
Lula não entende por que a indústria automobilística parou
Elio Gaspari
O Globo/Folha
O cretino se confundiu quando Lula falou sobre a operação da Polícia Federal que desarmou um plano de sequestro do senador Sergio Moro e de seus familiares. Ele disse o seguinte: “Quero ser cauteloso. Vou descobrir o que aconteceu. É visível que é uma armação do Moro.”
Se uma pessoa acha que uma coisa é visível, não precisa ser cautelosa, porque, nesse caso, já descobriu o que aconteceu.
FÉRIAS COLETIVAS – Com 187 mil carros nos pátios e grandes montadoras dando férias coletivas a milhares de trabalhadores, Lula deu uma entrevista de quase duas horas aos jornalistas Helena Chagas, Tereza Cruvinel, Luís Costa Pinto e Leonardo Attuch. Repetiu várias vezes que “este país vai voltar a crescer”.
Quando surgiu o assunto da virtual paralisação da indústria automobilística, disse “fiquei surpreso”, reclamou das empresas que importam veículos e, tratando do mundo real, prometeu: “Eu quero chamar a indústria automobilística para conversar, ‘O que é que está acontecendo com vocês?’”
Ex-metalúrgico e sindicalista, Lula sabe o que está acontecendo: falta demanda. Foram poucos os minutos dedicados a esse assunto específico. Mais tempo foi dedicado às suas experiências com a Lava Jato e a uma batalha inglória com o Banco Central por causa da taxa de juros.
SORRIR, COMO? – Por mais de uma hora Lula prometeu um Brasil que volte a sorrir. Como? Acreditando em Lula, como ele acredita. Chegando à marca dos cem dias de governo, ele tem um pé no passado e outro no futuro. Quanto ao presente, surpreendeu-se com as férias coletivas. Enquanto isso, seu chefe da Casa Civil dava um chá de cadeira de 45 minutos ao ministro da Fazenda.
A falta de demanda e o início de uma crise no crédito ameaçam a saúde de grandes varejistas. Quando o problema aparecer, Lula não deverá dizer que foi surpreendido.
CHÁ DE CADEIRA – Depois de ter dado um chá de cadeira ao seu colega Fernando Haddad, Rui Costa deveria marcar um almoço com José Dirceu, o poderoso chefe da Casa Civil de Lula. Ele poderia lhe contar como os poderes do cargo são imensos e fugazes.
Em outubro de 2003, Dirceu chamou o deputado Gabeira para uma reunião e não apareceu.
Gabeira esperou por uma hora, disse que “deselegância tem limite”, saiu do PT e retomou com êxito sua carreira de jornalista. Dirceu seguiu em frente e acabou na cadeia.
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