Por Redação Bocão News
A revista Época trouxe uma reportagem mostrando um esquema de lavagem
de dinheiro dentro do PMDB, através do advogado Flávio Calazans, dono de
um pequeno escritório em São Paulo. Conforme as investigações, Calazans
é peça de uma engrenagem que, de um lado, recebia dinheiro de grandes
grupos empresariais e, depois, repassava a empresas de fachada,
apontadas como dutos para o pagamento de propina para políticos. Entre
2013 e 2015, passaram mais R$ 20 milhões pela conta de Calazans.
O auge foi justamente o aquecido período eleitoral de 2014. Segundo a
reportagem, as ordens de transferência para Calazans partiam de Victor
Colavitti, da Link, e de Rodrigo Brito, filho do dono da AP Energy, a
mando de Milton Lyra, um lobista, operador do PMDB, próximo do
presidente do Senado, Renan Calheiros. “Eles me falavam que era a pedido
do Milton”, afirma Calazans. Delatores da Lava Jato e investigações da
Polícia Federal apontam Miltinho, como é conhecido, como operador de
Renan no Postalis, o fundo de pensão dos funcionários dos Correios, que
acumula um prejuízo bilionário. A empresa Link Projetos é apontada como
pagadora de propina.
Somadas, as transferências de Calazans para a Link e para casas
lotéricas chegam a R$ 1,2 milhão. Além disso houve R$ 9,4 milhões para a
AP Energy. Segundo as investigações, era uma empresa de fachada. Em
delação, Luiz Carlos Martins, executivo da Camargo Corrêa, disse que a
empreiteira usou a AP Energy para pagar R$ 2 milhões em propina ao
senador Edison Lobão – um dos caciques do PMDB e ex-ministro de Minas e
Energia.
Os maiores repasses a Calazans, de R$ 4,5 milhões, vieram do grupo
Hypermarcas e de sua subsidiária Brainfarma. Outro envolvido era Lúcio
Funaro, preso pela Lava Jato pela suspeita de ser operador financeiro do
ex--deputado Eduardo Cunha. Funaro depositou R$ 990 mil, em dois meses
de 2013. Assim como Milton Lyra, ele é acusado de ser operador do PMDB e
foi delator no mensalão.
Segundo as investigações, o esquema funcionava da seguinte forma: o
dinheiro era depositado por grandes empresa na conta do advogado Flávio
Calazans, este simulava os contratos para justificar os pagamentos e
repassava as empresas, que por sua vez repassavam propinas aos
políticos.
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