Samuel Costa/Hoje em Dia
A estudante paulistana Aline Ramos: restaurantes fechados na hora do almoço
Enquanto Belo Horizonte se prepara exaustivamente para atender aos
384,7 mil turistas que devem visitar a cidade durante a Copa do Mundo –
que vai de 12 de junho a 13 de julho –, Ouro Preto, o principal destino
turístico histórico do Estado, parece ter cruzado os braços para o
Mundial. O município, localizado na região Central de Minas Gerais, não
fez investimentos em hotelaria ou ergueu novos restaurantes e conta com a
estrutura que já possui para atender o público.
Durante todo o mês de junho, 130 mil turistas devem passar pela cidade,
que não tem, sequer, uma rua enfeitada de verde e amarelo. O número
equivale a 4,3 mil visitantes diários, conforme estima o secretário de
Turismo, Indústria e Comércio de Ouro Preto, Jarbas Avellar, e
representa menos da metade do verificado na Semana Santa, quando a média
de público é de 10 mil a 12 mil turistas por dia. “No Carnaval,
atendemos a 70 mil pessoas diariamente, e damos conta”, compara.
Em visita a Ouro Preto na última quarta-feira, a estudante paulistana
de filosofia Aline Ramos criticou a forma como os turistas são tratados
na cidade histórica. “São 13h e não consegui achar um restaurante
aberto. As igrejas estão fechadas, assim como o parque da cidade e a
Ópera. Falta estrutura. Sempre que fazemos uma pergunta, as pessoas
tentam nos vender algo”, diz.
Fechado
Durante a Copa, é possível que a situação se repita. As igrejas, por
exemplo, não terão horário de funcionamento especial. Hoje, os 12
complexos religiosos da cidade abrem em uma parte do dia devido à falta
de mão de obra, conforme aponta o secretário. “A maioria delas fecha na
hora do almoço, entre 12h e 13h30, mais ou menos. O esquema será o mesmo
na Copa”, comenta.
Se Aline fosse estrangeira e não dominasse o português, o problema dela
seria maior. Dos 84 guias cadastrados na Prefeitura, apenas oito falam
inglês. De acordo com Avellar, no entanto, a quantidade de profissionais
que atua em Ouro Preto é maior. “São mais de cem. Muitos não estão com o
cadastro em dia, mas trabalham. Além do inglês, alguns falam francês,
italiano e até mandarim”, afirma o secretário.
Para o gestor da Rodoviária da cidade, Paulo Roberto do Amaral, não
serão necessários investimentos para a Copa. De acordo com ele,
semanalmente 55 mil pessoas desembarcam na cidade pelo terminal. Durante
o Mundial, o número será semelhante. “Se não for menor”, calcula.
Ele explica que pequenas melhorias serão feitas para a Copa. Entre
elas, a instalação de dois televisores, que poderão ser utilizados por
quem espera os ônibus para embarcar. Há pouco tempo, as placas receberam
uma tradução em inglês e, portanto, não serão alteradas. Um funcionário
poliglota também foi solicitado à Prefeitura.
Pessimista, comércio não ampliará atendimento
A proprietária da lanchonete e da loja de souvenirs que funciona no
terminal rodoviário, Regina de Paula, espera um público pequeno em Ouro
Preto durante a Copa do Mundo. Tão pequeno, que ela dará férias para
dois dos oito atendentes durante o Mundial da Fifa.
Regina acredita que poucas pessoas utilizem os ônibus rodoviários para
chegar à cidade na Copa. “Quem vier, chegará de carro convencional ou
van. A rodoviária ficará deserta. Acreditamos que manifestantes fecharão
as rodovias impedindo que os turistas cheguem aqui”, afirma.
Um pouco mais otimista (mas nem tanto), a responsável pelo restaurante
Ouro Preto, Carolina Santos, acredita que o movimento vá aumentar, mas
não o suficiente para ampliar a mão de obra ou para fazer investimentos.
“Temos seis atendentes e vamos permanecer com este quadro”, comenta
Carolina.
Na loja de presentes Pauapique, a vendedora Cínthia de Paula afirma que
não vê necessidade em contratar mais funcionários. “O movimento não
deve aumentar”, diz.
Na avaliação do presidente do Convention & Visitors Bureau de Ouro
Preto e do Circuito do Ouro, William Adeodato, o desânimo dos
comerciantes é reflexo do cenário econômico mundial, que está nebuloso.
“O estímulo dos empresários para a Copa do Mundo é pequeno. Poucos estão
otimistas”, afirma. Apesar disso, ele diz que durante os 30 dias de
evento Ouro Preto ficará em destaque no cenário nacional e é dever dos
lojistas atender aos turistas da melhor maneira possível.
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