Coluna de Carlos Brickmann, a ser publicada nos jornais de domingo, dia 26 de junho:
O
Governo se dispõe a abrir uma CPI para tentar descobrir algo contra os
diretores e conselheiros, nomeados pelo Governo, da maior das empresas
do Governo. O Governo desconfia que eles estejam aplicando na Petrobras a
política de preços definida pelo Governo, o que o Governo considera
intolerável, e por isso o chefe do Governo disse que não se importa que a
empresa controlada pelo Governo perca R$ 30 bilhões de valor de mercado
num só dia. Não, não tente entender: a oposição está feliz com a tal de
CPI, e o pessoal que apoia o Governo, embora diga que também está na
luta, trabalha para derrubar a iniciativa do chefe do Governo, que
tentam reeleger.
Afinal
de contas, o pessoal do Governo é também do Centrão. Ruge alto, elogia o
Mito, mas rasgar dinheiro que poderia ser distribuído, isso não. Um
sábio empresário disse certa vez a este jornalista que se alguma coisa
só existe no Brasil, e não é jabuticaba, não presta. Pois vamos em
frente.
Como
se sabe, o Senado não costuma trabalhar às sextas-feiras. Mas nesta
sexta, 24, o Senado trabalhou: comemorou o 75º aniversário do Dia
Mundial dos Discos Voadores, por iniciativa do senador Eduardo Girão, do
Podemos do Ceará. Na sessão, o ex-deputado Wilson Picler disse que
quase um terço dos brasileiros acreditam em ETs; e mais da metade dos
ateus e agnósticos creem em discos voadores e seres espaciais, “mais em
ETs do que em Deus”.
Girão
disse que o Brasil é o primeiro país a reconhecer que discos voadores
existem e são extraterrestres. Chamou a sessão de “histórica”.
Outros assuntos
Fome, guerra, inflação? São temas que podem esperar a semana que vem.
É lei – e daí?
Quando
uma empresa tem algo importante a informar, “fato relevante”, só o
divulga após o fechamento da Bolsa. O presidente Bolsonaro demitiu o
presidente da maior empresa do país, provocando R$ 30 bilhões de perda
em seu valor de mercado; e anunciou em seguida a tal CPI, dizendo que ia
dar outro prejuízo de R$ 30 bilhões à empresa em que é o sócio
majoritário, tudo sem seguir as normas habituais de Bolsas.
Com
isso deu prejuízo também aos demais acionistas, que talvez peçam
reposição do que perderam. Isso, em Nova York, costuma gerar processos
de bilhões de dólares, não só contra a empresa, mas também contra seus
dirigentes que causaram os prejuízos.
Robin Hood ao contrário
Mas,
pensando bem, para os atuais dirigentes do país alguns bilhões não
fazem muita diferença. O SUS, por exemplo, perdeu mais de R$ 40 bilhões
de verbas entre 2021 e 2022. Os R$ 200,6 bilhões de 2021 caíram em 2022
para R$ 160,4 bilhões.
Há
mais: vejamos a fila de espera para inscrição no Auxílio-Brasil. Pois,
na passagem de um programa para outro, havia sobrado um saldo de R$
375,9 milhões no Bolsa Família. O dinheiro foi transferido para as
Forças Armadas, e usado, conforme informações do Ministério da Economia à
“Folha de S.Paulo”, em gastos como o projeto Astros 2020, um sistema
lançador de foguetes, ou o auxílio-moradia de militares. Tudo foi feito
dentro da lei, com autorização do Congresso.
O curioso é que tanto o Governo quanto o Congresso concordam com essa escolha de prioridades.
A pesquisa - Bolsonaro
Os
bolsonaristas mais extremados, especialmente os que usam Bolsonaro no
nome, dizem que não acreditam em pesquisas. Mas acreditam: o esforço
para aumentar o Auxílio Família agora, com fim previsto para dezembro, é
sinal claro de busca de votos. A guerra contra os presidentes da
Petrobras é outro sinal: precisa convencer os eleitores de que tenta
baixar o custo dos combustíveis.
A
última pesquisa Datafolha, mostrando perspectivas de vitória de Lula no
primeiro turno, assustou Bolsonaro. A deputada Janaína Paschoal,
bolsonarista de primeira hora, diz em público que há risco real de
derrota no primeiro turno. Mas que fazer, quando há briga até na
campanha, e Carluxo, o filho 02, rejeita a coordenação de Flávio, o
filho 01, seu irmão?
A pesquisa – Lula
Lula
continua jogando quase parado –parte por temor de agressões de
adversários, parte por achar que é melhor não se movimentar. Nesta
semana foi a dois jantares com empresários – sempre com pouca gente,
para haver oportunidade de conversar. Lula se recusa, entretanto, a
dizer o que vai fazer, e como. Diz que já foi presidente e todos o
conhecem. Há um certo temor de que tente reestatizar a Eletrobras e
impeça novas privatizações. Mas, com a vantagem que tem em todas as
pesquisas, por que se arriscar falando muito?
Pela culatra
O
ministro da Defesa e os comandantes das Três Armas mandaram uma
notícia-crime à Procuradoria Geral da República contra Ciro Gomes, por
dizer que o Governo destruiu a capacidade operacional das Forças Armadas
e fez da Amazônia a “holding do crime”. Mas, se a queixa tirar votos de
Ciro, para quem os votos irão?
Bolsonaro ou Lula, de quem Ciro já foi ministro?

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