José Vanílson Torres, de 41 anos, é formado como garçom e bombeiro civil. Falta de residência fixa impede a entrada no mercado de trabalho.
oficina que acolhe moradores de rua
(Foto: Felipe Gibson/G1)
História nas ruas
Atualmente tentando concluir o ensino fundamental no Centro de Estudos de Jovens e Adultos, Vanílson conta que sua vida começou a mudar com a morte da mãe em 1985. "Foi um dia 27 de novembro, uma quinta feira. Ela faleceu por problemas cardíacos. Meu pai se casou novamente, vendemos a casa e fomos eu mais sete irmãos morar em São Gonçalo do Amarante (Grande Natal)", relata. Vítima de maus-tratos da madrasta, ele saiu de casa com 13 anos e nunca mais voltou. "Melhor estar nas ruas batalhando sem apanhar", diz.
Durante os 27 anos em que esteve nas ruas Vanílson viveu momentos de estabilidade, teve dois filhos, hoje com 9 e 12 anos, mas se envolveu com as drogas. "O crack foi minha destruição. Quase morri de pneumonia. Usei e tive recaídas", admite. Foi em uma das muitas situações difíceis que o morador de rua encontrou o caminho para, como ele mesmo conta, mudar sua história. "A coordenadora do albergue me convidou", conta Vanílson.
"Estive lá em 2011 e não gostei porque os guardas municipais eram truculentos quando faziam a revista. Voltei em 2012 e teve uma brincadeira de eleição para prefeito do albergue", lembra. Depois de criar o Partido Albergue Feliz (PAF), criar jingle e vencer a eleição de brincadeira, Vanílson viu que tinha potencial para crescer.
Em um evento na praça Augusto Severo, na Ribeira, ele conseguiu uma vaga para um curso de capacitação para lideranças de movimento de rua ofertado pelo Ministério da Saúde em Brasília. Foi o primeiro dos cursos e capacitações das quais participou "Perdi muito tempo. Enfrentei frio, violência, solidão e todo tipo de mazela nas ruas. Agora comecei a mudar minha história", desabafa.
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