Mãe e irmã dizem que jovem não dirigia e que não poderia ter guiado veículo.
Ato na região central de SP fez protesto contra a violência a transexuais.
"Ela estava a duas quadras de casa, caminhando no sentido oposto de onde a viatura estava. Não faz sentido ela ter dirigido o carro", afirmou a irmã.
Cerca de 50 pessoas se reuniram na tarde deste sábado (27) na Praça da República, na região central de São Paulo, para protestar contra a morte da travesti. Vestidos com camisetas estampadas com foto de Laura, o grupo usou rosas brancas e cartazes para protestar contra o preconceito e a transfobia.
de São Paulo neste sábado (Foto: Vivian Reis/G1)
Uma das organizadoras do ato, a transexual e professora de filosofia Luiza Coppieters defendeu que atualmente existe uma "prática de extermínio de transexuais no Brasil. "Essa manifestação é em memória da Laura e das outras 69, que foram assassinadas, e não mortas. O que eu sinto nesse momento é dor. Toda vez que uma transexual morre é como se eu perdesse uma parte minha".
"Essa manifestação é para mostrar que a morte da Laura não é um fato isolado, mas algo recorrente", completou outra organizadora do protesto, a programadora e transexual Aline Freitas.
Gay, participa de protesto (Foto: Vivian Reis/G1)
Em entrevista ao G1 após a Parada Gay, a atriz justificou a crucificação como uma forma de encenar o sofrimento de Jesus e “representar a agressão e a dor que a comunidade LGBT tem passado”.
"Nunca tive a intenção de atacar a igreja. A ideia era, mesmo, protestar contra a homofobia". Viviany disse que recebeu milhares de ameaças desde a publicação de uma foto da agência Reuters. “Teve gente dizendo que ano que vem vão colocar fogo na parada”, contou.
tiro e marca de faca (Foto: Reprodução / Facebook)
A mãe da travesti morta, a comerciante Zilda Laurentino, contou que nunca houve preconceito em relação à escolha da filha. "A gente chamava ela de bonequinha do papai. Eu acompanhava ela nas consultas médicas, que ela queria fazer cirurgias". "Ela era a menina dos olhos da família. Sempre foi muito aceita", completou a irmã.
Elas souberam que a jovem estava ferida pelo funcionário de um posto de combustíveis que conhecia a travesti e que teria presenciado a ação da polícia. Segundo a família, os policiais omitiram socorro à jovem depois que ela se feriu com o tiro. "Estamos sentindo muita dor e queremos justiça", completou Rejane Laurentino.
Briga e investigação
Na madrugada do último sábado (20), o sargento Ailton de Jesus, de 43 anos, e o soldado Diego Clemente Mendes, de 22 anos, foram acionados para apartar a briga entre Laura e outra travesti na Avenida Nordestina, em Itaquera. Quando tentavam conter o tumulto, Laura teria entrado no carro da polícia e dirigido até bater em um muro. O corpo dela foi encontrado esfaqueado e com um tiro no braço.
O delegado José Manoel Lopes, titular do 32º Distrito Policial (DP), em Itaquera, investiga se esse trauma na cabeça de Laura foi provocado pelas agressões que a travesti sofreu de algumas pessoas com quem se desentendeu. Outra possibilidade é a de que ela tenha batido o rosto no painel do carro da PM quando o veículo se chocou com o muro.
(Foto: Reprodução/Facebook/Laura Vermont)
Os PMs responderão soltos pelos crimes de fraude processual e falso testemunho. Policiais civis ainda apuram se o sargento e o soldado bateram em Laura quando ela roubou o veículo da PM. Apesar de o laudo ter confirmado que a travesti foi baleada no braço esquerdo, esse disparo não causou sua morte. O tiro foi dado pelo PM Diego, quando ele tentava impedi-la de levar o veículo da corporação.
"Os policiais militares não mataram a travesti. Meu cliente, o Diego, até chegou a atirar no braço dela para se defender, mas o disparo não causou sua morte”, disse durante a semana o advogado Fernando Capano, que defende o soldado. “O mais provável é que ela tenha morrido em decorrência dos ferimentos a faca e das agressões durante o linchamento popular que sofreu”, completou.
Câmeras de segurança da rua onde Laura morreu foram solicitadas pela investigação. Eles teriam gravado os policiais militares agredindo a travesti. Por meio de nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou "a conduta dos PMs também está sob investigação da Corregedoria da corporação".
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