Mais de 200 famílias foram despejadas do Ramal do Cacau, em Rio Branco.
Superintendente do Incra acredita que situação será resolvida.
Com os poucos pertences espalhados por uma das calçadas do Incra, Margarido conta que a família tem que dormir ao relento expostos a chuva. Os sete estão dividindo um colchão de casal e, segundo a esposa Neuza Pereira, a dificuldade também tem sido a alimentação, porque ninguém tem dinheiro para comprar o básico.
"O despejo aconteceu sem ninguém esperar. Tiraram o povo de dentro do local e levaram para debaixo de uma ponte, porque não tinha onde ir. Hoje, nós estamos aqui nessa situação esperando uma solução. O maior prazer que um ser humano tem é ele estar em um lugar tranquilo, sem perturbação de ninguém e as crianças ter onde brincar", fala o produtor.
Ainda de acordo com Silva, a única coisa desejada pelas famílias é a área de terra que pertence a União. "Nós estamos na área da União. Ninguém quer um palmo de terra do fazendeiro, a gente quer só o que é nosso. A gente pode ser pobre, mas jamais ia entrar em uma área particular, documentada, que o 'cara' paga os impostos", fala Silva.
Margarida, espera mais um
(Foto: Caio Fulgêncio/G1)
Uma das coisas que mais preocupam Araújo é a interrupção das aulas das crianças. "No Ramal do Cacau nossos filhos estavam estudando. Nós batalhamos muito por uma escola. Já estávamos com um ano e meio lá dentro e despejaram todos lá de dentro, queimaram a escola", afirma.
Emocionada, Maria Margarida também comenta sobre os problemas enfrentados. "Meus filhos estão sofrendo, estou grávida. Meus filhos estão sem estudar, eles queimaram a escola, aí a gente improvisou uma escolinha aqui. Meu marido lutou tanto para serrar madeira e derrubaram a nossa casa, queimaram as galinhas", diz.
O superintendente do Incra no Acre, Idésio Luis Franke, diz que o órgão está fazendo a parte que lhe cabe nas negociações. "As negociações estão se encaminhando, óbvio que há um tempo para que isso ocorra. O Incra está fazendo a sua parte e eu tenho certeza que nós vamos chegar a um bom termo nessa negociação".
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