Maria Cícera diz que perdeu sangue, mas teve que voltar para casa.
Médicos do Hospital Universitário pediu que ela retornasse em três dias.
nenhuma internou a jovem (Foto: Paula Nunes/G1)
“Estou com um sangramento e mesmo assim os médicos me mandam voltar para casa. É constrangedor ficar correndo toda a cidade para tentar dar à luz de forma digna, já passei por cinco maternidades e ainda não tive meu filho. É um direito básico e o Estado está me negando isso. Estou com muito medo de perder meu filho”, lamentou Maria Cícera.
O esposo de Maria, Erick Eduardo Nascimento dos Santos, 23, está preocupado com a situação da esposa. “Minha mulher já está com nove meses e, mesmo assim, os médicos mandam ela procurar atendimento depois de três dias. Desse jeito ela vai acabar tendo o menino a rua”, ressaltou.
As gestantes vêm sofrendo com a superlotação das maternidades de Alagoas há meses. A situação ficou ainda mais complicada nos últimos dias porque a Santa Mônica suspendeu totalmente o atendimento por conta de um problema elétrico causado pelas chuvas dos últimos dias. Desde o dia 22 de abril, a Santa Mônica não recebe nenhuma paciente e todas estão sendo encaminhadas para o HU, no bairro do Tabuleiro.
De acordo com a recepcionista do Hospital Universitário, que quis se identificar, a UTI Neonatal está superlotada e, por isso, o hospital só está atendendo a casos de gravidez de alto risco. “Os médicos avaliam e decidem se deixam a gestante no hospital ou se encaminham para outra maternidade, não somos nós que decidimos se a grávida fica, é o Cora [Complexo Regular de Assistência] da cidade”, explicou.
À reportagem do G1 a assessoria de comunicação do Hospital Universitário disse que o Estado se comprometeu a fazer a regularização da maternidade para sanar o problema da superlotação, mas que até agora nada foi resolvido. O HU também confirmou que a unidade de saúde vem passando por esse problema desde o fechamento da Santa Mônica.
Sobre a gestante que peregrinou em busca de atendimento, a assessoria informou que, aos sábados, o expediente do setor de comunicação é só pela manhã e que, por isso, desconhe a versão dada pela paciente.
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