Postado em 03/09/2018 7:46 DIGA BAHIA!
Os dados mais recentes revelados pelo IBGE (Instituo Brasileiro de Geografia), referentes ao trimestre finalizado em julho, apontam que 12,9 milhões de brasileiros estão desocupados, valor que corresponde a 12,3% da população economicamente ativa.
Como o desemprego é sempre o último indicador a reagir às tendências econômicas, especialistas atentam para a necessidade do próximo presidente atuar em busca do crescimento econômico e a retomada da confiança dos empresários.
“Como a gente está com uma recuperação lenta da economia, o emprego também está se recuperando lentamente”, explica Marcel Balassiano, pesquisador da área de economia aplicada do Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia).
Segundo Sílvio Paixão, professor de macroeconomia da Faculdade Fipecafi, a retomada do crescimento será ditada somente nos últimos três meses deste ano. “Estamos andando no terceiro trimestre e percebemos que as vendas no comércio não estão se materializando, a taxa de câmbio colocou uma pressão adicional no custo da produção e tudo isso vai se juntar para colocar mais aperto ao longo do ano que vem”, lamenta ele.
Balassiano, avalia ainda que a melhoria do ambiente de nacional como uma alternativa para a geração de cargos. “Hoje em dia há uma dificuldade muito grande para se empreender no Brasil. Se isso fosse mais fácil, teríamos um aumento nos empregos”, observa.
“Como [o ambiente de negócios] é muito rígido, se torna difícil contratar e demitir. Isso cria um rigor maior na economia e, quando a gente tem ciclos de recessão ou de expansão, é necessário se adequar um pouco a isso”, completa o pesquisador do Ibre.
Investimentos
Outro fator mencionado para estimular o crescimento da economia e, consequentemente, a geração de empregos, são os investimentos públicos e privados. Somente no segundo trimestre deste ano, a taxa de investimento brasileiro representou 16% do PIB, valor abaixo 0,7 ponto percentual abaixo do observado no mesmo período de 2017.
O economista Eduardo Velho, do Corecon-SP (Conselho Regional de Economia), afirma que “não há mágica” e destaca para a necessidade do futuro presidente observar investimentos privados com o intuito de estimular o que chama de “novo ciclo de crescimento”.
“Para deixar o setor privado investir, é preciso atrair investidores e reduzir incertezas com um bom ambiente de negócios. Tem que estimular privatizações, a abertura econômica com acordos que estimulem as exportações e se manter comprometido com uma inflação baixa”, explica Velho.
“Para a gente ter uma retomada maior do crescimento no longo prazo, a volta dos investimentos tem que ser uma questão primordial”, analisa Marcel Balassiano, que atribui a atual estagnação do setor à incerteza eleitoral.
Reformas
Para que a retomada da confiança dos consumidores e empresários seja efetivada, os economistas também defendem uma posição favorável do presidente eleito às reformas estruturais para reverter o rombo bilionário nas contas públicas que herdarão do governo atual.
Balassiano afirma que “há uma série de mudanças que precisam ser realizadas”, mas afirma que a reforma do sistema de aposentadorias deve tratada com prioridade.
“De imediato, a reforma da Previdência seria a mais essencial pelo momento fiscal que estamos enfrentando, com déficit nesses últimos anos. Os Estados também estão praticamente quebrados e a Previdência dos Estados também é uma coisa muito importante”, afirma.
Ao defender as reformas para o reestabelecimento da economia, Velho destaca que o déficit atual impede a busca de crescimento econômico com o uso de gastos públicos.
“[O futuro presidente] tem que sinalizar que vai priorizar o avanço nas reformas estruturais, já definir uma equipe econômica com caráter de independência e também assumir uma posição de comprometimento com o controle da inflação, o que vai ajudar a derrubar mais os juros”, explica o economista.
R7
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