Ao
todo, 5.104 pessoas de 1.020 famílias já foram afetadas pela enchente
neste ano em Benjamin Constant (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)
A cheia do Rio Solimões também está causando muitos prejuízos ao município de
Benjamin Constant.
Com ruas do Centro submersas e prédios inundados pelas águas, parte das
lojas da cidade parou de funcionar. A estimativa da prefeitura é que
todos os estabelecimentos comerciais da área central tenham sido
afetados. Fotos feitas pelo
G1 mostram área urbana da cidade.
Veja.
Benjamin Constant fica situado a 1.118 km de distância de
Manaus em área de tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia. A cidade é uma das mais atingidas pela cheia no
Amazonas neste ano e está em situação de emergência.
São 56 ruas alagadas e 51 comunidades atingidas, conforme dados da
Prefeitura de Benjamin Constant. A maioria dos trechos alagados está
localizada na área de comércio da cidade, às margens do rio. Um cenário
desolador, que levou muitos comerciantes a fecharem as lojas para evitar
mais perdas.
Movimento caiu 70% e já até pensei em desistir e vender o hotel"
Marildete Pereira, empresária
Marildete Pereira, de 51 anos, é proprietária de um hotel no Centro.
Ela viu de um dia para outro o rio invadir o térreo do local. Os
reflexos da elevação do nível do Solimões já são evidentes.
"O movimento de hóspedes do hotel caiu 70%. Tenho apenas seis quartos
ocupados dos 23. Desde 2012, não enfrentávamos uma cheia tão severa. Já
até pensei em desistir e vender o hotel", lamentou Marildete.
A empresária acompanhou nas últimas semanas dezenas de lojistas
fecharem os estabelecimentos na tentativa de evitar perdas. Alguns
transferiram mercadorias para áreas mais distantes do rio.
Os comerciantes que permanecem no local amargam prejuízos. Alguns temem
arcar com perdas de até R$ 60 mil. "Nossa preocupação é se tiver uma
cheia maior que a de 2012, quando perdi R$ 60 em mercadorias atingidas
pelas águas. Isso sem contar com a redução das vendas", comentou a
proprietária de um armazém de estivas Joana Ferreira, de 39 anos.
Hotel amarga baixa ocupação (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)
Poucos consumidores atravessam as ruas alagadas usando pontes e
passarelas de madeira, e a medida paliativa encontrada pelos
comerciantes foi construir as populares marombas, que são assoalhos de
madeira.
Peruano Joni Carrera teme nova cheia histórica
(Foto: Adneison Severiano/G1 AM)
Dentro da loja de roupas do peruano Joni Carrera, de 58 anos, o nível
da água alcançou 75 centímetros. "Já estou com o terceiro piso de
madeira construído. As vendas caíram 60%, porque as pessoas evitam
circular pelas ruas alagadas. O que nos deixa apreensivo era que antes
enfrentávamos uma grande enchente a cada dez anos. Em quatro anos, essa é
a segunda maior", disse Carrera.
Segundo a prefeita de Benjamin Constant, Iracema Maia, o impacto da
cheia abrange toda a área comercial e parte da zona rural. "Na parte
central da cidade 100% dos estabelecimentos foram afetados. Toda a
produção rural foi perdida com a destruição de plantações de maracujá,
banana e mandioca. É um cenário dramático para nós", enfatizou a
prefeita.
Benjamin Constant está em situação de emergência (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)
A Defesa Civil Estadual tem atuado na distribuição de alimentos,
remédios e kits (redes, colchões e telas contra mosquito). Já a Defesa
Municipal construiu 11 km de pontes e passarelas em áreas alagadas. Ao
todo, 5.104 pessoas de 1.020 famílias foram afetadas pela enchente neste
ano na cidade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário