MEDIÇÃO DE TERRA

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MEDIÇÃO DE TERRAS

domingo, 24 de julho de 2016

Previsões partem de bases fixas, mas as realidades são sempre móveis


charge laerte copa do mundo
Charge do Laerte, reprodução do Arquivo Google
Pedro do Coutto
O intelectual Hélio Schwartsman, colunista da Folha de São Paulo, no espaço da edição de sábado, colocou em discussão as previsões que se fazem e que não se confirmam pelos fatos. O motivo do artigo baseou-se nos custos que as Olimpíadas acarretam para os países que as promovem em relação às contrapartidas do que oferece. Referiu-se a várias delas, porém ateve-se aos reflexos financeiros. Estes não são tudo. Algumas Olimpíadas, como a de Barcelona, mudaram a cidade para melhor. Entretanto não são apenas as consequências financeiras que importam. Há mais consequências positivas do que negativas.
Em seu artigo, matemático que é, Hélio Schwartsman condenou as previsões feitas até por cientistas focalizando os átomos do universo, o que poderia significar saber-se automaticamente o passado e o futuro de tudo. Esta – citou – ficou para trás depois do inegável sucesso da mecânica quântica. Colocou assim uma questão científica fundamental.
HÁ CONTROVÉRSIAS – Desejo, contudo, acrescentar um aspecto menos sofisticado à questão que envolve as previsões que não se confirmaram. Trata-se do fato de que os planejamentos, principalmente os econômicos, partem de bases fixas de raciocínios considerados capazes de prever as reações respectivas, especialmente na área econômico social. São os planejamentos de sempre que colidem com as realidades que acontecem a cada momento e que tornam móveis os contextos para os quais se dirigem.
Alguns exemplos políticos são mais que suficientes para provar a contradição essencial entre o pleno projetado e sua execução concreta. Alguém poderia prever a renúncia de Jânio Quadros? A cassação de Carlos Lacerda pelo movimento que liderou em 64? Não. O imprevisto na história tem uma participação essencial. Ele está na diferença entre a previsão e seu desfecho. As previsões são estáticas, os acontecimentos têm mobilidade inesperada.
A FARSA DE DELFIM – Vejam, por exemplo, também a teoria do ex-ministro Delfim Neto quando no governo ditatorial do general Médici anunciou o que disse ser o milagre brasileiro, tentando copiar a frase do chanceler Helmut Koll ao destacar o milagre da recuperação da Alemanha no pós-guerra.
Delfim Neto chegou ao cúmulo de dizer que, na economia, é preciso primeiro fazer cresce o bolo para depois dividi-lo. O povo brasileiro é testemunha e vítima da farsa que projetou o autor da expressão.
Mas voltando à Olimpíada, sua importância, como disse há pouco não se esgota no campo da moeda. Possui, além de tudo uma importância histórica. Não só as Olimpíadas, mas também as Copas do Mundo. Vejam só o que representou em simbolismo a Olimpíada de 1948, em Londres, primeira competição após a guerra que terminou em 45. De uma cidade atingida pelas bombas nazistas de 41 a 44, a capital inglesa ressurgiu como um foco luminoso do esporte mundial.
NO BRASIL – A Copa do Mundo de 50, no Brasil também a primeira depois da Guerra, funcionou para escrever o endereço de nosso país no mapa mundial, aliás já desenhado em 42 com a entrada do país no conflito e com a sessão das bases aéreas de Natal e Recife, de grande importância para os Estados Unidos nos enfrentamentos desencadeados no Atlântico Norte.
Assim são os fatos, os quais sempre superam as previsões e que não se esgotam somente no campo das finanças internacionais, mas sim se inscrevem para sempre na história do universo.
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