BLOG ORLANDO TAMBOSI
O milionário condenado por explorar sexualmente menores se aproximava dos homens mais importantes do mundo — e poucos resistiam. Vilma Gryzinski:
Os
muito ricos queriam prestígio. Os muito inteligentes queriam dinheiro.
Os muito poderosos queriam mais poder. É possível que todos quisessem
também as garotas lindas e muito jovens com que Jeffrey Epstein fazia
sexo pago e oferecia aos “amigos”.
O
multimilionário americano se suicidou — ou foi suicidado — depois de
preso pela segunda vez, em 2019, mas os escândalos continuam aparecendo.
Os
mais recentes estão numa série de reportagens do Wall Street Journal. A
última diz que Epstein tentou chantagear ninguém menos do que Bill
Gates (fortuna de 114 bilhões de dólares). Motivo: como um senhor
feudal, queria ser ressarcido pelo “investimento” feito em Mila
Antonova, uma jovem russa brilhante no jogo de bridge para quem ele
havia pago um curso de programação.
O
bilionário da Microsoft, que também joga bridge, estava tendo um caso
com Mila, então na casa dos 20 anos. Mila também queria o que todo mundo
pedia a Epstein: dinheiro. No caso dela, para financiar um projeto de
“tutoriais de alto nível” pela internet para interessados no jogo de
cartas. Não conseguia, mas acabou ganhando o direito de uso a um
apartamento em Nova York e o pagamento de um curso de programação.
“Ele
disse que era rico e queria ajudar as pessoas”, afirmou Mila ao
garantir que não houve troca de favores sexuais — o que não é
impossível, considerando-se que Epstein só se relacionava com meninas na
faixa dos 15 anos, chegando no máximo até os 18.
Gates
disse que o ex-amigo “tentou usar um relacionamento passado para
ameaçá-lo”, mas que que só discutia assuntos filantrópicos nos encontros
com Epstein, dos quais se arrependeu publicamente. Segundo a
reportagem, Epstein estava aborrecido com Gates porque ele não havia
entrado num milionário projeto filantrópico que ele coordenava junto ao
JP Morgan.
Por
que um dos gênios high tech mais ricos do mundo se encontraria com um
homem que já havia cumprido pena por tráfico de menores e que não fazia o
menor esforço para esconder seu harém de adolescentes?
Epstein
certamente era esperto para fazer amigos e influenciar pessoas, desde o
príncipe Andrew, que caiu em desgraça e foi tirado dos compromissos
oficiais da família real por causa da “amizade” com ele, até o
intelectual esquerdista Noam Chomsky.
Quase
inacreditavelmente, Chomsky era um frequentador assíduo da teia de
Epstein e pediu ajuda dele para “transferir” 270 mil dólares enrolados
numa conta bancária de sua falecida esposa. Sim, o linguista
brilhantemente pioneiro e esquerdista irreversivelmente ultrapassado
tinha um relacionamento próximo com Epstein, a ponto de pedir
intervenção em assuntos pessoais a um pervertido comprovado e explorador
contumaz de menores que se cercava de intelectuais e prêmios Nobel em
jantares nos quais, volta e meia, lançava ideias estapafúrdias e
perguntava: “Mas o que isso tem a ver com ******?”. A palavra
irreproduzível se referia aos genitais femininos.
Ironicamente,
o dissecador dos mecanismos linguísticos e comportamentais que criam
uma quantidade infinita de combinações alegou que procurou ajuda apenas
para resolver uma “questão técnica”, expressão banal usada pelos
mentirosos que até dói ver na boca de um homem como Chomsky, e nunca
recebeu nada de Epstein.
Outro
intelectual exposto na série de reportagens do Wall Street Journal:
Leon Botstein, presidente do Bard College, uma das universidades mais
chiques dos Estados Unidos, aceitou uma doação de 150 mil dólares.
Larry
Summers, presidente emérito de Harvard e secretário do Tesouro no
governo Clinton, justificou as dezenas de encontros com Epstein
alegando, meigamente, que só queria um dinheirinho para financiar uma
série de televisão sobre poesia sonhada por sua mulher, Eliza New,
professora de literatura na mesma e venerada universidade. Ah, sim, eles
também discutiam “assuntos econômicos globais”.
A
lista de pessoas influentes que frequentava Epstein tem revelado nomes
inacreditáveis. Entre elas, William Burns, que foi diretor da CIA —
aumentando as suspeitas de que o milionário condenado usava ou era usado
por serviços de inteligência —, e Kathryn Ruemmler, que foi advogada da
Casa Branca no governo Obama.
Ehud
Barak, o ex-primeiro-ministro de Israel com QI de gênio, mostrou enorme
burrice social: frequentou Epstein à razão de trinta encontros entre
2013 e 2017. Numa viagem no infame “Lolita Express”, como foi apelidado o
avião de Epstein por causa da pouca idade das passageiras, estava com a
“mulher e agentes de segurança”, garantiu, como se fosse um argumento
razoável.
Barak
aparece na agenda descoberta pelo Wall Street Journal, mas sua
proximidade com Epstein já era conhecida, assim como a de Woody Allen, o
diretor que fazia fotos nuas da afilhada com quem depois se casou. Novo
detalhe: Allen jantou com o milionário uma vez por mês ao longo de 2014
e 2015.
O
“livro negro”, ou caderno de endereços de Epstein sempre foi
considerado, pelos adeptos de teorias conspiratórias, como o motivo pelo
qual ele apareceu morto numa cela em que deveria estar sob vigilância
por 24 horas, tendo feito uma tentativa anterior de suicídio. William
Barr, secretário da Justiça no governo Trump, disse que desconfiava da
versão para a morte de Epstein, mas acabou convencido pela investigação
de que havia sido resultado de “uma tempestade perfeita de erros”
cometidos na que deveria ser uma das cadeias mais seguras dos Estados
Unidos.
Claro
que os conspiracionistas não acreditam nisso — inclusive porque existem
impressionantes perguntas sem resposta na vida real. Por exemplo, o que
explica o fato de que Epstein tenha visitado a Casa Branca de Bill
Clinton dezessete vezes? E que tenha levado pelo menos oito mulheres com
ele, conforme mostram os registros do livro de entrada da sede do
governo americano? E que, fora da presidência, Clinton tenha viajado
para a África no avião de Epstein?
A
mulher que sabe tudo da vida de Epstein, Ghislaine Maxwell, está
cumprindo pena de vinte anos por ter participado de aliciamento e
tráfico de menores. Dá aulas de comportamento em sociedade para colegas
de prisão, na Flórida, e não conta nada.
Escavando
agenda, e-mails, registros de passageiros do “Lolita Express” e outras
montanhas de informação, muitas escondidas nos processos criminais,
jornalistas que cumprem o mais importante mandamento da profissão —
vasculhar tudo que se refira aos poderosos — estão lentamente trazendo
ao conhecimento público dados que permaneceriam sepultados, para alívio
dos ricos e influentes que caíram sem pudor na teia do tarado.
É impossível não terminar perguntando: até tu, Chomsky?
Postado há 1 week ago por Orlando Tambosi

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