Na terça-feira gorda, as explicações do PSB para seu voo cego, os números do Ibope e o debate entre os presidenciáveis.
Hoje
é um dia cheio. E como! A Band realiza o primeiro debate entre os
presidenciáveis. O Jornal Nacional divulgará os números da pesquisa
Ibope. Se o que se cochicha por aí se cumprir, Marina Silva, da Rede,
mas aboletada no PSB, deve aparecer em segundo lugar, mais próxima da
petista Dilma Rousseff do que jamais esteve, com a possibilidade de
estar à frente no segundo turno, fora da margem de erro. Só isso? Não! O
PSB também promete para hoje uma explicação para o grande mistério da
chamada “nova política” que Marina encarna: afinal de contas, de quem
era aquele avião que se espatifou no chão, matou Eduardo Campos e outros
seis e pode ter aberto para a ex-senadora petista a possibilidade de se
eleger mesmo não tendo um partido?
O governo
petista está de tal sorte desgastado que o mercado, nesta segunda,
reagiu com euforia ao simples boato de que Marina pode vencer Dilma nas
urnas. É o que já vinha acontecendo quando essa possibilidade apontava
para Aécio. Ainda que a líder da Rede esteja mais para incógnita do que
para resposta, conta o fato de que ela, afinal, não é… Dilma. De resto,
os cardeais da papisa, como Maria Alice Setúbal e Eduardo Giannetti, já
deixaram claro que o setor financeiro não tem o que temer. Uma promessa
de independência do Banco Central já rende adesões… “Mas e a história de
que Marina defende o decreto 8.243 e quer criar os tais conselhos
populares?” Convenham: não é uma causa que sensibilize tanto assim os
mercados, né? Se democracia lhes fosse uma condição inegociável, cairiam
fora da China… Sigamos.
Como vão
se comportar Dilma Rousseff e Aécio Neves? Comenta-se que ambos tendem a
evitar o embate direto com Marina. Será mesmo que é uma boa saída? A
ser assim, a tendência, então, é que se dê o confronto entre os nomes do
PT e do PSDB, que é tudo o que quer a candidata do PSB, que se
apresenta como uma suposta terceira via, insistindo na tecla de que o
país já está cansado daquele velho confronto.
Reconheça-se,
no entanto, que Marina chega ao debate ainda ungida por certa esfera de
santidade. O embate com ela pode render desgaste, sim, tanto a Aécio
como a Dilma, a menos que consigam evidenciar o que podem considerar seu
despreparo, suas eventuais contradições ou sei lá o quê.
Vamos ver:
os números do Ibope serão divulgados antes do debate. Os três já os
conhecerão. Se a distância que separa Marina de Aécio for muito grande,
não resta ao tucano, acho eu, outra saída que não questionar firmemente a
oponente que pode lhe tomar o segundo lugar. Se houver evidências na
pesquisa de que Dilma caminha para uma derrota no segundo turno,
preservar a candidata do PSB também não será uma atitude prudente da
petista.
O que eu
acho que tem de ser feito? Olhem aqui: esse embate eleitoral se tornou
de tal sorte contaminado por mitologias e misticismos que, se me fosse
dado sugerir alguma coisa, recomendaria nada além da clareza absoluta.
Os três principais candidatos que estarão no debate já propuseram — e
realizaram — coisas para o Brasil. Os três fariam um bem ao país se
forçassem o debate para que os outros dois pudessem ser confrontados com
suas palavras e com suas obras.
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