Projeto propõe que Poder Legislativo decida sobre demarcação de terras.
Índios denunciam situação de ameaça e invasão em territórios.
Indígenas ocuparam a entrada da Assembleia Legislativa do Acre (Foto: Rayssa Natani/G1)
Índios de 16 etnias indígenas foram às ruas do centro de
Rio Branco,
nesta sexta-feira (4), em protesto contra a PEC 215, que transfere ao
Poder Legislastivo a responsabilidade de decidir sobre as demarcações de
terras indígenas, atualmente sob a competência da Fundação Nacional do
Índio (Funai). Os manifestantes seguiram para frente do Palácio Rio
Branco e, por fim, ocuparam a entrada da Assembléia legislativa do Acre
(Aleac).
Índia exige respeito durante ato
(Foto: Amanda Borges/G1)
Ao som de tambores e cantos, os indígenas exigiram respeito aos seus
direitos e falaram sobre ameaças e também desrespeito às demarcações das
terras. O representante da etnia Manchineri, Sabá Haji, ressaltou que
nunca tiveram os seus direitos tão violados como agora.
"Não estamos dizendo quem é o culpado. O que queremos dizer é que não
podemos nos omitir diante da corrupção, intromissão e a falta de
liberdade. Estamos reivindicando e vamos continuar, o que não pode é
nosso país voltar à ditadura", disse.
De acordo com o representante, a discussão principal é a garantia dos
direitos constitucionais sobre as terras e também o direito de ser
ouvido sobre os empreendimentos que podem ser construídos ou não em suas
terras.
Manifestação foi realizada ao som de tambores e cantos indígenas (Foto: Rayssa Natani/G1)
"Estamos reivindicando com todos que estão no poder, pois nos unimos
para defender nossos direitos". Além disso, Haji denunciou situações de
ameaças aos indígenas. De acordo com ele, algumas terras foram invadidas
e, em decorrência disso, índios estão sofrendo ameaças de madeireiros
e invasores.
O líder Jaminawá, José Correia, afirmou que na terra ocupada pela etnia
o problema se agrava a cada dia. "Até hoje ninguém resolve problema
algum. Estamos sem condição de manter roçado. Até a água, quando vamos
pegar, os fazendeiros atiram na gente. Nós precisamos da terra para
sobreviver", ressalta.
De acordo com os representantes, são sete terras indígenas no Acre que
estão sofrendo intervenção por fatores como exploração de petróleo e
madeira nas unidades demarcadas. Com 25 anos de Constituição, os
indígenas alegam não ter muito para comemorar.
lideranças de 16 etnias protestaram em frente ao Palácio do governo (Foto: Rayssa Natani/G1)
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