Foto: Estadão
Ministro da Justiça, Sergio Moro
Senadores de vários partidos afirmaram ter votos suficientes
para aprovar, nesta terça-feira (28), a manutenção do Coaf (Conselho de
Controle de Atividades Financeiras) sob o controle do ministro da
Justiça, Sergio Moro. Caso isso seja confirmado, haverá um impasse com a
Câmara, que sob a liderança do presidente da Casa, Rodrigo Maia
(DEM-RJ), e do centrão, aprovou na semana passada a migração do órgão de
fiscalização para o Ministério da Economia. A medida provisória 870,
que trata da reestruturação ministerial feita pelo governo Jair
Bolsonaro (PSL), precisa ser votada pelo Congresso até a próxima
segunda-feira (3), caso contrário perde a validade. Se houver alteração
no Senado, a MP volta para a Câmara, que, na prática, tem até esta
quinta-feira (30) para se posicionar, já que nas sextas e segundas os
políticos não costumam estar em Brasília. Desde a derrota na Câmara, o
ministro da Justiça tem evitado se expor, para não cair em sua conta a
responsabilidade caso a MP expire. Sua equipe tem monitorado a situação,
mas também considera arriscada a tentativa de levar o texto de volta
para os deputados. O ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil) fez ligações
desde o final da semana passada para sondar votos. Nesta segunda-feira
(27), ele se reuniu com Moro. A medida provisória diminuiu o número de
ministérios de 29 para 22. Caso a MP caduque, a configuração da
Esplanada terá que voltar aos moldes do governo Michel Temer (MDB). Na
conta mapeada pelo governo, há 44 dos 81 votos do Senado para aprovar a
manutenção do Coaf com Moro. Esse cenário chegou ao presidente do
Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que levaria a situação a Bolsonaro.
Nos bastidores, o Palácio do Planalto já havia fechado acordo com os
principais partidos da Câmara para abrir mão de manter o órgão com o
ministro da Justiça. Mas boa parte das legendas no Senado sinalizam não
ter interesse em continuar com esse acordo.
Folhapress
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