É bom que o governo federal preste bem
atenção. Os brasileiros estão bastante preocupados com o presente e com o
futuro. A revelação está contida no índice de Confiança do Consumidor (ICC) da
Fundação Getúlio Vargas (FGV) que teve nova queda e ficou abaixo do nível
registrado durante a crise financeira internacional de 2008-2009. Os cidadãos
temem os riscos conjunturais, como o de abastecimento de água e de energia, mas
estão realmente apreensivos com a inflação, o mercado de trabalho e a poluída
atmosfera política.
É preciso decidir rapidamente sobre o ajuste
fiscal necessário para podermos arrumar as contas do País e retomarmos o
crescimento, esse sim capaz de garantir e promover o emprego e por em movimento
a economia. Mas que ninguém se engane: o ajuste fiscal não é o elixir
milagroso.
Depois de um período de instabilidade econômica e do fantasma da hiperinflação que corroíam os salários e elevavam os preços dos alimentos e serviços, até 1994, o Plano Real proporcionou a estabilidade que impulsionou o desenvolvimento e o planejamento das ações do Estado. A bonança econômica mundial que se sucedeu permitiu por mais de uma década a manutenção do poder aquisitivo dos trabalhadores e a segurança dos investimentos aos empreendedores.
Depois de um período de instabilidade econômica e do fantasma da hiperinflação que corroíam os salários e elevavam os preços dos alimentos e serviços, até 1994, o Plano Real proporcionou a estabilidade que impulsionou o desenvolvimento e o planejamento das ações do Estado. A bonança econômica mundial que se sucedeu permitiu por mais de uma década a manutenção do poder aquisitivo dos trabalhadores e a segurança dos investimentos aos empreendedores.
Há muito tempo tenho alertado para a
política econômica equivocada, fragilizada pelo desprezo aos fundamentos básicos
que propiciaram a estabilidade alcançada à duras penas pela sociedade
brasileira. Chamei atenção para a necessidade de se promover reformas
estruturantes – tributária, trabalhista, previdenciária – para recuperar o
potencial da economia. E o que se viu foram medidas pontuais a determinadores
setores, sem visão de conjunto, que só douraram a pílula e mascararam a
crise.
Ao contrário do que apregoava com soletrada
falta de evidências a presidente Dilma, o Brasil vivia momentos delicados. Em
parte por causa das incertezas internacionais, com a previsão de menor
crescimento da China, a recuperação dos Estados Unidos e a situação de
imobilismo na Europa após a crise do euro. Em parte pela política econômica
descosturada, aleatória, voluntarista e pouco transparente que o governo federal
apresentou à sociedade desde o segundo desarranjo econômico.
Avançamos muito pouco na infraestrutura, não
promovemos a reforma do sistema tributário, a redução dos gastos públicos ficou
só na retórica e não fomos capazes de aumentar a produtividade e a
competitividade. Como os desafios se acumularam o governo federal, agora em novo
mandato, terá de desatar rapidamente os nós que deu na
economia.
Para o País voltar aos trilhos precisamos de
visão estratégica no planejamento das ações macroeconômicas com uma agenda
microeconômica voltada ao incentivo da produtividade da indústria e o estímulo à
agropecuária; o controle implacável da inflação; uma política cambial que
acompanhe os movimentos reais da economia; e uma política externa ampla e
soberana.
A manutenção da estabilidade precisa ser a
pedra de toque para a garantia do desenvolvimento econômico e social. O governo
tem de agir para criar um ambiente de confiança necessária aos investimentos nas
oportunidades que o Brasil oferece ao mundo e aos seus cidadãos. Não podemos
retroagir no que diz respeito à chamada economia de baixo carbono. Temos que
avançar na sustentabilidade equilibrando avanço tecnológico, conservação e novos
processos produtivos.
Na área social, impõe-se o desafio de
realizar programas sociais verdadeiramente emancipadores, que indicam uma porta
de saída para o fim da dependência da ajuda financeira concedida sem nenhuma
contrapartida, com o aumento do acesso a educação e saúde pública de
qualidade.
Nos falta uma República em que o Estado
esteja a serviço da coisa pública e o fortalecimento da cidadania seja a razão
de ser da vida política. Não precisamos de donos absolutos da verdade e nem de
atores únicos da nossa história. Para ter futuro, o Brasil precisa valorizar as
suas instituições e hoje não há dúvida de que elas estão ameaçadas. Devemos
escolher e seguir aqueles que têm compromisso com a consolidação da democracia
para avançarmos com crescimento econômico e social.
25/03/2015
Arnaldo Jardim é deputado federal licenciado
(PPS-SP) e secretario de Agricultura e Abastecimento do Estado de São
Paulo
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