Estudo com empresas brasileiras identifica ganhos em estratégia e comunicação com framework internacional de governança de inovação
A adoção de um sistema de gestão da inovação baseado na família ISO 56000 está associada a um avanço na maturidade das práticas de inovação nas empresas. É isso o que aponta o estudo “Comparação dos resultados de inovação obtidos nas empresas que utilizam a família de normas ISO 56000, em relação as metodologias tradicionais”, desenvolvido por Alexandre Pierro, doutorando da Universidade Federal do ABC (UFABC), em São Paulo. A pesquisa identificou aumento de 7,1 pontos percentuais, na média dos oito princípios avaliados (Estratégia, Ecossistema, Cultura, Liderança, Incertezas, Suporte, Comunicação e Governança), passando de 59,9% antes da implementação, para 67,0% logo após. O estudo obteve 93 respostas de 14 organizações que haviam adotado uma abordagem baseada na família ISO 56000. Os escores foram normalizados em uma escala de 0 a 100 e os oito princípios foram posteriormente relacionados aos requisitos da ISO 56001:2024.
A família ISO 56000 é um conjunto de normas internacionais criado para orientar organizações de todos os tipos e tamanhos a estruturar, implementar e melhorar um Sistema de Gestão da Inovação (SGI) de forma sistemática. Entre elas está a ISO 56001, que estabelece os requisitos formais, permitindo que as empresas sejam certificadas. No Brasil, dezenas de empresas já se certificaram. Entre ela, Grupo Boticário, CPFL, Eneva, State Grid, Editora do Brasil, Viva Previdência e tantas outras de portes e segmentos variados. No mundo, a estimativa é que existam 1.450 empresas certificadas.
Os maiores avanços foram observados, justamente, em dimensões relacionadas à capacidade de estruturar e dar direção à inovação. Estratégia de inovação e comunicação cresceram 15 pontos percentuais cada, passando de 67% para 82%, e de 55% para 70%, respectivamente. Na sequência, aparecem suporte, que avançou 10 pontos; e ecossistema, com alta de 9 pontos.
Para Pierro, os números mostram que a gestão da inovação precisa ir além da geração de ideias. Isso porque, quando a inovação passa a ser tratada como um sistema de gestão, a empresa consegue dar mais clareza para suas prioridades, responsabilidades e recursos. O avanço observado em estratégia e comunicação mostra justamente esse movimento de transformar uma intenção em uma prática mais estruturada e compreendida pela organização.
O levantamento também identificou evolução em liderança, que passou de 65% para 70%, e governança da inovação, de 50% para 54%. Já a gestão da incerteza apresentou um avanço de um ponto percentual, enquanto cultura registrou redução de dois pontos, de 67% para 65%. "Os resultados não devem ser interpretados como crescimento de receita ou retorno financeiro, mas como escores normalizados de percepção sobre a presença e a maturidade das práticas de inovação. A leitura dos dados indica que a implementação de um sistema de gestão alinhado à ISO 56001 pode contribuir para tornar mais claros elementos como prioridades, papéis, recursos e critérios de acompanhamento", destaca.
Entre os ganhos práticos observados pelas empresas que seguiram essa jornada, a clareza estratégica na definição de prioridades, objetivos e critérios para orientar decisões sobre o portfólio de inovação, chegou a 82% – o maior resultado pós-implementação. Houve, também, um ganho de 55% para 70% em uma comunicação mais consistente, sugerindo uma maior visibilidade sobre papéis, processos e prioridades, além de reduzir ambiguidades sobre como ideias são avaliadas e quem participa das decisões.
Outro destaque está no suporte à inovação, que passou de 62% para 72%. A dimensão considera fatores como pessoas, tempo, orçamento, conhecimento, infraestrutura e ferramentas, reforçando que a inovação depende de condições organizacionais para sair do planejamento e chegar à execução. O ecossistema de inovação também avançou de 58% para 67%, indicando uma maior articulação com partes interessadas externas, como universidades, startups, fornecedores e parceiros – conexão que amplia o acesso a conhecimento, tecnologias, validação e novas oportunidades de mercado.
A gestão da inovação e a maturidade corporativa caminham juntas, e não são alcançadas apenas com a implementação de processos. Dependem de continuidade, liderança, experimentação e melhoria constante nas medidas adotadas, estabelecendo os princípios, responsabilidades, recursos e mecanismos de acompanhamento, de forma que a organização crie condições para que a inovação deixe de depender de iniciativas isoladas e passe a fazer parte de uma capacidade gerencial contínua.
Com essa mudança de mindset, há muito do que se esperar do avanço do mercado. "A ISO 56001 não deve ser vista como um ponto de chegada, mas como uma estrutura para sustentar a evolução da capacidade de inovar. Alguns aspectos respondem mais rapidamente à organização dos processos, enquanto outros, como cultura e gestão da incerteza, exigem consistência e aprendizado ao longo do tempo, de forma que sustentem um crescimento contínuo das empresas”, finaliza Pierro.
Alexandre Pierro é doutorando em energia e mestre em gestão e engenharia da inovação, engenheiro mecânico, bacharel em física e especialista de gestão da PALAS, consultoria pioneira na implementação da ISO de inovação na América Latina.
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Nathália Bellintani Tel: +55 (11) 9848-4042 Email: nathalia@informamidia.com.br www.informamidia.com.br |

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