MEDIÇÃO DE TERRA

MEDIÇÃO DE TERRA
MEDIÇÃO DE TERRAS

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Hospital é modelo de atendimento


Com uma série de cuidados e equipe qualificada, maternidade pública se torna diferencial no atendimento às gestantes
JORNAL O HOJE - GO | Por: Luiz Redação
Cynthia Costa

A gestante Camila de Sousa Bueno recebe massagem da enfermeira obstetra Cristiane Lima   (Selma Cândida )
A gestante Camila de Sousa Bueno recebe massagem da enfermeira obstetra Cristiane Lima (Selma Cândida )
Mulheres à beira de conhecer seus bebês, ver os rostinhos ao vivo e em cores e se apaixonarem por eles para o resto da vida. No ambiente, o clima de paz ganha reforço com a aromaterapia e passa a certeza de que as gestantes estão no lugar certo para trazer seus filhos ao mundo.
Nada de anestesia, muito menos enfermeiras sérias e médicos com máscaras. Esse foi o cenário encontrado pela reportagem de O HOJE na Maternidade Dona Íris, na manhã de sábado (23). Na unidade hospitalar, situada na Vila Redenção, 75% dos partos de baixo risco são feitos por enfermeiras obstétricas.
Essas profissionais são treinadas no próprio hospital, que segue diretrizes estabelecidas pela Rede Cegonha e normas do programa Hospital Amigo da Criança. Essas regras preconizam a adoção de boas práticas para as mães e seus bebês.
A gerente de enfermagem da unidade, enfermeira obstetra Cristiane Vieira Manso de Lima, afirmou que as técnicas adotadas na instituição reduzem o uso de anestesia, evitam episiotomia (incisão da vulva para facilitar a passagem do bebê durante o parto) e uso de medicamentos para acelerar o trabalho de parto.
Cristiane citou outros cuidados com a parturiente. “Nós as levamos para um banho quente, na banheira ou no chuveiro mesmo, com uso de essências florais escolhidas por elas, e fazemos uso de massagens nas costas para acalmá-las nesta hora”.
Além disso, são feitos escalda-pés e algumas delas caminham pelo andar onde os partos acontecem.
A enfermeira obstetra explica que os quartos são individuais e cada um recebe uma placa com os nomes da mãe e do bebê. “Esse procedimento é adotado para facilitar a identificação, sem a necessidade de usar artifícios como chamá-las simplesmente de mãezinha.”
Nos quartos também há berços onde os recém-nascidos ficam junto de suas mães logo após o nascimento e a primeira mamada. “A nossa preocupação é incentivar o aleitamento materno já na primeira hora de vida da criança, com o objetivo de estreitar a relação mãe-bebê”, informa Cristiane. E ela destaca ainda que no hospital não existe berçário. “O único momento em que ficam separados é quando levamos a criança para ser pesada e medida”, acrescenta.
A gerente de enfermagem esclarece também que, mesmo na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), um não fica distante do outro. “Usamos o método canguru, em que a criança fica em contato direto (pele a pele) com sua mãe e tem garantido ganho de peso naquelas que necessitam desse tratamento”.

Mães aprovam
Camila de Sousa Bueno, de 24 anos, na quarta gestação, gostou da atenção que recebeu ao dar entrada no hospital. Ela conta que fez o pré-natal no Cais da Chácara do Governador, próximo de sua casa no Parque Santa Cruz. Na sexta-feira (22), ainda no oitavo mês de gravidez, a bolsa de Camila rompeu às 6 horas da manhã e ela foi direto para a maternidade. “Desde que cheguei, tenho me sentido muito calma, já que as enfermeiras me passam muita tranquilidade”.
Sua acompanhante, Urânia Oliveira dos Santos, de 26, ficou encantada com o que viu. “As profissionais de enfermagem são prestativas e muito atenciosas”, comenta. Aliás, outra vantagem da unidade hospitalar é que o acompanhante fica todo o tempo junto às parturientes.
Conforme Cristiane, eles permanecem com elas no pré-parto, durante o ato e após. “Elas não ficam sozinhas, até para dar mais segurança neste momento”. E, segundo a enfermeira, os pais ou acompanhantes podem cortar o cordão umbilical dos bebês.
Jaqueline Gottselig, 25 anos, havia tido seu bebê, Davi, na manhã do dia 22, na água, e se sentiu muito bem no ambiente acolhedor. “Foi meu primeiro parto e só posso dizer que o atendimento é excelente. Não lembra em nada um hospital público”.

Continua falta de vaga em UTIs
Em outro ponto da cidade, uma situação mais complicada. No Cais do Jardim América, Júnior César, de 49 anos, aguardava ansioso a transferência de uma amiga, vítima de parada cardíaca na noite anterior, para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Segundo ele, Maria Ositânia estava na sala de observação da unidade à espera de ser transferida. “Quando a trouxemos, ontem à noite, ela foi medicada aqui, mas fomos informados de que há outras sete pessoas na fila e de que, no momento, não há vaga nos hospitais que oferecem UTI”.
Júnior elogiou os cuidados dedicados pela equipe do Cais, mas reconheceu que não é o suficiente. “Eles a atenderam muito bem, mas faltam equipamentos. Portanto, estão de pés e mãos atados”. Ele diz que acionou a Defensoria Pública da União a fim de conseguir agilizar a transferência, mas ainda não havia tido resposta.

Acompanhamento
No momento em que a reportagem de O HOJE estava na unidade de atendimento, a coordenadora da Vigilância em Saúde do Distrito Sanitário Sul da Secretaria Municipal de Saúde, Kelly Cristina da Silva, também se encontrava no local. Ela explicou que, devido à gravidade do caso de Maria Ositânia, a paciente havia sido colocada como prioridade para a vaga.
“Ela está sendo monitorada no setor de observação e o quadro é estável. E já estamos em contato com quatro hospitais conveniados, que prestam esse serviço, para confirmar qual deles irá recebê-la”, diz ela.
Kelly Cristina explica que esse trabalho é feito através de um sistema informatizado, que permite descobrir onde está a vaga e onde ela está. (Cynthia Costa)

Coren denuncia insatisfação de profissionais 
A presidente do Conselho Regional de Enfermagem de Goiás (Coren-Go), Maria Salete Silva Pontieri Nascimento, ressalta que alguns fatores causam insatisfação nos profissionais de enfermagem que trabalham na rede municipal de saúde de Goiânia. Segundo ela, faltam condições de trabalho, a carga horária é exorbitante e os salários são baixos.
De acordo com a presidente do Coren-GO, um dos maiores problemas está na rede de atenção básica, que é precária. Ela ressalta que as unidades do Programa de Saúde da Família funcionam em locais alugados, já que a periferia não oferece lugares apropriados para isso. “Os trabalhos são desenvolvidos com dificuldade porque as salas de procedimento e os consultórios não são adequados”.

Qualidade
Conforme ela, o conselho tem lutado para que a carga horária de 30 horas seja respeitada, até mesmo para manter a qualidade dos serviços oferecidos. “Se as condições não são favoráveis, o auxiliar, o técnico ou o enfermeiro não consegue cumprir suas funções e aí é necessário que o parente dê banho e até troque a cama do paciente”, exemplifica.
Maria Salete relata que durante um congresso da categoria a pesquisadora da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz), Maria Helena Machado, revelou que os salários estão bem abaixo daquilo que seria o ideal. “Ela contou que um auxiliar de enfermagem se sentia muito feliz com a profissão que havia escolhido, mas triste porque recebia apenas um salário mínimo, o que o impedia de até ter algo para comer em casa”.
A presidente afirmou ainda que a Fiocruz está finalizando uma pesquisa em 27 Estados com auxiliares, técnicos e enfermeiros. “Ainda não concluída oficialmente, ela tem revelado dados estarrecedores: esses profissionais trabalham cerca de 100 horas semanais, apresentam um alto índice de absenteísmo e têm mais de dois empregos. Só assim para conseguirem manter a família”, acrescenta Maria Salete. (Cynthia Costa)

Nenhum comentário:

Postar um comentário