Escavações seguem até o fim de maio na Zona Rural de Macapá.
Materiais são de etnia que habitava o estado entre os anos 1000 e 1300.
Dyepeson Martins
Do G1 AP
Recipientes foram descobertos enterrados em ramal de Macapá (Foto: Dyepeson Martins/G1)
Arqueólogos encontraram urnas com restos mortais de índios que
habitaram o Amapá entre os anos 1000 e 1300. Os achados estavam
enterrados em um ramal localizado na comunidade Curiaú Mirim, Zona Rural
de
Macapá.
Produzidos em argila, os artefatos foram confeccionados por tribos que
originaram a etnia Palikur, segundo o Instituto de Pesquisas do
Amapá (Iepa). As escavações no local da descoberta iniciaram em 2010, após uma ossada humana ser achada por um jovem.
João Saldanha coordena a equipe de pesquisa do
Iepa (Foto: Dyepeson Martins/G1)
Atualmente, oito profissionais trabalham na área de aproximadamente 1,5
mil metros quadrados. O coordenador da pesquisa, João Saldanha, explica
que em alguns dos recipientes há desenhos tipicamente marajoaras,
representando um momento de interação entre os povos. "Temos um conjunto
de sítios que mostram que os grupos indígenas do Amapá estavam passando
por um processo de interação com os grupos do Marajó [ilha do estado do
Pará]", reforçou.
Ao todo, 19 urnas já foram descobertas, sete delas há pouco mais de 20
dias. "Estava sendo feita uma obra neste ramal. Um rapaz foi olhar o que
havia dentro de um buraco aberto com a obra e viu ossadas lá dentro. O
Iphan [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional] foi
acionado e foi descoberto o sítio", relatou Saldanha. Ele acrescenta
que o Amapá abriga 500 sítios arqueológicos.
Escavações seguem até o dia 30 de maio, segundo o Iepa (Foto: Dyepeson Martins/G1)
Segundo o arqueólogo Cleber Santos, as urnas funerárias têm acabamentos
simples, o que ajuda na identificação da hierarquia social a qual
pertenciam. Ele destacou a descoberta de materiais que podem ajudar os
pesquisadores na identificação da origem de rituais indígenas. "Algumas
quebras podem ser até intencionais por fazerem parte da cultura dos
povos. Essas peças são importantes para entendermos a natureza cultural
das tribos", observou.
A previsão é de que as escavações sigam até 30 de maio. Após essa
etapa, as peças encontradas serão encaminhadas para limpeza e análise
laboratorial. Os artefatos ficarão em uma reserva técnica na sede do
Iepa, em Macapá.
Nenhum comentário:
Postar um comentário