Saldo: 1) a renúncia compõe, sim, seu cardápio de saídas; 2) o governo não sabe a diferença entre democracia e golpe
A
presidente Dilma Rousseff reuniu na noite deste domingo, no Palácio da
Alvorada, 13 ministros; Michel Temer, o vice-presidente e coordenador
político, e dois líderes do governo no Congresso. O objetivo do
encontro? Bem, os presentes imaginaram que a governanta iria anunciar
alguma medida concreta para deixar claro que está no comando. Huuummm…
Sabem o que ela fez? Marcou novas reuniões.
Já
escrevi, acho eu, uma dezena de textos apontando que um dos seus
problemas é não ter agenda nenhuma — nem para dialogar com a base nem
para estabelecer pontes de governabilidade com a oposição. Mas trato
disso daqui a pouco. O ponto que mais chamou a minha atenção foi outro e
diz respeito ao impeachment e à renúncia.
Edinho
Silva, ministro da Comunicação Social, foi o encarregado de falar com a
imprensa sobre o resultado do encontro. Referindo-se à determinação de
Dilma de permanecer no cargo, afirmou: “A presidente foi eleita para
cumprir quatro anos de mandato, e o Brasil é exemplo de democracia para o
mundo. Não podemos brincar com a democracia, não podemos brincar com as
instituições. A presidente vai cumprir seu mandato e está otimista com a
capacidade de a economia responder a esse momento de dificuldade num
curto espaço de tempo”.
Mais
adiante, indagado sobre os protestos do dia 16, que cobram o
impeachment, Edinho disse que o Planalto os vê como “um evento natural”.
Segundo ele, “um governo inspirado na democracia lida com normalidade
[com as manifestações]”. Ah, bom! Dilma e sua turma precisam decidir se
cobrar que ela seja impichada é coisa própria da democracia ou é
tentativa de golpe. Não dá para ser as duas coisas ao mesmo tempo.
Os que
compareceram à reunião esperava que a presidente anunciasse, por
exemplo, um enxugamento do governo. Mas nada! Não houve um só aceno
desse sentido. Estuda-se a redução das pastas das atuais 39 para algo
entre 24 e 29. O problema é que isso pode significar ainda mais
dificuldades com a base aliada. Na conversa, a presidente incitou os
ministros a falar com os parlamentares para tentar evitar a tal
pauta-bomba e aproveitou para anunciar que vai se reunir com os
respectivos presidentes dos nove partidos que oficialmente compõem a sua
base de apoio.
O
“diálogo” inaugurado por Dilma prossegue nesta segunda. Ela recebe para
jantar no Alvorada as principais lideranças de partidos governistas no
Senado, capitaneadas por Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente da Casa.
Há algum tempo já, o governo vem apostando em usar o senador para tentar
isolar Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que preside a Câmara.
A reunião
também serviu para anunciar que Dilma e Temer vivem uma relação
harmoniosa. Ele mesmo voltou a fazer uma defesa candente da
governabilidade, reiterando seu papel de conciliador, mas não de
candidato a ocupar o lugar de Dilma. Bem, caso ela seja impichada ou
renuncie, isso não depende da vontade dele, mas das leis.
Renúncia
Deixando claro que a renúncia é, sim, um tema que passou a habitar as paredes de vidro do Palácio da Alvorada, José Guimarães (PT-CE), o líder do governo na Câmara, revelou, como de hábito, o que lhe cabia guardar. “A presidente vai liderar um amplo diálogo com as bancadas, com os partidos, com os empresários, com os movimentos sociais. Vai percorrer o país e não há chance de renunciar”, afirmou esse grande, habilidoso e espetacular estrategista. Dito de outra maneira: a renúncia compõe o cardápio de saídas.
Deixando claro que a renúncia é, sim, um tema que passou a habitar as paredes de vidro do Palácio da Alvorada, José Guimarães (PT-CE), o líder do governo na Câmara, revelou, como de hábito, o que lhe cabia guardar. “A presidente vai liderar um amplo diálogo com as bancadas, com os partidos, com os empresários, com os movimentos sociais. Vai percorrer o país e não há chance de renunciar”, afirmou esse grande, habilidoso e espetacular estrategista. Dito de outra maneira: a renúncia compõe o cardápio de saídas.
Meus
caros, não faz sentido reunir 13 ministros, o vice-presidente e
lideranças no Congresso para nada. Dilma expõe o vazio da agenda, a
exemplo do que fez com os governadores. Assim, o saldo do encontro é
este:
– o governo ora diz que cobrar o impeachment é parte da legalidade democrática, ora diz que é golpe;
– Dilma discute, sim, a renúncia. E, por enquanto, segundo Guimarães e Edinho, ela a descarta.
– o governo ora diz que cobrar o impeachment é parte da legalidade democrática, ora diz que é golpe;
– Dilma discute, sim, a renúncia. E, por enquanto, segundo Guimarães e Edinho, ela a descarta.
Mas sabem como são as coisas… A realidade da política é dinâmica. A esperança permanece no fundo da caixa.
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