"Da marola ao maremoto do PT", outro bom editorial cravado pelo Estadão sobre a desgraça promovida pelo partido totalitário:
Há uma década o mundo financeiro começou a ruir nos países avançados e
a economia global afundou na maior crise desde os anos 1930, mas o
Brasil absorveu o choque sem grandes perdas. O País dispunha de contas
públicas administráveis, bom volume de reservas cambiais e câmbio
flutuante. Eram atributos dos países menos afetados pela turbulência nos
mercados, segundo avaliação do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Além disso, o sistema financeiro nacional estava entre os mais bem
regulados do mundo. Os bancos brasileiros estavam menos expostos que os
americanos e europeus a operações de altíssimo risco. O Banco Central
(BC) interveio com rapidez, quando foi necessária alguma ajuda, e isso
também foi importante. Como efeito do primeiro choque, em 2009 o Produto
Interno Bruto (PIB) brasileiro encolheu 0,1%. Em 2010, o abalo estava
superado e a economia cresceu 7,5%. Passado um decênio, o País continua
com um sistema financeiro sólido, mantém reservas em torno de US$ 380
bilhões e suas contas externas estão saudáveis. Mas a irresponsabilidade
política estraçalhou as contas públicas.
O Orçamento federal de 2018 será fechado sem estouro dos limites
legais. Mas o novo presidente só poderá executar um plano de governo se
cuidar, antes de mais nada, de ajustes e reformas. A devastação fiscal,
um dos principais legados do petismo, resultou de trapalhadas e
desmandos cometidos a partir do segundo mandato de Lula da Silva. Com
poder consolidado, ele podia terminar a encenação de seriedade.
A crise financeira estourou perto da metade desse mandato. A
quebradeira dos bancos, evidente no segundo semestre de 2008, dominou a
reunião anual do FMI. O Brasil ainda cresceu 5,1% nesse ano. O impacto
da turbulência internacional foi mais sentido no começo de 2009, quando o
governo brasileiro começou a executar ações contra a crise.
A estratégia incluiu o Programa de Sustentação do Investimento (PSI).
O Executivo deveria transferir dinheiro do Tesouro para reforçar a
atuação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Sendo uma ação anticrise, o programa deveria ser encerrado em poucos
meses, talvez em um ano, quando a economia estivesse em recuperação. Num
governo sério isso poderia ter ocorrido.
Embora o PIB tenha crescido 7,5% em 2010, o PSI foi mantido por
muitos anos e ainda vigorava quando a presidente Dilma Rousseff, acusada
de violar gravemente as normas fiscais, foi destituída. Desde sua
implantação, o PSI beneficiou principalmente grandes empresas, capazes
de buscar dinheiro no mercado. Pouco favoreceu o fortalecimento do
sistema produtivo e o crescimento. Por esse canal, o governo passou
cerca de meio trilhão de reais ao BNDES. Para isso o Tesouro teve de se
endividar.
Como o PSI, a maior parte do apoio oferecido a empresas beneficiou
grupos selecionados e alguns grandes setores, numa distribuição política
de mimos tributários e financeiros. Usado com seriedade, esse dinheirão
deveria ter tornado as empresas mais produtivas, mais inovadoras e mais
competitivas. Os números do IBGE mostram a realidade: já no meio do
primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff a indústria fraquejou e o
País entrou na ladeira da recessão.
O PSI, os favores fiscais e financeiros, os subsídios improdutivos e a
enorme incompetência administrativa do governo esburacaram as contas
oficiais, aumentaram desastrosamente a dívida pública e derrubaram o
Brasil, nas classificações de crédito, para o grau especulativo. No
mundo todo o endividamento cresceu. Segundo o FMI, a mediana da dívida
dos países pesquisados passou de 36% do PIB antes da crise para 52%,
proporção atual. Mas, pelo critério do FMI, a relação dívida/PIB, no
caso brasileiro, já superou 80% em 2017.
Como havia dito o presidente Lula, em 2009 o maremoto financeiro
chegou ao Brasil como marola. Poucos anos depois, o Brasil do PT seria
assolado por uma catástrofe muito maior. Se algo sobrou, foi porque
faltou tempo para uma devastação mais completa.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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