Por Redação Bocão News
Em entrevista a revista Isoté, o
presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR),
José Robalinho Cavalcanti, defendeu os colegas de Curitiba, classificou
como “infelizes” as declarações de Renan e explica a dificuldade de
encontrar a digital do mandante em crimes corrupção.
“Não tenho como não dizer que o
presidente do Senado foi infeliz nas suas declarações. Não houve
exibicionismo algum. O Ministério Público Federal estava lá impessoal.
Além disso, o presidente Renan foi rebatido, algumas horas depois, pelos
fatos, quando a denúncia foi recebida, mostrando que o trabalho do MPF
foi feito de maneira correta. É bom lembrar que, para denúncia, você tem
de ter um grau de convicções e provas que é diferenciado em relação à
condenação. Isso é outra história”, disse para revista.
E continua: “no curso do processo, os
acusados vão ter ampla defesa. Na Lava Jato não houve em momento algum
exibicionismo. A ANPR acompanha todos os casos de representações feitos
contra colegas. Até hoje, apenas a defesa de Lula representou contra os
colegas da Lava Jato. E perdeu todas as vezes. Porque usam a tática
agressiva de atacar os acusadores em vez de se defenderem dos fatos. Com
todo respeito ao presidente Renan Calheiros, ele está profundamente
equivocado”.
Ainda na oportunidade, Cavalcanti
comentou sobre a acusação do MPF de não ter uma prova “cabal” e apenas
“convicções” para levar o ex-presidente Lula à condição de réu. “A
denúncia cita uma série de conjuntos de indícios. Por isso é que tinham
aquelas famosas bolinhas do Powerpoint do meu colega Dallagnol. Cada
bolinha daquela é um conjunto de indícios que são demonstrados na
denúncia. No caso do mandante de uma organização criminosa, raramente
você vai ter uma prova material contra ele. Você só vai ter isso dos
escalões mais baixos da quadrilha. Estes, muitas vezes, só conhecem o
intermediário. E, no máximo, só os intermediários têm contato com o
chefe da quadrilha. Isso é o normal numa organização criminosa.
Portanto, condenar a pessoa que está no mais alto escalão de uma
organização criminosa, na enorme maioria das vezes, só se pode fazer com
provas indiciárias. Ou seja, com testemunhas, circunstâncias que
mostram que aquelas pessoas eram ligadas a ela, que aquelas pessoas,
naquelas circunstâncias estavam obedecendo a ela”.
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