MEDIÇÃO DE TERRA

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sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Grupo Bio Ritmo escolhe Cipher para fazer adequação às regras e normas de compliance do PCI DSS

Cipher

Cipher atuou na análise minuciosa dos requisitos de segurança especificados pelo PCI-DSS que se aplicam a todos os elementos envolvidos no processamento de dados de pagamentos de cartões
São Paulo, 31 de Janeiro de 2020 - A Cipher, empresa do Grupo Prosegur especializada em cibersegurança, foi escolhida pelo Grupo Bio Ritmo, a maior rede de academias da América Latina, para fazer a adequação ao PCI DSS. O Payment Card Industry – Data Security Standard (PCI-DSS) é um padrão de mercado envolvendo a segurança no uso de cartões de crédito. Os requisitos de segurança especificados no PCI-DSS se aplicam a todos os elementos dos sistemas que participam do processamento de dados de cartão de crédito. Entre eles, os componentes de rede, servidores, aplicativos e os gerenciadores de bancos de dados envolvidos quando um número de cartão de crédito é transmitido, processado ou armazenado durante o fluxo de uma transação comercial.  
Bio Ritmo fundada em 1996, conta com 29 unidades pelo Brasil, e tem como finalidade garantir serviços de qualidade e alto valor agregado a seus clientes. Em 2009 inaugurou a Smart Fit, que atualmente é a maior rede de academias esportivas da América Latina e a 3ª maior do mundo, com mais de 500 unidades em 24 estados brasileiros, além de operações no México, Chile, Argentina, Equador, Guatemala, Panamá, República Dominicana, Peru e Colômbia, somando mais de 2 milhões de clientes. Juntas elas formam o Grupo Bio Ritmo, o maior do setor de academias da América Latina e 11º maior no mundo – Fonte: IHRSA (International Health, Racquet & Sportsclub Association).
Renne Augusto Cardoso, Head de Segurança da informação do grupo, sentiu a necessidade de adequação frente a PCI DSS, para que todas as unidades se mostrassem aderentes às normas do mercado de meios de pagamentos por cartões, e obtivesse a Certificação de Segurança do mais alto nível de qualidade. “Procuramos a Cipher, que além de ser especialista em segurança cibernética possui um corpo técnico capacitado e certificado em PCI-DSS, para nos ajudar nesta árdua tarefa”, explica Cardoso.
Isso também se mostrou necessário, devido ao grande número de transações realizadas pelo Grupo. As adquirentes estabelecem níveis, e de acordo com esses níveis, as empresas são obrigadas a reportar diferentes tipos de relatórios de aderência, para que possam ser realizados uma gestão de risco em que ela (adquirente) está sendo submetida. Isso é feito com base volumetria, que no caso em questão, deve estar em torno, ou mais, de 6 milhões por ano.
O projeto teve início em 2018, quando a Cipher preparou um relatório de avaliação para que fosse enviado às adquirentes (companhias que efetuam as transações financeiras, ou seja, são instituições que aceitam o pagamento realizados durante uma compra), chamado de SAQ-D. Ao final desta etapa e com os resultados em mãos, o grupo foi orientado sobre uma série de ações que seriam necessárias para que tivessem um esforço melhor direcionado para adequação de todo o ambiente PCI DSS.
Um dos principais problemas e desafios apontados durante a avaliação foi sobre a uniformidade dos métodos de captura de dados do cartão. “Como o mercado da Smart Fit é muito amplo, e atendem quase toda a América Latina, e cada país tem uma forma diferente de tabular dados isso obrigou a fazer uma adaptação interna nos sistemas para fornecer um jeito único de “encarcerar os dados do cartão, que será utilizado em toda a América Latina”, explica Eduardo Justo, Latam GRC Manager da Cipher.
Outro fator de grande dificuldade e atenção foi verificar os pontos que não estavam em conformidade ao padrão exigido. “A aplicação das melhores práticas de segurança em mercados não tão maduros, como é o caso do mercado brasileiro, foi um grande desafio superado pela equipe da Cipher”, completa.
Já em 2019, a Cipher juntamente com a SmartFit, definiu uma estratégia de execução do projeto de adequação do PCI DSS, envolvendo toda a atuação do grupo na América Latina, onde foram avaliadas as estruturas de processamento de dados de cartão em mais de 10 países, traduzido análise de gaps com auxílio na criação de planos para adequação da companhia e a avaliação do PCI DSS em si.
“O projeto seguiu um cronograma bastante audacioso para conseguir cobrir todos os países envolvidos, onde tivemos muita ajuda dos recursos da SmartFit envolvidos neste projeto, desde a área de segurança da informação até os pontos focais que fizeram o acompanhamento on-site”, explica Eduardo. “Na matriz em São Paulo, nós realizamos uma validação centralizada de toda estrutura de gestão de Segurança da Informação. Depois destas atividades, muitas tarefas foram executadas para que a companhia estivesse mais próxima da aderência”, completa.
“Na percepção da Cipher os maiores problemas estão relacionados ao conhecimento do escopo do PCI e tradução dos requisitos como parte integral do negócio, que, por meio de muito alinhamento entre consultoria e cliente, felizmente foi possível tornar o PCI algo mais simples e factível à realidade da empresa”, comemora Eduardo.

Sobre a Cipher
Fundada em 2000, a Cipher é uma empresa global de segurança cibernética que oferece ampla gama de produtos e serviços. Suas ofertas são suportadas pelo melhor laboratório em segurança: Cipher Intelligence. Os escritórios estão localizados na América do Norte, Europa e América Latina com centros de operação de segurança 24/7, complementados por parceiros estratégicos ao redor do mundo. A CIPHER é altamente acreditada como provedora de Serviços Gerenciados de Segurança (MSS) por meio das certificações da empresa como ISO 20000 e ISO 27001, SOC I e SOC II, PCI QSA e PCI ASV. Os seus clientes são compostos por grandes empresas e agencias de governo, com inúmeros cases de sucesso. A Cipher provê às organizações, por meio de tecnologias avançadas e especializadas, serviços que os protegem contra ameaças, enquanto gerenciam riscos e asseguram a operação através de soluções inovadoras. Foi nomeada como uma das principais provedoras de serviços gerenciados de segurança pelo MSSP Alert’s 2019, premiação baseada em uma pesquisa feita com 200 empresas multinacionais fornecedoras de MSS. Para mais informações, acesse www.cipher.com.

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No Brasil, onde estão as mulheres maduras?


Por Bete Marin
Se elas não estão em casa, no mercado de trabalho ou representadas na publicidade, onde é que as mulheres maduras estão? Quando comecei a trabalhar com longevidade, cinco anos atrás, o envelhecimento da população era uma onda prestes a chegar, mas ainda invisível para marcas, organizações e para a sociedade em geral. Hoje, com mais de 30 milhões de pessoas com mais de 60 anos – 54 milhões, se considerarmos as 50+, de acordo com projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) –, não há mais como negar: o Brasil está envelhecendo.
As mulheres maduras, por exemplo, já representam 13,7% da população, ultrapassando os 29 milhões de pessoas – o equivalente a quase três vezes a população de Portugal.Mas, nós não estamos envelhecendo como antigamente. Definitivamente, não. Na busca por novos paradigmas do que é envelhecer, as mulheres maduras também têm buscado novos lugares sociais. E, aqueles que ocupamos até hoje, estão sendo ressignificados. Mas, se as mulheres maduras já representam um volume tão grande da população, onde estão, afinal?
Elas não estão na publicidade. Repare no anúncio de xampu, na vitrine das lojas e no e-commerce, ou nas campanhas de redes sociais. As mulheres maduras ainda são invisíveis na publicidade. Em Cannes de 2019, mais de 70% das agências de publicidade afirmaram nunca ter recebido um briefing voltado para o público sênior, apesar de serem responsável por 50% do consumo global. E, para piorar, se um departamento de marketing descobre que a média de idade do seu público mudou, isso é motivo de desespero. Afinal, sua marca está envelhecendo.
Essa miopia do mercado torna invisível o potencial de consumo do mercado maduro. Só no Brasil, a população mais velha gera uma receita de R$ 1,6 trilhão por ano. Mas, enquanto todos os olhares se voltam para os Millennials, as marcas não se dão conta de que o Brasil já tem mais avós do que netos. A distorção é gigante. Noventa e dois por cento das mulheres que entrevistamos no Focus Group 2018 para a pesquisa Beleza Pura não se sentem representadas na publicidade. Isso porque, mesmo quando existem modelos maduras em campanhas femininas, elas estão representadas por velhos estereótipos que ainda as colocam de cabelos em coque e xale. O que é sentido na comunicação, também, está refletido nas prateleiras. Mais de 40% das mulheres maduras reclamam da falta de produtos e serviços para suas necessidades, segundo estudo Tsunami60+. Entre a miopia e a invisibilidade, eu faço essa provocação: quando foi a última vez que você viu uma mulher madura bem representada na mídia?
Elas não estão (na proporção em que poderiam) no mercado de trabalho. As maiores companhias do mundo já começam a conversar sobre o efeito da diversidade no ambiente de trabalho. Porém, nessas conversas, a questão geracional ainda é raramente abordada. Em uma pesquisa realizada, nos Estados Unidos, pela The Riveter, mostra que 43% das mulheres acima de 55 anos afirmam que perderam uma promoção na carreira por conta da idade. Para essas mesmas respondentes, a idade (25%) é um fator que afeta mais sua experiência no trabalho do que o gênero (17%). Ou seja, além do desafio de equidade de gênero – que se reflete na diferença de salário e oportunidades –, elas ainda enfrentam vieses relativos à idade. No Brasil, segundo relatório da Maturijobs, 48% das mulheres relatam já ter sofrido discriminação no trabalho por conta da idade.
Na prática, o preconceito com a idade, conhecido como ageísmo, afeta mais as mulheres do que os homens. No Reino Unido, enquanto as mulheres começam a sentir o preconceito no ambiente de trabalho a partir dos 40 anos, os homens só relatam essa discriminação, na mesma proporção, aos 45 anos. Essa diferença está relacionada ao nosso viés cognitivo de beleza e juventude cobrado das mulheres, somado também à ideia de que as pessoas maduras são menos inovadoras, adaptativas e, portanto, menos qualificadas para os desafios mais atuais do trabalho. O resultado é uma taxa de desemprego mais alta entre as mulheres maduras. Segundo o estudo Gendered Ageism do Catalyst, de 2007 a 2013, a taxa de desemprego das mulheres inglesas com mais de 65 anos subiu, nesse período, de 14% para 50%. Nos Estados Unidos, quase 30% da população acima de 50 anos foi afastada de forma involuntária do trabalho.  E, na empresa onde você trabalha, qual a representatividade das profissionais acima de 50 anos?
Elas não estão em casa.  Procure na cadeira de balanço, na janela ou no sofá. As mulheres maduras não estão mais lá. Com a extensão da vida, o empoderamento feminino e a independência financeira – que marcou a geração 50+ no Brasil –, as mulheres têm buscado realizar seus sonhos, descobrir novos hobbies e se conhecer profundamente com práticas que, até então, nunca experimentaram. Durante a minha jornada nos encontros presenciais e nas interações digitais, conheci várias mulheres maduras que inovaram e se reinventaram durante a maturidade, resgataram sonhos e os transformaram em realidade. Duas delas, as pianistas Ciça Terzini e Cíntia Motta estarão comigo na abertura do evento Beleza Pura 2020. Elas, recentemente, criaram o Projeto DuoemCi e estão harmonizando jazz e piano popular com propósito e trabalho.
As mulheres maduras estão nas aulas de música e dança, no curso de arte, na universidade, nos cruzeiros, na ioga, no Tinder. Elas estão na arena da vida, inovando, aproveitando, como nunca, a liberdade que vem com a idade. Para muitas, especialmente acima dos 70 anos, a partida do marido trouxe a liberdade de descobrirem os próprios gostos, hobbies e vontades – como a Vó Izaura Demari. Ao lado das amigas, dos parentes, se permitem conhecer pessoas novas – e se autoconhecer por uma nova perspectiva. Com tudo isso acontecendo, não dá nem tempo de ficar em casa.
Elas estão abraçando o risco! Se as mulheres maduras não se veem representadas na publicidade, nem nas prateleiras; não têm espaço no mercado de trabalho e não desejam mais envelhecer em casa, existe um caminho natural que muitas estão adotando: empreender. O Brasil já conta com 23 milhões de empreendedoras, sendo 34% do total de 'donos de negócio' do país, segundo o PNAD. Para essas mulheres, empreender pode ser tanto uma resposta a uma oportunidade de mercado ou descoberta pela própria experiência, como uma necessidade de se manter economicamente ativas para dar suporte às outras gerações da família, em um fenômeno conhecido como 'geração sanduíche'. Do total de empreendedoras no Brasil, 46% têm mais de 45 anos. São mulheres como Helena Schargel que, aos 79 anos, desenvolveu uma coleção de roupas íntimas para 60+. Em parceria com a Recco Lingerie – e depois de 40 anos trabalhando no mercado têxtil –, a empreendedora decidiu transformar as passarelas de moda incluindo as mulheres maduras como modelos.
Enxergar as mulheres ocupando novos espaços de poder e transformação na sociedade é uma das minhas maiores motivações realizando o que faço. Tenho me dedicado nos últimos anos a entender o universo do empreendedorismo feminino maduro e enxergar formas de impulsioná-lo. Assim, essa transformação acontece de forma mais rápida, impactando milhões de mulheres que, nesse mesmo momento, estão buscando por uma alternativa para viver da melhor forma possível a maturidade.
Bete Marin | Cofundadora da consultoria de Marketing Hype60+. Idealizadora do Blog colaborativo Amo Minha Idade e do movimento Beleza Pura Mulheres Maduras. Especialista em planejamento estratégico, comunicação integrada, marketing digital e eventos. Graduada em Marketing, pós-graduada em comunicação pela ESPM; em Gerontologia pelo Albert Einstein; e MBA em Marketing pela FGV.




SOBRE HYPE60+
Consultoria de marketing especializada no consumidor sênior que ajuda empresas, marcas e organizações a criar melhores produtos, serviços e experiências, sempre pelo ponto de vista dos maduros. A trajetória da empresa começou com o Amo Minha Idade, uma comunidade digital com cerca de 9 mil seguidores seniores. Dessa vivência, nasceu o Hype60+, oferecendo serviços que vão da estratégia de comunicação ao desenvolvimento de produtos para empresas que desejam se relacionar melhor com o público sênior. Entre os projetos já realizados estão clientes como o grupo Drogaria São Paulo e Pacheco, Nestlé, Grupo Couromoda, Akousis Aparelhos Auditivos, Sindireceita e Unibes Cultural.  Mais informações: http://hype60mais.com.br/.



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Música alta em excesso durante o Carnaval pode prejudicar a audição

Grupo Microsom

Perda auditiva pode piorar com a exposição a ruídos altos por longos períodos e danos podem ser irreversíveis
São Paulo, 31 de janeiro de 2020 – Mal terminou o ano de 2019 e os blocos carnavalescos e trios elétricos já desfilam pelas ruas de algumas cidades brasileiras em ritmo de esquenta pré-carnaval. Os ensaios das escolas de samba também já estão a todo o vapor, mas como fica a sua saúde auditiva nesse período?
“A exposição a ruídos muito altos por longos períodos pode acarretar em danos irreversíveis aos ouvidos. Muitas vezes não percebemos que já estamos com perda auditiva e ela só tende a aumentar com o passar dos anos”, explica a fonoaudióloga e gerente de produto do Grupo Microsom, maria do Carmo Branco.
No nosso ouvido interno está a cóclea, parte importante no processo da audição. Além de líquido, a cóclea possui "células ciliadas" que são extremamente sensíveis. Esses cílios movem-se quando estimulados por vibrações sonoras e transmitem essa informação para o cérebro. Porém, uma vez danificadas, essas células não se regeneram e o indivíduo não voltará a ouvir como antes.
O nível máximo de exposição suportável recomendado pela Organização Mundial de Saúde para o ouvido humano é de até 85 decibéis. Para se ter uma ideia comparativa, a turbina de um avião a jato na pista produz até 140 dB de ruído. A bateria de uma escola de samba pode produzir até 110 dB, o que piora quando em locais fechados como durante os ensaios em suas quadras.
“A recomendação para exposição a fontes sonoras acima de 110 dB é de cerca de 30 minutos, mas não é o que acontece durante o período do Carnaval. Sendo assim, é preciso tomar algumas medidas para preservar a saúde auditiva, principalmente no caso dos bebês e crianças pequenas. Se eles começarem a chorar e ficarem irrequietos, o barulho alto pode estar incomodando”, alerta Maria do Carmo.
O Grupo Microsom produz protetores auriculares personalizáveis, que ajudam a reduzir o barulho e permitem aos foliões curtirem o Carnaval sem comprometerem a saúde auditiva. Além disso, os aparelhos auditivos comercializados pela empresa permitem ao usuário ajustar o volume a um nível seguro.

Dicas para proteger os ouvidos nos dias de folia
- Não fique direto exposto ao som muito alto por longos períodos. Faça pausas regulares em ambientes menos ruidosos a cada meia hora. Se sentir aquele zumbido no ouvido, talvez seja hora de parar;
- Mantenha-se a uma distância de pelo menos 10 metros das fontes emissoras de som;
- Use protetores auriculares para reduzir o barulho. Isso vale para adultos e crianças;
- É recomendado não permanecer próximos dos equipamentos de som, principalmente no caso de bebês e crianças menores;
- No caso de crianças e adolescentes, pergunte se estão com algum barulho ou incômodo no ouvido após a exposição à música alta. Se o sintoma persistir procure um otorrinolaringologista para fazer uma avaliação;
- Os usuários de aparelhos auditivos devem se lembrar de reduzir o volume do seu dispositivo para evitar mais danos à sua audição.

Sobre o Grupo Microsom
O Grupo Microsom nasceu com o objetivo de tratar de forma mais humana as pessoas com qualquer tipo de deficiência. Ao longo do tempo agregou diversas soluções em seu portifólio, tais como aparelhos auditivos, aparelhos para zumbido, gagueira e apneia do sono. Sua missão é promover qualidade de vida para as pessoas que sofrem de alguma deficiência e precisam de soluções personalizadas e um atendimento humanizado. Ao todo, já conta com quase 30 anos de expertise e mais de 60 pontos de atendimento distribuídos por diversos Estados brasileiros.

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Localização da cóclea dentro do ouvido interno.
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Costa Cruzeiros fortalece precaução a bordo dos navios

Costa

São Paulo, 31 de janeiro de 2020 - Seguindo o alerta global declarado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a Costa Cruzeiros decidiu fortalecer ainda mais as medidas de precaução em sua frota a fim de garantir a máxima segurança para hóspedes e tripulação.
A partir de hoje, 31 de janeiro, nenhum hóspede, visitante e tripulante, independente da nacionalidade, que tenha viajado para a China continental nos últimos 14 dias poderá embarcar nos navios da Costa.
"A Costa Cruzeiros mantém contato próximo com as autoridades sanitárias internacionais e locais para garantir o monitoramento e a proteção constante da saúde", afirma Neil Palomba, presidente da Costa Cruzeiros. "Nossas equipes médicas a bordo também são atualizadas continuamente por nosso departamento central de serviços médicos, permitindo assim que procedimentos e exames de prevenção ordinária e extraordinária sejam aplicados a bordo de todos os navios de nossa frota, de acordo com qualquer cenário internacional em desenvolvimento”.
Entre as medidas que a empresa já vem adotando nas últimas semanas estão a introdução de um formulário médico para o embarque de passageiros, e a realização de exames de saúde antes do embarque, com a verificação da temperatura corporal de pessoas que, por qualquer motivo, aparentem ou tenham dificuldade respiratória e febre. A identificação dos sintomas da doença durante a triagem antes do embarque será encaminhada para os profissionais médicos que assim poderão decidir, caso a caso, se um hóspede ou membro da tripulação estará impossibilitado de embarcar. 
A segurança e a saúde dos passageiros são prioridade para a Costa Cruzeiros. Nos navios da Costa Cruzeiros são tomadas medidas de precaução, como a triagem de hóspedes e tripulação, se as circunstâncias assim exigirem. Além disso, todos os navios da frota têm instalações médicas com equipes dedicadas e disponíveis 24 horas por dia. Essas equipes contam com aconselhamento e apoio de profissionais e instalações médicas externas. A indústria de cruzeiros é uma das mais bem equipadas e experientes no campo da proteção da saúde.

Sobre a Costa Crociere
A Costa Crociere é a companhia marítima italiana integrante da Carnival  Corporation & plc, a maior empresa de cruzeiros do mundo. Há 71 anos a frota da Costa Crociere navega pelo mundo e oferece o melhor do estilo italiano, da hospitalidade a alta gastronomia, fazendo das férias uma experiência única a bordo. As embarcações incluem o que há de mais moderno em diversão, além de oferecer opções para aqueles que desejam relaxar. Possui 15 navios em serviço, a maior frota da Europa.
Além disso, um primeiro navio de última geração foi entregue em 2019 e o outro será em 2021: eles apresentam um "projeto verde" revolucionário e é conduzido por gás natural liquefeito (GNL), combustível fóssil mais limpo do mundo, o que representa um grande avanço ambiental. A Costa reflete a excelência italiana surpreendendo seus clientes todos os dias com experiências de férias únicas e inesquecíveis graças aos 27.000 associados de Costa em todo o mundo que, por sua vez, trabalham todos os dias para oferecer o melhor da Itália em férias de cruzeiro por meio de 140 itinerários diferentes, 261 destinos e 60 portos de embarque.

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A leitura emocional da História


Há que evitar a alteração dos programas de História para que lá caibam as matérias e as versões que os ativistas querem que sejam ensinadas (e para que se suprimam outras, que eles detestam). João Pedro Marques, em artigo publicado pelo Observador, sobre o relativismo dos ativistas:

“Uma reflexão sobre a disciplina de História” é o título de um texto que Miguel Monteiro de Barros, presidente da Associação de Professores de História, publicou recentemente no Expresso. Esse texto é, em simultâneo, uma defesa da nova disciplina de História, Culturas e Democracia, do 12º ano, e também, ainda que não o diga explicitamente, uma resposta a objecções ao programa dessa disciplina avançadas por Jaime Gama, Jaime Nogueira Pinto e José Manuel Fernandes, no “Conversas à Quinta”, e igualmente por mim, num artigo no Observador.

Não obstante o que se alega no texto do Expresso, eu continuo a olhar com muita reserva e desconfiança para alguns aspectos do programa dessa disciplina. É claro que estamos a falar de um programa e muito dependerá da forma como for posto em prática, mas há linhas programáticas que são contestáveis, ou suspeitas, e a intervenção de Monteiro de Barros não me tranquilizou. Reportando-me aqui apenas à parte da sua “reflexão” que me é dirigida, começo por notar que não responde à pergunta que fiz e volto a fazer: por que razão a nova disciplina põe a tónica nos “passados dolorosos” e não nos “passados auspiciosos” ou, como seria mais razoável, em ambos? Julgo que a ausência de aspectos positivos do passado no quadro da disciplina revela claramente, até prova em contrário, o seu pendor penitencial. É verdade que Miguel Monteiro de Barros diz que os “passados dolorosos” são “questões socialmente vivas” que merecem “ser discutidas de forma informada e crítica”. Estou em crer que boa parte da nossa divergência assentará precisamente nesses conceitos. Vejamo-los um pouco mais de perto.

Comecemos pelas “questões socialmente vivas”. A primeira coisa que importa notar é que os passados auspiciosos produziram tantas ou mais “questões socialmente vivas” do que os passados dolorosos. Ora, se é esse o critério por que razão não são igualmente estudados? Não se percebe, pois não? Vejamos agora o caso concreto de uma das designadas “questões socialmente vivas”: a escravatura. Seria a escravatura uma “questão socialmente viva” na sociedade portuguesa há 10 ou 15 anos, isto é, antes de, nos últimos tempos, uma certa camada universitária nela ter injectado esse problema? Desde a década de 80 que estudo a história da escravatura e posso garantir que não o era, o que, aliás, não será de admirar se pensarmos que a participação directa da metrópole portuguesa no tráfico transatlântico de escravos foi muito reduzida (menos de 4% do total) e que a escravatura é algo que não existe legalmente no actual território nacional há mais de 200 anos. Ou seja, o problema não existia antes de o terem criado ou ressuscitado, de forma muito distorcida, e é de temer que a nova disciplina de História do 12º ano possa servir para várias ressuscitações ou injecções de supostas “questões socialmente vivas”.

Tenho a mesma desconfiança quanto à matéria-prima que os autores do programa da disciplina querem usar para ensinar os alunos do 12º ano a fazer a História. Uma parte do texto do Expresso relaciona-se com a crítica que fiz à primazia ou relevância dada às memórias no âmbito da nova disciplina. Diz Monteiro de Barros, nesse texto, que “as memórias individuais e colectivas — orais ou escritas — devem ser valorizadas porque são essenciais para fazer História”. Serão essenciais? Dependerá das memórias e de várias outras coisas, entre as quais o intervalo de tempo entre a sua génese e a chegada até nós. Convém lembrar que as memórias são fragmentadas, e geralmente emotivas e parciais, e que a História, tendo as memórias em consideração, não se reduz a elas. Além disso, e no caso das memórias orais, há o problema da distância. Admito que “as memórias dos sobreviventes da Shoah podem ser tão ou mais importantes para o apuramento dos factos e processos quanto os registos nazis” (foi esse o exemplo que Miguel Monteiro de Barros utilizou), mas já tenho mais dificuldade em aceitar pelo valor facial memórias a 200 ou 300 anos de distância e que foram, ao longo desse tempo, transmitidas de pessoa a pessoa.
Como referi no meu artigo anterior e toda a gente perceberá, essa transmissão permite várias adulterações (quem conta um conto aumenta um ponto) o que é muito menos provável num documento escrito. O que está registado, preto no branco, fica mais frequentemente inalterado do que o que se transmite de boca em boca. Mas a veracidade de uma coisa e de outra tem de ser avaliada por um historiador e está sujeita à crítica documental. Quererá Monteiro de Barros fazer essa crítica documental e “fazer História” nas salas de aula com alunos do 12º ano?

A História é uma actividade de rectaguarda, ponderada, amadurecida, examinadora, que tenta sintetizar e conceptualizar, depois de analisar muita informação, e não se faz na base de duas ou três opiniões ou recordações de outros tantos cidadãos ou cidadãs. É por isso que pode ser um erro introduzir memórias avulso na sala de aula sem o respectivo escrutínio porque, para me ater ao mesmo exemplo, poderá haver a tendência de aceitar as memórias dos sobreviventes do Holocausto como boas, por virem das vítimas, e de rejeitar os registos nazis como falsos, por virem dos verdugos. Ora, é errado pensar que há testemunhos que são mais importantes ou verídicos do que outros apenas em função da sua proveniência, como se os testemunhos tivessem cargas morais que os certifiquem os desqualifiquem ab initio. Um historiador não pode funcionar assim. Tem de ponderar tudo, de cabeça fria, e talvez fosse esse o melhor ensinamento a transmitir aos alunos do 12º ano porque a leitura emocional da História deve ser frontalmente rejeitada e eu receio que o programa da nova disciplina a tolere ou, pior do que isso, a encoraje.
Esse encorajamento está, aliás, e infelizmente, na moda. Há tempos deparei-me, no Público, com uma entrevista a Wayne Modest, um ex-director dos museus de História e de Etnografia de Kingston, Jamaica, actualmente a leccionar na Holanda, e que já esteve em Lisboa para falar — sim, adivinharam — de descolonização dos museus. Que nos diz Modest na referida entrevista? Em boa parte dela repete o já conhecido e estafado discurso politicamente correcto sobre descolonização do pensamento, sobre a exigência de pedidos de perdão e de reparações, sobre o cuidado em evitar expressões ou imagens que possam ofender as pessoas não-brancas que visitam os museus, etc. Tudo isso é déjà vu. Mas no fim da entrevista, e depois de afirmar que acredita no remorso, na vergonha e na culpa como formas de estimular a acção, Wayne Modest confessa-se partidário de “uma leitura emocional da História”.

Aqui em Portugal há muitos Wayne Modest. Por mais que se lhes mostre que a sua visão sobre o passado está substancialmente errada, por estar desfocada, descontextualizada, distorcida, eles carregam no pedal das emoções e seguem a direito como se nada fosse. Mais preocupante ainda é que há vários historiadores de esquerda que se gabam de não serem imparciais, e fazem-no com espavento. Arvoram e anunciam a sua parcialidade com sorrisos de orgulho como se ela fosse uma condecoração ou uma menção honrosa, algo de que as pessoas devessem orgulhar-se. Para que servirá a História que escrevem nestas circunstâncias? Em que é que se diferenciará do mito, da memória não escrutinada, da propaganda e da acção políticas e, em casos extremos, da histeria?

A entrevista de Wayne Modest é inquietante porque nos revela, uma vez mais, a que ponto as Ciências Sociais e Humanas nas universidades estão actualmente tomadas por pessoas com um quadro de pensamento politicamente correcto e “emotivo”. É delas que vem, por exemplo, esta corrente de acusações fora de tempo ao passado colonial dos países ocidentais e, no âmbito que mais directamente nos toca, ao passado colonial dos portugueses. A escravatura, o trabalho forçado, o colonialismo, têm estado sob escrutínio e em julgamento quase diários como se ainda fossem coisas do presente. Nas redes sociais, nas televisões, em artigos na imprensa, os escrutinadores têm assumido o papel de acusadores, exigindo ao Estado português confissões de culpa e os correspondentes pedidos de perdão e a concessão de compensações materiais ou outras. Têm reivindicado, também — e, pelo que se vê, com algum sucesso —, a alteração dos programas de História para que lá caibam as matérias e as versões que os activistas querem que sejam ensinadas (e para que se suprimam outras, que eles detestam). Era de evitar que essa corrente, que muito valoriza e privilegia as memórias como fontes históricas, aproveitasse as aberturas que lhe são dadas no programa da nova disciplina do 12º ano e impregnasse mais do que já impregnou o nosso ensino.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

Valores esquerdistas estão deixando os jovens menos felizes


As taxas de suicídio, depressão, tiroteios em massa, ferimentos autoinfligidos e solidão (em todas as idades) são as maiores já registradas nos EUA. Artigo de Dennis Prager, publicado pela Gazeta:

Comecei a primeira parte do texto “Por que tantos jovens são infelizes” com dados mostrando uma taxa aparentemente sem precedentes de infelicidade entre os jovens norte-americanos (e em todos os lugares do mundo, mas estou me atendo aos Estados Unidos).
As taxas de suicídio, depressão, tiroteios em massa, ferimentos autoinfligidos e solidão (em todas as idades) são as maiores já registradas.
Parece que os norte-americanos eram mais felizes, e certamente menos solitários, durante a Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial, mesmo com os níveis inéditos de saúde, longevidade, educação e bem-estar material de hoje.
Não há, claro, uma única explicação para isso, e mencionei várias justificativas possíveis.
O uso cada vez maior de drogas ilegais e o uso indiscriminado de drogas legais e uma interação humana menor por causa do uso constante de celulares estão entre as explicações válidas mais citadas. Entre as demais explicações menos válidas estão a competitividade, a ansiedade por conta de notas na escola, o capitalismo e a desigualdade de renda. E há ainda o medo dos jovens de que, por causa do aquecimento global, eles tenham um futuro triste, se é que terão um futuro.
Valores e sentido

Mas acredito mesmo que a perda de valores e de sentido na vida sejam as duas maiores fontes de infelicidade.
Entre os valores perdidos estão os das associações comuns. Como escreveu em 1831 o maior observador estrangeiro da vida nos primórdios dos Estados Unidos, o francês Alexis de Tocqueville, a maior força dos norte-americanos está na participação deles em várias associações não-governamentais – profissionais, sociais, civis, políticas, artísticas, filantrópicas e, claro, religiosas.
Mas tudo isso perdeu sentido à medida que o governo cresceu. Antes os norte-americanos se reuniam e criavam laços de amizades por meio de associações não governamentais. Mas, hoje, em que associações eles arranjarão amigos?
Num vídeo de 2012 da convenção nacional do Partido Democrata, eles responderam a essa pergunta: “O governo é a única entidade a que todos pertencemos”, disse o narrador.

Há ainda os valores tradicionais da classe média, como o casamento antes dos filhos.

Hoje em dia boa parte dos norte-americanos nasce de mães solteiras e há cada vez menos pessoas se casando. Pela primeira vez na nossa história, há mais norte-americanos solteiros do que casados.
Embora seja possível se sentir solitário num casamento, a probabilidade de as pessoas se sentirem sozinhas é bem maior sem um cônjuge e filhos.

E chegamos aqui ao maior problema de todos: a falta de sentido na vida.
Além de alimentação, a maior necessidade humano é de sentido. Devo essa revelação a Viktor Frankl e sua obra clássica O Homem em Busca de um Sentido, que li pela primeira vez no ensino médio e que me influenciou mais do que qualquer outro livro, exceto pela Bíblia.

Motivações

Karl Marx via o homem como um ser motivado sobretudo pela economia. Sigmund Freud via o homem como um ser motivado sobretudo pelo desejo. Charles Darwin, ou ao menos seus seguidores, nos via como seres motivados pela biologia.

Mas Frankl tinha razão.
Quanto à economia, pobres que veem um sentido na vida podem ser felizes, mas ricos que não veem sentido não podem.
Quanto ao sexo, pessoas sem vida sexual (como padres que fazem voto de castidade, muitos viúvos e pessoas divorciadas, e outros grupos), mas que veem sentido na vida, podem ser felizes. Pessoas sexualmente ativas que não veem sentido não podem.
Quanto à biologia, não há uma explicação evolutiva para a necessidade de sentido na vida. Todas as criaturas, exceto o ser humano, vivem bem sem um sentido.

E nada dá mais sentido aos norte-americanos — na verdade, a qualquer outro povo — do que a religião. Mas, desde a Segunda Guerra Mundial, Deus e a religião foram legados ao lixo da história.
O resultado?

Mais de um terço dos norte-americanos nascidos depois de 1980 se dizem sem religião. Isso é algo inédito na história dos Estados Unidos. Até essa geração, a maioria dos norte-americanos se considerava religiosa.
Talvez a morte da religião – a instituição que mais dá sentido à vida, embora não a única — seja o maior fator no aumento da tristeza e solidão entre os norte-americanos (e outros povos).

Um estudo de 2016 publicado pelo periódico da Associação Médica Norte-Americana descobriu que mulheres que frequentavam cultos religiosos ao menos uma vez por semana tinham cinco vezes menos chance de cometerem suicídio. O senso comum sugere que o mesmo se aplica aos homens.
Em resumo: muitos jovens estão deprimidos, infelizes e com raiva porque a esquerda lhes disse que Deus e as religiões judaico-cristãs são uma bobagem, o país deles é mau, o passado deles é deplorável e que não há esperança para o futuro deles.
Essa parece ser a principal razão, senão a única, para tanta infelicidade: não o capitalismo, não a desigualdade, não o patriarcado, sexismo, racismo, homofobia ou xenofobia, e sim a ausência de religião, de Deus, de cônjuges, de comunidade, de pátria e, por fim, de sentido na vida. Isso explica boa parte da infelicidade inédita.

E isso explica a disseminação da adoção de um substituto secular à religião tradicional: o esquerdismo. Ao contrário do judaísmo e cristianismo, porém, o esquerdismo não leva felicidade a seus seguidores.
Dennis Prager é colunista do Daily Signal, radialista e criador da PragerU.
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"Crise do avião" deu mais poder a Guedes nas privatizações e concessões


Após a “crise do avião”, Onyx Lorenzoni perdeu o comando do PPI para Paulo Guedes. Reportagem de Jéssica Sant'Ana para a Gazeta do Povo:

Ao ganhar o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), o ministro da Economia, Paulo Guedes, alcança um desejo antigo: o de centralizar o comando das privatizações na sua pasta. Ele ainda traz para si a gestão dos leilões de infraestrutura e de outros ativos. Atualmente, o programa tem 115 ativos em sua carteira para concessão à iniciativa privada, sendo que 79 deles devem ir a leilão ser neste ano.
O anúncio da transferência do PPI da Casa Civil para o Ministério da Economia foi feito nesta quinta-feira (30), pelo presidente Jair Bolsonaro, em sua conta oficial do Twitter. Bolsonaro decidiu pela mudança ao tentar encerrar de vez a crise provocada pelo uso de um avião da FAB por Vicente Santini, que até terça-feira (28) era secretário executivo da Casa Civil e ocupava interinamente o comando da pasta durante as férias do titular, Onyx Lorenzoni. Na quarta (29), após a exoneração, Santini chegou a ser admitido em novo cargo, mas durou poucas horas no posto.
“Informo que em Diário Oficial será publicado: tornar sem efeito a admissão do servidor Santini; exonerar o interino da Casa Civil; e passar a PPI da Casa Civil para o Ministério da Economia”, escreveu o presidente no Twitter.
Quando o PPI estava vinculado à Casa Civil, o comando das privatizações ficava dividido entre a pasta comandada pelo ministro Onyx e a secretaria especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da Economia. Essa secretaria foi criada pelo ministro Paulo Guedes para tocar as desestatizações do governo, uma promessa de campanha. A secretaria é chefiada pelo empresário Salim Mattar, fundador da Localiza, que foi recebido na manhã desta quinta (30) por Bolsonaro.
Bolsonaro recebeu na manhã desta quinta (30) Salim Mattar, secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da Economia, que agora vai cuidar do PPI.

Estão entre as principais funções da secretaria de Salim Mattar o mapeamento das estatais do governo e a definição de quais são passíveis de privatização. O secretário também tem como função convencer os ministros responsáveis por cada uma das estatais privatizáveis sobre a necessidade de venda. Até o momento, das 46 estatais de controle direto da União, 17 já entraram na lista para uma possível venda ou fechamento, com 15 delas tendo um cronograma estabelecido até 2022.
Após o mapeamento e definição das estatais privatizáveis, o nome da empresa é levado para apreciação do Conselho do PPI. Esse conselho era comandado pelo chefe da Casa Civil, o ministro Onyx, já que o programa era vinculado à sua pasta. Fazem parte ainda do conselho o presidente Jair Bolsonaro, alguns ministros e os presidentes dos bancos públicos, além da atual secretária especial do PPI, Martha Seillier.
Cabe ao conselho do PPI aprovar a inclusão de uma estatal para estudo sobre uma possível privatização. Uma vez incluída no PPI, o programa contrata junto ao BNDES estudos para decidir se o melhor caminho mesmo para a empresa é a venda ou fechamento. O conselho do PPI também pode incluir uma estatal direto no Programa Nacional de Desestatizações (PND), partindo para os estudos de modelagem de venda. Mas isso só acontece em casos mais consensuais e quando a venda da estatal não precisa de autorização do Congresso.

Com o PPI no ministério da Economia, o chefe do Conselho do programa deverá ser o ministro Paulo Guedes. E, uma vez vinculado à Economia, a tendência é que a gestão do programa, em especial sobre as privatizações, seja centralizada pela secretaria de Salim Mattar. A Gazeta do Povo procurou a pasta para saber se Martha Seiller continuará como secretária especial do programa, mas não teve retorno.
Como deve ficar o PPI em relação às privatizações

Segundo apurou a Gazeta do Povo, Salim Mattar já vinha nos bastidores tentando trazer para sua secretaria o comando das privatizações. A ideia de Mattar é deixar o PPI apenas com a gestão das concessões, uma tarefa que é dividida também com os ministérios da Infraestrutura e de Minas e Energia, entre outros.
Para isso, deve enviado um projeto de lei ao Congresso, o fast track das privatizações. Esse projeto conterá uma lista com todas as estatais que o governo entende que podem ser privatizadas. Uma vez aprovado pelo Congresso sem alterações, essas estatais entrariam direto no Programa Nacional de Desestatizações, sem precisar passar pelo Conselho do PPI. E a gestão dos leilões de privatização seria delegada à secretaria especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados, e não mais dividida com o PPI, como é hoje.

O projeto também deve prever que o BNDES continuará atuando na contratação e na gestão dos estudos de modelagem para venda das estatais. Técnicos do Ministério da Economia consideram que não seria bom momento para abrir mão da expertise do banco nessa área. Além disso, o banco é comandando atualmente por Gustavo Montezano, que antes era o número 2 do Salim Mattar na secretaria especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados.
Fim das divergências?

A intenção de centralizar as privatizações no Ministério da Economia buscava evitar as divergências entre os membros do governo. A Gazeta do Povo noticiou na quarta-feira (29) que o secretário Salim Mattar divulgou um calendário de privatizações desenhado pelo BNDES diferente do calendário feito pelo PPI. O calendário do PPI estava sendo apresentado a investidores como o oficial do governo.
Ainda segundo apurou a Gazeta do Povo, o Ministério da Economia queria ter incluído já em agosto, na segunda reunião do Conselho do PPI, a Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) na lista das estatais passíveis de privatização. O nome, porém, foi vetado por integrantes do Planalto durante a reunião. A EBC só foi incluída no PPI para estudos sobre uma possível privatização em novembro, na terceira reunião do conselho.
Antes de Onyx, PPI era do general Santos Cruz

A ida do PPI para o guarda-chuva do Ministério da Economia é a segunda troca que o programa de investimentos passa. No começo do governo, ele era vinculado à Secretaria de Governo, que tem status de ministério e era comandada pelo general Carlos Alberto dos Santos Cruz. Durante o governo de transição, Guedes e o ex-ministro Gustavo Bebianno tinham manifestado interesse em ficar com o programa, mas Bolsonaro preferiu deixar sob o comando de um militar.
Em julho, após a queda de Santos Cruz, Bolsonaro transferiu o PPI para a Casa Civil. O programa também passou por mudanças. Onyx exonerou o secretário especial Adalberto Vasconcelos e nomeou Martha Seillier para o comando do PPI. Martha foi uma recomendação do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, devido ao conhecimento técnico dela na área de concessões. Vasconcelos era o chefe do PPI desde o governo Temer e tinha sido mantido no cargo por Santos Cruz.
O PPI é um dos programas mais cobiçados dentro do governo. Atualmente, são 115 ativos incluídos dentro da carteira do programa e 11 políticas públicas. A grande parte para concessão ou parceria com a iniciativa privada. Mas também há as desestatizações de estatais. Desde a sua criação, em 2016, o PPI já fez 172 leilões, atraindo R$ 699,6 bilhões (US$ 171 bilhões) em investimentos e arrecadando R$ 137,1 bilhões (US$ 33,5 bilhões) em outorga para a União.
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Guzzo: "É inadmissível a demissão de um ministro por obra de forjadores".


Bolsonaro não acreditou na palavra de Santos Cruz. Acreditou nas fitas e demitiu um ministro que é general do Exército. J. R. Guzzo, em sua coluna publicada pelo Metrópoles:

O general Santos Cruz foi demitido do seu cargo de ministro da Secretaria de Governo, em meados de 2019, por ter dito uma série de coisas horríveis a respeito do presidente Jair Bolsonaro – ou era isso, pelo menos, que aparecia em fitas gravadas de suas conversas. Na ocasião, o general negou que tivesse dito quaisquer dessas coisas. Nem poderia, explicou ele, porque no momento em que foram feitas as tais gravações, estava dentro de um avião, voando sobre a Amazônia, sem contato com o mundo exterior.
Bolsonaro não acreditou na palavra de Santos Cruz. Acreditou nas fitas e demitiu o ministro, pouco depois de ter tomado conhecimento delas. Agora, uma perícia da Polícia Federal prova que as fitas foram forjadas – Santos Cruz nunca disse o que disseram ao presidente que ele havia dito. Como é que vai ficar isso, então?

É perturbador que um ministro de Estado seja demitido de seu cargo com base na violação criminosa de suas comunicações. É mais perturbador ainda que falsificadores de conversas trafeguem nos mais altos círculos da República, a ponto de fornecerem ao presidente Bolsonaro o conteúdo de suas fraudes. É perturbador, enfim, que o presidente prefira acreditar em falsários e não na palavra que lhe foi dada por um oficial-general do Exército brasileiro – e o pior de tudo será que tudo fique por isso mesmo, com a admissão de que há um lado escuro dentro do governo e que este lado pode agir com impunidade, mesmo depois da comprovação de suas ações.
Quem são os falsificadores? Da próxima vez que vierem com um golpe parecido, o presidente da República vai acreditar neles outra vez? Não se trata de pequenas intrigas de palácio – e sim da atividade de uma gangue que forja conversas para obter objetivos claramente definidos. Quem está seguro, se essa gente continuar em ação?
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Deirdre McCloskey no Brasil


Autora da monumental trilogia Virtudes Burguesas, a historiadora Deirdre McCloskey é uma liberal em tempo integral, escreve Fernando Schüler na Gazeta do Povo:

Deirdre McCloskey visita o Brasil nesta semana. Concorde-se ou não com suas ideias, é alguém que merece atenção. Ela é autora de uma trilogia monumental, Bourgeois Virtues, sobre a formação do mundo moderno, e recentemente lançou Why Liberalism Works, com um bom resumo de suas visões, ainda sem tradução no Brasil.
Não faço ideia da razão pela qual a palestra que daria na Petrobras foi cancelada. O que é irrelevante, visto que todos, como sempre, já sabem de tudo, não é mesmo? Mas o episódio me dá uma boa pista sobre como começar explicando quem é a senhora McCloskey.
Em primeiro lugar, é uma liberal em tempo integral. Não brinca com essa história de separar a liberdade econômica das liberdades na cultura e nos costumes. O liberalismo nasce do direito de dizer “não”. Ponto. Seu vértice é a “igualdade de consideração e respeito”. Vem daí seu horror a qualquer forma de reacionarismo, à esquerda e à direita, e seu mau humor com o bolsonarismo. Em especial sua ideia de inflexionar políticas públicas para a “maioria cristã”, real ou imaginária.
O liberalismo, na sua visão, não se situa em um algum ponto intermediário entre esquerda e direita. Socialistas e conservadores gostam do Estado, por diferentes razões. Liberais gostam do fluxo espontâneo da vida. Isso vale tanto para quem quer enquadrar aplicativos de transporte na CLT, padronizar as escolas ou dizer que tipo de arte vale e qual a estrutura “verdadeira” de uma família.

Sua visão do mundo atual contrasta com o catastrofismo reinante em boa parte do universo intelectual. Em 200 anos, diz ela, a renda média cresceu perto de 30 vezes, e a miséria foi virtualmente extinta no mundo avançado. Nos anos recentes, o avanço migrou para o mundo em desenvolvimento. A igualdade cresceu entre os países. Entre o início dos anos 1990 e 2015, segundo dados do Banco Mundial, caiu de 36% para 10% o número de pessoas vivendo abaixo da linha de extrema pobreza, sendo a China a maior responsável por esse resultado.
É no acesso a bens essenciais para o bem-estar, no entanto, que a qualidade de vida e um sentido básico de igualdade vêm avançando mais rapidamente. O Serviço de Estatísticas do Trabalho dos EUA mostrou que “em 1901, um domicílio americano gastava em média 42,5% de sua renda com alimentação, contra apenas 13,2% em 2002”. Os dados são amplamente conhecidos e deixam muita gente nervosa. Eles põem água fria na retórica de que estamos nos tornando uma enorme Gotham City, povoada por palhaços abandonados e bilionários malvados.
Deirdre vai na contramão desse discurso, argumentando que são exatamente políticas de abertura e inclusão ao mercado que vêm retirando milhões de pessoas da miséria, mundo afora. Ela não vê problema na desigualdade econômica ou na multiplicação do número de bilionários, desde que sua riqueza venha da competição, da inovação, da melhora da vida dos outros, e não da captura do Estado.

Perguntei-lhe qual a sua ideia mais original. Ela não pensou muito para mencionar a tese de que é o livre fluxo de ideias e a inventividade humana, não o capital, a geopolítica ou a educação formal, que estão na base da prosperidade.

Seu foco são as ideias e a narrativa. A virada para o século 19 assistiu a uma mutação em vastas regiões da Europa e na América. O homem comum, o padeiro, o comerciante, o inventor de coisas ganhou dignidade, e sucessivas barreiras foram quebradas. Uma narrativa honrando o “inovismo”, termo que ela por vezes usa no lugar de capitalismo, cumpre aí um papel vital. Coisa que vai muito além do terreno econômico, invadindo a cultura, os direitos, o sexo e os estilos de vida.
Deirdre chamava-se Donald e resolveu trocar de sexo, no fim dos anos 1990. Fez de si mesma um exemplo dessas coisas. Seus filhos não a perdoaram. Tem um neto que nunca conheceu. Em algumas noites tristes, costumava estacionar o carro perto da casa do filho mais velho e observar seus amores, solitária. Com o tempo, parou de fazer isso. Tornou-se uma professora bem-humorada com um evidente gosto para desafiar o senso comum. Ela parece saber que, na vida pessoal ou intelectual, a liberdade cobra seu preço. E que é preciso seguir vivendo.
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Brexit: agora começa a parte mais difícil.


Em vários sentidos, a percepção, muito bem fundamentada, de que o sistema da União Europeia estava capturando a soberania nacional pesou muito mais na opção pelo Brexit do que as considerações econômicas. Vilma Gryzinski:
Tudo o que Winston Churchill disse virou lugar comum, mas é irresistível repetir: às 11 horas da noite de amanhã, é o fim do começo do Brexit.

Para chegar ao fim mesmo, tem mais um ano de transição, com negociações da pesada sobre como será a saída real, com novos acordos comerciais – ou não – entre a ovelha rebelde que deixou o rebanho e o resto da União Europeia.

Mas agora não tem volta, os respectivos parlamentos aprovaram a separação.

Teve até no Parlamento Europeu a melancólica canção Auld Lang Syne, obrigatória nos finais de ano e filmes de guerra do passado (no Brasil, Valsa da Despedida: “Adeus, amor/ Eu vou partir/ Ouço ao longe um clarim”; não exatamente o mesmo que o original em escocês).
Não vai ter festa nem o Big Ben soará suas badaladas históricas, como queria o primeiro-ministro Boris Johnson.

Ao contrário, a parte do reino que não queria sair de jeito nenhum está de luto. E até aqueles que queriam, existe um sentimento de coração apertado.

As pesquisas confirmam isso. A mais recente perguntou: “Olhando para trás, foi certo ou errado votar por sair da União Europeia?”.

Respostas: errado para 47% (um resultado muito parecido com o do plebiscito de 2016); certo para 40%. Não sabem: 13%.
Talvez sejam os mais realistas.

O divórcio tem dimensões gigantescas. As possibilidades negativas são de abalar o mais gélido sangue frio inglês.

As positivas dependem de negociações vastíssimas, boa vontade de (quase) estranhos, confiança para refazer parcerias, circunstâncias incontroláveis da economia mundial.

Se um vírus respiratório na China ameaça encolher o PIB em países do outro lado do planeta, imaginem o Brexit.
Como os britânicos vão continuar a vender os carros, peças e outros manufaturados – quase a metade da produção total – que entravam livremente no mercado comum? E a receber o movimento inverso?

A Honda britânica fez o cálculo mais assustador na fase pré-Brexit, em 2017: cada 15 minutos de atraso na alfândega custariam 850 mil libras por ano.

E deu um número: a montadora recebe 350 caminhões transportando componentes por dia.

Deixará de recebê-los porque a fábrica vai fechar em 2021.
E a City, o pulsante coração financeiro de alcance global, sede “para a Europa” dos maiores bancos do mundo, com concorrentes como Frankfurt e Paris loucos para atrair suas estrelas?

Continuar com as mesmas regras da União Europeia, aproveitar a maior flexibilidade facilitada pelo Brexit? Mudar de planeta?

Em compensação, depois da histórica vitória eleitoral em dezembro, 49% da população britânica apoiam o Partido Conservador de Boris Johnson. A oposição trabalhista fica vergonhosos 20 pontos atrás.

O povo quer que a coisa dê certo, mas capital político vira fumaça muito rapidamente e não existe um único profissional do ramo que não saiba disso.
A vitória dos tories, como são chamados os conservadores, na eleição de dezembro, que deu a maioria necessária para passar o Brexit no Parlamento britânico, veio em boa parte de eleitores tradicionais do Partido Trabalhista que simplesmente mudaram de lado pela primeira vez na vida.

Muitos foram diretamente atingidos pela brilhante estratégia de Dominic Cummings, o gênio esquisitão que bolou a campanha original em favor do Brexit.

Cummings mirou, distrito por distrito, as pequenas cidades decadentes da região norte da Inglaterra, abandonadas pelas transformações econômicas e pelo enxugamento dos serviços públicos.

Como cumprir a promessa de redinamizar lugares que parecem irrecuperáveis e ao mesmo tempo correr os enormes riscos envolvidos no Brexit, refundar – ah, que palavrinha – uma economia acomodada às regras comuns desenvolvidas ao longo dos últimos cinquenta anos?
É, realmente, de dar um frio na barriga.

O artigo que não faltou a Boris Johnson para se declarar capaz de fazer tudo isso foi autoconfiança.

Nem aos eleitores que votaram pelo Brexit e, depois de tanta enrolação, lhe deram um mandato para realizar o que as urnas determinaram.

Em vários sentidos, a percepção, muito bem fundamentada, de que o sistema da União Europeia estava capturando a soberania nacional pesou muito mais na opção pelo Brexit do que as considerações econômicas.
Mais complicado é explicar por que 80% dos donos de pequenas empresas estão se sentindo “muito otimistas” em relação a 2020. E 45% estão esperando ampliar mercados na própria Europa.

Será mais uma excentricidade inglesa ou o pessoal com o pé mais perto do chão sabe alguma coisa que todos os figurões que fizeram campanha contra o Brexit até não poder mais não sabiam?

Cada pequeno tropeço será ampliado por todas as forças que estão de luto, cada avanço se diluirá no quadro geral.

Espetacularmente vitorioso há um mês, Boris Johnson pode muito bem acabar no buraco que tem devorado primeiros-ministros nos últimos quatro anos como se fossem sanduichinhos de pepino.
Menos de uma semana antes da data histórica, desafiou os Estados Unidos e muitos de seus próprios colegas ao aprovar a Huawei como fornecedora de parte da infra de 5G no Reino Unido.

Trocar a União Europeia pela China não é exatamente um assomo de independência. Mas é o que tem para o momento.

Vem aí mais um ano disso. E de outras surpresinhas.

Se Deus salva a rainha Elizabeth II há 93 anos de idade e 66 de reinado, há de ter um tempo extra para dar um fôlego novo à “sceptred isle”, a terra de majestade, o lugar abençoado, “este reino, esta Inglaterra” que Shakespeare fez seu duque de Lancaster cantar.
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Fé católica e Darwin: sobre um tuíte confuso do jornalista Pedro Dória.


Flavio Gordon publica, em sua coluna na Gazeta, interessante artigo sobre o criacionismo. Tem razão em dizer que o catolicismo não é criacionista, isto é, não interpreta o Gênesis literalmente, como o fazem algumas religiões associadas ao cristianismo. Tem razão em dizer, também, que Darwin não era ateu: no máximo, era agnóstico. Sabia que Deus é uma questão de fé, não de ciência. Como já afirmara o filósofo Kant, que não era ateu nem agnóstico, Deus não é um problema do conhecimento: é objeto de fé, pois não existe nenhum argumento que possa transformá-lo em objeto de conhecimento - que é sempre dependente da união de duas faculdades, intelecto e sensibilidade. Não há conhecimento do supra-sensível. A conclusão serve tanto para o teísmo quanto para o ateísmo - dois tipos opostos de fé:


Dia desses, em provável referência ao criacionismo do novo presidente da Capes (que é evangélico), o jornalista Pedro Dória comentou em sua conta no Twitter: “Amigos católicos, percebo que alguns de vocês estão desatualizados. Desde Pio XVII (sic), em 1950, que a Igreja considera que não há incompatibilidade entre fé e Darwin. A Igreja Católica não é criacionista faz muito tempo. Não é anticientificista. Foi. Não mais e faz tempo”.
Deparando-me com o tuíte, só consegui lembrar do que disse certa vez o físico alemão Wolfgang Pauli ao receber de um jovem aluno o esboço de um artigo sofrível: “Não é apenas que não esteja certo. Não está nem mesmo errado”.
De fato. Para chegar a estar errado, o comentário de Pedro Dória teria de melhorar um bocado.
Há, logo de cara, a curiosa referência ao papa “Pio XVII” – pontífice que talvez venha a surgir no futuro, mas que, por enquanto, não existe. O jornalista decerto estava pensando em Pio XII e na sua encíclica Humani Generis. Mas até aí, nada de grave. Trata-se de um lapso desculpável em se tratando de redes sociais.
O que já não dá para desculpar é a falta de jeito no manejo de termos como “criacionista” e “anticientificista”, que requerem do leitor grande esforço para imaginar o que, sem ser plenamente capaz de fazê-lo, o jornalista estava tentando dizer. No jargão do futebol, dir-se-ia que o rapaz não tem muita intimidade com a pelota.
Só podemos especular que, por “anticientificista”, ele quisesse dizer, na verdade, anticientífica. Ora, o cientificismo é uma ideologia que toma a ciência apenas como pretexto e, a despeito da relação morfológica entre as palavras, conceitualmente tem tanto a ver com a ciência quanto o vegetarianismo tem a ver com os vegetais.
Portanto, como é de se esperar de todo sujeito racional (incluindo qualquer cientista digno do nome), a Igreja continua, sim, sendo anticientificista – ou seja, contrária à transformação da ciência em ideologia. Mas não, a Igreja não é (nem nunca foi, ao contrário do que diz o jornalista) contrária à ciência enquanto tal. E só mesmo uma inteligência moldada por fábulas anticlericais infantis para continuar acreditando nisso.
Cientificismo à parte, todavia, Pedro Dória também se atrapalha com o criacionismo, ao dizer que “a Igreja Católica não é criacionista faz muito tempo”.
Tecnicamente, o termo “criacionismo” aplica-se a um contexto religioso bastante específico, que pouco tem a ver com o catolicismo, a não ser quando empregado em sentido vago e artificialmente ampliado. A palavra designa o modo fundamentalista e literalista com que uma parte do protestantismo norte-americano lida com a Bíblia, acreditando que o universo foi criado por Deus exatamente da forma como descreve o livro do Gênesis, ou seja, em sete dias contados, cada qual com 24 horas de duração.
Acomodando-se mal fora do contexto norte-americano, o termo diz respeito, mais especificamente, ao movimento antievolucionista surgido nos Estados Unidos nos anos 1920, cujo episódio mais célebre, romantizado na Broadway e em Hollywood, foi o “Julgamento do Macaco” (também conhecido como “Caso Scopes”) – no qual o professor de ciências John T. Scopes foi levado a julgamento por ensinar a Teoria da Evolução em uma escola secundária na cidade de Dayton (Tennessee).
Depois de um período de certo esgotamento, houve nos anos 1960 uma espécie de renouveau do criacionismo, sobretudo após a publicação do livro The Genesis Flood, de John C. Whitcomb e Henry M. Morris, quando o movimento passou definitivamente a reivindicar o estatuto de científico, lutando para que os currículos escolares incorporassem a “ciência criacionista” como alternativa à Teoria da Evolução das espécies.
Também refém da ideologia cientificista, o criacionismo é uma tentativa de provar cientificamente (ou, se preferirem, materialisticamente) as verdades reveladas, quase como se a Bíblia pudesse ser lida à moda de uma apostila de história natural. E, nesse sentido particular, não é que a Igreja Católica tenha deixado de ser criacionista nos anos 1950, como pretende o jornalista do Estadão. Na verdade, ela nunca o foi.

A insistência católica na importância da tradição consagrada pelo magistério da Igreja vem justamente da percepção desse risco de leituras descuidadas e literalistas das Sagradas Escrituras, que, na ausência de um conhecimento especializado em filologia e hermenêutica, acabam distorcendo gravemente o sentido do texto. Há muitas camadas interpretativas na Bíblia, que exibe uma estonteante variedade estilística e simbólica, bem como o recurso frequente à linguagem figurada.

Daí que, por exemplo, a constituição dogmática Dei Verbum recomende: “O intérprete da Sagrada Escritura, para saber o que Ele [Deus] quis comunicar-nos, deve investigar com atenção o que os hagiógrafos realmente quiseram significar e que aprouve a Deus manifestar por meio das suas palavras. Para descobrir a intenção dos hagiógrafos, devem ser tidos também em conta, entre outras coisas, os ‘gêneros literários’. Com efeito, a verdade é proposta e expressa de modos diversos, segundo se trata de gêneros históricos, proféticos, poéticos ou outros. Importa, além disso, que o intérprete busque o sentido que o hagiógrafo em determinadas circunstâncias, segundo as condições do seu tempo e da sua cultura, pretendeu exprimir e de fato exprimiu servindo-se dos gêneros literários então usados. Com efeito, para entender retamente o que o autor sagrado quis afirmar, deve atender-se convenientemente, quer aos modos nativos de sentir, dizer ou narrar em uso nos tempos do hagiógrafo, quer àqueles que costumavam empregar-se frequentemente nas relações entre os homens de então”.
O uso bíblico dos numerais, por exemplo, é sabidamente complexo e prenhe de simbolismo. Já no século 5.º, Santo Agostinho condenava a interpretação literalista que os quiliastas faziam do número mil na passagem “reinariam com Jesus durante mil anos”, do livro do Apocalipse (20,6). Em A Cidade de Deus, tendo em conta a tradição bíblica de simbolizar a ideia de totalidade por um número inteiro, o bispo de Hipona explica que os “mil anos” devem ser compreendidos figuradamente, representando a totalidade do tempo histórico. Ao falar em “mil anos”, portanto, o apóstolo João estaria se referindo ao reino de Cristo em sua Igreja no presente saeculum, cuja consumação no Juízo Final ninguém (“senão o Pai”) sabe quando irá ocorrer.
O fato é que a Igreja Católica jamais esposou o tipo de literalismo bíblico característico do criacionismo. Nem, muito menos, a sua visão cientificista da religião. E, já que Pedro Dória optou por referências veladas e encíclicas papais, talvez devesse ter consultado a Providentissimus Deus (1893), de Leão XIII, que, embora reconhecendo a legitimidade da ciência enquanto domínio específico do saber, instrui expressamente os católicos a jamais buscar informações científicas na Bíblia, seguindo nisso, aliás, uma longa tradição teológica.
Já na Alta Idade Média, havia uma divisão clara no seio da teologia católica entre uma teologia da revelação – que lidava diretamente com as Sagradas Escrituras e com a doutrina da salvação – e aquilo que se convencionou chamar de “teologia natural”, segundo a qual Deus não havia simplesmente criado a natureza, fazendo também com que ela se criasse a si própria por meio de leis naturais. Como explica o historiador da ciência John H. Brooke: “A teologia natural é um tipo de discurso teológico no qual a existência e os atributos da divindade são discutidos em termos do que pode ser conhecido via razão natural, em contraste (embora não necessariamente em oposição) com o conhecimento adquirido por revelação especial”.
Essa divisão no campo teológico remonta ao pensamento dos Padres da Igreja Clemente e Orígenes, conhecidos como “os platonistas cristãos de Alexandria”. No segundo século da era cristã, ambos propuseram a noção de que Deus manifesta a sua essência por meio de dois “livros”: o livro da natureza e o das Sagradas Escrituras. Mais tarde, essa doutrina viria a ser desenvolvida por Agostinho, que terminou por consagrar a distinção entre os ensinamentos bíblicos sobre assuntos espirituais e a descrição do mundo natural.
Ecos dessa concepção, conquanto gradualmente deformados e amputados de sua dimensão transcendente original, permaneceram audíveis no decorrer da história da ciência moderna, inclusive nos primórdios da cosmovisão evolucionista.
Em 1794, por exemplo, ninguém menos que Erasmus Darwin, avô de Charles, escreveu em seu Zoonomia: “O mundo mesmo deve ter sido gerado antes que criado; ou seja, deve ter sido gradualmente produzido a partir de pequenos começos, desenvolvendo-se pela ação de seus princípios inerentes mais do que através de uma súbita evolução total vinda do fiat do Todo-Poderoso. Que ideia magnífica do poder infinito do grande arquiteto! A Causa das causas! O Pai dos pais! Ens Entium! Pois, se nos for permitido comparar infinitos, pareceria requerer uma maior infinidade de poder causar a causa dos efeitos do que os efeitos eles próprios”.
Sendo assim, antes que inimigo da ciência moderna (segundo Dória o imagina antes dos anos 1950), o catolicismo foi, ao contrário, a sua condição de possibilidade. A noção de que o mundo natural pode ser compreendido independentemente do mistério da revelação decorre de uma concepção racionalista de Deus, desenvolvida inicialmente por teólogos como Santo Anselmo, Santo Agostinho e São Tomás de Aquino. Portanto, como afirma o filósofo Alfred Whitehead em Science and the Modern World (1925): “A fé na possibilidade da ciência é uma derivação inconsciente da teologia medieval”.
Quanto à relação entre a Igreja e a Teoria da Evolução, por sua vez, as coisas são um pouco mais complexas do que Pedro Dória quer nos fazer crer. Quando, portanto, ele sugere um endosso simples e inequívoco do papa Pio XII ao darwinismo, parece estar falando de orelhada. Pois, caso tivesse lido com atenção a encíclica à qual se refere – a Humani Generis –, decerto não ignoraria os trechos em que o pontífice alerta para a necessidade de extrema cautela no tratamento do tema, manifestando, ademais, preocupação com as extrapolações metafísicas e ideológicas da teoria. Prosseguiremos daí no artigo da semana que vem.
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