Caminhada reuniu centenas de pessoas no Centro da capital amapaense.
Ato público tem familiares e amigos de pacientes portadores da doença.
Cassio Albuquerque
Do G1 AP
'Marcha da Dignidade' mobilizou centenas de pessoas em Macapá (Foto: Cassio Albuquerque/G1)
Centenas de pessoas compareceram à 'Marcha da Dignidade' nesta sexta-feira (23), em
Macapá.
A caminhada reuniu pacientes com câncer, familiares, amigos e
apoiadores do Instituto do Câncer Joel Magalhães (Ijoma), que
reivindicaram das autoridades locais o cumprimento da lei federal que
determina que a pessoa com a doença inicie o tratamento no Sistema Único
de Saúde (SUS) dentro de 60 dias após o diagnóstico. O ato público
percorreu as principais ruas do Centro da capital e terminou na frente
do palácio do governo.
De acordo com o organizador da marcha, padre Paulo Roberto, o
Amapá
é um dos únicos estados no país onde a lei não é exercida pelos órgãos
de saúde. Ele disse que ao menos vinte pessoas precisam fazer o
tratamento fora do estado e ainda não conseguiram auxílio.
Ana Cristina Costa busca tratamento para o câncer
de mama (Foto: Cassio Albuquerque/G1)
"O objetivo da caminhada é chamar a atenção da sociedade para o
problema. O paciente com câncer sofre um descaso para receber um
atendimento médico com qualidade. Isso começa desde quando a doença é
detectada, pois, em grande parte dos casos, o tratamento só inicia após
seis meses", afirmou o padre.
A participante da marcha Ana Cristina Costa, de 41 anos, descobriu que é
portadora de câncer de mama há dois anos. Desde então, ela conta que
busca um tratamento adequado para a doença. "Tem sido muito difícil para
mim, pois em todo esse tempo eu me virei sozinha para conseguir
consulta, exame e medicamento. É triste saber que não há o apoio
necessário para gente como eu, que não possui condições de se tratar em
uma clínica particular", lamentou.
Leiane Barreto é portadora de câncer do colo do
útero (Foto: Cassio Albuquerque/G1)
Leiane Barreto, de 30 anos, disse que está há dois meses tentando
marcar um exame de tomografia para tratar o câncer no colo do útero
diagnosticado há dois anos. Durante a caminhada, a mulher reclamou da
falta de estrutura para o paciente portador da doença no Amapá. "Eles
disseram que não tem um extensor para eu fazer o procedimento. É
revoltante, pois quem mais sofre com essa situação somos nós",
indignou-se.
Jacilma Tavares, de 51 anos, protestou em nome do marido, que, segundo
ela, está internado no Ijoma há um ano com câncer no estômago. Ela disse
que os acompanhantes dos pacientes sofrem com a burocracia e demora na
marcação de exames nos hospitais. "Eu falo em nome das outras pessoas
que estão na luta pela vida dos seus parentes. Levamos muitos 'nãos' na
cara, nos dão chá de cadeira, mas, mesmo assim, seguimos persistentes e
superamos todas as dificuldades", disse.
Marcha percorreu principais ruas do Centro de Macapá (Foto: Cassio Albuquerque/G1)
No encerramento da marcha, o padre Paulo Roberto lembrou que dedicava a
manifestação a todos os pacientes de câncer que morreram sem conseguir
assistência médica em tempo hábil no Amapá. "Lutamos em favor da vida e
esperamos que depois deste ato, as pessoas vítimas dessa doença tenham
uma nova realidade", concluiu.
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