Garrafas, sacolas plásticas e muito lixo dividem espaço entre embarcações.
Ecologista alerta que poluição na Marina do Davi afeta todo ecossistema.
O montador Raimundo Antônio de Carvalho, de 42 anos, lamenta o cenário. "Passei 10 anos sem vir aqui, mas antes nunca tinha visto um cenário como esse. A gente nunca espera algo assim, fiquei assustado", relata.
No local, uma cooperativa de turismo tenta ajudar no processo de limpeza do rio. A empresa instalou duas lixeiras específicas para o depósito de latas de alumínio, material que pode ser recilado posteriormente.
Limpeza diária
O titular da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp), Paulo Farias, disse à reportagem que o trabalho de limpeza urbana é feito diariamente no local, porém, a população dificulta o processo de limpeza porque não tem o hábito de levar o lixo produzido nas embarcações à caixa coletora instalada na parte superior da marina.
"Nós estivemos lá ao longo do final de semana, só não estivemos ontem por conta do Dia de Finados. As pessoas ao desembarcarem não estão se dando ao trabalho de levar suas sacolas de lixo até a caixa de lixo que esta disponível lá em cima, como sempre esteve. As pessoas estão largando os sacos de lixo diretamente no local onde desembarcam e isso é um procedimento que deve ser evitado. Elas devem levar seus sacos de lixo até a caixa, assim como faziam quando o rio estava cheio", afirma o secretário.
"A equipe não sai de lá. A Marina do Davi tem coleta diária, tem varrição diária, estivemos lá embaixo no final de semana, agora, é importante que o procedimento seja cumprido. A caixa de lixo está para receber a coleta dos barcos", pontua.
"Sopa contaminada"
O mestre de ecologia, Carlos Durigan, ressalta que o acúmulo de certos materiais prejudicam tanto o ambiente quanto ao homem. Ele destacou que o local sofre influência de resíduo como chumbo, enxofre, metais pesados e outros produtos químicos que podem alterar o ecossistema.
"O resíduo sólido que está depositado no entorno de Manaus não vai se degradar tão cedo, para alguns desses materiais são centenas de anos. A questão do acúmulo desses materiais altera o ambiente das espécies que vivem por lá. Durante a seca a gente vê, durante a cheia não, fora os que ficam no fundo. Manaus tem muito problema de resíduos de casas e indústrias, além das embarcações que ficam no entorno da cidade e naquela área da marina. Nessa época de seca vira uma espécie de sopa contaminada. Uma água que tem resíduo de chumbro, enxofre, metais pesados em geral e outros produtos químicos que prejudicam o organismo a longo prazo. Além disso, tem as possibilidades de doenças como a leptospirose", afirma.
Durigan concorda com o secretário quanto à responsabilidade da população, mas enfatiza que a cidade precisa de medidas mais eficazes contra o problema. "Só a limpeza não adianta, é preciso uma conscientização da população e uma fiscalização mais forte. Nós ainda não temos um aterro sanitário adequado para o lixo que produzimos, então mesmo quando o lixo é recolhido não se tem um destinamento correto", criticou.
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