Após fusões, novo organograma entra em funcionamento em janeiro.
Mudança na aposentadoria será válida apenas para novos servidores.
previdenciário (Foto: Katherine Coutinho / G1)
Os dois projetos de lei foram assinados nesta quarta pelo governador Eduardo Campos e encaminhados para a Assembleia Legislativa. As secretarias de Desenvolvimento Social e Articulação Social foram extintas e suas atribuições passam para a nova Secretaria de Governo e Desenvolvimento Social. As secretarias de Transportes e Recursos Hídricos passam a ser, juntas, a Secretaria de Infraestrutura, que vai incluir ainda a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) e a Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), além do Departamento de Estradas de Rodagem (DER). A pasta de Esportes vai ser incorporada pela Secretaria de Educação.
A nova organização das secretarias estaduais, após aprovada pela Alepe, começa a funcionar em 1º de janeiro de 2014. O governador Eduardo Campos preferiu não adiantar nomes, mas lembrou que existe um pacto para que, no mesmo dia, os deputados estaduais que ocupam cargos de secretários voltem a exercer seus mandatos. "As outras mudanças vamos ver de acordo com o prazo de desincompatibilização", aponta o governador.
A estimativa é que a redução no número de secretarias, somada à redução de cargos comissionados anunciada anteriormente por parte do governo, gere uma economia de R$ 50 milhões para os cofres públicos. O secretário de Planejamento e Gestão ressalta ainda que, com a incorporação das secretarias, atribuições são somadas e os programas em andamento não serão extintos. "Todas as equipes continuam funcionando, ganhando melhor eficiência, [...] assim como todas as atribuições, continuam existindo", destaca Amâncio.
O governador fez questão ainda de ressaltar que essa mudança não tem cunho eleitoral e faz parte do ciclo do governo, que está chegando à sua conclusão. "A gente vai fazendo rodar o programa de uma fase de conclusão, que é a fase que vivemos, onde as coisas rodaram, as obras foram tocadas. É hora de consolidar isso um olhar de longo prazo", aponta.
Previdência
Atualmente, os servidores públicos do estados são regidos pelo regime de previdência de repartição simples, em que o servidor contribuiu com uma parte e o estado custeia a contribuição patronal. “Essas contribuições servem para pagar os atuais aposentados e pensionistas e sobra uma aplicação para segurar o futuro. Só que ela não funciona, é falida, atualmente temos déficit”, explica o secretário de Administração, Décio Padilha.
A mudança é para um regime de previdência através de capitalização e também com possibilidade de complementação. A capitalização já é utilizada em 15 estados, segundo o secretário. “Todos os servidores que ingressarem vão recolher para um fundo específico, gerido pelo estado, que garante até R$ 4.159, que é o teto do regime geral hoje, [mas] todo ano altera. A capitalização resolve o problema estrutural, do ponto de vista complementar, é uma oportunidade que o estado traz para o servidor”, detalha.
Se o servidor quiser, então, continuar ganhando o que recebe na ativa, ele vai recolher além do equivalente aos R$ 4.159. Essa complementação não tem teto previdenciário. “Só que esse 'a mais' é bem menos do que hoje, atualmente ele recolhe em cima do todo. A gente agora vai recolher 3,5% em cima de um pedaço menor. [...] Esse fundo vai ser gerido pela União, a gente vai aderir ao convênio [de previdência complementar] da União”, aponta.
Em 2012, o déficit na previdência de Pernambuco foi de R$ 1,2 bilhão e pode chegar a R$ 1,5 bilhão neste ano, segundo o secretário de Administração. “Ou a gente fazia essa mudança agora, ou em dez anos não poderíamos mais honrar a aposentadoria. É importante saber que temos hoje 1,4 ativos pagando para um inativo, o que gera um déficit previdenciário estrutural”, explica Padilha.
O sistema só vai funcionar depois da lei aprovada e o governo federal autorizar o regime, o que o secretário prevê que aconteça apenas seis meses depois da aprovação pelos deputados. Padilha lembra ainda que os estudos para a mudança do regime levaram aproximadamente dois anos, com conversas constantes com representantes do sistema previdenciário do governo federal.
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