Charge do Son Salvador (Arquivo Google)
O Fundo Monetário Internacional – reportagem de Alvaro Fagundes e Sérgio Lamucci, Valor de ontem – agravou suas críticas à política fiscal do Brasil acentuando que em 2023 vai atingir em torno de 100% do PIB. Hoje, o endividamento está perto de 88% do PIB. Portanto, a pergunta que se faz é em que patamar se encontra a dívida nominal existente. Considerando-se que este ano de 2018 o PIB se mantenha em 6,6 trilhões de reais, verifica-se que o montante da dívida eleva-se às nuvens, registrando mais de 4 trilhões em valores nominais absolutos.
O FMI propõe ao governo de Brasília que congele pelo prazo de cinco anos os vencimentos do funcionalismo federal e os salários dos servidores das empresas estatais.
ESTRANHEZA – Sem dúvida, é estranha essa proposta, uma vez que nem por isso os preços administrados vão deixar de subir no quinquênio abrangendo os exercícios de 2019 a 2024. Inclusive fica-se sem saber se o FMI, no seu estudo, levou ou não em conta o salário mínimo nacional.
Sobretudo, porque a lei em vigor determina ajustar o piso mínimo à base da inflação oficial somada ao crescimento do PIB. No Brasil 1/3 da mão de obra ativa recebe mensalmente um salário mínimo.
DESEMPREGO – A questão do emprego é o maior desafio para o próximo governo, uma vez que, se houver congelamento de salários, a contribuição para o PIB vai também ser afetada, ficando contida numa parcela menor ainda de sua presença nos cálculos do Fundo Monetário Internacional.
Uma coisa leva consigo a uma outra parte menos visível para a opinião pública. E trata-se de uma matéria importante em relação a qual Jair Bolsonaro e Fernando Haddad devem se manifestar ao longo do espaço de tempo que termina a 28 de outubro. Isso porque a dívida bruta do país aumenta à medida em que, para a rolagem do total de hoje, a juros de 6,5%, a cada ano são emitidas novos papeis do Tesouro no esforço em vão para impedir um crescimento ainda maior da dívida.
100% DO PIB – O FMI estima que em até 2023, mantido o ritmo atual, o endividamento brasileiro chegará 100% do PIB. Curioso é acentuar que o FMI não inclui em seu projeto a cobrança das dívidas que empresas possuem junto ao governo e também com a Previdência Social.
Por que o FMI não se preocupa com o lado das empresas e só focaliza as folhas de pessoal?
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