Em Rio Branco, profissionais contam como lidam com a morte.
'Maquiar e arrumar mortos ajuda a amenizar a dor da família', diz Fátima.
"Faço de tudo. Se for preciso eu costuro corpos, maquio, dou banho, visto uma roupa, removo corpos, faço sepultamento, ou seja, faço de tudo. Trabalho diretamente com o corpo e com a família. Eu me acostumei e até gosto de trabalhar com isso. Nunca me assustei com os mortos. Na verdade, eu me assusto mesmo é com os vivos", diz Fátima.
"Claro que ter que arrumar um familiar, amigo ou criança é mais doloroso, mas esse é o meu trabalho, e eu tenho que fazer. A gente se emociona sim, algumas vezes eu chorei junto com a família. Não é porque trabalho com a morte que tenho que ser seca como ela", diz.
Ela conta que maquiar e arrumar os mortos acaba, de certa forma, contribuindo com um conforto para a família. "A pessoa chega aqui muito triste com a morte do parente e é ainda pior quando os vêm pálidos e desfigurados. Então, a gente tenta deixar aquela pessoa o mais natural possível, com uma maquiagem leve e simples. É uma forma de poder amenizar um pouco da dor", conta.
No Dia dos Finados, celebrado nesta segunda-feira (2), Fátima diz que para conseguir conviver de perto com a morte diariamente precisou se apegar à bíblia. Segundo ela, o trabalho a fez enxergar a morte de forma natural e acreditar ainda mais na palavra de Deus.
Araújo diz que sepultar crianças também é o que mais dói. "É a coisa mais difícil. O meu primeiro sepultamento foi uma criança que morreu de acidente, a gente vê ali mãe e o pai sofrendo. É muito difícil", conta.
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