Pode ser doloroso, mas é
preciso constatar: a possível presença do PT no segundo turno será a
canalhice brasileira saindo do armário. Sem meios tons. O texto é de
Guilherme Fiuza, em sua coluna semanal na Gazeta do Povo:
Brasileiro confia tanto em pesquisa que nem dá para entender por que ainda tem eleição. Votar pra quê? Chega de intermediários.
Há mais de ano o Brasil sabe que Lula está no segundo turno. Como ele
sabe? As pesquisas disseram. E não disseram uma vez, nem duas.
Gritaram, reiteraram, vaticinaram sempre que o noticiário policial dava
uma trégua ao ex-presidente.
O segundo turno de
Lula hoje é o do carcereiro que toma conta dele à noite, mas não tem
problema. Ele envia um representante, com procuração e tudo, para tomar
conta do que é dele. O triplex do Guarujá, o sítio de Atibaia, a
cobertura de São Bernardo e a fortuna incomensurável para pagar
advogados milionários por anos a fio não são de Lula. O que é dele, e
ninguém tasca, é o lugar cativo no pódio dos institutos de pesquisa.
A estratégia de
trazer o comandante do maior assalto da história para o centro da
eleição que deveria ser o seu funeral político não é um incidente. Como
já escrito – mas não custa repetir ao eleitorado distraído – é uma
estratégia. E uma estratégia tosca.
O Brasil viu – mas
para variar não enxergou – a construção dessa lenda surrealista: Lula, o
PT e sua quadrilha representam, na sucessão de 2018, “a salvação
progressista contra o autoritarismo”. Contando ninguém acredita.
Uma imensa maioria de
formadores de opinião e personagens influentes da elite branca (aquela
mesma do refrão petista) vive de lamber esse herói bandido, fingindo
defender o povo – esse mesmo povo roubado até as calças pelo meliante
idolatrado por eles. Ou melhor: idolatrado de mentira, porque a única
idolatria dessa elite afetada e gulosa é por grana, poder e aquele
verniz revolucionário que rende até umas almas carentes em mesa de bar.
Então, aí está: a
estratégia funcionou e os cafetões da ética imaginária conseguiram –
milagre – chegar às portas da eleição defendendo sem um pingo de
inibição o PT, exatamente o maior estuprador da ética que a história já
conheceu.
Pode ser doloroso,
mas é preciso constatar: a possível presença do PT no segundo turno será
a canalhice brasileira saindo do armário. Sem meios tons.
Se o Brasil estivesse
levando uma vida saudável, estaria agora dando continuidade à exumação
da Era PT – e tomando as devidas providências para jamais errar de novo
tão gravemente. Mas a margem de erro por aqui é um latifúndio – o país
mora no erro, e eventualmente passa férias fora dele, como um marginal.
Tradução: o
insistente culto ao fantasma petista fermentou as assombrações
antipetistas – e o Brasil deixou de se olhar no espelho para ficar
perseguindo morto-vivo com crucifixo na mão.
Fora desse fetiche
mórbido, dessa tara masturbatória pelo falso dilema esquerda x direita, a
reconstrução do Brasil parou. A saída quase heroica da recessão, com
redução dos juros e da inflação, reforma trabalhista e recuperação da
Petrobras – nada disso existe no planeta eleitoral de 2018.
Quem vai tocar isso
adiante? Quem vai segurar o leme da economia com a perícia de Ilan
Goldfajn, o presidente do Banco Central que nos salvou do populismo
monetário de Dilma e seus aloprados?
A resposta contém o
disparate: um desses aloprados (que tinha o leme nas mãos na hora do
naufrágio), o ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa foi expulso da
campanha de Haddad, o gato (ligação clandestina no poste) – banido por
outro náufrago ainda mais aloprado que ele, o economista Marcio
Pochmann. Ou seja: a possível reencarnação petista no Planalto está nas
mãos dessa militância pré-histórica que se fantasia de autoridade
acadêmica para perpetrar panfletos que fariam Nicolás Maduro dizer
“menos, companheiro”.
Adivinhe se esse tema aparece na campanha presidencial?
Adivinhou, seu
danado. O Brasil está lá, boiando na margem de erro, lendo pesquisa e
brincando de jogar pôquer com o 7 de outubro. Nem sabe quem é o
economista do Haddad. Ou melhor: nem sabe quem é o Haddad – porque
aquele ministro da Educação tricampeão de fraudes no Enem, que não sabia
nem aplicar uma prova e mandava escrever “nós pega o peixe”, sumiu de
cena. Não existe mais também o prefeito escorraçado ainda no primeiro
turno por inépcia.
Esse Haddad aí é
outro: é o super-homem das pesquisas, que voa por cima de todo mundo com
a criptonita do Lula e faz a imprensa companheira lutar por uma foto
dele com a camisa aberta e a grife do presidiário explodindo no
peitoral.
Vai nessa, Brasil. As
pesquisas colecionam erros clamorosos em todas as eleições, mas dessa
vez talvez até acertem, porque num país exilado na margem de erro
qualquer chute é gol – mesmo no campeonato dos detentos.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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