MEDIÇÃO DE TERRA

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MEDIÇÃO DE TERRAS

domingo, 30 de abril de 2023

Suspensão de venda de terras pelo Supremo afeta negócio bilionário dos irmãos Batista

 

POLITICA LIVRE
economia

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça disse que o assunto não era prioridade, mas, em menos de um mês, suspendeu por medida liminar todas as operações de compra e venda de terras rurais por estrangeiros no país.

A decisão, tomada monocraticamente, foi submetida ao plenário. O julgamento pode ser encerrado neste domingo (30) pelo plenário virtual do STF. Mendonça, relator do caso, já foi acompanhado pelo ministro Edson Fachin. Alexandre de Moraes foi contra.

A medida cautelar foi um pedido do Conselho Federal da OAB, que, por meio da comissão que peticiona ao Supremo, pediu para entrar como amicus curiae -uma espécie de assessor interessado- em uma ação parada desde 2015. No mérito, ela discute as regras para que estrangeiros possam comprar terras rurais no país.

Na ação, a OAB afirma que o assunto interfere em negócios bilionários em andamento, como o da Eldorado Celulose -cujo controle vem sendo disputado em uma arbitragem questionada na Justiça entre a J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, e o grupo indonésio Paper Excellence. O litígio envolve o destino de ao menos R$ 6 bilhões.

A Eldorado mantém diversas fazendas para produção de matéria-prima.

Representantes da Paper dizem que a suspensão de transações com terras poderia forçar os indonésios a desistir da disputa.

O ponto mais polêmico no movimento da OAB é que o presidente da comissão que atua junto ao Supremo é Marcos Vinicius Furtado Coelho. Ele é advogado da J&F na arbitragem e foi presidente da ordem.

Consultado, ele negou, via assessoria, qualquer atuação no processo junto ao Supremo. Quem assina a peça não é ele, mas sua assistente no órgão da OAB.

A coluna questionou a OAB por ter entrado como parte interessada no processo somente neste momento.

Por meio de sua assessoria, a entidade disse que o Conselho Federal é a instituição legítima para atuar no STF.

Informou que a sugestão de ingresso na ação foi feita somente neste ano pela Comissão Nacional de Direitos Humanos e aprovada, por unanimidade, pelo plenário da entidade, formado por 81 conselheiros.

Marcos Vinícius informou ainda que “nunca solicitou parecer sobre esse tema à Comissão de Direitos Humanos”.

Julio Wiziack/Folhapress

PSDB contrata consultoria para tentar reerguer partido

 

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O PSDB contratou uma consultoria para fazer um “diagnóstico propositivo” sobre o futuro do partido, que diminuiu após a eleição do ano passado e busca se reerguer.

O trabalho está a cargo de Irina Bullara, ex-presidente do RenovaBR, grupo que busca novas lideranças na política.

A consultoria foi contratada por decisão do presidente nacional do partido, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que assumiu a legenda com o discurso de renovar a imagem tucana. O custo não foi informado.

Foram selecionadas 120 lideranças do PSDB no Brasil, entre deputados federais, estaduais, senadores e dirigentes partidários, que estão sendo procuradas para conversas individuais.

“O propósito dessas entrevistas é uma escuta das lideranças sobre a visão do partido no passado, presente e futuro. As perguntas são as mesmas para que consigamos consolidar essas informações em diagnósticos propositivos”, diz email enviado aos tucanos escolhidos.

A ideia é que o diagnóstico da consultoria esteja pronto até o segundo semestre.

Fábio Zanini/Folhapress

Governo apresentará plano emergencial de reforma agrária e nomeará diretoria regional do Incra

 

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O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, afirmou neste sábado, 29, que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, vai anunciar no mês de maio um plano emergencial para a reforma agrária no País, que será “maior do que foram os planos da primeira gestão” do petista. A decisão ocorre após invasões do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em áreas de Petrolina (PE) e Aracruz (ES), pertencentes à Embrapa e à Suzano, e pressões por maiores investimentos para a reforma agrária.

Segundo Teixeira, o plano vai usar áreas já desapropriadas que o governo Bolsonaro deixou de destinar à reforma.

O coordenador nacional do MST, João Paulo Rodrigues, afirmou em 20 de abril que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, estudaria aumentar o orçamento federal destinado à obtenção de terras para a reforma agrária.

O governo também avalia uma proposta para que devedores da União paguem parte de suas dívidas em terras.

Teixeira não detalhou quantas famílias serão beneficiadas no novo plano, que, segundo ele, está “praticamente pronto”.

Incra

O ministro ainda afirmou que vai ampliar as mudanças nas superintendências do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para todos os postos. “Todas as diretorias dos Incras regionais estão sendo mudadas. Essas mudanças estão em curso e ainda nessa semana vamos concluir aquelas que estejam faltando. Todas estão sendo mudadas porque é um novo governo”, disse.

A troca vale para a sede do Incra de Alagoas, chefiada por César Lira, primo do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).

As exonerações de nomes ligados ao bolsonarismo eram cobrada pelo MST.

Feira Nacional da Reforma Agrária

As declarações de Teixeira ocorreram durante um evento do MST que convida o público para a Feira Nacional da Reforma Agrária, evento que não ocorreu nos últimos quatro anos em decorrência da pandemia e de atritos com o ex-governador de São Paulo, João Doria.

Também esteve presente no evento o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha.

MST faz defesa de Fávaro

Na ocasião, líderes do MST defenderam o ministro da Agricultura e Abastecimento, Carlos Fávaro, envolvido em uma tensão com a base petista após comparar invasões do MST com os atos golpistas do dia 8 de janeiro que destruíram o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto.

O ministro estava em situação desconfortável com setores do agro desde a retomada de invasões de terras pelo MST.

O dirigente do MST, João Pedro Stédile, minimizou as falas de Fávaro e disse que o movimento tem “relação democrática e transparente” com o ministro. “Acho que ele é um homem sério. Está em boas mãos o Ministério da Agricultura”, disse.

O movimento vai realizar um convite formal para Fávaro participar da Feira Nacional da Reforma Agrária.

Lucinéia Durães, da direção nacional do MST, afirmou que “a parte do agronegócio que dialoga e tem um projeto de desenvolvimento nacional está dentro do governo”, na figura de Fávaro. “Uma pessoa de amplo diálogo e que tem sido atacado pelos setores de extrema-direita.

Convite ‘infeliz’

Fávaro disse que foi “desconvidado” da abertura da Agrishow, maior evento do agronegócio na América Latina, após ter sido informado pelos organizadores que o ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL) estará presente.

A avaliação é que a possibilidade de ser cobrado sobre a posição de tolerância do governo em relação às invasões pode ter pesado na postura reticente do titular da pasta – que também é agropecuarista -, tanto ou mais que a presença de Bolsonaro no evento.

Diferente de Fávaro, o ministro Paulo Teixeira argumentou não ver relação entre as ocupações do MST e os ataque de 8 de janeiro, mas disse ter boa relação com o ministro da Agricultura e defende que o convite a Bolsonaro foi “infeliz”.

Stédile entende que a situação foi um “desrespeito” com o ministro. “Acho que fizeram um favor para nós, porque ajuda o Fávaro a entender que não adianta negociar com esse setor do agronegócio. Tem que preservar o agronegócio progressista e a agricultura familiar. Foi um tiro no pé, foi ofensivo e fizeram uma demonstração clara de com quem eles estão ideologicamente”, disse.

Como mostrou o jornal O Estado de S. Paulo, o Banco do Brasil vai retirar o patrocínio da Agrishow após a organização da feira ter aconselhado o ministro da Agricultura a participar apenas do segundo dia da feira. Com o cancelamento do patrocínio, a presidente do BB, Taciana Medeiros, também não estará presente no evento.

O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Paulo Pimenta, confirmou ao Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) que, mesmo com a retirada do patrocínio, o banco ainda estará na feira. “Descortesia e mudança de caráter de um evento institucional de promoção do agronegócio para um evento de características políticas e ideológicas. Ou é uma feira de negócios plural e apartidária ou não pode ter patrocínio público”, avaliou.

Procurada, a Agrishow afirma que ainda não foi comunicada oficialmente sobre a decisão.

CPI

Os líderes do movimento entendem que a CPI instalada no Congresso para investigar as invasões do MST são, na verdade, uma afronta contra o próprio governo Lula. O colegiado foi aberto após articulação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

“CPI é para desviar o assunto de quem comete crimes ambientais. Eles querem enquadrar o governo. Muito mais do ponto de vista da luta política contra o governo do que contra nós”, disse João Pedro Stédile”.

Gustavo Queiroz/Estadão Conteúdo

Haddad participará como convidado de encontro de ministros do G7

 


economia

O ministro Fernando Haddad é um dos convidados especiais para o encontro dos titulares da Fazenda do G7, grupo de países mais ricos do mundo, que ocorre no Japão de 11 a 13 de maio. Também foram chamados os responsáveis por essa área de Índia, Indonésia, Coreia do Sul e Singapura.

A economia dos países emergentes deverá ser um dos temas do evento. Com essa viagem, Haddad terá visitado três dos maiores países asiáticos no primeiro semestre (os outros foram Índia e China), mostrando a importância do novo eixo econômico global.

No encontro, Haddad também terá a chance de manter reuniões bilaterais com ministros das Finanças do G7. A secretária do Tesouro americano, Janet Yellen, por exemplo, deve comparecer.

Fábio Zanini/Folhapress

Telegram volta a funcionar para parte dos usuários no Brasil

OLITICA IVRE
brasil

O Telegram voltou a funcionar para parte dos usuários do país na tarde deste sábado (29). Alguns clientes do aplicativo afirmam que já é possível trocar mensagens e rever conversas.

O app estava fora do ar no país desde a noite da última quarta-feira (26). Ao tentar enviar ou receber mensagens, os usuários não conseguiam estabelecer conexão.

Aqueles que tentavam baixar o recurso na Play Store e na App Store também não conseguiam realizar o download e recebiam avisos como “o app não está disponível”. Nas lojas, o aplicativo continua indisponível.

O bloqueio gerou reclamações de usuários e alguns avaliaram a medida como autoritária. Especialistas em direito digital, contudo, consideraram a decisão legítima, uma vez que a legislação prevê a medida e a empresa descumpriu várias ordens judiciais.

A liberação do aplicativo foi possível porque, neste sábado (29), o juiz federal Flávio Lucas, da 2ª Turma Especializada do TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região), revogou a suspensão temporária imposta pela Justiça Federal de Linhares (ES).

A decisão foi divulgada no início da tarde e, desde então, usuários do aplicativo passaram a comentar no Twitter suas tentativas de acesso, perguntando uns aos outros o que aparecia na tela do celular e se os grupos já haviam voltado a funcionar. Por volta das 17h20, o app voltou a operar em parte dos aparelhos.

De acordo com a assessoria do tribunal, o magistrado entendeu que a ordem de suspensão completa do serviço “não guarda razoabilidade, considerando a afetação ampla em todo território nacional da liberdade de comunicação de milhares de pessoas absolutamente estranhas aos fatos sob apuração”.

A suspensão do aplicativo foi determinada devido ao Telegram não entregar às autoridades dados solicitados sobre grupos neonazistas que agem na plataforma, em meio a uma investigação sobre a recente onda de violência nas escolas.

O juiz, no entanto, manteve a multa diária de R$ 1 milhão aplicada pela primeira instância, pelo descumprimento da determinação de fornecer os dados “de todos os usuários” do canal “Movimento Anti-Semita Brasileiro” e do chat “(suástica) Frente Anti-Semita (suástica)”, principalmente dos seus administradores.

Em sua decisão, Lucas destacou que a regulamentação das redes sociais no Brasil “ainda é insuficiente e que é necessário estabelecer regras mais claras e específicas para evitar abusos, proteger tanto a sociedade como os usuários, de forma equilibrada, sopesando direitos individuais e coletivos, numa ponderação substancial de interesses constitucionais”.

O magistrado ressaltou ainda que as empresas de tecnologia precisam compreender “que o cyberespaço não pode ser um território livre, um mundo distinto onde vigore um novo contrato social, com regras próprias criadas e geridas pelos próprios agentes que o exploram comercialmente. As instituições e empresas, tal qual a propriedade privada, devem atender a um fim social, devem servir à evolução e não ao retrocesso”.

ENVIO DE DADOS
A plataforma foi intimada a enviar os dados à polícia após a investigação sobre o ataque a duas escolas em Aracruz (ES), ocorrido em novembro do ano passado, identificar que o responsável, de 16 anos, participava de grupos com conteúdo antissemita.

A apuração foi instaurada para verificar “a conduta de indivíduos imputáveis em corromper menor de 18 anos induzindo-o, por meio de compartilhamentos em aplicativo de troca de mensagens (Telegram) de material neonazista e de instruções para ataques violentos, a praticar assassinatos e ferir pessoas em massa causando pânico social”.

O adolescente invadiu duas escolas (uma pública e uma privada) do município de 104 mil habitantes. O episódio deixou quatro pessoas mortas e 11 feridas.

Italo Nogueira e Stefhanie Piovezan/Folhapress

 

Blindagem a políticos põe em risco efetividade de lei das fake news

 

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A previsão de imunidade parlamentar no PL das Fake News pode dificultar ainda mais o combate à desinformação nas redes sociais, avaliam especialistas.

De forma geral, eles lembram que o STF (Supremo Tribunal Federal) nos últimos anos relativizou o alcance desse direito, o que pode minimizar os danos da medida.

Parte dos estudiosos, no entanto, pondera que a previsão pode induzir a inação das plataformas em relação aos congressistas e servir de argumento no Judiciário para disseminadores de mentiras com assento no Congresso.

A imunidade está prevista no artigo 33 do projeto de lei nº 2.630/2020.

Conhecido como PL das Fake News, ele teve urgência na tramitação aprovada na Câmara dos Deputados na última terça-feira (25). Com isso, não precisará passar por comissões na Casa e, se aprovado em plenário, segue direto para o Senado.

O projeto diz que a imunidade parlamentar “estende-se aos conteúdos publicados por agentes políticos em plataformas mantidas pelos provedores de redes sociais e mensageria privada”.

O texto faz referência ao artigo 53 da Constituição, que prevê que “deputados e senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos”.

O PL elenca ainda como “contas de interesse público” as de presidente, governadores, prefeitos, parlamentares de todas as esferas, ministros, secretários estaduais e municipais, e de dirigentes de entidades da administração indireta, como autarquias.

Os titulares dessas contas não poderão restringir o alcance de suas publicações, bloqueando críticos, por exemplo. Mas poderão ajuizar ação em caso de “decisões de provedores que constituam intervenção ativa ilícita ou abusiva” e, nesses casos, o Judiciário poderá obrigar as plataformas a restabelecer as contas em até 24 horas.

“É muito perturbador porque aumenta o poder de quem está no poder e diminui o de quem é tutelado”, diz Ronaldo Lemos, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro e colunista da Folha.

Ele lembra a decisão de plataformas como o Twitter de suspender a conta do então presidente dos Estados Unidos Donald Trump, ainda no cargo, por risco de incitação à violência, na esteira da invasão do Capitólio.

No Brasil, diz, plataformas seriam inibidas de tomar medidas similares diante do que está previsto na proposta.

“É um projeto que quer combater fake news, mas diz que tem uma classe de indivíduos que pode fazer fake news à vontade.”

A disseminação de desinformação por agentes políticos ganhou ainda mais relevância após os ataques golpistas de 8 de janeiro, quando contas de bolsonaristas como Carla Zambelli (PL-SP) e Nikolas Ferreira (PL-MG) foram suspensas por determinação de Alexandre de Moraes, ministro do STF e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

A suspensão derivou de entendimento que vem sendo consolidado pelo Supremo segundo o qual a imunidade parlamentar não é absoluta. Valeria apenas para discursos relacionados ao mandato político —não abarcaria, portanto, ataques à integridade das eleições, por exemplo.

Bia Barbosa, integrante do coletivo DiraCom – Direito à Comunicação, avalia que, da forma como está redigido, o artigo não impede a atuação das plataformas, mas pode ser usado como argumento em ações judiciais.

Ela integra também a Coalizão Direitos na Rede, uma das cem organizações da sociedade civil que assinam documento que defende a regulação das plataformas, mas faz ressalvas a alguns pontos do projeto.

Reunidas na Sala de Articulação contra a Desinformação (SAD), as entidades se posicionam contra a suspensão de contas de detentores de mandatos por decisão das plataformas, mas defendem que as publicações deles devem ser submetidas às mesmas regras de moderação de conteúdo de todos os usuários.

Em outra nota sobre o projeto, pesquisadores do grupo de pesquisa Democracia Constitucional, Novos Autoritarismos e Constitucionalismo Digital, do IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Pesquisa e Extensão), sugerem a modificação da redação do parágrafo do PL sobre imunidade.

Eles propõem um acréscimo para que o texto passe a dizer que “a imunidade parlamentar material, quando exercida nos limites do Estado democrático de Direito, estende-se às plataformas mantidas pelos provedores de aplicação de redes sociais”.

Para um dos signatários, o advogado Ilton Norberto Robl Filho, o Judiciário deve continuar a aplicar seu entendimento independentemente da nova lei, mas a redação do jeito que está pode deixar uma lacuna.

Autora de “Liberdade de Expressão e Democracia na Era Digital” (ed. Fórum, 2022), a advogada Luna Van Brussel Barroso ressalta o entendimento do STF de que a imunidade não é absoluta.

Ela avalia que o único cenário em que o artigo do projeto de lei garantiria maior proteção aos congressistas do que aos demais usuários seria se o discurso fosse protegido pela imunidade parlamentar, mas violasse os termos de uso das plataformas.

Ainda assim, pondera, dificilmente algo protegido pela imunidade parlamentar violaria os termos de uso. Mesmo que isso ocorresse, avalia que “a escolha pela imunidade parlamentar também tem um componente democrático importante”, então não seria tão problemático que ela prevalecesse sobre as regras das plataformas.

Em entrevista recente à GloboNews, o relator do PL das Fake News, deputado Orlando Silva (PC do B-SP), defendeu o dispositivo, afirmando que a imunidade parlamentar é uma conquista democrática e que, em caso de crime, o Judiciário pode ser acionado.

Professor da USP especialista em direito digital e sócio do escritório Opice Blum, Juliano Maranhão ressalta que a previsão do tema na lei é reveladora do contexto da desinformação no Brasil.

“O que os países desenvolvidos assumem como premissa é que fonte da desinformação não é a autoridade”, diz.

Não é só a imunidade parlamentar que causa controvérsia no projeto. Em concessão à bancada evangélica, o relator incluiu no texto o aval à “exposição plena” dos dogmas e livros sagrados, bem como a livre expressão dos cultos.

Outro ponto que causa divergências é a remuneração das plataformas por conteúdo jornalístico em um sistema de negociação similar ao previsto na Austrália.

As plataformas se opõem à ideia, e entre os veículos há dissenso. Entidades como Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), Aner (Associação Nacional de Editores de Revistas) e ANJ (Associação Nacional de Jornais), que reúne os principais veículos de mídia, entre eles a Folha, defendem o PL; veículos menores temem perder financiamento por terem menor poder de barganha.

ENTENDA O PL DAS FAKE NEWS
Qual o projeto de combate às fake news deve ser votado?
O PL foi proposto originalmente pelo senador Alessandro Vieira (PSDB-SE) e agora deve incorporar sugestões do governo Lula, do relator Orlando Silva (PC do B-SP) e do grupo de trabalho instituído pelo presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Alexandre de Moraes

Quais são os principais pontos do projeto original?
Estão no projeto o dever das plataformas de vetar contas inautênticas, a obrigatoriedade de divulgação de relatórios de transparência sobre moderação de conteúdos e multa de até 10% do faturamento do grupo econômico no Brasil em caso de descumprimento da lei

Que pontos devem ser incluídos na votação na Câmara?
Devem entrar no projeto a punição às big techs por conteúdos com violações à Lei do Estado Democrático, a responsabilidade das plataformas por conteúdo impulsionado, a transparência dos algoritmos de conteúdo e a remuneração de conteúdos jornalísticos pelas plataformas

Qual deve ser o trâmite do PL?
Orlando Silva protocolou relatório final da proposta na quinta-feira (27). A expectativa é que o mérito seja votado em plenário na próxima terça-feira (2), já que o projeto tramita em regime de urgência, sem passar em comissões. Depois, deve ser novamente avaliado pelo Senado, que havia aprovado o texto original em 2020, para depois seguir à sanção presidencial

O que dizem as plataformas?
Meta, Twitter, Google e TikTok pedem a criação de uma comissão especial para tratar do tema. Criticam a responsabilização das plataformas por conteúdos de terceiros, o que poderia induzir a “censura privada”

Como funcionaria a remuneração de conteúdos jornalísticos?
As empresas jornalísticas negociariam diretamente com as big techs o pagamento pelo conteúdo e, caso não cheguem a acordo, haveria arbitragem. O modelo segue o News Media Bargaining Code, adotado na Austrália em 2021

Essa proposta de remuneração é consensual?
As plataformas se opõem à ideia, e entre os veículos há dissenso. Entidades como Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), Aner (Associação Nacional de Editores de Revistas) e ANJ (Associação Nacional de Jornais), que reúnem os principais veículos de mídia, entre eles a Folha, defendem o PL; veículos menores temem perder financiamento por terem menor poder de barganha

Quais são as outras controvérsias em torno da proposta?
Para vencer a resistência na Câmara dos Deputados, o relator Orlando Silva retirou do texto a criação de uma agência reguladora de supervisão das plataformas e deixou explícito o livre exercício de cultos religiosos e a “exposição plena” de seus dogmas e livros sagrados

Angela Pinho/Folhapress

 Pode ser uma imagem de texto que diz ""Não se iluda. Aqueles que defendem a censura na internet não estão preocupados com as notícias falsas. Estão preocupados com as verdadeiras"."

Economia brasileira perde relevância e tem a menor participação no PIB global em mais de 40 anos

 

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O fraco desempenho da economia brasileira nos últimos anos levou a uma perda de relevância do País no cenário mundial. Ao fim deste ano, a participação do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil na economia global deve responder 2,3%, a mais baixa desde 1980, quando teve início a série histórica do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Num momento em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta reinserir o País no cenário global com viagens para China, Estados Unidos e Europa, os dados do Fundo revelam um cenário adverso. A perda de participação do PIB brasileiro vem ocorrendo seguidamente – na década de 1980, o Brasil chegou a responder por 4% da economia do mundo – e deve seguir em queda pelos próximos anos.

O que ajuda a explicar a perda de relevância do Brasil é o baixo crescimento registrado ao longo de quase 40 anos. O desempenho do PIB brasileiro tem sido inferior ao de outras economias, sobretudo, na comparação com as emergentes.

“O Brasil tem um problema sério de crescimento. Perdeu a década de 80, cresceu bem devagar nos anos 90, teve sorte na primeira década deste século por causa do crescimento da China e pelos preços de commodities, mas os últimos anos voltaram a ser perdidos”, diz Alberto Ramos, diretor de pesquisa macroeconômica para América Latina do Goldman Sachs.

Os dados que tratam da atividade global foram atualizados neste mês pelo FMI. A participação dos países na economia global é medida em Paridade do Poder de Compra (PPP, na sigla em inglês), para deixar mais justa a comparação entre as diferentes economias.

“Depois do ciclo do crescimento com industrialização dos anos 30 ao final dos anos 70, o Brasil parou de se desenvolver”, acrescenta Márcio Holland, professor da Fundação Getulio Vargas e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda. “O ciclo de industrialização brasileira não foi acompanhado por fatores essenciais para uma economia capitalista moderna – um deles é a educação.”

Ao longo dessas décadas, o Brasil conseguiu ampliar os anos de escolaridade da população, mas ainda sem garantir uma boa qualidade. “Infelizmente, para padrões internacionais, a qualidade educacional brasileira é extremamente trágica, desde a primeira infância, passando pelo ensino básico e médio”, diz Holland.

O País também superou obstáculos importantes na economia, como o processo inflacionário, e avançou na consolidação de instituições importantes, mas a escolha de políticas econômicas equivocadas resultou numa severa crise fiscal e provocou anos de dura recessão – como em 2015 e 2016 –, que foram seguidos por períodos de baixo crescimento do PIB, agravados pelos impactos provocados pela pandemia de covid-19.

“Com o Plano Real, o Brasil começou a colher os benefícios da estabilidade de preços, que foi potencializada por medidas como a Lei de Responsabilidade Fiscal, implementação de metas de inflação, a ideia de um Banco Central, na prática, independente, privatizações. Tudo isso resultou num aumento de potencial de crescimento da economia, mas que foi interrompido por políticas econômicas equivocadas”, afirma Alessandra Ribeiro, economista e sócia da consultoria Tendências. “Colocar a economia em ordem está custando 10, 11 anos.”

Mais do que colocar a casa em ordem, o Brasil tem uma longa agenda para virar a página do baixo crescimento. Além de investir em capital humano para qualificar a mão de obra, será preciso avançar no ambiente de negócios, na qualidade de investimento tanto em capital físico como em pesquisa e inovação e abrir a economia brasileira para o mundo.

“É uma agenda que começa dentro de casa. A economia brasileira não vai abrir por causa de duas, 15 viagens. Se o País investir em educação, fica mais competitivo, essa inserção na economia acontece naturalmente”, afirma Ramos.

Preso na renda média
A estagnação de décadas colocou o Brasil na chamada armadilha da renda média – muitos países conseguem melhorar o PIB per capita da sua população, mas não alcançam dar o salto seguinte para entrar no seleto grupo de economias desenvolvidas.

Historicamente, a economia brasileira sempre foi comparada com a da Coreia do Sul. Nos anos 1980, os dois países tinham um PIB per capita similar, mas o pesado investimento em educação e a abertura econômica levaram os sul-coreanos a ter uma trajetória bastante diferente. Em 2028, a renda média da Coreia do Sul deve chegar a US$ 70,2 mil, enquanto a do Brasil deve alcançar US$ 21,3 mil, de acordo com o FMI.

O atraso da economia brasileira é tão nítido que economias emergentes superaram a renda média do País nos últimos anos, como já é o caso da Colômbia.

“Se não houver um retrocesso em política fiscal, um retrocesso com o Estado voltar a ser um pilar do desenvolvimento, e, por outro lado, se o País conseguir avançar na reforma tributária e em acordos comerciais, o Brasil volta a ter um crescimento (maior)”, afirma Alessandra. “Agora, é difícil afirmar que o Brasil vai aumentar a sua participação no PIB global, porque os outros países também estão caminhando.”

Neste ano, o FMI estima um crescimento de apenas 0,9% para o Brasil.

Luiz Guilherme Gerbelli/Estadão Conteúdo

Plano Nacional do Livro e Leitura quer ampliar o incentivo à leitura

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Com objetivos de incentivar o hábito da leitura no país, ampliar o número de bibliotecas e facilitar o acesso da população aos livros, o Plano Nacional do Livro e Leitura será reestruturado.

“Vamos implementar, mais uma vez, o Plano Nacional do Livro e Leitura, no sentido de fazer com que o Brasil se torne uma sociedade leitora”, disse o diretor de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Ministério da Cultura, Jéferson Assumção, em entrevista ao programa Brasil em Pauta, que vai ao ar neste domingo (30), na TV Brasil.

Criado em 2006, a reestruturação do plano terá a participação do governo e da sociedade, de acordo com o diretor, envolvendo os ministérios da Cultura e da Educação, além de leitores, editores, escritores, livreiros e a cadeia produtiva e distributiva do livro. “Este ano vamos reorganizar a base dessa participação e reestruturar o plano para os próximos dez anos”, disse Jéferson Assumção.

Cinco princípios nortearão o plano de 2023 a 2033. O primeiro é fazer com que o livro esteja mais presente no cotidiano das pessoas, de forma que se tenha a sociedade pensando o livro, a leitura e a literatura. Outro é trabalhar nas escolas a formação de leitores, não apenas do ponto de vista funcional, para passar no vestibular, mas de forma cultural para que o hábito de ler seja criado e permaneça.

Os outros princípios que nortearão o plano nacional são o incentivo à leitura em família; a ampliação do número de bibliotecas no país, para facilitar o acesso aos livros, e a busca de meios para viabilizar a redução do preço do livro, para ampliar o acesso a esse bem cultural.

“Pesquisas mostram que quando o brasileiro sai da escola, deixa de ler; quando sai da universidade, deixa de ler”, disse o diretor do Ministério da Cultura.

Bibliotecas
A biblioteca é o equipamento cultural mais bem distribuído no Brasil, de acordo com Jéferson Assumção. Mas várias unidades foram fechadas no período da pandemia da covide-19 e ainda não reabriram. “Hoje, temos um cálculo, que ainda precisa ser atualizado, que é de cerca de 800 bibliotecas que fecharam durante a pandemia, e é um grande desafio reabrir essas bibliotecas”, disse.

Segundo Jéferson, em 2003 havia 1.170 municípios sem biblioteca, mas foi possível contemplar todos os municípios. “O Brasil precisa voltar a zerar o número de municípios brasileiros sem biblioteca, vamos ter que voltar a reabrir bibliotecas pelo Brasil”, disse Jéferson Assumção.

O desafio, segundo Jéferson, é alcançar novamente essa marca de todos os municípios com bibliotecas, sob uma nova perspectiva na qual os equipamentos não sejam depósito de livros, mas centros culturais e espaços de tecnologia.

“Precisamos sempre mexer com a ideia de biblioteca, tirar uma e colocar outra, e essa outra é um centro cultural, um lugar onde as coisas acontecem de um modo articulado entre o livro e as novas tecnologias e também o presencial, o teatro, o cinema. Ou seja, a biblioteca precisa ser vista como um lugar de encontros, de composição entre tecnologias e interação entre as pessoas”.

Agência Brasil

Documentos vazados mostram EUA atentos a elos de Lula com China, Rússia e Irã

 

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Os Estados Unidos estão preocupados com a maneira como o Brasil tem lidado com os recentes conflitos entre Rússia e Ucrânia e EUA e China. Documentos da inteligência americana aos quais o jornal Washington Post teve acesso apontam sucessivos acenos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a rivais geopolíticos dos americanos.

Em um trecho, por exemplo, a inteligência americana cita o interesse de Lula em formar um “bloco de paz mundial” para mediar os interesses dos EUA e da China e intermediar o fim dos combates na Ucrânia.

Os documentos mencionam o apoio do Ministério das Relações Exteriores da Rússia ao plano. Segundo o arquivo, os russos consideram que a proposta neutralizaria a narrativa de “agressor-vítima” do Ocidente sobre a Ucrânia.

O aceno dos russos não é novidade. Em 18 de abril, um dia após o chanceler da Rússia, Serguei Lavrov, visitar Lula em Brasília, o Kremlin disse que o plano do petista leva em conta os interesses da Rússia. “Qualquer ideia que leve em conta os interesses da Rússia merece atenção e certamente precisa ser ouvida”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

O incômodo dos americanos também não é novo: após a visita de Lavrov, o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, Jack Kirby, chamou a posição de Lula na guerra de “profundamente problemática” e afirmou que o presidente estava repetindo a propaganda russa.

O petista já disse que os EUA e a Otan estão prolongando o conflito na Ucrânia fornecendo armas a Kiev e chegou a sugerir que, em um acordo de paz, Kiev pudesse abrir mão da Crimeia, região controlada pelos russos desde 2014.

Mas os documentos aos quais o WP teve acesso vão além. O jornal americano cita que a iniciativa de Lula tomava forma ao mesmo tempo em que o Brasil recebia dois navios de guerra do Irã, principal rival geopolítico dos EUA no Oriente Médio –as embarcações estavam listadas no programa de sanções dos americanos.

Os dois navios ficaram por uma semana no Rio de Janeiro, no início de março, apesar de críticas dos EUA e de Israel. Segundo os documentos, o Pentágono avaliou que Lula “provavelmente aprovou a escala para reforçar sua reputação como mediador global e polir a imagem do Brasil como uma potência neutra”.

A análise americana, porém, pondera que o aval do petista não indica necessariamente uma grande expansão do relacionamento militar dos dois países, apesar de o Irã, segundo os EUA, esperar por isso. Ainda sobre o assunto, o documento relembra que os governos do Chile, Argentina, Uruguai e Venezuela recusaram os pedidos do Irã para que as embarcações atracassem em seus países.

Antes da visita, diz um dos documentos, alguns oficiais da marinha brasileira tentaram convencer o governo Lula a negar o recebimento das embarcações. Eles temiam que Washington visse o aval como um realinhamento das parcerias externas do Brasil. Na época, Ricardo Zúniga, o principal formulador de políticas para o Brasil dentro da gestão de Joe Biden, disse à Folha que o Brasil receber navios iranianos era lamentável.

Os documentos revelam também o descontentamento de Washington com vários outros países emergentes, incluindo África do Sul, Argentina, Índia, Paquistão e Egito. O último, por exemplo, recebe mais de US$ 1 bilhão por ano dos EUA, mas recentemente aprofundou os laços com a Rússia, responsável pela construção da primeira usina nuclear da nação árabe.

Situação semelhante acontece no Paquistão, que desde os atentados de 11 de Setembro recebeu bilhões de dólares em ajuda econômica e de segurança dos EUA. O país, por outro lado, depende fortemente de investimentos chineses e, de acordo com um dos documentos vazados, a ministra das Relações Exteriores do Paquistão, argumentou em março que seu país “não pode mais tentar manter um meio-termo entre a China e os Estados Unidos”.

Na África do Sul, aponta o documento, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, ouviu de autoridades locais que o país africano não seria intimidado a tomar decisões que não lhe convêm. Pretória tem evitado criticar publicamente Moscou pela invasão da Ucrânia.

Por fim, os documentos expõem o desejo do presidente da Argentina, Alberto Fernández, de usar uma aliança renovada de nações latino-americanas, incluindo México e Brasil, para garantir mais poder nas negociações com os EUA, China e União Europeia.

Ao que tudo indica, a aliança em questão é a Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), a qual o argentino preside. Em janeiro, em uma reunião de líderes das nações do grupo, Fernández defendeu a união dos países-membros: “Não queremos importar para a região rivalidades e problemas particulares. Ao contrário, queremos ser parte das soluções para os desafios que são de todos. Nada deve nos separar, já que tudo nos aproxima”, afirmou.

Folhapress

Oposição foca CPI do MST e vê potencial de desgaste a Lula maior que a do 8/1

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A oposição do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que, além da CPI do 8 de janeiro, outro ponto de desgaste para o Executivo no Congresso será a comissão que investigará a atuação do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) —e se articula para conseguir maioria no colegiado.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), leu requerimento que cria a CPI do MST na última semana, no mesmo dia em que o presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), leu o que criou a CPI mista do 8 de janeiro.

A criação das comissões se dá num momento em que o governo ainda não tem uma base de apoio sólida no Congresso e tem pressa para aprovar projetos considerados prioritários, caso do arcabouço fiscal e da reforma tributária.

O deputado bolsonarista Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) afirmou à Folha que a comissão do MST poderá dar mais dor de cabeça ao Executivo pela proximidade da entidade com Lula —o movimento é um aliado estratégico do petista.

“A do 8 de janeiro vai ser muito midiática, mas com pouco resultado nem a favor nem contra o governo, na minha avaliação. Agora a do MST vai trazer problemas sérios. O MST é muito entrelaçado ao governo e [a CPI] pode expor bem o governo”, diz.

Líder do governo no Senado, o senador Jacques Wagner (PT-BA) minimizou os efeitos da CPI do 8 de janeiro e afirmou que ela é “contra a barbárie, e não contra o governo”.

“Quem tem que estar com medo e quem deve estar montando estratégia são eles. Qual estratégia eu vou montar? Não tenho que ficar me defendendo, quem tem que montar estratégia é o outro lado, que tem que se defender”, disse.

“Vamos buscar a verdade, que haja investigação isenta, imparcial e que todos os envolvidos sejam investigados, que os fatos sejam colhidos e que a sociedade possa enfim conhecer o que aconteceu realmente”, afirmou o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN).

“Há aqueles que incitaram [os atos golpistas], aqueles que financiaram e aqueles que também se omitiram. Então é necessário que tenhamos também essas informações, que vamos buscar”, completou Marinho.

A CPI do MST mobiliza parlamentares da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), uma das maiores forças da Casa e que ainda apresenta resistência ao petista.

A criação da CPI se dá em meio às ações do movimento nas últimas semanas e à crescente pressão da bancada ruralista pela instalação do colegiado.

Diferentemente de como ocorrerá na CPI do 8 de janeiro, em que nem o PT de Lula nem o PL do ex-presidente Jair Bolsonaro ficarão com cargos de comando, a do MST se encaminha para ter dois deputados da oposição na relatoria e presidência.

O ex-ministro do governo Jair Bolsonaro e atual deputado federal Ricardo Salles (PL-SP) é o favorito para assumir a relatoria da comissão. Já o deputado Tenente Coronel Zucco (Republicanos-RS), autor do requerimento da CPI, deverá presidir o colegiado.

A comissão terá 27 membros titulares e 27 suplentes. Segundo cálculos seguindo a proporcionalidade partidária, dos 27 titulares, 9 serão do bloco que reúne PP, União Brasil, PSDB-Cidadania, PDT, PSB, Avante, Solidariedade e Patriota; 8 do bloco MDB, PSD, Podemos, PSC e Republicanos; 5 para o PL; 4 para a federação PT-PV-PC do B e 1 para a federação PSOL-Rede.

Deputados ouvidos pela reportagem afirmam que é possível criar uma maioria da oposição no colegiado, uma vez que mesmo em partidos considerados da base do governo Lula há parlamentares alinhados à pauta da bancada ruralista.

Já na CPI do 8 de janeiro serão 36 membros. Pelo menos por enquanto, a oposição se vê desfavorecida nas estimativas de parlamentares, que calculam que o governo deve ter de 20 e 22 nomes a seu favor no grupo.

Essa maioria vai depender, no entanto, de partidos que não são integralmente alinhados a Lula, como a União Brasil, ou de blocos como o do MDB no Senado, que é comandado pela sigla aliada, mas integrado também, por exemplo, pelo Podemos, que se declara independente.

Aliados de Lula avaliam, sob reserva, que será crucial que tais partidos indiquem nomes ao menos moderados.

Também entendem que será fundamental ter o apoio do bloco de Lira, mas que o presidente da Câmara pode cobrar um preço político alto para garantir a maioria da comissão ao governo.

Na tentativa de assegurar o controle da comissão, o governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), manobrou garantir mais uma vaga para o grupo de senadores do PT dentro da CPI —e a oposição entrou com uma questão de ordem para tentar reverter a medida.

A mesa do Congresso já publicou a distribuição de cargos dentro da CPI com a nova vaga conquistada por Randolfe. Cabe a Pacheco, porém, examinar a questão apresentada por Rogério Marinho e também pelo Novo.

Já é dada como pacificado, no entanto, que a relatoria da CPI ficará com um senador. E, portanto, a presidência será de algum deputado.

Renan Calheiros (MDB-AL) é um dos cotados e divide opiniões: há quem o veja como um bom nome para o governo, por ser combativo; outros analisam que seria um desgaste com Lira, já que os dois são rivais de longa data.

Eduardo Braga (MDB-AM) é outro dos citados como possível relator.

Um dos cotados para comandar a comissão é o deputado Arthur Maia (União Brasil-BA), que, no ano passado, apoiou publicamente a reeleição de Bolsonaro contra o que ele chamava de “projeto socializante do PT, que tem trazido tanta pobreza”.

Segundo parlamentares, Maia tem apoio do presidente da Câmara, que seria o fiador final da linha de atuação do indicado.

Lira também deverá exercer influência na CPI do MST. Como mostrou a coluna Painel, da Folha, o presidente da Casa pediu a Salles que ele atue com parcimônia e equilíbrio caso seja escolhido como relator.

O pedido tem como base a relação tensa que o deputado teve com movimentos do campo nos últimos anos. A possibilidade de Salles ser o relator tem sido criticada por integrantes da base do governo.

O deputado federal Odair Cunha (PT-MG) afirmou nas redes sociais que o que deve nortear os trabalhos do colegiado é o fato determinado que deu origem à sua criação. O requerimento da CPI diz que ela busca investigar a atuação do MST “do seu real propósito”, assim como dos seus financiadores.

“Quem for para a CPI do MST deverá ter compromisso com a realidade factual e não com uma ideologia ou narrativa pré-concebida. Não vamos admitir nenhum presidente ou relator comprometidos com uma agenda que busque criminalizar os movimentos sociais”, escreveu Cunha na sexta (28).

Da oposição, o deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP) afirma que “politicamente e juridicamente é mais fácil atacar o governo” na CPI do MST.

“Por já haver decisões judiciais contra invasores, fica muito mais fácil para a CPI do MST quebrar sigilo, fazer busca e apreensão e, eventualmente, até pedir a prisão dessas pessoas do que na CPI do dia 8, porque em relação a omissão do governo federal irá começar do zero. A do MST já começa com decisão judicial publicada.”

João Gabriel e Victoria Azevedo/Folhapress

 

Governo Federal cobra explicações da Gol após expulsão de mulher negra de voo

 

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Os Ministérios das Mulheres e da Igualdade Racial e a Secretaria Nacional do Consumidor disseram que a Gol precisará “prestar explicações” sobre o caso da passageira negra retirada de um voo em Salvador e que o episódio será notificado à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). As pastas do governo federal apontaram que o episódio envolve “racismo e misoginia” e que a Procuradoria-Geral da República e a Superintendência Regional da Polícia Federal na Bahia foram acionadas. Neste domingo, 30, a PF abriu um inquérito para apurar o caso.

A pesquisadora Samantha Vitena foi retirada de um avião da companhia aérea que voaria para São Paulo na noite de sexta-feira, 28, após ter dificuldades para guardar uma mochila no compartilhamento de bagagens. Em uma primeira nota sobre o caso, a Gol disse que “uma cliente não aceitou a colocação da sua bagagem nos locais corretos e seguros destinados às malas e, por medida de segurança operacional, não pôde seguir no voo”. Na noite de sábado, a companhia emitiu outro comunicado no qual lamenta “imensamente a experiência da cliente em nosso voo G3 1575?. (Leia íntegras abaixo)

Segundo Samantha, com o apoio de outros passageiros, a mochila pôde ser acomodada no compartimento de bagagens. Mesmo assim, três agentes da Polícia Federal entraram no avião e a retiraram do voo, alegando que a decisão era do comandante da Gol. Um vídeo sobre a abordagem da cientista foi compartilhado nas redes sociais, no qual é possível ouvir comentários de passageiros que consideraram a ação desproporcional e racista.

“Se eu despachasse meu laptop, ele iria ficar em pedaços. Os comissários não moveram um dedo para me ajudar. Quem me ajudou foi esse senhor e esta senhora (apontando para eles no vídeo), que em três minutos, a gente conseguiu dar um jeito e colocar minha mochila. Pelo contrário, os comissários falaram que se a gente pousasse em Guarulhos (o voo tinha como destino Congonhas), a culpa seria minha, porque eu não queria despachar a mochila. Ele teve a coragem de falar isso para mim”, disse no vídeo. Samantha embarcou em outro voo da Gol na madrugada de sábado.

‘Racismo nas relações de consumo’, diz secretário nacional do consumidor

No sábado, o secretário nacional do consumidor, Wadih Damous, disse que iria notificar a Gol. “Ao que parece, mais um caso de racismo nas relações de consumo. A Secretaria Nacional do Consumidor atuará com firmeza contra o racismo no consumo.”

O Ministério das Mulheres também se pronunciou no sábado sobre o caso e descreveu a situação como demonstrativa do “racismo e misoginia que atingem, de forma estrutural, as mulheres negras em nosso País”. “Pediremos providências à companhia aérea e à PF (Polícia Federal), que devem desculpas e explicações após a abordagem”, disse em comunicado.

Já o Ministério da Igualdade Racial afirmou que irá notificar a Anac, para a “adoção de todas as medidas cabíveis no sentido de prevenir, coibir e colaborar com a apuração de casos de racismo praticados por agentes de empresas aéreas, aprimorando seus mecanismos de fiscalização”.

“Acreditamos que a responsabilização neste caso possui papel educativo e cabe tanto à Gol quanto à Polícia Federal prestarem satisfações. Estamos em contato já com a companhia aérea para que sejam prestados os esclarecimentos devidos.”

Ao Estadão, o advogado Fernando Santos – que acompanhou Samantha até a unidade da Polícia Federal no Aeroporto de Salvador, onde ela prestou depoimento – disse que a situação é lamentável.

Segundo ele, Samantha teve de assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência, por ser acusada de resistência à ordem policial para ser retirada do avião. “Em nenhum momento ela se recusou a sair do avião. Apenas questionou o motivo de sofrer qualquer motivo de restrição”, afirma Santos.

O que diz a PF

“Inquérito policial vai apurar a eventual existência dos crimes de preconceito de raça ou cor durante os procedimentos para a retirada compulsória de passageira do voo 1575 da Gol no dia 28 de abril no Aeroporto Internacional de Salvador”, informou a PF neste domingo.

Conforme a Polícia Federal, a investigação foi instaurada na Superintendência Regional da PF na Bahia e permanecerá em sigilo até que o caso seja totalmente apurado.

Anteriormente, a Polícia Federal afirmou que foi acionada na sexta-feira pela companhia Gol, no Aeroporto Internacional de Salvador, para efetuar o desembarque de passageira que não teria acatado as ordens do comandante do voo 1575, referentes à segurança de acomodação de bagagens. A passageira foi ouvida pela PF e liberada em seguida. “As circunstâncias do fato estão sendo apuradas”, afirmou.

O que diz a Gol

A Gol ainda não se pronunciou sobre a abertura do inquérito neste domingo. No sábado, emitiu duas notas a respeito do caso:

Primeira nota

“A Gol informa que, durante o embarque do voo G3 1575 (Salvador – Congonhas), havia uma grande quantidade de bagagens para serem acomodadas a bordo e muitos clientes colaboraram despachando volumes gratuitamente. Mesmo com todas as alternativas apresentadas pela tripulação, uma cliente não aceitou a colocação da sua bagagem nos locais corretos e seguros destinados às malas e, por medida de segurança operacional, não pôde seguir no voo.

Lamentamos os transtornos causados aos clientes, mas reforçamos que, por medidas de segurança, nosso valor número 1, as acomodações das bagagens devem seguir as regras e procedimentos estabelecidos, sem exceções. A companhia ressalta ainda que busca continuamente formas de evitar o ocorrido e oferecer a melhor experiência a quem escolhe voar com a Gol e segue apurando cuidadosamente os detalhes do caso.”

Segunda nota

“Lamentamos imensamente a experiência da Cliente em nosso voo G3 1575. Seguimos cuidadosamente apurando os detalhes do ocorrido e reforçamos que não toleramos nenhuma atitude discriminatória.”

Priscila Mengue e Renata Okumura/Estadão Conteúdo

Bolsonaro revive clima de campanha eleitoral em 1ª viagem pelo país após voltar dos EUA

 

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Em sua primeira viagem pelo país após retornar de um período de três meses nos Estados Unidos, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reviveu em Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo) neste domingo (30) o clima da campanha eleitoral de 2022.

Bolsonaro desembarcou no aeroporto Leite Lopes, em Ribeirão, pouco antes das 14h deste domingo e foi recebido por apoiadores que horas antes já se aglomeravam no local.

Gritos como “Lula, ladrão, seu lugar é na prisão”, “Deus, pátria, família e liberdade” e “Eu vim de graça” foram entoados por bolsonaristas sob uma temperatura de 31 graus Celsius.

Um forte esquema de segurança foi montado. A região próxima à área de desembarque foi cercada, e policiais militares faziam revista em quem entrava no local. Havia ao menos 15 veículos de forças de segurança no aeroporto, inclusive dois ônibus da Polícia Militar.

No voo, Bolsonaro embarcou após todos os passageiros. Na chegada a Ribeirão, desembarcou antes dos demais, cercado por quatro seguranças.

Do aeroporto Bolsonaro saiu na caçamba de uma caminhonete e foi seguido por motos e carros até uma fazenda às margens da rodovia Abrão Assed, que liga Ribeirão Preto a Serrana. Políticos como o deputado federal Mário Frias (PL-SP) acompanharam o desembarque do ex-presidente.

No entorno do aeroporto, vendedores ambulantes comercializavam camisas alusivas ao ex-presidente por R$ 50, mesmo preço cobrado por bandeiras pequenas. “O acompanho desde 2019, vendi muita camisa já, mas seria melhor se ele tivesse ganhado [em 2022]”, disse o vendedor Paulo Sérgio Alves, de São Paulo.

Próximo a ele, a bancária Patrícia Matos, da cidade de Franca, experimentava uma delas, para substituir a que usou no ano passado. “Estava gasta demais já”, disse.

O objetivo da visita a Ribeirão foi o de participar da cerimônia de abertura da Agrishow (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação) nesta segunda (1º), que no entanto foi cancelada pela organização devido a uma polêmica com o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Principal feira de tecnologia agrícola da América Latina, a Agrishow entrou em rota de colisão com o governo federal na última terça-feira (25), quando o presidente da feira, Francisco Matturro, comunicou ao ministro Carlos Fávaro (Agricultura) que Bolsonaro participaria da cerimônia de abertura e sugeriu que o ministro visitasse o evento no dia seguinte, quando haverá uma reunião da FPA (Frente Parlamentar do Agronegócio).

Fávaro se sentiu “desconvidado”, cancelou a agenda em Ribeirão Preto e fez com que o governo Lula ameaçasse, na sexta-feira (28), cancelar o patrocínio do Banco do Brasil ao evento.

Na noite de sábado (29), pressionada por expositores, as associações organizadoras da Agrishow anunciaram num comunicado o cancelamento da cerimônia de abertura.

O cancelamento do ato de abertura não impedirá que Bolsonaro visite a feira. O ex-ministro Fabio Wajngarten publicou numa rede social que o ex-presidente permanecerá em Ribeirão até o final desta segunda-feira (1º).

Vídeos do ex-ministro e senador Marcos Pontes (PL) e do deputado e ex-ministro Ricardo Salles (PL) foram compartilhados em aplicativos de mensagens nos últimos dias convocando “conservadores”, “patriotas” e “homens e mulheres de bem” para participar da recepção a Bolsonaro.

O convite para Bolsonaro visitar Ribeirão partiu do presidente do Sindicato Rural de Ribeirão Preto, Paulo Junqueira, que também preside a Associação Rural de Ribeirão e é vice-presidente da Assovale (Associação Rural Vale do Rio Pardo).

Junqueira já tinha recepcionado Bolsonaro quando o presidente participou da feira agrícola no ano passado, em seu último ano no cargo de presidente.

No ano passado, Bolsonaro já havia sido recebido num almoço na mesma propriedade. Ao participar da Agrishow, iniciou seu discurso afirmando que “jamais esperava ser presidente da República”. “Já que aconteceu, entendo que é uma missão de Deus […] E reforçar aqui: só Deus me tira daquela cadeira.”

Na ocasião, afirmou que, enquanto deputado federal, sempre assinou listas para participar da bancada do agronegócio em Brasília e que participava e colaborava conforme sua estatura, “que não era muito grande, para esse enorme setor que é o agronegócio”.

Marcelo Toledo/Folhapress

MST vai chamar Favaro para feira em contraste com ‘desconvite’ da Agrishow

 

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O MST vai chamar o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, para sua Feira Nacional da Reforma Agrária, que ocorrerá entre 10 e 14 de maio. A ideia é fazer um contraste com o tratamento que ele recebeu ao ser “desconvidado” pela Agrishow, em Ribeirão Preto.

“Não nos interessa essa briga do ministro com o agro, mas isso mostra que o agro tem lado, o do bolsonarismo”, diz João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do MST.

O movimento tenta recompor pontes com o governo e recebeu os ministros Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) e Alexandre Padilha (Relações Institucionais) em evento político no sábado (29). Também aceitou participar do Conselhão, após ameaçar boicotar o órgão, como mostrou o Painel. Será representado por Ayala Ferreira, dirigente em Brasília.

O MST se prepara ainda para enfrentar a CPI que está sendo montada no Congresso Nacional. Terá uma estrutura política e jurídica em Brasília e contará com apoio do grupo jurídico Prerrogativas.

Há o receio, no entanto, que o governo acabe deixando o movimento à própria sorte para lidar com a investigação, por ter que se preocupar com a CPI do 8/1.

Fábio Zanini/Folhapress

Minoritários se sentem prejudicados em assembleia de acionistas da Americanas

 

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A Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária (AGOE) da Americanas realizada neste sábado (29) afastou qualquer ideia de consenso entre os minoritários e os principais acionistas da companhia –os bilionários Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles que, até o final de 2021, eram os controladores da varejista.

Em recuperação judicial desde 19 de janeiro, com dívidas declaradas de R$ 43 bilhões, a empresa vem promovendo nas últimas semanas entendimento com os seus maiores credores, os bancos, sob a promessa de que o trio de bilionários injete R$ 12 bilhões na companhia, alvo de uma fraude contábil nos últimos anos da ordem de R$ 20 bilhões.

Mas os minoritários –que viram a ação da Americanas ser negociada de um dia para o outro a preço de bala– desejavam ter maior presença nos centros de poder da empresa: o conselho de administração e o conselho fiscal. Não conseguiram.

Realizada virtualmente, a AGOE teve a participação do presidente da Americanas, Leonardo Coelho Pereira, de um dos membros do conselho fiscal da empresa, Carlos Alberto de Souza, e da representante da auditoria PwC, Cláudia Elisa Medeiros de Miranda.

Foram eleitos sete membros efetivos e cinco membros suplentes para o conselho de administração da empresa, o que representou a recondução de Sicupira e do filho de Lemann –Paulo Alberto Lemann– ao cargo de conselheiros da Americanas.

Outros cinco nomes foram eleitos conselheiros efetivos: Cláudio Moniz Barreto Garcia, Eduardo Saggioro Garcia, Sidney Victor da Costa Breyer, Vanessa Claro Lopes e Pierre Moreau –este último representou a única mudança em relação ao conselho anterior da Americanas e entrou como uma indicação dos minoritários, no lugar antes ocupado por Mauro Muratorio Not.

A discórdia no encontro virtual começou no momento de eleger os membros do conselho fiscal –órgão responsável por fiscalizar e acompanhar os atos dos administradores da companhia. Os minoritários indicaram o nome do advogado Luiz Nelson Porto Araújo para integrar o conselho fiscal, mas o trio de bilionários chegou com uma indicação de última hora para compor a instância, o do contador Elias de Matos Brito, que acabou ficando com a vaga, em detrimento ao nome indicado pelos minoritários.

Foram eleitos seis membros efetivos e suplentes para o conselho fiscal: Carlos Alberto de Souza (efetivo)/ Márcio Luciano Mancini (suplente); Ricardo Scalzo/André Amaral de Castro Leal; Vicente Antonio de Castro Ferreira/Pedro Carvalho de Mello; Raphael Manhães Martins/Cássio Monteiro Rodrigues; Elias de Matos Brito/Anderson dos Santos Amorim.

Os conselheiros têm mandato de dois anos, até a Assembleia Geral Ordinária de 2025, assim como os membros do conselho fiscal. A AGOE também fixou o limite da remuneração aos administradores da companhia para este ano, no valor de R$ 40,05 milhões.

A ata da AGOE deixou registrado o impasse entre as partes.

“Os acionistas Bonsucex Holding, Silvio Tini de Araujo, EWZ Investiments e EWZ Brasil protestam contra a forma de contabilização dos votos para eleição dos membros do conselho fiscal da Americanas, que resultou na supressão do direito dos minoritários de eleger um membro em separado. A alegação de que não há ‘controle definido’ é mero expediente da Mesa para suprimir dos minoritários o direito de fiscalização via Conselho Fiscal”, diz o texto da ata.

Em nota, a Americanas afirmou que “as assembleias foram conduzidas com rigorosa observância da Lei das S.A”. E que na ocasião também foi ratificado o processo de recuperação judicial da empresa. “A companhia informa ainda que não houve quórum legal para os dois últimos tópicos da Assembleia Geral Extraordinária, que tratavam da alteração e consolidação do Estatuto Social da companhia para atualização do capital social.”

Um dos advogados que representam os minoritários, Daniel Gerber não participou da AGEO. “Não acreditamos mais em soluções verdadeiras para os minoritários, assim como em uma resposta séria por parte do Ministério Público e Justiça criminais”, afirmou o advogado à Folha.

“Evidentemente temos uma fraude no caso Americanas. E evidentemente tanto o judiciário, na área criminal, quanto o Ministério Público Federal, ao nada fazerem, apenas demonstram que esta é uma briga política, não jurídica, e que no Brasil a regra continua a mesma: quem nada tem continuará nada tendo, sequer justiça.”

O escândalo contábil da Americanas é alvo de investigação na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), Polícia Federal e MPF (Ministério Público Federal). Também deve ser tema de uma CPI na Câmara dos Deputados, depois de ser alvo de audiência na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) no Senado no fim de março.

Daniele Madureira/Folhapress
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A Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária (AGOE) da Americanas realizada neste sábado (29) afastou qualquer ideia de consenso entre os minoritários e os principais acionistas da companhia –os bilionários Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles que, até o final de 2021, eram os controladores da varejista.

Em recuperação judicial desde 19 de janeiro, com dívidas declaradas de R$ 43 bilhões, a empresa vem promovendo nas últimas semanas entendimento com os seus maiores credores, os bancos, sob a promessa de que o trio de bilionários injete R$ 12 bilhões na companhia, alvo de uma fraude contábil nos últimos anos da ordem de R$ 20 bilhões.

Mas os minoritários –que viram a ação da Americanas ser negociada de um dia para o outro a preço de bala– desejavam ter maior presença nos centros de poder da empresa: o conselho de administração e o conselho fiscal. Não conseguiram.

Realizada virtualmente, a AGOE teve a participação do presidente da Americanas, Leonardo Coelho Pereira, de um dos membros do conselho fiscal da empresa, Carlos Alberto de Souza, e da representante da auditoria PwC, Cláudia Elisa Medeiros de Miranda.

Foram eleitos sete membros efetivos e cinco membros suplentes para o conselho de administração da empresa, o que representou a recondução de Sicupira e do filho de Lemann –Paulo Alberto Lemann– ao cargo de conselheiros da Americanas.

Outros cinco nomes foram eleitos conselheiros efetivos: Cláudio Moniz Barreto Garcia, Eduardo Saggioro Garcia, Sidney Victor da Costa Breyer, Vanessa Claro Lopes e Pierre Moreau –este último representou a única mudança em relação ao conselho anterior da Americanas e entrou como uma indicação dos minoritários, no lugar antes ocupado por Mauro Muratorio Not.

A discórdia no encontro virtual começou no momento de eleger os membros do conselho fiscal –órgão responsável por fiscalizar e acompanhar os atos dos administradores da companhia. Os minoritários indicaram o nome do advogado Luiz Nelson Porto Araújo para integrar o conselho fiscal, mas o trio de bilionários chegou com uma indicação de última hora para compor a instância, o do contador Elias de Matos Brito, que acabou ficando com a vaga, em detrimento ao nome indicado pelos minoritários.

Foram eleitos seis membros efetivos e suplentes para o conselho fiscal: Carlos Alberto de Souza (efetivo)/ Márcio Luciano Mancini (suplente); Ricardo Scalzo/André Amaral de Castro Leal; Vicente Antonio de Castro Ferreira/Pedro Carvalho de Mello; Raphael Manhães Martins/Cássio Monteiro Rodrigues; Elias de Matos Brito/Anderson dos Santos Amorim.

Os conselheiros têm mandato de dois anos, até a Assembleia Geral Ordinária de 2025, assim como os membros do conselho fiscal. A AGOE também fixou o limite da remuneração aos administradores da companhia para este ano, no valor de R$ 40,05 milhões.

A ata da AGOE deixou registrado o impasse entre as partes.

“Os acionistas Bonsucex Holding, Silvio Tini de Araujo, EWZ Investiments e EWZ Brasil protestam contra a forma de contabilização dos votos para eleição dos membros do conselho fiscal da Americanas, que resultou na supressão do direito dos minoritários de eleger um membro em separado. A alegação de que não há ‘controle definido’ é mero expediente da Mesa para suprimir dos minoritários o direito de fiscalização via Conselho Fiscal”, diz o texto da ata.

Em nota, a Americanas afirmou que “as assembleias foram conduzidas com rigorosa observância da Lei das S.A”. E que na ocasião também foi ratificado o processo de recuperação judicial da empresa. “A companhia informa ainda que não houve quórum legal para os dois últimos tópicos da Assembleia Geral Extraordinária, que tratavam da alteração e consolidação do Estatuto Social da companhia para atualização do capital social.”

Um dos advogados que representam os minoritários, Daniel Gerber não participou da AGEO. “Não acreditamos mais em soluções verdadeiras para os minoritários, assim como em uma resposta séria por parte do Ministério Público e Justiça criminais”, afirmou o advogado à Folha.

“Evidentemente temos uma fraude no caso Americanas. E evidentemente tanto o judiciário, na área criminal, quanto o Ministério Público Federal, ao nada fazerem, apenas demonstram que esta é uma briga política, não jurídica, e que no Brasil a regra continua a mesma: quem nada tem continuará nada tendo, sequer justiça.”

O escândalo contábil da Americanas é alvo de investigação na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), Polícia Federal e MPF (Ministério Público Federal). Também deve ser tema de uma CPI na Câmara dos Deputados, depois de ser alvo de audiência na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) no Senado no fim de março.

Daniele Madureira/Folhapress

Bolsonaristas preparam ofensiva para tentar desgastar indicação de Zanin ao STF

 

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O presidente Lula deve indicar o advogado Cristiano Zanin para ocupar a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) deixada pelo ministro Ricardo Le­wan­dows­ki, que se aposentou no início do mês. Porém, nas últimas semanas, um grupo de senadores ligados ao ex-­presidente Jair Bolsonaro tem se reunido para fazer barulho para tentar impor o máximo de desgaste político ao governo. A informação é da “Veja”.

Sob anonimato, um senador envolvido conta que o grupo não tem votos suficientes para barrar a candidatura, mas quer aproveitar a oportunidade e a exposição que o caso terá para trazer de volta detalhes sobre as acusações da Lava-­Jato que envolveram o atual presidente e o PT. O movimento já foi percebido pelo Palácio do Planalto, mas não chega a preocupar.

Bolsonaristas usam capivara Filó para atacar Ibama, diz presidente do órgão

 

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A repercussão do caso da capivara Filó chegou também às redes sociais bolsonaristas, impulsionadas por fake news, e culminou na invasão de uma sede do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) neste final de semana.

Segundo o presidente do instituto, Rodrigo Agostinho, a invasão coloca em risco animais ameaçados de extinção e que estão no local para reabilitação. Para ele, a história tem sido usada como forma de resposta às operações de combate à madeira e gado ilegal no Amazonas.

“A rede bolsonarista está usando essa situação para atacar a gente”, afirma ele à Folha.

“Estão atacando o Ibama porque temos muitas ações no Amazonas, de embargo de áreas desmatadas, apreensões de gado em terra indígena, em unidade de conservação. Esse caso acabou servindo para tentarem desqualificar o trabalho”, completa.

Segundo ele, o animal seria devolvido ao seu habitat natural logo após o feriado de 1º de maio.

A capivara Filó foi apreendida pelo instituto na última quinta-feira (27). Ela vivia com o youtuber Agenor Tupinambá, que fez sucesso nas redes sociais com o animal. Ele foi autuado porque a lei brasileira proíbe “exploração indevida de animais silvestres para a geração de conteúdo em redes sociais”.

Desde então, o caso ganhou repercussão. Neste final de semana, chegou a perfis como o da ativista Luísa Mell e de bolsonaristas como Mário Frias, ex-secretário de Cultura de Jair Bolsonaro (PL), e das deputadas Carla Zambelli (PL-SP) e Bia Kicis (PL-DF).

Desde sábado (29), dia em que a Justiça cencedeu uma liminar permitindo que Agenor visitasse o animal, manifestantes fazem atos em frente ao Cetas (Centro de Triagem de Animais Silvestres) do Ibama, em Manaus.

Uma das líderes do movimento é a deputada estadual Joana Darc (União Brasil), que gravou lives e vídeos convocando pessoas aos protestos e entrou no Cetas junto ao youtuber, ainda no sábado, quando muitos perfis passaram a propagar que a decisão era de devolução do animal, o que até então não era verdade.

Neste domingo (30), quando então uma nova liminar determinou a devolução da capivara a Agenor, a deputada invadiu o Cetas e agrediu verbalmente servidores do Ibama, que registraram o caso em boletim de ocorrência.

“Ali não é um hospital para visitação de pacientes. Temos a questão ainda que era o infrator visitando o objeto da infração”, diz Agostinho, que afirma ainda que vai recorrer da decisão.

Vídeos mostram a deputada invadindo o Cetas, ameaçando policiais e servidores e atirando uma chave, supostamente do Ibama, em um matagal. Em seus vídeos, ela afirma ainda que encontrou medicamentos vencidos e também vacinas.

O presidente do Ibama rebate, dizendo que os medicamentos eram para descarte e que o Ibama não vacina animais silvestres.

“Temos naquela unidade, em processo de reabilitação, alguns saguis de manaus, uma espécie endêmica da região e que é um dos dez macacos mais ameaçados de extinção no mundo. Eles estão ali para serem devolvidos à natureza e sofreram com o estresse. Aquele espaço não é feito para ter uma multidão de pessoas gritando em volta, muito menos dentro”, afirma Agostinho.

O presidente afirma que a gestão Bolsonaro sucateou diversos centros pelo país e que o instituto planeja inclusive reformar a unidade de Manaus, além de reabrir a de Belém, para ampliar o atendimento a animais silvestres.

Segundo ele, apenas neste ano, as 25 unidades de Cetas do país já receberam cerca de 15 mil animais, dos quais pouco mais de um terço já foram devolvidos à natureza.

“Chama atenção ver protetores de animais estão defendendo a pessoa e não o bem-estar do animal. Nas redes, não estão preocupados com um destino adequado para a capivara, com onde ela vai ser solta, se encontramos uma família de capivaras para ela”, diz.

RISCO PARA ANIMAIS
Nas suas redes sociais, Agenor postava sua rotina com Filó. Ele, que pelas suas postagens vive em uma fazenda, afirma que cuidava dela como indígenas em aldeias fazem com filhotes na selva.

Há cenas dele maquiando ao animal, tomando banho (aparentemente com shampoo) com o animal. Ele também aparece com outros bichos: bicho preguiça, jiboia, papagaio da várzea ou paca, por exemplo.

“Ele alimentou um filhote de bicho preguiça com frutas, sendo que o bicho preguiça não come frutas, e depois o animal acabou morrendo. Aquilo não é um caso de animais dentro de uma aldeia, a capivara estava sendo criada dentro de casa. Nem duvido que ele gostasse dela, mas não dá para normalizar a humanização excessiva de um animal silvestre, ultrapassou todos os limites”, diz Agostinho.

O presidente do Ibama diz que, nos últimos dias, já fez registro de mais 20 casos de pessoas utilizando-se de animais silvestres para conseguir engajamento nas redes sociais.

João Gabriel/Folhapress

 Pode ser uma imagem de 1 pessoa e texto que diz "2° GRANDE ENCONTRO DE RURAL VDCA COIA JÁ TEMOS DATA!!! 8PH7313 Dias 02, 03 e 04 de fevereiro de 2024."

O comunismo morreu e o fantasma é fascista

 

BLOG  ORLANDO  TAMBOSI

A farsa da esquerda lulista, que trata Putin e Jinping como se fossem alunos de Marx, torna a tal da democracia do amor uma piada soturna. José Nêumanne para a Crusoé:


A poção mágica para fazer o arcabouço (que Bonifácio Sobrinho chama de cala boca) fiscal é o ai-jesus do discurso populista: “pobre vai pagar menos imposto e rico vai ser tributado”, o que não tem acontecido com muita freqüência nesta Pindorama da privilegiatura estatal. O falso passe de mágica anunciado pelo candidato a taumaturgo Fernando Haddad concentrou-se na anunciada isenção tributária de produtos comercializados entre pessoas físicas chinesas e brasileiras por até US$ 50 (cerca de R$ 250 no câmbio que flutua sem casco nem teto algum).

O anúncio contava com a conveniência da ausência do chefão chefiando robusta (para dizer o termo da moda, no mínimo figurativo) comitiva em China e Arábias. O chefe desfez a quimera. “Nada disso, vai atingir o cidadão desprovido de bens”, que costuma apenar essas aleivosias votando no partido do contra. Atribuiu-se-a à mão leve de Janja, mas logo se chegou ao consenso de que o chefe do Executivo não precisa de cochicho de alcova para desfazer ilusões do facilitário poliburocrático.

Carlos Andreazza resumiu texto realista publicado no Globo da quarta-feira 19 de abril de 2023 em tuíte: “Lula desistiu de taxar vendas on-line até U$ 50. O recuo, porém, mais do que evidenciar o discurso trapaceiro e expor a turma agora rebolando para se ajustar à nova ordem, expressa as dificuldades de o governo estruturar – alicerçar – o arcabouço fiscal.” Ora, meus amigos, meus inimigos, noviços da burocracia fiscalista podem cair nessa lorota, não vetustos analistas. Onde diacho o governo ocupado pelo Partido dos Trabalhadores (PT), mas comandado pelo Centrão parlamentar do alagoano Artur Lira, iria encontrar jeito de cobrar essa taxa? Quantos milhões de fiscais e outros tantos de reais seriam gastos nessa aventura? Melhor voltar para o ramerrame de cada dia: imposto bom é o cobrado na fonte, ou seja, na empresa empregadora direto na folha de pagamento do escorchado contribuinte de sempre, o trabalhador de carteira assinada, ainda escorado no arcabouço sindical de titio Gegê.

Mas ainda falta um argumento, que depende de outras aplicações. A isenção premia uma trapaça em que uma venda é tratada como se fosse um troca-troca de cidadão para cidadão. O fim da tal isenção atingiria o casco da escravatura. E este torna o mundão de meu Deus de hoje em dia, não no mercado maior da chinesada, mas, sim, na transação entre a senzala produtiva do vendedor e o preço praticamente sem custo que chega ao consumidor além das grandes fronteiras do país mais populoso do mundo.

O neovelho império do extremo Oriente não é mais o contendor do império soviético, desmanchado na dita Revolução Cultural, nem o alvo da cobiça que excitou as narinas de Lord Kissinger. Xi Jinping é o capataz de uma ditadura revelada como fascista, ou seja de direita, no volumoso e lúcido tratado iluminado do empresário e escritor baiano Joaci Góes (Esquerdas e Direitas, Topbooks, 2022). Quem acredita na economia liberal dos velhos pais fundadores, gerida por uma democracia de cunho socialista, pode confundir padre com panda. A trágica verdade é que a atualidade mundial não é uma babélica barraca de quinquilharias tecnológicas com laboratórios habitados por vírus fujões. Como o tal de coroné vírus, ao qual o capitão Jair bate até hoje continência, sem a menor disciplina verbal, ora veja. O neovelho mundo, que virou o novo titã da indústria, do comércio e da alta tecnologia, finge que as centenas de milhões de escravos de olhos puxados são uma nova classe operária barata e operosa. Será que não vai aparecer um Joaquim Nabuco para abrir-lhes os olhos, hein? A herança de Deng Xiaoping é o realismo brutal, desumano e biliardário da potência sem medidas de uma ditadura escravocrata, que nem depende de comprar servos na África e transportá-los em naus.

Merval Pereira, do Globo e da Academia Brasileira de Letras, fez um comentário na CBN nesta quarta, 19, alertando para a cegueira da esquerda da democracia do amor de Lula em relação a outra ilusão de lado. O ex-KGB bolchevique é um cínico fascista que zomba de OTAN, ONU e do Bispo de Roma, como seu antecessor, Stálin, fazia há um século. Confundi-lo com um comunista é a mesma coisa que atribuir a Mussolini, vencido fundador dos fasci di combattimenti, a condição de caudatário do socialista Giacomo Matteotti, massacrado por facínoras prestando serviço ao Duce.

Os noticiários e as teses de História precisam ser refeitas: Serguei Lavrov humilhou o Brasil desembarcando de jeans e tênis. E depois foi cobrar dívidas que não serão pagas à Rússia pelos ex-comunistas, que agora seguram a mão direita enluvada do Dr. Strangelove, numa das melhores e mais assustadoras comédias do cinema, para evitar que ela faça a saudação nazista e o estrangule. No Brasil a postura belicista pró-russa do presidente impediu que se percebesse que Venezuela, Cuba e Nicarágua, que o criado falante de Putin visitou depois, formam um novo eixo. Nesta nossa democracia do amor é uma indecifrável anedota sinorrussa contada em castelhano de compadritos. A bênção, Borges.
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O que as imagens do golpismo em 8 de janeiro parecem dizer, mas não dizem.

 

BLOG  ORLANDO  TAMBOSI

Para um grupo de pessoas dispostas a acreditar em algo, o que lhes parece verdade se torna a verdade. Diogo Schelp para a Gazeta do Povo:


O noticiário político foi inundado nos últimos dias por imagens das câmeras de segurança do Palácio do Planalto durante os atos golpistas do último dia 8 de janeiro. O que se vê na maioria delas é a atuação sem impedimentos dos vândalos durante invasão da sede do Poder Executivo, na presença de funcionários, muitos deles militares, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que tem entre suas missões justamente proteger o prédio público. As imagens, porém, não dizem tudo — e as lacunas que elas deixam dão margem para interpretações apressadas, distorcidas ou mesmo mal-intencionadas do que aconteceu.

Os militares do GSI, muitos deles nomeados pelo governo anterior, de Jair Bolsonaro, estavam ajudando os golpistas ou apenas seguindo um protocolo de contenção de crise, para evitar a escalada da situação? Um deles, que estava a cargo justamente da coordenação da segurança do Palácio do Planalto naquele momento, aparece dando água para os invasores ou cumprimentando-os. Também testemunha um dos vândalos mexendo no computador e nas gavetas da recepção da antessala do gabinete presidencial, e passa reto, sem nem repreendê-lo.

As imagens são eloquentes, parecem dizer tudo. Mas tratam-se de evidências incompletas. Isoladamente, contudo, são perfeitas para o trabalho dos produtores de fake news, de notícias fraudulentas.

Omitindo-se uma informação aqui, distorcendo outra ali, fica fácil apresentar a versão, por exemplo, de que a atuação de suposta omissão do general Gonçalves Dias, então ministro do GSI, durante os atos de vandalismo está conectada a uma alegada conivência do governo Lula nos eventos de 8 de janeiro. E, assim, essa interpretação é encaixada na narrativa fantasiosa mais ampla de que os lamentáveis acontecimentos daquele dia foram incentivados ou até mesmo organizados por esquerdistas infiltrados.

O mesmo tipo de leitura enviesada das imagens está sendo feita em relação à cena em que um dos invasores arromba a porta de vidro da antessala do gabinete de Lula, mesmo sabendo que seu gesto estava sendo registrado por um profissional da agência Reuters. Como mostram as imagens da câmera de segurança, o vândalo depois se aproxima do fotógrafo, pede para verificar no visor os registros feitos por ele e o cumprimenta com um aperto de mão.

Jornalistas e fotógrafos que já cobriram manifestações violentas sabem que a presença deles naquele contexto é delicada e arriscada. Eles têm a missão de observar e registrar tudo sem participar ou interferir nos fatos. Há situações extremas em que a presença de profissionais da imprensa até serve para inibir um ato potencialmente criminoso. Em outras, é um incentivo para infratores que usam a violência para transmitir uma mensagem política para o grande público.

Em ambas situações, o jornalista, cinegrafista ou fotógrafo só consegue fazer seu trabalho se sua presença ali for tolerada por aqueles que estão sendo registrados. No meio de uma multidão agressiva, manter uma atitude amistosa com os membros da massa é o mínimo que um profissional de imprensa pode fazer para assegurar a própria segurança.

É comum, por exemplo, que manifestantes peçam aos fotógrafos para ver a imagens que foram feitas deles, ora por curiosidade e vaidade, ora como ato de censura, para se certificar de que seu rosto não apareceu durante um ato de depredação, por exemplo. Isso não significa que o profissional de imprensa é cúmplice do que está acontecendo — ele está apenas se equilibrando no fio da navalha entre a necessidade de registrar os fatos e o risco de ser visto como um inimigo, e portanto um alvo, de uma multidão volátil e cheia de gente paranóica. Prova da fragilidade desse equilíbrio é o fato de que muitos jornalistas foram agredidos e hostilizados no 8 de janeiro.

No entanto, como era de se esperar, sites especializados na produção de fake news já estão alimentando a versão estapafúrdia de que a interação entre o manifestante e o fotógrafo comprova que a invasão ao Palácio do Planalto é uma armação da esquerda. "Evidências" disso seriam os retratos de Lula feitos pelo fotógrafo e postados em suas redes sociais ou o fato de que seus registros foram publicado no G1, do grupo Globo — como se não fosse óbvio que qualquer fotógrafo de notícias que atua em Brasília fizesse fotos do presidente ou que praticamente todos os veículos de comunicação se utilizem de conteúdo produzido pela Reuters.

Mas a lógica e o apego aos fatos não servem para fazer uma boa teoria da conspiração. Basta preencher as lacunas das evidências com informações falsas ou distorcidas e pronto: para um grupo de pessoas dispostas a acreditar em algo, o que lhes parece verdade se torna a verdade.
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A armadilha do coletivismo

BLOG  ORLANDO  TAMBOSI

Nada do que nos resultou especialmente valioso foi iluminado pelas multidões. J. L. González Quirós para Disidentia:


La gran justificación de cualquier colectivismo es la justicia, mejor dicho, la igualdad, que, en realidad, es solo un trampantojo de un ideal tan exigente. Su gran trampa consiste en olvidar que es imposible conseguir algo empleando medios contradictorios, y el colectivismo cree, menos ingenuamente de lo que parece, que la fuerza puede acabar con la opresión, con cualquier diferencia. Una paradoja de ese tipo es posible porque en el seno de los colectivismos la primera víctima es la razón, que, por cierto, tiene nombre de mujer, como la sabiduría y la libertad, como casi todo lo abstracto y superior.

La razón desaparece desde el momento mismo en que empieza a imperar el principio de unanimidad que es el que da fuerza al colectivo porque sirve para excluir al que no pertenece, al traidor y a la culpable. Se trata de una regla (no hay reglos) que no admite excepciones, cualquier disidencia es perniciosa, criminal, y por eso hemos podido leer, no sin asombro, que el liberalismo, pertinaz como diría el desaparecido Forges, es el responsable de la postergación femenina, es decir que a las mujeres que se arriman a este rebaño les parece que sus congéneres les va mejor en la Persia de los ayatolás, en la Cuba castrista, o en el Partido Comunista chino, sistemas en los que, casualmente, nunca ha habido una sola mujer en el comité supremo.

Como consecuencia de la expulsión del sentido crítico, el colectivismo es una herramienta para eximir de la responsabilidad, puesto que, por definición, es un mecanismo para externalizar las culpas y para halagar a los supuestamente oprimidos liberándolos de cualquier deber propio, de todo compromiso personal ajeno al colectivo: toda la responsabilidad se reduce a ponerse a las órdenes de quien mande (él o ella).


Nietzsche quiso ver en el resentimiento el origen de la moral, y acertó al considerar que la transmutación de los valores superiores sería frecuentemente el objetivo de las masas que se sienten oprimidas; no es necesario ser un genio para ver el riesgo implícito en asentir a planteamientos tan simples, pero tampoco es demasiado inteligente prescindir de esa clase de pesquisas cuando tratemos de entender los instrumentos que usa el colectivismo, sea cual sea el tótem a cuya sombra se arracime.

La sociedad contemporánea abunda en multitudes de todos los géneros y son muchos los negocios, políticos, pero no solo políticos, que se pueden fundar en la explotación de esa cualidad que todavía no sabemos manejar con pericia. Si miramos hacia atrás, lo que es seguro es que podremos constatar que nada de lo que nos resulta especialmente valioso ha sido alumbrado por las muchedumbres, que esa fuerza puede servir para casi todo, menos para encontrar siquiera un adarme de verdad liberadora. La creatividad no surge de la masa, tampoco del mito del genio, sino de la colaboración inteligente, algo que solo se puede articular en grupos en los que sea posible la conversación, en los que no haya consignas ni ortodoxia que valga.

Es algo que debería darnos que pensar. Tenemos la necesidad de encontrar las formas de evitar que el colectivismo, con su ímpetu uniformador y ordenancista, arruine valores esenciales del mundo libre, como la disidencia, el pluralismo y la verdadera extravagancia, un derecho a la diferencia que no se puede confundir con el refugio en colectivismos minoritarios, estoy pensando en lo poco extravagante que puede acabar siendo una drag queen, grupos que se suelen edificar para obtener la clase de privilegios que nadie reclamaría a pecho descubierto, en plan realmente extravagante, porque el verdadero extravagante ya tiene su propio premio en poder serlo y en hacer lo que le pluguiere.

La sociedad tecnológica nos brinda muchos medios para vivir algo menos atados por el medio de lo que ha sido tradicional, pero ya abundan los que quieren poner puertas al campo, los que aspiran a protegernos de lo que, supuestamente, nos idiotiza, o nos causa no se sabe que enormes perjuicios, desde el cáncer a la oligofrenia.

Cada cual puede apuntarse a lo que quiera, pero pedir a golpe de masas la liberación o la libertad es bastante contradictorio, porque lo único que las masas pueden hacer, lo único que han hecho desde siempre, es apretar los controles, imponer los uniformes para lograr que creamos aquello que se decía en época de los nazis: ahora somos más libres que nunca, ya no tenemos que elegir.
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