Falta
de cobertura vegetal, impermiabilização do solo e poluição de carros e
indústrias contribuem para mudanças repentinas no clima
Cynthia Costa
Chuva em setembro, período tradicionalmente de seca, está entre mudanças no clima de Goiânia (Danilo Bueno)
A professora de Climatologia do Instituto de Estudos Socioambientais (IESA) da Universidade Federal de Goiás (UFG), Gislaine Cristina Luiz, explica que entre os fatores causadores dessas mudanças drásticas e repentinas no tempo estão a retirada da cobertura vegetal, o excesso de construções, as impermeabilizações do solo, a concentração de fluxo de veículos, as indústrias que poluem o meio ambiente e as queimadas. “Todos estes elementos permitem entender porque há essas mudanças climáticas”.
A climatologista fala em uma atenção especial ao cerrado, que segundo ela, ajuda a manter o balanço da energia. “A cobertura vegetal possui papel importante na regulação da troca de energias entre atmosfera e superfície”. A professora afirma que para que o clima melhore, seria necessário uma mudança de postura, tanto por parte dos governos, quanto do cidadão. “Os governos precisam aprender a fazer um planejamento melhor das cidades. Se houver uma maior preocupação das pessoas em preservar, e até plantar, é possível que as temperaturas sejam amenizadas e melhore a umidade relativa do ar”, afirma.
Perspectivas
A Superintendente de Políticas e Programas da Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia (Sectec) Rosidalva Lopes da Paz, explica que o clima no nosso estado é muito versátil. “Estamos estudando esses fenômenos, já que quando está muito quente, como agora, é bom para um tipo de cultura e quando chove é bom para outro”. Porém, ela admite ser impossível prever perspectivas do clima para os próximos anos.
Rosidalva revela que ainda não existem ferramentas que esclareçam a mudança das estações. “É necessário que sejam feitos estudos de astrofísica e astronomia para podermos responder a essa questão com mais segurança”. Ela diz também que a quantidade excessiva de prédios pode influenciar no local onde as chuvas irão cair. “Quanto mais prédios em trechos urbanos, mais fácil se forma uma ilha de calor”. A superintendente afirmou que, junto com a impermeabilização, as ilhas de calor podem causar chuvas com grande quantidade de água no mesmo lugar. “A tendência do ar quente é subir e do ar frio é descer e as superfícies impermeáveis ajudam a criar as tempestades em um local só”.
Rosidalva revela que nos próximos meses, a tendência é de normalidade, já que a estação está saindo do inverno e indo para a primavera. Ela conta que haverá dias nublados, dias mais frios, madrugadas geladas e dias quentes, com pancadas de chuvas. “Estamos prevendo chuvas em outubro e novembro, mas as mais significativas ocorrerão em dezembro e janeiro”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário