Minas Gerais ostenta um triste título relacionado à preservação do meio ambiente no Brasil. O Estado é o campeão na destruição da Mata Atlântica. Conforme estudo divulgado nesta quarta-feira (25) pela Fundação SOS Mata Atlântica, Minas foi responsável por suprimir, no ano passado, 7.702 hectares de vegetação do bioma. O Estado vinha de dois anos seguidos de quedas no índice de supressão.
O índice corresponde a um aumento de 37% em relação a 2014. O levantamento revela que uma das principais causas dos índices atingidos resulta da atividade de mineração. Além disso, chama a atenção o caso de Mariana, que teve 258 hectares devastados,contudo 169 resultantes do rompimentoda barragem de Fundão, em novembro do ano passado, no desastre que varreu o distrito de Bento Rodrigues.
O Estado liberou o ranking de desmatamento de 2000 a 2013, mas melhorou a posição em 2014 e 2015, quando deixou o posto de campeão de supressão da Mata Atlântica. Contudo, retrocedeu.
“Após dois anos de intenso trabalho e o ajuizamento de diversas ações pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), redundando na queda dos índices de supressão, o Estado entendeu por bem retroceder em diversas áreas na legislação ambiental, culminando, justamente, na elevação do desmatamento", lamentaram os promotores Carlos Eduardo Ferreira Pinto e Felipe Faria de Oliveira.
O Piauí abriga o município Alvorada do Gurguéia, responsável pela maior área desmatada entre todas as cidades do Brasil. Entre 2014 e 2015, foi identificado decremento florestal de 1.972 hectares no local. Os municípios baianos de Baianópolis (824 ha) e Brejolândia (498 ha) vêm logo atrás, seguidos pelas cidades mineiras de Curral de Dentro (492 ha) e  Jequitinhonha (370 ha), localizadas na região conhecida como triângulo do desmatamento, que abriga ainda Águas Vermelhas (338 ha), Ponto dos Volantes (208 ha) e Pedra Azul (73).
Para eles, exemplos claros do descaso são a revogação parcial, em outubro de 2015, da moratória que suspendia novas autorizações de desmate e a Lei nº. 20.922, conhecida como Código Florestal Estadual, que flexibilizou a legislação ambiental.
“Infelizmente, há indicativos de que a situação venha a piorar em nosso estado com a enorme flexibilização do licenciamento ambiental ocorrida nos últimos meses com a Lei Estadual nº. 21.972, de 2016, que irá propiciar índices de desmatamento não controlado ainda maiores", acreditam os promotores.
Entretanto, os dois afirmam que o MPMG vai continuar ajuizando ações para impedir irregularidades relacionadas ao meio ambiente.
O estudo aponta desmatamento de 18.433 hectares (ha), ou 184 Km², de remanescentes florestais nos 17 Estados da Mata Atlântica no período de 2014 a 2015, um aumento de apenas 1% em relação ao período anterior (2013-2014), que registrou 18.267 ha.
Histórico do desmatamento
Criado em 1985, o monitoramento feito pelo Atlas permite nesta edição quantificar o desmatamento acumulado em alguns Estados nos últimos 30 anos. O Paraná lidera este ranking, com 456.514 hectares desmatados, seguido por Minas Gerais (383.637 ha) e Santa Catarina (283.168 ha). O total consolidado de desmatamento identificado pelo Atlas desde a sua criação, que não incluiu alguns Estados em determinados períodos, chega a 1.887.596 hectares.
Flávio Jorge Ponzoni, pesquisador e coordenador técnico do estudo pelo INPE, ressalta os avanços tecnológicos obtidos ao longo dos anos de monitoramento. “O trabalho começou em formato analógico, tudo era feito no papel e identificávamos fragmentos acima de 40 hectares. Hoje, na tela do computador, observamos áreas acima de 3 hectares. E há total transparência, tudo o que mapeamos e produzimos é aberto ao público de maneira gratuita. É um serviço que prestamos para toda a sociedade com o objetivo final de garantir a conservação de um patrimônio nacional“, diz ele. 
O Hoje em Dia entreou em contato com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, mas até o fechamento desta edição não havia sido divulgada nenhuma resposta.
Mapa desmatamento
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