MEDIÇÃO DE TERRA

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MEDIÇÃO DE TERRAS

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Desmatamento entre causas de instabilidade


Falta de cobertura vegetal, impermiabilização do solo e poluição de carros e indústrias contribuem para mudanças repentinas no clima
JORNAL O HOJE - GO | Por: Luiz Redação
Cynthia Costa

Chuva em setembro, período tradicionalmente de seca, está entre mudanças no clima de Goiânia  (Danilo Bueno)
Chuva em setembro, período tradicionalmente de seca, está entre mudanças no clima de Goiânia (Danilo Bueno)
Para plantar os mais antigos em Goiás já esperavam: chuva entre outubro e abril, seca de maio a setembro. Hoje é seca em fevereiro, frio em agosto, chuva em setembro. Os motivos para essa atual instabilidade climática são vários, o principal deles é o alto nível de desmatamento de áreas verdes.
A professora de Climatologia do Instituto de Estudos Socioambientais (IESA) da Universidade Federal de Goiás (UFG), Gislaine Cristina Luiz, explica que entre os fatores causadores dessas mudanças drásticas e repentinas no tempo estão a retirada da cobertura vegetal, o excesso de construções, as impermeabilizações do solo, a concentração de fluxo de veículos, as indústrias que poluem o meio ambiente e as queimadas. “Todos estes elementos permitem entender porque há essas mudanças climáticas”.
A climatologista fala em uma atenção especial ao cerrado, que segundo ela, ajuda a manter o balanço da energia. “A cobertura vegetal possui papel importante na regulação da troca de energias entre atmosfera e superfície”. A professora afirma que para que o clima melhore, seria necessário uma mudança de postura, tanto por parte dos governos, quanto do cidadão. “Os governos precisam aprender a fazer um planejamento melhor das cidades. Se houver uma maior preocupação das pessoas em preservar, e até plantar, é possível que as temperaturas sejam amenizadas e melhore a umidade relativa do ar”, afirma.

Perspectivas
A Superintendente de Políticas e Programas da Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia (Sectec) Rosidalva Lopes da Paz, explica que o clima no nosso estado é muito versátil. “Estamos estudando esses fenômenos, já que quando está muito quente, como agora, é bom para um tipo de cultura e quando chove é bom para outro”. Porém, ela admite ser impossível prever perspectivas do clima para os próximos anos.
Rosidalva revela que ainda não existem ferramentas que esclareçam a mudança das estações. “É necessário que sejam feitos estudos de astrofísica e astronomia para podermos responder a essa questão com mais segurança”. Ela diz também que a quantidade excessiva de prédios pode influenciar no local onde as chuvas irão cair. “Quanto mais prédios em trechos urbanos, mais fácil se forma uma ilha de calor”. A superintendente afirmou que, junto com a impermeabilização, as ilhas de calor podem causar chuvas com grande quantidade de água no mesmo lugar. “A tendência do ar quente é subir e do ar frio é descer e as superfícies impermeáveis ajudam a criar as tempestades em um local só”.
Rosidalva revela que nos próximos meses, a tendência é de normalidade, já que a estação está saindo do inverno e indo para a primavera. Ela conta que haverá dias nublados, dias mais frios, madrugadas geladas e dias quentes, com pancadas de chuvas. “Estamos prevendo chuvas em outubro e novembro, mas as mais significativas ocorrerão em dezembro e janeiro”.

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