MEDIÇÃO DE TERRA

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terça-feira, 19 de novembro de 2013

Após cinco meses, idoso continua na espera por leito em Belém


Walter, de 64 anos, aguarda leito para retirada de nódulo cancerígeno.
Barros Barreto afirma que cirurgia será realizada até o final desta semana.

Do G1 PA

Hospital Barros Barreto receberá R$ 1,7 milhão de investimentos (Foto: Elielson Modesto / O Liberal)Hospital Barros Barreto receberá R$ 1,7 milhão de investimentos (Foto: Elielson Modesto / O Liberal)
Um senhor de 64 anos, diagnosticado com câncer, luta desde maio de 2013 para conseguir realizar uma cirurgia de retirada de nódulo alojado nas cordas vocais, no Hospital Barros Barreto, em Belém. Walter Silva da Rocha devia ter sido operado na última quinta-feira (14), mas por falta de leito no hospital, teve a cirurgia adiada para a próxima quinta-feira (21). Mas segundo a filha do paciente, ainda não há leitos disponíveis para a internação de Walter.
Walter Silva da Rocha começou a fazer os exames em abril de 2013 e a primeira cirurgia para constatar se era um nódulo cancerígeno ou não foi marcada para o mês de maio. Segundo os familiares do paciente, a cirurgia foi adiada até agosto, quando Walter foi diagnosticado com neoplasia na laringe. Devido o local e o tamanho do nódulo, o idoso sofre com as dores e dificuldades para comer e respirar.
Segundo Elaine Rocha, filha de Walter, ao procurar o hospital na véspera da cirurgia, marcada para o dia 14 de novembro, a família foi informada que não havia leitos disponíveis, e que por isso eles deveriam voltar para casa e aguardar um telefonema na última segunda-feira (18), remarcando a cirurgia, mas Elaine afirma que ninguém ligou. “Meu irmão ligou ontem cobrando o leito, mas o secretário do médico do meu pai afirmou que ainda não tem leitos”, explica a filha, preocupada com o estado de saúde do pai.
Ainda segundo Elaine, o caso de Walter é grave, porque ele é cardiopata. “Ele já fez três pontes de safenas e uma mamária, então, quando tem insuficiência respiratória, incha o coração. A cada dia que passa, fica pior, ele está tomando remédio para dor, sem controle, porque doí muito. O próprio médico falou que o procedimento era de urgência, um caso grave por causa da insuficiência respiratória. Eu estou vendo a hora de acontecer uma coisa pior dentro de casa, porque a gente não tem para onde recorrer”, conta Elaine.
Dificuldades no diagnóstico
Elaine, filha do paciente, afirma que o diagnóstico só foi possível com a realização de outros exames feitos em clínicas particulares. “Nós fizemos tudo particular para ser o mais rápido possível porque se fossemos esperar pelo hospital ia demorar muito”. Ainda segundo Elaine, uma cirurgia foi marcada para a retirada de um pedaço do nódulo e avaliar se o paciente será submetido aos tratamentos de quimio e radioterapia, ou se será necessário retirar o nódulo por completo com as cordas vocais. Para esta cirurgia, o paciente também aguarda por leito.
Posicionamento
O Hospital Universitário João de Barros Barreto informou que, em relação ao paciente Walter Silva da Rocha, o leito reservado na área de cirurgia não foi liberado no dia 14 de novembro pelo agravamento do quadro de outro paciente, que foi internado de forma emergencial.
O caso de Walter é classificado como cirurgia eletiva, quando pode ser reagendada, e por isso foi solicitado à família que aguardasse o reagendamento. O hospital afirmou ainda que a cirurgia será realizada esta semana e o paciente deverá ser internado nesta terça-feira (19), até às 14h.
Questionado sobre as constantes faltas de leito, o hospital Barros Barreto afirmou que essa situação não é um caso isolado deste hospital, mas ocorre de uma forma geral nos hospitais do Pará. Em nota, o Barros Barreto alegou que o Pará ainda sofre de carência de leitos em muitas especialidades, como de cabeça e pescoço, na qual o caso do paciente em questão se enquadra.
"O Pará dispõe de poucos leitos, não pela falta específica leitos físicos, mas de profissionais, já que o Pará possui apenas quatro cirurgiões atuando nesta área pelo Sistema Único de Saúde (SUS), dois operam no Barros Barreto, o que infelizmente torna mais demorado o atendimento aos pacientes”.

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