação, sociedade civil e exemplos bem sucedidos em estados. Para o futuro, a OCDE sugere priorizar uma resposta nacional mais coerente de recuperação da aprendizagem; apoio a educadores no desenvolvimento de novas habilidades e conhecimentos; e tratamento das lacunas de aprendizagem com urgência para minimizar a interrupção das jornadas educacionais dos estudantes.

Os relatórios mostram que um desafio crítico do Brasil é alinhar suas políticas nacionais com quem trabalha diretamente nas escolas. Empoderar os agentes locais pode trazer inovação e respostas efetivamente aderentes. Porém, ao mesmo tempo é preciso trazer coerência ao processo. Por conta do contexto da Covid-19, definir de forma mais nítida as relações, papéis e responsabilidades assume uma nova urgência. Uma das formas de beneficiar os processos de implementação é o alinhamento do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) com as mudanças curriculares previstas na BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e a reforma no Ensino Médio.

A OCDE considerou uma vitória para o país a aprovação do novo Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), que é tido como uma “prova de um compromisso nacional contínuo com a proteção do financiamento da educação e o aumento da redistribuição''. Mas destaca que é preciso fornecer suporte técnico e financeiro suficientes e em tempo hábil para tornar as ações planejadas realidade. De acordo com os dados, os alunos mais jovens se beneficiam proporcionalmente menos com os gastos com educação do que os alunos mais velhos no Brasil, em comparação com a participação média nos países da OCDE, e as lideranças escolares das escolas públicas e rurais, em desvantagem, têm muito mais probabilidade de relatar escassez de recursos do que seus colegas na OCDE.

 

*Veja os 10 passos para um sistema de educação mais sólido apontados pelo relatório “A Educação no Brasil: uma Perspectiva Internacional”:

  1. Proteger os gastos com educação e vinculá-los aos resultados: é necessário um compromisso sustentado com a alocação de recursos adequados para a educação, para não colocar em risco a qualidade e a equidade do sistema;
  2. Reavaliar as prioridades de gastos com educação: a pandemia é uma oportunidade para uma reavaliação radical das prioridades orçamentárias;
  3. Oferecer apoio imediato para mitigar o impacto da crise da Covid-19: serão necessários recursos adicionais imediatos, com atenção especial aos alunos em situação de maior vulnerabilidade social;
  4. Desenvolver a profissão docente: fortalecer a carreira dos professores é essencial para melhorar o ensino e a aprendizagem;
  5. Aprimorar as práticas de ensino: é necessário dar mais atenção a abordagens de ensino inovadoras e comprovadas, facilitadas por uma formação inicial de professores de alta qualidade e pela formação continuada;
  6. Superar os desafios no clima escolar: o ambiente de aprendizagem, em muitas escolas, é fraco e prejudica a aprendizagem e o bem-estar;
  7. Desenvolver uma gestão escolar profissional: expandir os programas de formação, enfocando não apenas a administração escolar, mas também a liderança pedagógica, dando ênfase ao trabalho em colaboração com os professores;
  8. Aumentar a relevância da educação para os alunos: uma das opções é desenvolver programas em nível local, em colaboração com empregadores, para responder ao seu engajamento e demanda pelas habilidades envolvidas no Ensino Médio;
  9. Intervir desde cedo para apoiar os alunos em risco: investir no Ensino Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental de alta qualidade e adotar políticas explícitas para combater a evasão;
  10. Direcionar recursos para regiões, escolas e alunos com as maiores necessidades: aproveitar a experiência bem-sucedida do Fundeb para fazer redistribuições não apenas entre os Estados e os Municípios brasileiros, mas também dentro deles.

 

OCDE

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é um organismo internacional composto atualmente por 37 países, fundada em 1961 e com sede em Paris (França). Constitui-se em um fórum em que os governos podem trabalhar em conjunto para compartilhar experiências e buscar soluções para problemas comuns. O Brasil é um parceiro-chave da OCDE, com quem mantém cooperação desde os anos 1990.

Itaú Social

O Itaú Social desenvolve, implementa e compartilha tecnologias sociais para contribuir com a melhoria da educação pública brasileira. Sua atuação está pautada no desenvolvimento de projetos sociais, no fomento de organizações da sociedade civil e na realização de pesquisas e avaliações. Juntamente com uma rede de parceiros, fornecedores e colaboradores, trabalha para que municípios, Estados e União se unam para entregar aquilo que é direito de todos: acesso à educação de qualidade, sem restrição de tempo, espaço, raça, cor ou gênero.

Todos Pela Educação

O Todos Pela Educação é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, plural e suprapartidária, fundada em 2006. Com uma atuação independente e sem receber recursos públicos, tem como foco contribuir para melhorar a educação básica no Brasil. Para isso, desenvolve ações visando ampliar o senso de urgência para a necessidade de mudanças na Educação, produz conhecimento com o objetivo de apoiar a tomada de decisão das diferentes esferas do poder público e articula junto aos principais atores para efetivar as medidas que podem impactar os rumos da educação. Além disso, monitora crítica e continuamente os indicadores e as políticas educacionais do país.

 

Assessoria de Imprensa  
 
Itaú Social
Iris Bertoncini – iris.bertoncini@tamer.com.br – 11. 98831- 2616
Coordenação: Ana Claudia Bellintane - anaclaudia@tamer.com.br - 11. 96909-4407

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S.O.S. Vida conquista reacreditação pela Joint Commission International

 



A S.O.S. Vida obteve a reacreditação pela Joint Commission International (JCI), considerada uma das mais rigorosas certificadoras da área da saúde em todo o mundo. A acreditação foi conquistada pela empresa em 2012 e a obtenção da renovação consolida o amadurecimento da cultura de qualidade que foi um dos elementos que ajudou a empresa a se adaptar com mais facilidade aos desafios impostos pela pandemia de Covid-19 e atender ao aumento da demanda por home care.

Simara Espírito Santo, coordenadora da qualidade da S.O.S. Vida, pontua que fomentar a cultura da qualidade e segurança em uma empresa de saúde é aprimorar constantemente os processos a fim de reduzir falhas, otimizar o trabalho e facilitar ajustes nas rotinas.

“Qualidade e segurança sempre foram características necessárias às empresas de saúde. Com a pandemia de Covid-19, as instituições precisaram mais do que nunca desses atributos para enfrentar os desafios. Porém, as empresas que já cultivavam uma cultura de qualidade tiveram uma transição mais tranquila para novos processos, protocolos e às mudanças do último ano, pois a adaptação é mais rápida quando você tem processos que não engessam, mas que facilitam o trabalho diário”, analisa.

O processo de reacreditação é um aliado na manutenção da cultura da qualidade, pois ele engaja toda a equipe, promovendo um amadurecimento institucional dos processos e da melhoria contínua. Alguns dos elementos que asseguram os padrões do atendimento são, segundo Simara, gerenciamento de risco, gestão de indicadores, pesquisa de satisfação, gestão de documento e auditorias.

Simara traz o destaque para a importância das auditorias, que possibilitam o monitoramento dos protocolos, procedimentos e padrões institucionais. Dessa forma, é mantida a rotina de revisão e adaptação dos processos dentro das necessidades e em um tempo menor, pois o padrão já está desenvolvido.

Para os pacientes, isso se traduz em mais segurança e qualidade no atendimento, em função de ações que vão desde a avaliação constante do risco assistencial para mitigá-lo, acompanhamento de toda cadeia medicamentosa e atualização de protocolos conforme as necessidades.

“A reacreditação nos dá o aval de que estamos no caminho certo, conseguindo manter os padrões e excelência ao longo dos anos. Claro que isso tudo só é possível devido ao engajamento da nossa equipe, por isso precisamos destacar que ela tem papel essencial neste processo”, completa a coordenadora da qualidade.

Importância da acreditação

Acreditação é o reconhecimento formal concedido por instituições independentes que avaliam os padrões de qualidade dos hospitais, clínicas, home care e outras empresas da área de saúde a partir de critérios estabelecidos. A cada três anos, as instituições passam por uma auditoria – a reacreditação – para certificar da manutenção dos padrões de qualidade.

Esse é um processo que muda a empresa estruturalmente, forçando que os padrões se tornem mais robustos, agregando valor à cadeia de prestação de serviço e fortalecendo a relação de confiança e transparência. Para ser acreditada, a instituição precisa aprimorar seus processos, gerenciando os riscos e seguindo um padrão rígido de qualidade.

Segundo Simara, o esforço de padronização de protocolos e procedimentos no home care é maior, pois este modelo de atendimento tem mais dispersão física dos profissionais, estrutura e logística para atender os pacientes em seus domicílios, o que torna a busca por uma acreditação ainda mais importante.

Manutenção da qualidade

A unidade da Bahia da S.O.S. Vida é Acreditada desde 2012 e em junho/21 foi submetida ao terceiro processo de Reacreditação.

“A JCI é uma empresa reconhecida internacionalmente pelo seu alto nível de exigência. A auditora avalia mais de mil elementos de mensuração, demonstrando a amplidão do seu rigor. Nessa última reacreditação, ficaram registrados apenas cinco pontos de melhoria em nossa operação, o que destaca o compromisso de nossa equipe com a qualidade e segurança da assistência prestada pela empresa”, destaca José Espiño, presidente da S.O.S. Vida.

A unidade de Sergipe da empresa também é Acreditada desde 2018 e passará pela Reacreditação em dezembro desse ano. Além disso, a S.O.S. Vida tornou-se em 2019, a primeira empresa de home care da América Latina com um programa de Cuidados Paliativos com Certificado de Qualidade concedido pela JCI, unidade da Bahia. 


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Norte e Nordeste perdem emprego e renda com privatizações da Petrobrás

 


Já foram vendidas usinas eólicas, 104 campos de petróleo e gás natural e ativos de petroquímica, fertilizantes e energia elétrica. Com isso, houve redução de 65% dos trabalhadores próprios e 48% dos terceirizados, e há tendência de piora nesses índices com a venda de cinco refinarias

Rio de Janeiro, 30 de junho de 2021 – A estratégia da gestão da Petrobrás de vender ativos para se concentrar nas atividades de exploração e produção no pré-sal já deixou marcas nas economias das regiões Norte e Nordeste, com perda de emprego e de renda. É o que mostra estudo do economista Cloviomar Cararine, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), realizado a pedido da Federação Única dos Petroleiros (FUP).

 

De um total de US$ 36 bilhões contabilizados pela Petrobrás com a venda de ativos a partir de 2016, US$ 5,4 bilhões (15%) originaram-se dos desinvestimentos nas regiões Norte e Nordeste (ver lista abaixo). Estes valores vieram da venda de diferentes negócios: campos de produção de óleo e gás, em bacias terrestres e marítimas; usinas termelétricas; unidades petroquímicas e de fertilizantes; gasodutos; além das quatro usinas eólicas do parque de Mangue Seco, no Rio Grande do Norte.

 

A venda de ativos no Norte e no Nordeste é muito representativa, pois significa que a Petrobrás está vendendo praticamente todos os seus ativos nessas regiões. Ou seja, o que está ocorrendo é a saída da maior companhia do Brasil controlada pelo governo das duas regiões. E isso vem gerando consequências dramáticas diante da crise socioeconômica provocada pela pandemia de Covid-19.

 

“Somente nos estados do Norte e Nordeste já foram vendidos 104 campos de petróleo e gás natural e estão à venda outras 81 áreas”, diz Cararine. O economista ressalta que a Petrobrás sempre vendeu e comprou ativos e que isso faz parte da estratégia de qualquer empresa, mas não com essa velocidade e com argumentos falsos, que farão com que a Petrobrás deixe de ser uma empresa integrada e nacional.

 

A estratégia resultou em desemprego e redução de receita gerada pelas atividades nessas regiões. De 2013 a 2020, houve redução de 65% no número de trabalhadores próprios da Petrobrás nas regiões Norte e Nordeste, enquanto no Sudeste a queda foi de 26%. Quando se trata de trabalhadores terceirizados, houve perda de mais de 22 mil empregos, uma redução de 48%. “A perda de empregos é um dos impactos mais perversos do processo de privatização da Petrobrás”, destaca Cararine

 

PRIVATIZAÇÃO NÃO AUMENTA INVESTIMENTOS E EMPREGOS

Das nove refinarias colocadas na lista de privatização da Petrobrás, cinco estão nas regiões Norte e Nordeste. Uma delas é a Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia, vendida a preço aviltado para o fundo árabe Mubadala. A operação ainda não foi concluída e é alvo de processos na Justiça e em outras instâncias, acrescenta o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar.

 

Bacelar lembrou que a Petrobrás fez investimentos de US$ 23 bilhões na ampliação de refinarias, em unidades de hidrotratamento (HDT) de diesel e de gasolina. “Somente na RLAM, foram investidos R$ 6 bilhões, e agora ela está sendo vendida a preço de banana, por US$ 1,65 bilhão”.

 

Bacelar contesta o discurso do governo federal de que a venda de ativos da Petrobrás irá estimular investimentos e gerar empregos. Para ele, o que está ocorrendo é simplesmente a transferência de patrimônio público nacional para a iniciativa privada – que investe e emprega menos que as estatais.

 

“Não se aumenta investimentos vendendo o que já temos. Não somos contrários a investimentos privados, mas queremos que eles construam novos ativos no país. Privatizar empresas e ativos públicos é trocar seis por cinco, já que os agentes privados investem menos e empregam menos. É uma mentira que a venda de ativos aumenta investimentos e empregos. O campo de Riacho do Forquilha, no Rio Grande do Norte, por exemplo, empregava 750 trabalhadores, entre próprios e terceirizados da Petrobrás, e esse número caiu para 400 pessoas depois da privatização, reduzindo a massa salarial e a geração de riqueza e renda das economias locais.”

 

SAÍDA DAS RENOVÁVEIS VAI NA CONTRAMÃO DAS PETROLEIRAS MUNDIAIS

Coordenador técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), William Nozaki reforça a crítica ao processo de desmonte da Petrobrás no Norte e Nordeste questionando a saída da empresa da área de fontes renováveis de energia. Além da venda das usinas eólicas do Rio Grande do Norte, a Petrobrás está saindo da produção de biodiesel, com a venda da Petrobrás Biocombustível (PBio). A unidade da PBio de Quixadá, no Ceará, já foi paralisada.

 

Para Nozaki, ao vender ativos de energias renováveis para acelerar a produção do petróleo, a Petrobrás vai na contramão de outras grandes petroleiras mundiais. ”De acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), mais de 60% dos investimentos em energias renováveis são feitos pela indústria petrolífera. E a Petrobras, na contramão das grandes empresas, tem se desfeito de seus ativos”, observa.

 

Novamente, a equivocada decisão empresarial da gestão da Petrobrás penaliza o Nordeste. A região lidera os índices de vento e radiação solar em todo o país, potencial que poderia ser explorado pela petroleira com investimentos em energia eólica e solar.

 

Além de estimular o desenvolvimento econômico e social no Nordeste com o investimento em fontes renováveis, a Petrobrás poderia colaborar na garantia de oferta de energia elétrica para o país, que está prestes a sofrer um racionamento por causa da crise hídrica.

 

 

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