Prefeitura prioriza megaeventos e deixa população com serviços precários
A poucos dias para o início da Olimpíada, turistas começam a chegar ao Rio. Além das belezas naturais, os visitantes vão poder usufruir de grandes estádios, shows gratuitos em praças e um forte esquema de policiamento. Mas o clima de festa esconde uma realidade, não tão feliz, enfrentada pela parcela da população que precisa contar com serviços públicos, como saúde e educação.
O orçamento total dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro é estimado em R$ 38,7 bilhões. O custo é dividido entre a administração pública e a iniciativa privada, por meio de patrocínios ou Parcerias Público-Privadas (PPPs). As altas cifras chamam a atenção e são alvo de críticas dos cariocas, que acreditam que os recursos poderiam ter sido melhor alocados.
A saúde, por exemplo, parece ser sido esquecida pelos governantes. A recepcionista Tatiana, moradora da zona norte, está com o pai internado no Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier. Durante as visitas, ela e a mãe se deparam com a unidade lotada e pacientes nos corredores. "Minha mãe esteve aqui na terça-feira (19) e disse que lá dentro está muito complicado. Tem muita gente sendo atendida em macas nos corredores", afirmou Tatiana, que aguarda há quatro meses para conseguir marcar consulta no posto de saúde de Irajá.
A mãe de Catarine Conceição também é atendida na unidade hospitalar. De acordo com ela, falta contratação de mais profissionais para melhorar o atendimento. "Minha mãe não tem a perna direita, então é complicado para ela se virar na cama para fazer curativos. E lá tem muita gente acamada. As enfermeiras precisam ficar de um lado para o outro atendendo as pessoas. É muita demanda e poucas enfermeiras", contou.
Márcia de Oliveira, que acompanha o marido em tratamento na unidade da zona sul, também vê falhas no atendimento. A funcionária pública tece críticas às despesas com os Jogos Olímpicos: "Essa demora sempre existiu. Poderia estar melhor e não só na saúde. Os governantes parecem não se importar. As obras para as Olimpíadas já apresentam vários problemas, como a Transolímpica. Eles sempre usam material de má qualidade. O negócio não é fazer boa obra, é 'arrecadar' um bom dinheiro".
Mais dinheiro para educação?
Stela, mãe de aluna da Escola Municipal Azevedo Sodré, localizada na Praça da Bandeira, afirma que a Prefeitura precisa contratar mais profissionais: "Até que a administração chamou muitos professores, mas falta profissionais de apoio, como secretários e merendeiras. Por conta disso, a educação especial está caótica. É muito triste. A Prefeitura precisa convocar os agentes de apoio que estão no banco de aprovados. Ela diz que está contratando, mas é mentira".
Para Jaqueline, também mãe de aluna na mesma unidade, os governantes não atendem às principais reivindicações da população: "Não há o que reclamar dos professores da escola, que são excelentes, mas, da Prefeitura, sim. O poder público deveria priorizar a educação, a saúde e outras coisas que o Rio precisa, muito mais do que dos Jogos Olímpicos".
* do projeto de estágio do JB
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