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| O multirréu Lula é carregado por hordas de pelegos antes de se entregar. |
Para quem acha que os
fins justificam os meios, escreve Augusto Nunes, não há diferença entre
um partido e uma quadrilha. O lulopetismo é a prova de que ideologia
emburrece. Para isto contribuíram sindicatos, universidades e igrejas -
cujo papel imundo exercido na política jamais deverá ser esquecido pela
história:
A Folha de S.Paulo
reuniu dez moradores da capital paulista para tentar descobrir o que vai
pela cabeça do eleitorado cativo de Lula. Publicado neste domingo, o
resumo da ópera informa que o que restou do PT deixou de ser um partido.
Tornou-se uma seita, que tem em Lula seu único deus e no juiz Sergio
Moro o Grande Satã.
Para o grupo de
entrevistados, por exemplo, a Operação Lava Jato é uma conspiração
financiada pelo imperialismo ianque, sempre de olho nas fabulosas
jazidas do pré-sal, que agrupa a elite golpista, a mídia reacionária e
magistrados infiltrados em todas as instâncias do Judiciário e do
Ministério Público.
Todos recitam que
“eleição sem Lula é fraude”, que o camelô de empreiteira é um preso
político castigado pela erradicação da fome e da pobreza, que nunca
antes neste país houve um estadista com tamanha visão histórica. Por
isso e por muito mais, Lula será candidato em outubro, apesar da Lei da
Ficha Limpa, e transferido sem escalas da cadeia para o Palácio do
Planalto.
O grupo se recusa a
aceitar que Lula se tenha metido em bandalheiras. E todos deixam claro
que, caso tivesse ocorrido alguma ladroagem, deveria ser tratada como
miudeza irrelevante. Que importância tem um punhado de delinquências
confrontado com o mundaréu de proezas bíblicas que incluem o milagre da
multiplicação do Bolsa Família?
“O que pensam os
eleitores de Lula”, diz o título da reportagem. O texto informa que
Lula não tem eleitores. Tem devotos ─ e devotos não pensam. Gente assim
não tem conserto. Não há o que fazer com quem julga ouvir a palavra do
mestre sempre que o velho vigarista começa mais uma discurseira de
botequim.
Os fins justificam os
meios, berram nas entrelinhas os declarantes. Não existe pecado no
caminho que leva ao paraíso socialista. Não há diferenças entre um
partido e uma quadrilha, e seus integrantes estão autorizados a praticar
impunemente qualquer torpeza, até arrombar o cofrinho da irmã caçula ou
tungar a poupança da avó.
Os devotos de Lula são incuráveis. Gente que acha que vale tudo não vale nada.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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