domingo, 27 de outubro de 2019

Dois mil e quinhentos anos depois, Confúcio volta a ser um pensador contemporâneo


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Livro mostra a força da influência de Confúcio na China
Antonio Rocha
O pensamento de Confúcio espalha-se novamente pela Ásia e pelo mundo. Em diversos países há uma releitura das obras do sábio chinês, porque a China está dando certo e a sua economia vai bem, obrigado.
Os dirigentes do PCC (Partido Comunista Chinês) ultrapassaram o tradicional marxismo-leninismo da antiga URSS e adaptaram os ensinamentos do filósofo de casa às atuais técnicas de mercado, sem descartar a educação, a saúde e a defesa.
FONTE INESGOTÁVEL – Estudar a Filosofia Confuciana é deparar-se com um manancial de interpretações, vivências em diferentes culturas e países do continente asiático. Até o Japão e a Coréia, muito desenvolvidos hoje, beberam nessa fonte, adotaram em suas escritas, os ensinamentos chineses.
E agora a modernidade voltou a compreender que o pensamento do sábio Confúcio (551-479 a.C.) se aplica perfeitamente desde a gestão governamental até as reflexões interiores de uma pessoa que procura uma conduta ética e moral para adotar em sua vida e para suas relações de parentesco.
A seguir transcrevemos dois parágrafos (págs. 116 e 242) do livro “Confúcio e o Mundo que ele criou”, do jornalista e escritor norte-americano Michael Schuman, uma obra que tem como subtítulo “A história e o legado do filósofo que mais influenciou a China e o leste asiático”.
ALÉM DAS FRONTEIRAS – “A influência de Confúcio se propagou para muito além das fronteiras da China. As concepções confucianas podem ter começado a se infiltrar nos vizinhos do país nos tempos da dinastia Han, mas foi o movimento neoconfuciano que fez com que os ensinamentos do sábio se encontrassem com mais firmeza por todo o Leste Asiático, especialmente a partir do século XIV. Em alguns casos o confucionismo foi transplantado por imigrantes chineses que levaram rituais e cerimônias familiares consigo para os seus novos lares na Tailândia, na Indonésia, na Malásia, nas Filipinas e em outras regiões. Ademais, os ensinamentos de Confúcio percorreram a região por conta própria e influenciaram as políticas públicas, o ensino, os costumes sociais, as práticas familiares, o desenvolvimento filosófico e os padrões morais”, escreveu Michael Schuman.
GESTÃO HUMANITÁRIA – O jornalista norte-americano assinalou também que essas opiniões de Confúcio eram fruto de sua crença de que a gestão governamental devia ser humanitária:
“Para os confucianos, impor impostos exorbitantes às massas era uma forma de crueldade. As pessoas deviam ser livres para procurar obter o bem-estar de suas famílias, o que significava permitir-lhes que se beneficiassem dos frutos de seu trabalho. A filosofia básica dos confucianos sobre gestão econômica era uma versão da Regra de Ouro de Confúcio: o soberano haveria de se beneficiar se o povo se beneficiasse; o soberano não devia se beneficiar às custas do povo. “Que os produtores sejam muitos e os consumidores sejam poucos”, aconselha-se o soberano em O Grande Aprendizado: “Que haja atividade na produção e parcimônia no gasto. Então a riqueza sempre será suficiente”.
OU seja, o PCC hoje bem poderia se chamar Projeto Confuciano Chinês.

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