Entre aqueles que transitaram do emprego para a inatividade, a
proporção dos desalentados subiu de 11,2%, no início de 2016, para
16,7%, no segundo trimestre de 2018
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SAMUEL BARBOSA
Vem
crescendo a proporção de trabalhadores que, pouco após perder o
emprego, passam ao desalento, mesmo sem ficar desempregado por longo
período, mostra estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
(Ipea). Tipicamente, a permanência no desemprego está associada ao
desalento - nessa condição, o trabalhador fica fora da força de trabalho
porque não conseguia trabalho, ou não tinha experiência, ou era muito
jovem ou idosa, ou não havia encontrado trabalho na localidade.
No
trimestre encerrado em julho, o País registrou 4,818 milhões de pessoas
em situação de desalento, o maior patamar da série histórica da
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua)
iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE).
O
estudo do Ipea parte dos microdados da Pnad Contínua referentes ao
segundo trimestre para sustentar que há uma mudança no comportamento dos
indivíduos, "constatada pelos dados de transição no mercado de
trabalho".
"Vem
crescendo a proporção de pessoas que, entre dois trimestres
consecutivos, transitaram da atividade para a inatividade e se
declararam desalentadas, mesmo não tendo ficado desempregadas, ou tendo
permanecido muito pouco tempo nessa condição", diz um trecho da Seção
VII da Carta de Conjuntura número 40, publicada nesta quinta-feira no
site do Ipea.
Conforme
os dados analisados pelos pesquisadores Maria Andréia Parente Lameiras,
Sandro Sacchet de Carvalho, Carlos Henrique Corseuil e Lauro Ramos,
entre o quarto trimestre de 2015 e o primeiro trimestre de 2016, pouco
mais de 14% daqueles que transitavam para a inatividade eram
provenientes do desemprego e faziam parte do subgrupo de inativos
desalentados. No segundo trimestre de 2018, entretanto, essa proporção
havia subido para 22,4%.
Entre
aqueles que transitaram do emprego para a inatividade, a proporção dos
desalentados subiu de 11,2%, no início de 2016, para 16,7%, no segundo
trimestre de 2018. "Portanto, o desalento aumentou não só entre os que
se encontram desocupados durante muito tempo, mas também entre os que
perderam sua ocupação recentemente", diz outro trecho do estudo.
Ao
analisar o perfil do trabalhador desalentado, o estudo constata o que
já era esperado: o desalento é proporcionalmente mais alto entre os
trabalhadores que possuem maior dificuldade de inserção no mercado, ou
seja, os jovens, os não chefes de família e os indivíduos com ensino
fundamental incompleto. Também é mais elevado no Nordeste e
"ligeiramente" maior entre as mulheres.
Embora
esse perfil seja esperado, o estudo alerta que o desalento tem crescido
também entre os trabalhadores mais velhos, homens e chefes de família.
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